Steps
10 Morto- Será?
Notas iniciais
Meu telefone havia tocado e eu o encaminhei para meu ouvido direito, esperando algum tipo de resposta à minha saudação. Olhei para Clary e ela deu de ombros.
–Deve ser um trote!
Confirmei com a cabeça e recoloquei o aparelho no bolso. Passei um braço pelos ombros de Clarisse e andamos lentamente até o carro, comendo o algodão-doce que ela havia comprado.
O carro, que estava parado ao lado de uma das barracas de refresco, onde antes de deixar o local, comprei um refrigerante para Clarisse dividir comigo.
Deixei a barraca e encontrei uma Clarisse branca e de olhos alarmados parada ao lado do automóvel. Ela levantou lentamente a cabeça em minha direção e eu a questionei com o olhar. Ela apontou para o carro e eu caminhei até chegar ao seu lado, observando o que antes era a lateral do meu carro.
‘Antes?’ É, antes!
Agora não existia lateral. O que deveria ser o lado esquerdo dele estava todo arranhado e com algo escrito. Aproximei-me só para ter certeza de que havia lido corretamente.
“Um já foi!”
Fiquei ali agachado, olhando para as palavras gravadas em meu carro. ‘Um já foi!’. Seria Nico? Poderia ser uma mensagem de aviso?
Senti uma mão pousar delicadamente em meu ombro e olhei para a dona do toque. Pelo que percebi, ela também achava que se tratava de Nico. Clarisse estava mais branca que antes e tinha pequenos espasmos, porém, perceptíveis.
– Você acha...-Ela deixou a pergunta se perder no ar.
Eu a olhei e abaixei a cabeça. Se aquele vandalismo tivesse a ver com o sumiço de Nico, ele poderia... poderia estar morto.
E pelas palavras, um de nós seria o próximo?
XXXX
20/10/13
Cada vez mais os dias iam passando e eu não sabia como agir sobre nada daquilo. Tentei ir até a polícia, mas Clarisse me aconselhou que seria pior. Procurei por Nico em todos os lugares que achava que ele poderia estar, e cada vez mais se formava uma bola de pelo na minha garganta. Cada dia que se passava, eu morria sufocado.
Quando acordei hoje de manhã, estava disposto a sair mais uma vez em busca de Nico. Quanto mais tempo ele ficava fora, mais os pais dele acreditavam em mim, o que ajudava bastante. É sempre bom não ser o doido varrido!
Estava quase saindo de casa para encontrar com Thalia, quando meu celular tocou e a pessoa do outro lado novamente não disse nada.
–Olhe, eu vou desligar. Passe trote na mãe.
Ouvi um barulho na linha, mas não foram palavras... foi mais como uma risada. Foi quando finalmente desliguei e liguei para Thalia.
“Tati, estou indo para o café. Quer uma carona? “
“Não precisa. Dá para ir a pé”
“Okay.”
Caminhei até meu carro de dirigi durante quase quinze minutos, até avistar a lanchonete. Estacionei e por um segundo, jurei ter visto os cachos de Leo passando na minha frente, mas era só um adolescente qualquer.
Esfreguei a cabeça para trazer de volta a sanidade, e desci do carro.
Entrei no café e encontrei uma Thalia mal humorada e com olheiras. Levantei uma sobrancelha e caminhei em sua direção enquanto ela gritava com o garçom.
Sentei na sua frente e gargalhei. Ri de doer a barriga, e pouco tempo depois Thalia começou a rir comigo.
– Do que diabos estamos rindo?- ela perguntou entre uma gargalhada e puxada de ar.
– Você está parecendo um zumbi, amor.
– Ei, ei... não tenho culpa se tenho insônia.
Sorri levemente e pedi um café para o garçom, que estava agora com medo de se aproximar de Tati.
– Então, você sabe onde Nico pode estar?
Ela fitou o próprio prato durante um tempo e depois me olhou nos olhos.
–Vamos comer primeiro, pode ser?
– Thalia, estou esperando a dias por isso...
– Okay, já que esperou por dias, pode esperar meia hora!
Murmurei meia dúzia de palavrões e tomei meu café. Continuei a encara-la comendo seus ovos com bacon. Ela os cortava em pequenos pedaços e os colocava na boca, para então mastiga-los.
–Vamos lá, você consegue fazer isso mais rápido!
Disse e me arrependi meio segundo depois, pois Thalia me olhou como se raios saíssem de sua íris.
–Eu acho que sei medir a velocidade em que como a minha comida, Grace. Obrigada!
XXXX
Estávamos agora parados em frente seu pequeno apartamento. Thalia me fitou durante um tempo antes de começar.
–Jason, digamos que eu nunca fui santa. Eu e meu irmão tivemos que fazer muitas coisas para sobreviver, e acho realmente que você sabe o que aconteceu. Nico nunca foi uma boa pessoa para guardar segredos, aquele bocó. Mas ele é o meu melhor amigo, e eu daria a minha vida por ele.
Ela parou e eu afirmei com a cabeça, fazendo-a continuar.
–Olhe, eu vou literalmente, ferrar a minha vida, mas eu preciso ajudar o Nico. Alguém que eu não sei quem é, atacou você naquela noite, e essa pessoa tentou me incriminar, Jason. Você, que estava lá na hora, viu um dos seus agressores com um cachecol?-murmurei que não e ela afirmou- Exato! Porém, Nico encontrou um perto de onde você estava.
–Não entendo o que o cachecol tem a ver com você...
–Era meu cachecol. Um cachecol que Nico me deu no natal passado. Invadiram a minha casa e pegaram algo para me afastar de Nico. A pergunta é: Por que queriam me afastar de Nico?
Thali estava vermelha, pois falou tudo aquilo quase sem respirar. Eu não sabia o que responder, então só balancei a cabeça e a olhei.
–Eu confio em você, mas nós temos que descobrir quem fez isso, e quem está com Nico agora.
– Você realmente acha que pegaram ele, não é.
–Sim.
–Eu queria entender por que...
Olhei para nosso redor e ali em frente jazia uma praça com um banco no centro. Um banco como o que havia no parque de diversões. Caminhei até ele e escutei os passos de Thalia me seguindo.
Sentei lentamente e murmurei no mesmo ritmo:
– Agora...agora tudo faz sentido.
–O que você está falando, Jason?
–Não vê? Você não entende? Eles te afastaram de Nico, para deixa-lo sozinho e então ele ainda tinha a mim. Ele não estava sozinho, eu estava sempre com ele...então ele começou a namorar Leo.
–Não entendo ainda...
–Eles te afastaram para Nico ficar sem ninguém por perto, mas ainda havia eu... então me afastaram de Nico usando Leo.
–E?
– E que sendo assim, Leo tem tudo a ver com o sumiço de Nico. E mais... com o meu espancamento na praça!
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