Still Alive [Hiatus]
45 A Truce?
Notas iniciais
Depois respondo os reviews, agora estou muito ansiosa pra postar ♥
— POV SARAH —
Os dias seguiram tranquilamente na prisão. Ao menos naquela semana, não recebemos nenhuma visita de Andrea e nem do Governador.
De certa forma, isso me deixava um pouco angustiada. Aquele maldito não deixaria tudo barato, já devia ter retornado para ao menos checar a quantas andávamos, a não ser que Andrea fosse uma ótima informante.
A propósito, Andrea passou a nos visitar quase todas as semanas daquele mês, e mesmo assim, jamais consegui trocar mais de duas palavras com ela.
Rick sentia que o pior estava por vir, tanto quanto eu. Os demais pareciam tranquilos, o que nos deixava ainda mais alarmados. Eles precisavam estar atentos, como dizem: O inimigo nunca dorme.
Desde que Daryl descobriu que eu estava grávida fui expressamente proibida de sair para a cidade, mesmo que fosse para ir à farmácia ou buscar leite para Judith. Fui rapidamente substituída por Michonne, que por sua vez, preferia ir sozinha. Isso me deixava um pouco mais tranquila. Sabia que Daryl dava-se bem na estrada, de qualquer forma, não gostava nenhum pouco da ideia de tê-lo afastado por mais curto que fosse o período.
Aliás, Michonne passou a ser uma integrante importante do grupo. Por mais que tivesse passado um grande tempo com Andrea e que não fosse uma pessoa de muitas palavras, rapidamente mostrou ser fiel à nossa família, aquela que lhe acolheu e lhe curou.
A princípio, a ideia de Rick era tratá-la e mandá-la embora em seguida, porém, ela acabou mostrando-se muito útil e comprometida. Nunca havíamos nos falado diretamente, todavia, ela parecia ser uma boa pessoa.
Meus enjoos foram diminuindo gradativamente, e como Carol me informou, a fome incomodava-me a todo instante. Como sabia que nossa comida era escassa, na maior parte do tempo eu mentia, dizendo que estava bem, quando na verdade eu estava faminta. Hershel rapidamente descobriu meu artifício, mas pedi que guardasse segredo. Preocupado com minha saúde, ele pediu que Michonne buscasse algumas vitaminas para mim, e ela o fez de bom grado.
Comecei a reparar em meu corpo durante o banho, e realmente pude notar a saliência formando-se em meu ventre, o que me deixava encantada. Daryl esforçava-se para esconder, contudo, eu sabia que ele estava tão fascinado quanto eu. A ideia de ter um filho em meio àquele mundo era assustadora, porém, se eu o tivesse ao meu lado tudo seria possível.
Nas últimas semanas ele evitava me tocar, o que me deixava um pouco aborrecida. Eu estava grávida, não doente, oras! Minhas emoções eram conflituosas e inconstantes, o que fazia com que muitas vezes o deixasse de lado, mas a verdade é que eu realmente sentia falta de quando ele me tocava sem receios. Ele agia como se ao mínimo descuido pudesse me machucar.
Comecei a conversar mais com Merle, e ele me contou muitas coisas sobre a vida deles. Contou-me sobre todas as vezes que fora preso e também os motivos para isso ter acontecido. Certos detalhes me deixavam um pouco assustada, o que lhe arrancava gargalhadas frequentemente. Algumas coisas não pareciam se encaixar na figura de Merle que eu tinha.
Hoje, Rick, Michonne e Carl voltaram à Cynthiana a fim de buscar armas e munição. Enfim, estávamos nos preparando para a guerra eminente. Grande parte do grupo achava que isso era desnecessário e que Rick estava sendo exagerado, mas no fundo eu sabia que sempre devíamos esperar o pior. Segurança demais é um indício de problemas futuros e todos deveriam saber disso.
Daryl estava irritado, pois queria seguir com eles, ao mesmo tempo que queria continuar ao meu lado. Ofereci-me para acompanha-los para que ele pudesse ir, entretanto, ele negou veemente. Realmente não entendia o que ele queria ao certo, então o deixei emburrado com seus pensamentos e saí da prisão, a fim de pegar um pouco de sol.
Sentei-me na passarela e não demorei a ouvir os risinhos e gemidos de Glenn e Maggie. Ao que parecia eles haviam feito as pazes. Talvez fosse melhor escolher outro lugar para ficar, então decidi subir em uma das torres, o que me daria uma visão privilegiada do horizonte.
O céu estava completamente azul, e apenas uma ou outra nuvem branca manchava sua pureza. Concentrei-me em alguns padrões enquanto instintivamente levei a mão à minha barriga, ao sentir um leve cutucão.
Era meu bebê... Era uma sensação estranha e ao mesmo tempo fantástica. Senti-lo se mexendo dentro de mim fazia as coisas se tornarem ainda mais reais.
Escorei minhas costas no parapeito da torre e, quando dei por mim, percebi que algumas lágrimas escorriam por meu rosto enquanto encarava minha barriga de quatro meses, que agora já possuía um leve formato arredondado.
