Stepfather
21 Quando tudo desaba... - Parte final
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
— Pamella, por favor, se acalme... — Freddie segurou o braço direito dela.
Minha mãe se desvencilhou e o empurrou com fúria. Ele já tinha colocado a cueca. O empurrão foi tão forte que ele quase caiu, conseguiu manter o equilíbrio por pouco.
Me levantei ainda chorando, fui andando para trás, apertando o lençol contra o corpo, minhas costas se chocaram contra a parede.
— E-eu... Eu sinto...
— Não seja hipócrita. Nem adianta dizer que sente muito, que agora se arrependeu em questões de minutos. — Me encurralou e ergueu o cinto.
— NÃO! — O moreno gritou se aproximando.
— AI! — Gritei com o primeiro golpe, ela me bateu no braço direito.
— Pamella, não faz...
— Não toque em mim, seu filho da puta! — Se virou para ele, acertando-o no rosto.
O Benson cambaleou e tocou no local atingido. Minha mãe olhou para mim e avançou, tentei me encolher contra a parede. Ela arrancou o lençol do meu corpo com um brusco puxão.
— Vou te dar a surra que você merece, sua ingrata. Eu fiz tudo por você. TUDO! TE DEI TUDO E É ASSIM QUE VOCÊ ME AGRADECE? É ESSA A SUA CONSIDERAÇÃO POR MIM? — Como não respondi, ela me acertou outra cintada, golpeando minha coxa.
— Foi ele que...
— A culpa não é só dele. Você também quis. Olha só para você, se tornou a amante do próprio padrasto. — Me bateu com mais força, atingindo minha outra coxa.
— Para, por favor, mãe... — Implorei, tentando cobrir meu corpo em vão.
— Eu sempre fui uma boa mãe. Nem sei aonde errei. Me responde, aonde foi que eu errei com você? — Me agarrou pelos cabelos, me arrastou até a cama e me jogou ali.
Caí de barriga para baixo, afundei o rosto no colchão.
— ME RESPONDE, SAMANTHA! — Acertou uma cintada na minha bunda. — COMO PÔDE FAZER ISSO COMIGO? COM SUA PRÓPRIA MÃE? — Me bateu nas costas.
— Não bata mais nela! Solta esse cinto agora! — Ele tentou intervir de novo.
— CALA A BOCA! ELA É MINHA FILHA E EU POSSO BATER NELA, VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE DEFENDÊ-LA! NEM TEM MORAL PARA TAL COISA! SE TOCAR EM MIM DE NOVO, VAI SER PIOR! — Berrou. — Eu fui muito mole como mãe, a mimei muito, ela sempre foi rebelde e eu passava a mão na cabeça dela... E ela merece essa surra. Fica fora disso! Eu ainda não terminei aqui... — Avisou.
— Mas...
— SE AFASTE! — Gritou com ele.
Continuei chorando, eu estava muito envergonhada. Eu não conseguia encará-la. Nua e deitada em cima da cama, sendo xingada e apanhando. Apanhando como uma vagabunda... Talvez eu merecesse aquilo.
— Ainda por cima na minha cama? Debaixo do meu teto. Como não percebi antes? Como eu pude ser tão cega? Vocês não prestam! — Voltou a me bater ainda mais raivosa.
[...]
P.O.V Da Pam
Soltei o cinto, desabei de joelhos diante da cama. A dor era tão grande. Fui traída da pior forma possível. Minha filha era a amante do meu marido. Nunca desconfiei de nada... De nada. Eles... Por quê fizeram aquilo comigo? Como foram capazes?
Meu corpo tremia. Bati na minha filha até me cansar. Minha própria filha... Aquilo era demais para mim.
Meu choro junto com o choro dela preenchiam o quarto. Seus soluços eram fortes.
Levantei sentindo um peso enorme. Eu não estava nada bem. Minhas mãos estavam doloridas de tanto apertar o cinto.
Me virei para o homem com quem eu casei. Eu estava com tanto ódio e nojo dele. Ele era o pior canalha de todos.
— MALDITO! — Avancei nele juntando meus últimos vestígios de força. — DESGRAÇADO! INFELIZ! CRETINO! SEU FILHO DA PUTA! POR QUÊ FEZ ISSO COMIGO? POR QUÊ SE ENVOLVEU COM A MINHA FILHA? POR QUÊ? — Eu batia em seu peito, no rosto, aonde eu conseguia atingir.
Socando-o, arranhando-o, chutando-o.
— Eu deveria arrancar o seu pau e fazer você engulir, seu desgraçado! — Cuspi em seu rosto, enojada. — Vai ficar aí calado? Nem ao menos vai tentar se justificar? — O empurrei.
Fredward limpou o rosto, me encarou firme e eu senti mais raiva.
— Era para ser apenas um joguinho... — Disse com a voz rouca, grave e sem emoção. — As coisas ficaram... Fora de controle. — Explicou. — Eu não a obriguei à nada. Ela nem era tão inocente... — Revelou.
— Você se apaixonou por ela? — Perguntei.
Ele não respondeu. Olhou para o chão.
Sam ainda estava em prantos.
— Freddie... — Se virou trêmula, deitando de lado. — Você não vai lutar por mim? — Seus olhos estavam vermelhos.
Ele sequer a olhou. Começou a catar as roupas.
— Muito bem! — Sorri, encarando-a. — O tempo todo ele só quis uma coisa... — Eu não conseguia ter pena. Ela merecia aquilo. — Ele só queria uma puta. Sexo fácil. Uma vagabunda dentro de casa. Samantha, ele nunca te amou! — Ri, debochada.
