Steps
9 Morto- O Lado Escuro
Notas iniciais
15/10/2013
Nós não tínhamos notícias de Nico há 4 dias. Todos achavam excepcionalmente que ele estava andando e aproveitando com Leo por aí. Essa era a família dele, então por que diabos eu estava tão preocupado?
A cada barulho do celular, meu coração saia pela boca.
Tive meus desentendimentos com o garoto, mas nem por isso queria o seu mal. De vez em quando, eu até me pegava pensando nele.
Não, não dessa maneira! Era como se ele fosse o meu irmão mais novo. Um irmão mais novo azulado e macabro, porém um irmão mais novo.
Então, do nada e sem avisar, seu irmão mais novo some.
Clarisse havia conversado comigo e explicado que essa não era a primeira vez que Nico desaparecia. Ele ficava dias na casa de praia dos Jackson, e nem sequer avisava.
A família e amigos já estavam acostumados com isso. Eu não!
Liguei para Jackson e ele parecia mais perdido na história que eu, por isso tentei lhe explicar. A resposta dele foi à mesma de todos, o que quase resultou em um celular na sua garganta.
Liguei para Leo e ele não atendia, por isso resolvi faze-lo uma visita. Vai que ele sequestrou o Nico e está o mantendo a base de ração?!
Estacionei em frente ao seu prédio e desci devagar do carro. Bati uma, duas, três vezes e não obtive nenhuma resposta. Parecia que não havia vida naquele lugar.
Então pode ser verdade! Leo e Nico devem estar transando em algum lugar por aí. Meu estômago revirou e eu tive vontade de vomitar.
Não me entenda mal, eu só não gosto da ideia de um menino beijando rapazes. Bom, o meu eu normal. Pelo que parece, o Jason-sem-memória, não via problemas disso.
NÃO, NÃO E NÃO. Ele não ficou com um homem. Ele só não via problema. Ele não era preconceituoso como... como eu.
O porteiro do prédio de Leo me avistou e caminhou em direção a mim. Eu esperei ele chegar perto e perguntei sobre Leo.
–Ah, o rapaz Valdez? Mudou-se há dois dias. — bufou- Bem apressado por sinal. Em um dia ele pretendia ficar com o apartamento por mais um ano, e no outro dia já estava arrumando as caixas da mudança.
Tentei pensar brevemente sobre aquele fato: Então quer dizer que Leo se mudou dois dias depois do ‘desaparecimento’ de Nico?!
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17/10/13
Agora já se somavam 6 dias sem Nico. Mesmo contando-lhes do desaparecimento de Valdez, eles não se preocupavam. Eles só falavam em como uma vez Nico ficou fora de casa por um mês.
Se dessa vez Di Angelo realmente estivesse encrencado, não poderíamos saber, por que seu histórico não era dos melhores.
Eu havia ligado para quase todos seus colegas e não tinha conseguido achar Leo desde o dia seguinte de seu aniversário de namoro.
Hoje eu decidi apenas esperar sua volta. Ele deve estar por aí se esfregando em seu namorado e na areia, enquanto eu estou aqui preocupado. Ok, até mais que preocupado.
Mas afinal de contas, o que eu posso fazer se nem os pais dele estão preocupados?
Joguei-me no sofá e Clarisse se pôs ao meu lado, encarando-me frequentemente.
– O que diabos está acontecendo?
Ela fez uma cara que misturava: “O que você quis dizer com isso?” e “Até que enfim!”
–Diga logo!
Clary revirou os olhos e virou o corpo, ficando assim de frente para mim.
–Jason, está tudo bem?
Eu pensei sobre aquela pergunta.
Eu estava bem? Eu não fazia nada nos últimos dias, a não ser procurar por um garoto que, pelo visto, não queria ser encontrado.
–Não!
Ela me lançou um olhar de pena que se desfez no momento que eu me pus de pé.
–Jason...
– O que foi?
