Stepfather

17 O desprezo merecido...


Notas iniciais
Hey, pessoal!!! Espero que gostem!!! Boa leitura!!!

P.O.V Da Sam

Victor me levou pra casa, ele estava um pouco nervoso. Eu iria apresentá-lo a minha mãe como meu namorado. O moreno estacionou o carro, saiu do automóvel e abriu a porta para mim, sorri saindo do Camaro. Coloquei a mochila nos ombros, e Victor estendeu a mão direita, a segurei firme. Eu já tinha tudo em mente, sempre consegui enganar minha mãe. E ela iria cair na minha mentira direitinho.

Sorri confiante. Apertei a campainha duas vezes, e quem abriu a porta foi a nojenta da Claire. A maldita empregada que havia me chantageado, eu detestava ela.

— Senhorita, Puckett? — Arregalou os olhos surpresa, revirei os meus.

Ela nos deu espaço, entramos e Claire correu, chamando minha mãe. Victor deu uma boa olhada na casa e assobiou, impressionado.

— Uau, sua casa é o máximo, gata! — Sorriu.

— Hum... Grande coisa. — Falei não dando a mínima.

Logo minha mãe apareceu com o babaca do Benson, ela veio correndo para me abraçar. E quase me esmagou, sendo exagerada como sempre.

— Ai, mãe. — Reclamei tentando afastá-la em vão.

— Você apareceu. E está bem. Minha bebê... — Chorou aliviada, tocando meu rosto.

— Sim, estou inteira, mãe. — Forcei um sorriso.

— Que susto você me deu. Nunca mais faça isso. Você não imagina o quanto me deixou angustiada. Por quê você fugiu, minha filha? — Ela me abraçou novamente com mais força.

O Benson estava calado, nos observando de braços cruzados. A cara dele era de poucos amigos.

— Me deixa explicar, mãe, a verdade é que eu não fugi. Eu apenas fui pra casa do meu namorado, e a gente passou o dia na casa dos avós maternos dele. Eles são umas gracinhas e completaram 45 anos de casados. Sinto muito pelo susto, eu deveria ter avisado pra senhora, ou deixado um bilhete. Você sabe como sou esquecida. Acabei esquecendo o celular na casa do Victor, não é amor? — Olhei para o moreno.

— É, foi isso mesmo, senhora. Nós fomos comemorar com meus avós. Foi bem legal. Poxa, a gente deveria ter trazido um pedaço do bolo, mas a Sam disse que a senhora está de dieta. — Ele confirmou minha mentira.

— Nossa! Tudo não passou de um engano? Meu Deus! Eu já estava imaginando o pior... — Ela acreditou. — Vocês estão namorando? Por quê só estou sabendo agora, mocinha? — Pôs as mãos na cintura.

— Ele veio justamente comigo para darmos essa maravilhosa notícia. — Fui até o Victor e peguei sua mão. — Mãe, esse é o Victor Maxwell, ele é do terceiro ano e estuda na Ridgeway, e amor, essa é Pamella Benson, minha mãe. E aquele é o tio Freddie, meu padrasto. — Lhes apresentei.

Victor foi até eles, cumprimentou ambos com muita educação. A cara do Benson estava impagável. Só faltavam sair faíscas de seus olhos. Me segurei pra não rir.

— Que rapaz getil e bonito, filha. — Pam ficou encantada por ele.

— Agora está explicado de onde a Sam herdou tanta beleza. — Disse galante. Ela corou com o elogio dele.

— Já tem 18 anos? — O Benson perguntou para o Victor.

— Sim, senhor. — Respondeu.

— Trabalha? — Indagou. Aquilo não era da conta dele.

— Ainda não. — Victor respondeu dando um sorriso sem graça.

— O que pretende cursar? — O Benson questionou como se realmente se importasse com aquilo.

— Engenharia Civil. — Meu "namorado" respondeu com firmeza.

— Joga no colégio? — Fez mais uma pergunta.

— Sou o Capitão do time de Basquete. — Disse com orgulho.

— Você bebe ou fuma? — O idiota do Benson já estava me irritando e deixando o Victor desconfortável.

— Nenhum dos dois. — Mentiu, segurei o riso.

— Querido, ele é um bom garoto. Já deu pra perceber. Já chega de perguntas por hoje. — Minha mãe o cortou. — Querem comer ou beber algo? — Olhou para nós, ela estava feliz.

— Claro, mãe. — Respondi. — Vamos para cozinha, meu Campeão. Estou com muita fome. — Puxei meu "namorado".

