Steps

5 Machucado- E se?


Notas iniciais
Juntei dois capítulos, então o primeiro seria "O começo do fim" e o segundo "E Se". Não estranhem!

10/08/2013

Eu não via Percy desde que acordei de madrugada com ele me abraçando.

Quando cheguei em casa, tive que ouvir dobrado. Por ter sido ‘rude’ com minha irmã, e por ter dormido fora.

Agora Clarisse e o Moedor de carne estavam namorando sério, e Percy não parava de me ligar.

Desci as escadas e encontrei os pombinhos se beijando. Fingi uma crise de vômito e a campanhinha tocou.

Deveria ser Leo, mesmo.

Teríamos que fazer um trabalho de inglês em dupla, pois éramos os únicos que não tinham muitos amigos. Por isso não fomos escolhidos por outras pessoas e acabamos sobrando e tendo que nos juntar.

–Pode entrar. –disse enquanto abria a porta

O garoto entrou e observou a sala.

–É bem grande...

Clary se levantou e veio até nós com Jason atrás de si.

– Olá, eu sou a irmã do Nico.

– Prazer, Leo Valdez.- ele sorriu e olhou para o teto- Vocês nunca pensaram em destruir isso e construir um hotel? É enorme!

–Eu tive quase o mesmo pensamento. Só que no meu se construía um Museu. –o loiro falou – E eu me chamo Jason.- Ele piscou algumas vezes, como se tentasse afastar alguma lembrança. — Leo, eu te conheço?

–Eu acho que não, cara!- Ele me pareceu meio desesperado, mas para alguém que acabou de conhecer três pessoas era norma!

–Então, podemos subir?

Perguntei para o garoto com cachinhos e ele assentiu.

Ele me seguiu até o quarto e se encostou na parede; claramente sem saber o que fazer.

–Senta ali na cama que eu vou pegar a mochila.

Ele se sentou e murmurou “Quer fazer na cama?”

– Ei, eu ouvi isso. Seu tarado!

Ele caiu na gargalhada e eu o acompanhei por um momento.

Nunca havia falado com o garoto. Na verdade, nunca o notara, antes da Sra. Dodds me juntar com ele.

–Por que você não é legal assim no colégio? – ele perguntou sem mais nem menos.

– O que você acha? Alternativa a) Eu não sou legal. Ou b) Eles não merecem que eu seja legal.

– Acho que fico com a B

– Boa escolha! – exclamei e voltei para o trabalho.

Passamos as próximas três horas revezando entre trabalho e Vídeo Game. Leo era a única pessoa que eu conhecia que conseguia perder para mim.

Ele simplesmente não conseguia se concentrar em nada. Ele olhava para os lados e não parava de balançar os pés ou a cabeça. Ele deveria ter hiperatividade nível ‘aquelas crianças que são do capeta’.

Seu sorriso meio torto, parecia adverti a todo adulto, o quanto ele podia aprontar, se quisesse. E seus cachinhos cainham por todo lado. Era como estar do lado de Lúcifer. – Um anjo que faz coisas ruins-.

Seus cachinhos eram a única coisa fofa nele. Era como se quebrassem o lado psicopata maníaco.

–Acho que agora eu tenho que voltar para casa. — disse depois de mais uma derrota.

– Quer que eu te acompanhe? – perguntei por pura educação, mas o garoto aceitou e tive que levá-lo.

Quando descemos as escadas, Jason e minha irmã ainda estavam se beijando.

– Por favor, me digam que vocês fizeram outra coisa nessas 3 horas, além de namorar... — brinquei e Clary riu.

–Pare! Nós também conversamos...

Jason se levantou e passou um braço pelo meu ombro.

–E você e o Valdez aqui? Também só se beijaram ou houve conversa?- Ele sorriu- Cara, eu te conheço de algum lugar!

–Não, você não me conhece! – ele estava vermelho?

–Ah, nós não paramos nem para respirar. Foi uma loucura! – o garoto respondeu antes mim.

Eles se olharam e riram por um momento.

– Eu não tenho que te dar satisfação sobre minha vida pessoal! – disse sorrindo para o loiro.

Afastei seu braço do meu ombro, para resaltar o que falei. Mesmo com o sorriso em meus lábios, aquilo não deixava de ser verdade.

– Assim como não me contou que transou com o Jackson?

– Nico?- minha irmã estava me encarando assustada.

– Como sabe disso?- perguntei nervoso para Grace.

– Bom, ele não para de ligar para cá, e hoje quando eu atendi, ele perguntou se depois de dormir com alguém, essa pessoa não atender o telefone significava que a pessoa não havia gostado. – ele grunhiu- foi só ligar os pontos.

– E se eu dormi, o que você tem a ver com isso?

–Nico, você fez mesmo isso? – Clarisse não parecia surpresa ou desnorteada. Ela parecia com nojo. Nojo de mim. Nojo do que eu sou.

– E se eu dei? O que você tem a ver com isso?

Perguntei e andei em direção a porta.

– ISSO! FOGE DE NOVO E APROVEITA E VAI PEGAR O JACKSON!

Virei-me com toda força e plantei um soco em seu nariz. Ele levou a mão ao local, e sorri quando percebi o sangue.

– Nunca. NUNCA, fale comigo assim novamente! – bufei- Não esqueça que eu salvei sua miserável vida. Estúpido!

Me virei novamente e comecei a andar.

Leo estava ao meu lado e pigarreou umas duas vezes.

– O que quer?- perguntei ríspido

–O que está fazendo? – ele rebateu.

– Te levando para casa. O que acha que eu estou fazendo?!