Nunca tive planos de ser mãe, sempre pensei em construir uma carreira, arrumar um bom emprego, casar-me com uma boa pessoa e, quem sabe em um futuro bem distante, construir uma família completa.
Naquele momento era como se a vida tivesse pegado meus planos e os virado totalmente do avesso, confundindo minha cabeça. Jamais imaginei que engravidaria aos vinte anos, porém, nunca pensei que amaria tanto alguém quanto eu amo a Daryl.
As coisas estavam todas erradas, o mundo havia se tornado um péssimo lugar para se criar uma criança, mas que outra escolha eu tinha? Aquela pequena sementinha que crescia em meu ventre, era em parte minha e em parte de Daryl, o que tornava tudo ainda mais mágico. Aquele ser que tomava vida dentro de mim, era resultado de todas as vezes que nos amamos apaixonadamente, e por mais que tentasse me convencer do contrário, eu jamais desistiria.
Daria minha vida por aquele bebê, assim como Lori deu a sua.
—Sarah, o que você está fazendo aqui sozinha? — questionou Daryl, aparecendo de repente.
Encurtei nossa distância e joguei-me contra seu corpo, passando meus braços entorno de seu pescoço.
Ele segurou-me por algum tempo, e logo me soltou, encarando-me de forma confusa.
Naquele momento eu não me importava com sua irritação, ou mesmo com sua birra anterior, eu precisava lhe contar o que havia acontecido, dividir com ele minha felicidade.
— Por que você está chorando? — inquiriu tocando meu rosto com sua mão áspera.
— Ele mexeu... Bem aqui — peguei sua mão e levei-a até meu ventre.
— Tem certeza? Eu não sinto nada — fitou-me com os olhos estreitos.
— Hey, bebê... Você pode fazer de novo para o papai? — senti-me um pouco boba enquanto encarava minha barriga, mas a verdade é que eu sabia que ele podia me ouvir.
Foi engraçado referir-me a Daryl como pai, ele até mesmo encolheu-se um pouco com a palavra. Não fosse minha mão sobre a sua, sabia que ele teria se afastado.
Passaram-se alguns minutos e Daryl começou a ficar impaciente. Quando ele preparava-se para retirar sua mão, senti o bebê mexer-se novamente.
Daryl levantou seus olhos para mim, sorrindo bobamente.
— Isso... foi ele? — perguntou chocado.
— Sim... — respondi sem conseguir parar de sorrir.
Logo já estava em seus braços e ele apertava-me firmemente, levantando-me como se eu fosse uma criança. Eu estava tão feliz que era como se todo aquele sentimento já não coubesse apenas dentro de mim, eu precisava dividi-lo com alguém e Daryl com certeza era a pessoa certa.
Em seguida, largou-me no chão e me beijou ferozmente, como há tanto tempo ansiava. Mantivemo-nos assim por longos minutos, até que ele se ajoelhou à minha frente, tocando minha barriga novamente.
— Vai ser um garotão bem forte... — comentou para si mesmo.
— E se for uma garota? — revirei os olhos. Homens e essa mania de pensar que sempre teremos meninos.
— Vai ser um garoto — afirmou convicto, então apenas dei de ombros.
Passei alguns minutos encarando Daryl, que parecia não se cansar de acariciar minha barriga, talvez esperando que o bebê se mexesse novamente.
Vendo-o daquela forma, não conseguia identificar os traços daquele Daryl que me encontrou sozinha naquela casa. Em todo esse tempo em que estivemos juntos ele havia mudado, tornando-se uma pessoa muito melhor. Talvez ele fosse daquele jeito por sua convivência com Merle, assim como Carol havia dito. Acontece que Merle também havia mudado depois de passar a conviver comigo. Estava começando a convencer-me de que eu despertava aquilo que havia de bom nos Dixons, por mais engraçado que pudesse parecer.
Sorri comigo mesma, todavia, meu sorriso logo se apagou quando vi Daryl levantar bufando, encarando algo às minhas costas.
Encarei o mesmo que ele assim que me virei: Andrea trazia um walker amarrado à sua frente e se aproximava do portão. Desde o dia em que tinha aprendido aquela técnica sabe-se Deus onde, não havia mais nos deixado em paz.
Ao menos na última semana não havia nos perturbado, contudo, ao que parecia, nossa felicidade acabava de ir por água abaixo.
Daryl desceu da torre rapidamente, provavelmente voltando para pegar as chaves e abrir os portões.
A passos largos e extremamente irritada, encaminhei-me até o portão, dando de cara com Andrea.
— Olá, Sarah — cumprimentou-me com um sorriso pacífico demais. — Vocês podem abrir o portão? — perguntou cuidadosa.
— Daryl já está a caminho — comentei simplesmente, escorando-me na grade, ficando de costas para ela.
— Até quando isso vai continuar? — inquiriu levantando o tom.
— Isso o que? — questionei virando-me para encará-la.