Minutos depois...

— Eles são legais. Principalmente a sua mãe. — Falou quando subimos para o meu quarto.

— Minha mãe é uma chata. Ela vive tentando me controlar, dizendo que sou uma filha rebelde. Ela é tão exagerada! — Falei e ele riu.

— E o seu padrasto? Ele também tenta de colocar na linha? Ele parece bastante sério, rígido... — Comentou.

— Ah, o tio Freddie tentou bancar o padrasto sério e preocupado hoje. Ele não tinha o direito de te interrogar, ele é um idiota. A gente até que se dá bem às vezes, mas ultimamente ele está sendo um pé no saco. Não o suporto mais. — Afirmei.

— E o seu pai? Mora aqui em Seattle? — Me puxou para deitar ao lado dele, repousei a cabeça em seu peito.

— Sim, ele mora aqui. Meu pai é policial. Ele é casado, tenho uma meia-irmã de 6 anos. — Contei.

— Ah, meus pais também são divorciados. E minha mãe já está no terceiro casamento. E meu pai se casou com uma latina, tenho dois irmãos. Antes de conhecer sua esposa atual, ele estava noivo de uma vadia. Eles se separaram após eu denunciar ela pra ele. Eu tinha apenas 15 anos e ela tentou me seduzir, eu odiava aquela mulher. Ela tinha 28 anos, eu era inocente, e aquela cretina tentou me levar pra cama. Falei tudo para a minha mãe e pro meu pai... E minha mãe deu uma surra naquela maldita mulher. O meu pai se revoltou é claro, por pouco não fez uma besteira. Ele queria acabar com a raça daquela cretina, mas ela acabou se mandando pra bem longe. Não fiquei traumatizado, agora não importa mais. Sei que nunca vou esquecer das coisas que ela me dizia, dela tentando me seduzir, mas já passou. Meus pais sempre me deram apoio, eles são bons amigos, cada um está feliz no atual casamento. Adoro meus irmãos caçulas e estou de bem com a vida. E estou muito feliz por ter você, sempre quis ser seu namorado. — Desabafou comigo.

— Sinto muito, nunca imaginei que você tivesse enfrentado tudo isso. Você era apenas um garoto e ela já era uma mulher, e ainda por cima noiva do seu pai. Que barra! Ainda bem que você superou isso. — Falei com sinceridade.

— Pois é, aquela mulher era a vilã da história, eu era apenas a vítima. Fiz o certo, eu não ia permitir que ela abusasse de mim. Fiz bem em ter contado para os meus pais. Vítimas de abusos sentem vergonha, culpa e sofrem caladas. Mas eu fiz o que todas as vítimas deveriam fazer, expôr o seu agressor, denunciar os abusos ou tentativas de abusos. — Disse com firmeza.

— Você fez a coisa certa... — Fiz carinho nele, afagando seus cabelos macios.

— Você faria o mesmo? — Perguntou.

— Sim. — Respondi, minha boca secou e meu coração palpitou forte, minhas mãos estremeceram.

Naquele momento, eu havia me dado conta de quanto fui covarde. Eu não contei a minha mãe, e neguei para o meu pai, até defendi o Benson. Freddie me assediou no mesmo dia em que nos conhecemos, e eu permiti que ele fosse me ver no meu quarto. Permiti ele me tocar, e gostei de cada carícia ousada, de seus beijos e deixei ele me levar pra cama, perdi minha virgindade com ele. E o pior de tudo, eu amei cada toque, e continuei caindo em tentação mesmo sabendo que era tão errado, por ele ser adulto e ainda por cima, meu padrasto. Ele me seduziu, tirou minha inocência, me deu prazer e se satisfez comigo, depois me descartou como se eu fosse um lixo, e ainda por cima me magoou, falando coisas horríves sem se importar com meus sentimentos.

E ele merece se arrepender amargamente, ele precisa sentir na pele o desprezo, e a dor que eu senti ouvindo ele me ofender, me descartando como se eu fosse algo que ele usou o bastante, que acabou perdendo o valor...

[...]

— Como consegue ser tão fofo? — Agarrei o pescoço de Victor, me pendurando nele.

Estávamos perto da porta, nos despedindo. E o Benson estava ali na sala, fingindo assistir um noticiário qualquer, mas na verdade, ele estava era de olho em nós.

— Preciso ir, já está ficando tarde, minha gatinha. — Fez carinho em minha cintura.

— Poxa, amorzinho, fica mais um pouco. Por quê não janta aqui? — Fiz bico, acariciando sua nuca.

