Steps
8 Morto- Máscaras?
Notas iniciais
11/10/2013
Acordei bem animado. Hoje eu fazia um mês de namoro com o garoto que eu não amava. Eu estava com ele, mas não sentia quase nada. Atração, claro que sim. Excitação também... Mas amor? Amor não.
Porém, eu queria ficar com ele, para tentar sentir algo. Queria que algum sentimento surgisse do nada!
Eu não sentia nada por alguém desde que Percy acabou com meus sentimentos.
Havia garotos bonitos que eu usava para ter prazer, e isso me fazia sentir a pessoa mais suja do Planeta. Usar pessoas. Isso era o que eu queria quando criança?
No entanto, hoje faríamos um mês do tal namoro, e Leo ainda não havia dado sinal de vida. Decidi então, lhe mandar uma mensagem.
“Boo, o que vamos fazer hoje?”
Enviei e fui em direção ao banheiro. Deixei minhas roupas escorregarem do meu corpo e me encaminhei pra o chuveiro. Liguei a água e fiz o que sempre faço nos meus banhos: Choro. Chorei compulsivamente. Chorei pelo mesmo motivo que vivo... nenhum. Ou todos. Não sei ao certo. Só choro. Ou vivo. E a verdade é que mesmo não sabendo, eu preciso fazê-las. O que mais me aflige é não saber o por que. Eu só sinto uma dor no peito e meus olhos se esvaem em água salgada. Eu não sinto nada- além do peito-. Não sinto remorso nem tristeza. Só dor. Só há dor!
Enquanto tomava banho, ouvi o barulho do celular e corri até ele, lutando para secar as lágrimas que teimavam em escapar de meus olhos.
“Você descobrirá mais tarde, apressadinho.”
Sorri com aquilo no momento que a porta do meu quarto abriu.
– Nico, eu vim te buscar para sair...UOL! VISTA-SE!
Corei dos pés a cabeça e corri para a toalha mais próxima, cobrindo minha cintura.
– Como você entra no quarto de alguém sem bater?- perguntei ainda envergonhado.
–Ah, desculpa... mesmo!
E pela primeira vez, vi Jason corado. Ele parecia um tomate recém-colhido. Estava radiante em sua sunga azul e fitava o chão ainda com vergonha.
– Então, nós vamos à praia.
– Eu não posso! Vou fazer algo com Leo. Um mês de namoro. — expliquei.
– Ah, claro. – ele ficou visivelmente decepcionado.
Eu caminhei até ele e o abracei.
– Nós saímos amanhã. Combinado?
–Hum, Nico... você está me abraçando semi–nu.
Senti o rubor tomar conta do meu rosto e me afastei rapidamente murmurando um pedido de desculpas.
–Tudo certo. –Disse caminhando para a porta. Ele saiu totalmente do meu quarto, e depois recolocou a cabeça- E eu tinha razão... sua bunda É branca!
–JASON!
Gritei e só ouvi sua risada ecoando pelo corredor.
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Eu não sabia mais o que fazer. Já tinha tomado banho e me arrumado, e estava tão nervoso, que não cabia em mim. Leo me ligou e avisou que íamos ao cinema, para comemorar.
Estava esperando por ele, quando meu celular vibrou com a chegada de uma mensagem de texto.
“Estou aqui em baixo te esperando. Leo”
Depois de uma hora de atraso, aquela mensagem quase reluziu de tão esplendida.
Desci e entrei no táxi junto com ele.
– Pensei que não vinha mais...
– Tive um problema com um amigo, e me atrasei um pouco.
–Eu conheço?- perguntei soando um pouco ciumento.
Ele deu um pequeno sorriso e fitou a rua a sua frente.
–Ainda não.
Eu revisei aquelas palavras acompanhadas do sorriso sem dentes e quase tive medo. Mas medo de Leo? Era mais fácil sentir medo de uma Borboleta.
Você já ouviu dizer que borboletas cegam?
– Que filme quer ver? – ele perguntou me tirando bruscamente de meus devaneios.