— Essa nossa rivalidade, esse atrito. Para mim não há mais motivos para isso... — disse calmamente enquanto fitava meus olhos.
— Mas para mim há. Se você quiser, posso criar uma lista. Tenha certeza de que todas elas incluirão seu amado Governador. Enquanto você estiver ao lado daqueles que tentaram matar as pessoas que você julga ainda serem da sua família, tudo continuará da mesma forma — concluí encarando as cicatrizes abundantes e esbranquiçadas em meu braço.
Apressei o passo a fim de voltar para dentro da prisão. Assim que cruzei com Daryl, ele acenou positivamente com a cabeça, entendendo meus motivos para me afastar. A verdade é que eu não o queria perto dela, mas na ausência de Rick, era como se Daryl fosse nosso “segundo líder”.
— Andrea está aqui — anunciei assim que cheguei ao nosso bloco. Sabia que ao menos Carol gostaria de recebê-la.
Caminhei diretamente até a cela de Merle, que agora se encontrava aberta.
— Problemas, maninha? — indagou largando o livro que estava lendo ao lado da cama.
— Merle Dixon lendo? Será que é possível acontecer um segundo apocalipse? — ironizei, sentando-me ao seu lado.
— Brutos também tem cultura — riu daquele jeito que só ele conseguia. — Agora me diz: O que aconteceu?
— Andrea está aqui — dei de ombros escorando-me na parede.
— E qual o seu problema com a loirinha? Parece que vocês não se amam muito.
— Sábias palavras — falei encarando o teto e suspirando profundamente.
— E por que vocês se odeiam? — Merle estava todo cheio de perguntas hoje.
— Você não vai querer saber. É uma longa história.
— Não é como se eu tivesse muito mais o que fazer. Desembucha boneca.
— Resumidamente, ela fez de tudo e mais um pouco para acabar comigo. Beijou Daryl na minha frente apenas para nos separar. Apoiou Beth com o plano de suicidar-se e isso foi a gota d’água. Dei uma bela surra nela e a deixei inconsciente. Esse foi um dos motivos que cooperaram para ela ficar para trás quando fugimos da fazenda.
— Você bateu na loirinha? Uau! Retiro tudo o que disse, você acaba de se tornar uma Dixon! Bate aqui gracinha! — estendeu sua mão para me cumprimentar e eu não resisti e acabei entrando na sua, sorrindo por fim. — Mas me diz uma coisa... Você bateu nela e ela parece simpatizar muito mais com você do que você com ela.
— Não engulo o fato de ela estar dormindo com o Governador e ainda por cima apoiando-o como se ele estivesse certo. Ela quer esquecer o passado, e nisso eu até concordo, mas ainda não sou capaz de relevar o presente.
— Philip é um homem manipulador. Pessoas fracas como Andrea são influenciadas facilmente. Ela só vai se dar conta de tudo quando ele a descartar, assim como fez comigo.
Apenas acenei com a cabeça, enquanto repousava meu rosto em seu ombro. Merle já era como um irmão para mim, por mais que os outros tentassem me convencer de que o melhor era me manter afastada.
— Sarah, Merle, precisamos de vocês no centro do bloco — chamou Daryl, encarando Merle com a expressão fechada.
Sorri levantando-me da cama e fazendo um gesto negativo com a cabeça. Eu não podia acreditar que ele tinha ciúmes do próprio irmão.
— Então... — começou Andrea assim que nos juntamos aos outros. Daryl passou o braço por minha cintura e colocou-se entre mim e Merle possessivamente. Se o momento não estivesse tão tenso, eu teria sorrido. — Eu quero... Bem... Philip quer propor uma trégua. Para isso, ele quer que vocês o encontrem amanhã pela manhã.
Encarei-a incrédula logo que nossos olhares se cruzaram.
— Alguma oposição? — questionou fitando-me, tentando manter a voz controlada.
— Não é assunto para discutirmos agora. Rick, Michonne e Carl estão fora, e a opinião deles é muito importante — apontei pausadamente.
— Onde eles estão? — testou curiosa.
— Não é assunto seu — bradei impaciente, sentindo Daryl reforçar seu aperto em minha cintura, um pouco mais forte do que o necessário.
— Tudo bem... E quando saberemos a resposta final?
— Amanhã. Se Rick assim decidir, eles se encontrarão. Fique tranquila — encerrei acidamente.
— Sessenta quilômetros ao norte. Haverá um grande galpão metálico. Estaremos esperando lá ao amanhecer — acenou com a cabeça, encarando os demais que até o momento mantinham um silêncio quase fúnebre.
— Acho que já está tarde, Andrea. É melhor você ir antes que escureça — deixei minha sugestão no ar e soltei-me de Daryl, subindo rapidamente para nossa cela.
Eu tinha certeza de que não teria trégua nenhuma a ser feita. Restava-me saber se Andrea era tola o suficiente para acreditar nisso, ou esperta o suficiente para armar contra nós. Todavia, tinha certeza de que em algo bom aquilo não resultaria, de uma forma ou de outra.
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