— Não posso, vou jantar com os meus irmãos no Dante's, é sagrado e eles ficariam chateados se eu furasse com eles, entende? — Me apertou ainda mais contra si, suas mãos estavam perto da minha bunda.

— Entendo. — Me coloquei nas pontas dos pés para alcançar seus lábios.

E nos beijamos ali mesmo na frente do Freddie, não foi um simples roçar de lábios ou um beijo casto. Foi um beijo de língua demorado, com barulhinhos estalados e só nos desgrudamos quando ambos ficamos sem ar, totalmente ofegantes.

— Até amanhã, linda! — Se despediu após se recompor.

— Até, lindão! — Abri a porta, e ele deu um tapinha na minha bunda antes de ir embora, dando uma risadinha sacana e foi girando as chaves do carro, cantarolando.

Mordi o lábio inferior, prendendo o riso. Tranquei a porta e me virei, me encostando na mesma. Soltei um suspiro e um sorrisinho bobo de propósito, sabendo que o Benson me observava.

Ele levantou do sofá após desligar a TV, me desencostei da porta e lhe lancei um rápido olhar, passei por ele cantarolando alegre, ouvi seus passos. Freddie estava me seguindo, não havia sinal da minha mãe e nem da Claire, talvez elas tivessem na cozinha.

— Sam? — Sua voz grave soou, ignorei seu chamado.

Saquei o meu iPhone novo do bolso, os fones estavam pendurados no meu pescoço. Coloquei os fones, abri minha Playlist e coloquei uma música animada, aumentando o volume. Subi as escadas apressada, sabendo que ele vinha atrás de mim, ainda me chamando. O ignorei completamente, apressei os passos ainda mais, e quando finalmente cheguei ao meu quarto, abri a porta com rapidez e entrei batendo a mesma na cara dele.

Tirei os fones, ouvi o babaca soltar um palavrão. Abafei a risada, voltei a pôr os fones e me joguei na cama, sorrindo. Ele havia ficado puto, eu estava indo bem. Havia conseguido ignorar ele, e foi tão fácil...

[...]

— SAM? — Acordei do cochilo com minha mãe me chamando, batendo na porta.

— Que saco... — Murmurei sentando na cama, esfreguei os olhos e bocejei.

— SAM! — Pam berrou.

Saí da cama e fui abrir a porta do quarto.

— O que a senhora quer? — Perguntei irritada, odiava ter meus cochilos interrompidos.

— Se arrume, vamos jantar fora! — Avisou ela que estava usando um roupão rosa felpudo, seu cabelo estava preso num coque despojado, e ela já estava com a maquiagem pronta.

— Ótimo. — Forcei um sorriso.

— Seja rápida, o Fredward não gosta de atrasos. — Falou antes de ir terminar de se arrumar.

Fechei a porta, que se danasse ele sua pontualidade. Eu não dava a mínima para aquilo. Não mesmo.

Tomei um banho, devo ter demorado uns 30 minutos ou mais. Não lavei o cabelo, pois eu já o havia lavado de manhã. Eu tinha um Closet e centenas de peças de roupa, ou seja, milhares opções de Looks, e sapatos e bolsas para combinar.

Peguei um vestido vermelho, ele era bem acinturado, justo no busto com um decote provocante. Vesti apenas a calcinha de um conjunto de lingerie cor de vinho com detalhes pretos em renda, e decidi usar uma meia-calça rendada preta e sapatos roxos com saltos.

Delineei bastante meus olhos, realçando a cor, e passei um pouco de batom vermelho. Deixei meu cabelo solto, os cachos estavam volumosos, nem fiz questão de pentear ou dar um jeito no volume. Borrifei um pouco de perfume, enfiei minha carteira, um espelho de mão e o batom que passei numa bolsinha preta, ela tinha duas alças fininhas com tachinhas prateadas. Peguei um casaco cor de vinho.

Chequei a hora: 19h:57min. O Benson devia estar bastante puto com a minha demora. E claro, eu estava demorando de propósito.

— Você demorou, filha. — Pam disse séria assim que terminei de descer as escadas.

O Benson estava com aquela cara amarrada, parecia que havia chupado limão. Fui na frente sem falar nada, mexendo no celular.

Eles vieram atrás, adentramos a garagem. Freddie abriu as portas do carro dando uma de cavalheiro, não agradeci. Apenas entrei ainda mexendo no celular.

— Coloque o cinto, Samantha! — Ordenou.