Ela afundou o rosto no colchão, seu corpo sacudia à cada soluço forte.
Tirei minha aliança e a joguei em Fredward quando ele estava se vestindo.
— Hoje mesmo vou ligar para o meu advogado. Ele vai cuidar de toda a papelada do divórcio. — Avisei.
— Como quiser, Pamella. — Concordou.
— Então, vai ser isso mesmo? Você não vai dizer uma palavra a garota? — Apontei para a Sam que chorava cada vez mais alto.
— O que quer que eu diga? — Me olhou com raiva.
— Nada. Você deve explicações ao pai dela. Ah, eu quero ver você se explicar ao John. — Sorri com frieza.
[...]
P.O.V Da Sam
Assim que meu pai entrou no quarto, ele foi logo partindo para cima do Benson. Eu me encolhi na cama, dolorida pela surra, abraçando meus joelhos. Eu nem tinha forças para me levantar e me vestir. Apenas me enrolei no lençol novamente.
Minha mãe não chorava mais. Ela estava encostada à parede, de braços cruzados, observando o meu pai descontar a raiva no Freddie que sequer conseguia se defender dos socos.
O que mais doía era o fato dela ter razão. O Benson não me amava. Ele jamais lutaria para ficar comigo. Eu não passei de pura diversão para ele.
— Levanta, saco de merda! Levanta, seu puto! Levanta e me enfrenta como homem. Você não foi homem o suficiente para desvirginar minha filha? Hein? Eu vou acabar com a sua raça! — Ameaçou.
Freddie estava de joelhos no chão, cuspiu um pouco de sangue no piso amadeirado.
— Agora você vai ter o que merece! — Meu pai sacou o revólver.
— NÃO! — Me desesperei.
Saí da cama e corri para ajudar o moreno levantar. Me coloquei na frente dele.
— Abaixa a arma, pai. — Implorei.
— Se afaste dele, Samantha! — Continuou mirando. Neguei balançando a cabeça.
— Por favor, eu imploro... — Juntei as mãos.
— John! — Minha mãe tentou acalmá-lo. — Pode prendê-lo, mas não...
— Não se intrometa, Pamella. A culpa também é sua! — Esbravejou.
Ela se afastou e desviou o olhar. Freddie se encontrava atrás de mim, respirando pesado.
— Senhor, com sua permissão, eu tomo minha responsabilidade como homem. — Saiu de trás de mim e se postou ao meu lado, pegando minha mão. — Eu quero que a Sam seja... — Ele foi interrompido, desabou com único tiro.
Gritei e caí diante dele, espalmando as mãos trêmulas pelo ferimento em seu ombro direito. Acabei espalhando sangue por seu peito.
— FREDDIE! FREDDIE! FREDDIE! — O sacudi, desesperada, em prantos.
— Não atirei para matar. — Meu pai me agarrou pela cintura, me tirando de perto do moreno que estava desacordado.
— Vou ligar para ambulância! — Minha mãe estava muito nervosa.
[...]
— Se ele morrer, eu nunca vou te perdoar... — Falei vendo os paramédicos colocarem o Benson na maca.
— Ele mereceu aquele tiro. — Meu pai retrucou sem remorso algum.
— Pegue a sua filha ingrata e suma da minha frente. Você já fez demais, John! — Pam gesticulava.
— Mãe... — Tentei me aproximar.
— De agora em diante não me chame mais de mãe, entendeu? Quero que saia da minha casa. Você só me deu desgosto. Não quero mais ter que olhar para sua cara! — Apontou para mim.
Tapei a boca, abafando o choro.
— Pamella...
— Tire ela daqui, John, apenas suma com ela da minha frente... — Ela evitava me olhar. — Como ainda sou esposa, preciso acompanhar esse traste até o hospital. — Disse com amargura antes de sair do quarto, indo atrás dos paramédicos.
— Filha, ela te ama, a Pam está apenas com...
— Com ódio de mim. — O interrompi. — O senhor também vai me dar uma surra? — Perguntei me afastando dele.
— Eu não vou te bater. Sua mãe já te bateu o suficiente... Vou te levar para a casa. Arrume suas malas. Amanhã mesmo vou ligar para a sua tia Eleonor e vou pedir para ela ver se ainda tem vagas em algum colégio interno na Suíça. Existem alguns colégios lá apenas para garotas. — Explicou.
— O quê? O senhor vai me mandar para Suíça? — Fiquei incrédula. — Eu não quero estudar num internato. — Protestei.
— Vou. Só quero o seu bem, filha. Você volta para Seattle quando terminar o colégial. — Tentou me tranquilizar.
— POR QUÊ NÃO ATIRA LOGO EM MIM? — Gritei chorando. — EU ODEIO VOCÊ! VOCÊ E A PAM COMBINAM! SÃO DOIS MAL AMADOS! — Berrei.
Ele me deu um tapa forte o bastante para ferir minha boca, senti o gosto de sangue.
— Sua mãe tem razão. Você é muito ingrata, Samantha! — Disse raivoso. — Você vai para Suiça e nem adianta mais discutir! — Decretou.
— O irmão da Carly é advogado e eu vou contratar ele porque quero que ele abra um pedido de Emancipação! — Avisei.
— Juiz nenhum seria louco de te tornar uma emancipada! Não seja tola, filha! — Disse, sério.
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