– Minha casa fica para lá!- disse apontando para o lado oposto que estávamos seguindo.

– Eu sabia. – Menti.

– Sem nenhuma sombra de dúvida...- disse segurando o riso.

Caminhamos por um tempo bem grande, em silêncio.

– Então, você dormiu com Jackson?- Ele continuou- Não me bata!

–Qual o problema disso?

–Nada. Eu só queria saber como é ser... gay.

– Vai no Google! – e apertei o passo.

XXXX

18/08/2013

–Você vai beber ou ficar olhando?

Olhei para Thalia e ela passou a mão em meus cabelos. Passou a acariciar minhas bochechas, com aquele olhar mesquinho de pena.

–Nico, você não Fez nada de errado. Você precisa entender isso!

– Você acha que eu fiz bem em perdoar o Percy? – perguntei encarando o meu copo vazio.

– Não!

–Não?

–Nico, as coisas na vida não se resumem em fazer o que quiser e depois pedir desculpas. Desculpas dão o perdão... não o esquecimento.

Eu a olhei e percebi o quanto ela tinha razão. Bati com minha cabeça na mesa e ela me segurou.

–Não adianta se bater agora! Já está feito. Acabou.

Ela me abraçava e esfregava os meus ombros.

–Thalia, não foram você?

– Nico, sua descrença em mim é quase um insulto. –Thalia brincou.

–Eu só.. só... eu achei uma coisa. Uma coisa naquela noite.

– O que você achou, princesa?

– Um cachecol, Thalia. O cachecol que eu te dei de aniversário.

Ela ofegou e eu a olhei.

–THALIA!

–Não fomos nós, Nico.

– E cadê o seu cachecol? Vamos na sua casa agora e me mostre ele.

– Eu não o tenho mais... eu.. o..o perdi.

– Thalia, eu entendi quando você falou que ...que.- abaixei a voz o máximo possível – vocês machucaram umas pessoas. Mas machucar alguém a ponto da pessoa perder a memória?

Joguei o copo no chão, onde ele se quebrou. Me levantei e andei com passos largos em direção a porta. Algo agarrou o meu braço.

–Nico, você não entendeu...

– Eu entendi o suficiente.

Sai daquele bar nojento e caminhei pelas ruas congeladas do centro de Nova York. Não sabia o que fazer nem para onde ir. Não queria voltar para casa e fingir que entre Jason e eu estava tudo maravilhoso.

Peguei meu celular e liguei para Leo.

“Fósforo?”

“Nico, o que houve? Já está um pouco tarde...”

“Eu posso ir a sua casa?”

“Claro! Mas....”

Desliguei o telefone e caminhei para a casa de Leo. Cheguei ao seu portão e toquei a campanhinha. Logo Valdez já estava me levando para dentro.

–O que aconteceu?

– O que você faria se seus melhores amigos cometessem um crime?

– Um crime grave?- ele pareceu preocupado

–Grave!

Ele se sentou no sofá e acenou para eu fazer o mesmo.

–Nico, eu não sei o que eu faria...

Eu bufei. Pensava a mesma coisa. Tinha certeza que aquele cachecol pertencia a Thalia.

– De quem você está falando?

– Thalia e Luke.- bufei

– E o crime?

– Jason e sua memória perdida.

Leo arregalou os olhos e os abaixou.

Eu deixei uma lágrima escapar. E me lembrei da noite que nos conhecemos. Luke estava jogado no chão e Thalia o balançava freneticamente, berrando seu nome.

Eu me aproximei para ajudar, e ela me disse que ele tinha sido espancado por arrumar briga no bar.

Eu a ajudei a leva-lo para o hospital e deixamos os nomes dos caras que bateram em Luke, com o policial.

O problema era que, uma semana depois... nenhum deles estava vivo.

Eu sempre suspeitei de Thalia e seu jeito misterioso. Afinal, nós éramos amigos a 3 anos e eu nunca fui a sua casa. Pior: não sabia nem onde ficava.

E agora isso?

E se eu fosse amigo de uma assassina? O que eu vou fazer?

Fui embora sem ao menos me despedir de Leo e caminhei lentamente para casa. Já se passava das 3 da manhã, e estava tudo escuro.

Haviam apenas aqueles barulhos provocados pela noite. Aqueles que sempre estão ali mas não percebemos, por que a barulheira ao nosso redor os esconde. Porém, não havia barulheira... então eles rolavam soltos.

Uma lata de lixo caindo aqui, um metal balançando ali, uma pessoa correndo atrás de mim.

Atrás de mim?

Olhei assustado e meus olhos só aceitaram o fato dos meus ouvidos estarem certos. Corri como se não houvesse amanhã, e uma mão me segurou pelo ombro, me jogando em direção a parede.

O sujeito, fosse quem fosse, era forte. Forte demais.

Eu tentava olhar o seu rosto, mas parecia haver uma máscara.

– Nico, eu estou atrás de você.

Eu apenas o encarei, me perguntando como ele sabia o meu nome.

–Você não deveria atrapalhar meus planos. Aquele seu amigo loiro, deveria ter morrido naquela noite. Isso era o que eu desejava. – ele sorriu levemente- E eu sempre tenho o que eu desejo.

Eu estava provavelmente a beira da morte, então decidi arriscar.

– Me parece que sempre, não se aplica a esse caso.

Ele olhou para o chão e gargalhou.

–Ser herói aqui não adianta nada, Nico!

Ele me deu um soco e eu não vi mais nada.

Notas finais
Bom, comentem o que acharam!!! Eu AMO quando vocês comentam! Beijos :3