– Você o ama!
De novo? Não bastava minha mente fazer essa afirmação repetidas vezes por dia, agora alguém de carne e osso iria jogar na minha cara uma mentira?
Sim, uma mentira. Eu não estava apaixonado por um homem. Eu não era... era bicha!
–Não fale merda, Clarisse!
–Jas...
–Eu vou sair.
–Eu vou com você. – ela afirmou e começou a me seguir em direção à garagem.
–Não, não vai não!
Clarisse correu até mim e abraçou meus ombros. Não entendi o motivo para aquela demonstração de carinho, mas logo ela me soltou e me deu um soco.
–E desde quando você manda em mim?
E no final, era só Clarisse sendo Clarisse.
Revirei os olhos e caminhei novamente para a garagem, parando apenas para desligar a TV que anteriormente havia ligado.
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–Onde estamos indo, afinal?
Eu não respondi, pois nem ao menos sabia a resposta. Apenas dei de ombros e aumentei a velocidade do Volvo preto que dirigia. Passamos por um parque de diversões e paramos para nos divertir. Eu não havia levado dinheiro, por isso que pagou as despesas foi Clary.
Eu? Bom, eu vomitei umas duas vezes. Talvez três... Não dá para segurar quando um brinquedo de metal que pode se quebrar a qualquer momento, fica de cabeça para baixo. Fazendo. Você. Ficar. De. Cabeça. Para. Baixo.
– Eu vou compra algodão-doce!
Eu semicerrei os olhos e ela me encarou.
–Tem certeza que não prefere um limão?-Ela me fitou sem entender, então continuei- Pelo fato de ser meio azeda... e tal.
Foi quando eu resolvi que correr era minha melhor e única opção. Corri e corri por minutos até ser encurralado entre os banheiros químicos.
O cheiro era enlouquecedor. –Não estou falando de maneira positiva-
Avistei uma sombra que deveria ser Clarisse, me chamando, por isso corri para o lado oposto, caindo em cima de alguém sem querer.
Levantei-me o suficiente para ver Clarisse abaixo de mim. Bom, se ela estava aqui, quem era a sombra me chamando?
Nico?
– Nico? É você?- Corri na direção posterior e berrei incansavelmente, até Clary colocar a mão em meu ombro.
–Jason, ele não está aqui. Não está.
A encarei e tentei raciocinar como Nico, ou seja, de maneira inteligente. Não consegui! Se não era Nico, quem era? Quem poderia ser?
–Vamos sair daqui.
–Não, vá comprar seu doce. Já, já te encontro.
Ora caminhei, ora me arrastei até chegar ao centro do parque. Do lado de uma lata de lixo em forma de palhaço, havia um velho banco de madeiro, aonde me deixei jogar e fiquei ali, observando tudo a minha volta.
Crianças. Crianças era o que mais havia. Sonhos por toda parte. Meus sonhos. O sonho de ter alguém para cuidar como eu não tive chance. Alguém para chamar de filho, e ouvi a reciprocidade do carinho na voz. Claro que poderíamos passar a fase da adolescência, mas nada se igualava a crianças.
Seus sonhos não são os mesmos que os meus. Seus sonhos são puros e não envolvem sexo no processo. Seus sonhos? Serem bailarinas ou grandes astronautas. Quando criança queria ser apenas um piloto. Pilotar seria minha vida, por que foi assim que perdi meu avô. Minha pessoa favorita no Mundo. Por conta de um piloto de avião bêbado. E por isso eu queria me tornar o piloto de avião mais sóbrio do Mundo.
Claro que isso só durou até eu conhecer os encantos da Vodka com energético... Mas foi um belo sonho.
Clarisse chegou de mansinho e pousou calmamente sua mão em minha nuca, me trazendo novamente para a Terra onde eu era simplesmente um professor de Sociologia.
Levantei-me para ir embora no mesmo momento que meu celular tocou.
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