– Que tal A Hospedeira?
– De novo?- perguntou rindo.
– Eu nunca me canso de ver esse filme ou ler o livro- Disse tentando convencê-lo.
– Ok, A Hospedeira!
Demoramos alguns minutos para chegar ao cinema, e passamos esse tempo trocando beijos clandestinos, sem o motorista perceber. Entramos, compramos pipoca e vimos pela 4º vez o mesmo filme.
Eu como sempre, não me mantive quieto. Gritava em reprovação quando acontecia algo que não tinha no livro. E o final... ah, o final. Não havia homem, mulher ou criança que já tenha lido/visto o final de Hospedeira, e se mantido intacto.
Ao término, Leo suspirou fundo.
– Tudo bem?
Ele não me respondeu de imediato. Primeiramente ele bufou e se virou preguiçosamente em minha direção.
–Eu só não entendo esse filme. Ele retrata que a força de vontade pode mudar tudo, mas isso não passa de mentira. Se você é gordo e tem força de vontade, pode emagrecer. OK, tudo bem. Mas se você nasceu cego e sem um braço, o que a força de vontade faz por você? Ela te devolve um braço? NÃO! Ela te olha morrer de fome.
Quando ele termina, minha cabeça gira. Leo sabe o que é morrer de fome? Desde quando ele é tão ranzinza ou pensativo assim?
–É só um filme. – Disse por fim, não querendo estragar nosso aniversário.
Ele sorriu levemente e nós saímos da sala de cinema e andamos em direção à rua.
–Quer ir para a minha casa?
– Tem comida?
–Tem sim, esfomeado. –Ele riu e nós voltamos a andar.
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Chegamos a sua casa e ele sorriu alegremente.
–Algo para beber, donzela?
–Ei, eu sou o homem da relação! –Zombei e aceitei o refrigerante em sua mão.
–Até parece! – ele disse, me puxando e me beijando cada vez mais forte.
–Nico, eu teria que fazer uma coisa hoje, mas eu... eu... –ele pisca algumas vezes e me abraça. No entanto, ele encosta sua boca em meu ouvido e murmura- Corra! Agora. Corra.
Eu me afasto e fito seus olhos. Ele me empurra para a porta e antes de fecha-la, solta.
–Eu não posso... eu não consigo. Eu te amo! E eu preciso que você não pare de correr até chegar em casa.
– Eu não estou entendendo, Leo.
–Você irá entender. Não me procure e não pare de correr.
Ele plantou um leve beijo em minha testa.
–Agora vá!
XXXX
A verdade é que eu corri. Eu não caminhei e muito menos andei. Eu não olhei para trás, e eu queria poder dizer que não havia perigo, se não fosse o barulho de passos quando virei à esquina.
Eu peguei o meu celular e é óbvio, que assim como em filmes de terror, ele estava sem sinal. Continuei a correr, e em um momento de apavoramento total, vi por um retrovisor o meu agressor.
Sim, agressor.
Até por que, neste mesmo momento, eu bati contra um poste e desabei no chão. Algo leve e pequeno se alojou sobre mim e eu só sabia me amaldiçoar por ser uma daquelas garotas inúteis que tropeçam ou vão até a cozinha após ouvir um barulho.
Sob mim havia uma massa. Uma pequena massa, para ser exato. O que- quem- quer que fosse era magro.
–Então ele não teve coragem?
Gelei no mesmo momento que as palavras deixaram sua boca. Lembre-me da dor na cabeça e de alguém murmurando “Ser herói aqui não adianta nada, Nico!”
–Você...
Eu me lembrava. Eu me lembrava da dor e das palavras. E me lembrava também da pequena discursão comigo mesmo sobre contar ou não contar a alguém.
Lembrava-me de como essa voz me encurralou e me disse coisas que não compreendi. Lembro-me de desafia-lo e ganhar um galo como recompensa.
Ele sorriu abertamente vendo a lucidez encher meus olhos, e eu só sabia tremer.
–Olá novamente Nico. Vamos passear?
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