— Sim, senhor. Já estou colocando. — Falei com um pouco de sarcasmo. — Que tal irmos ao Dante's, tio? — Sugeri, o chamando de "tio" apenas para irritá-lo.

— Não. Sua mãe e eu já fizemos reservas em outro restaurante... Talvez Sábado iremos jantar no Dante's, pode ser? — Fingiu um tom amável, por dentro ele devia estar me xingando.

— Ah, tanto faz... — Cruzei os braços, emburrada.

Se fossêmos jantar no Dante's, as chances de ver o Victor seriam ótimas, já que ele iria jantar com os irmãos naquele famoso restaurante italiano.

O caminho até o restaurante foi um saco, eles conversavam animados, e eu continuava num tédio com vontade de pular pela janela do carro, vê-los agindo como um casal apaixonado e um tanto meloso me causava náuseas...

[...]

Reconheci o bairro assim que ele estacionou o carro e eu desci, estávamos no Elliott Avenue, um bairro chique por sinal. Haviam cafés, lanchonetes e alguns restaurantes mais procurados por turistas que visitavam Seattle. Freddie passou um dos braços ao redor da cintura da minha mãe, e estendeu um braço para mim.

Eu não entraria no restaurante com eles daquele jeito, como se fôssemos uma família unida e feliz. Credo! De jeito nenhum... Ele nem era o meu pai.

Lhe lancei um olhar feio, minha mãe nem notou quando recusei entrelaçar o braço com o dele. Fui para perto dela, ele enfiou a mão livre no bolso, e Pam estendeu a mão, a peguei e ela entrelaçou nossos braços. Ufa, pelo menos não tive que ficar perto daquele cara...

Adentramos o restaurante, era muito bonito e sofisticado. Um Hostess nos recepcionou, nos levando para a mesa reservada. A decoração era chique, com arranjos de flores brancas em vasos azuis, vasos de cristais, aquários com peixes e Estrelas-do-mar, mesas redondas, toalhas de linhos e o lugar era iluminado por belos lustres. Havia um homem tocando piano, a melodia era romântica, havia tantos casais ali, jantando enquanto trocavam carícias e sorrisos apaixonados... Que patético.

Bufei, pelo visto eu só iria segurar vela ali. Merda.

Retirei o casaco com a ajuda do Hostess gatinho, o pendurei no espaldar da cadeira. O Benson olhou para o meu decote ousado e enguliu um seco, nossos olhares se encontraram por míseros segundos, logo desviei e olhei para o pianista, ele tocava outra música romântica.

Um garçom careca e com um bigode engraçado trouxe o cardápio e a carta de Vinho. Passei os olhos lentamente pelo menu da noite, procurando o prato e a sobremesa mais cara.

— Nos sirva o melhor Vinho italiano que vocês tem na casa. — O metido do Benson escolheu o Vinho, minha mãe abriu um sorriso empolgada.

— Sim, senhor. Temos um excelente Vinho Tinto, safra de 1989, esse é o mais requisitado, senhor. — O garçom já estava pronto para anotar nossos pedidos.

Minha mãe pediu uma salada de Cogumelos e Couve-Flor de entrada, escolheu frango salteado com legumes como prato principal e arroz de forno com passas como acompanhamento. Fiz careta. Até quando ela continuaria com aquela dieta idiota?

Olhei novamente o cardápio, optei por pedir um Magret de pato com molho de laranja, farofa grega de amendoim e bacon, Risoto de camarão, bolinhos de Bacalhau com queijo, tiras de Lagosta com molho cítrico, uma porção de Spaghetti Alla Puttanesca e caldo de Mariscos.

Minha mãe, o Benson e o garçom me olharam espantados, mas eu não liguei, encerrei meu pedido. Foda-se, o meu "querido" padrasto que iria pagar a conta mesmo, e eu ainda iria me deliciar com uma sobremesa, a mais cara por sinal

O Benson pediu apenas o prato principal, Risoto de Gorgonzola e nozes e bacon, e uma simples salada grega como acompanhamento. Que imbecil, mão-de-vaca...

— Com licença, vou retocar a maquiagem. — Minha mãe levantou, sorrindo sem graça e fez um gesto discreto para mim, logo saquei.

Que maquiagem que nada, ela ia dar um pulo no banheiro para dar uma conferida no absorvente...

Assim que ela sumiu de vista, tirei meu celular da bolsa e mandei uma mensagem para o Victor. Logo ele respondeu, dizendo que ainda estava no Dante's, e falei que eu estava no Lux's Granfinn, jantando com minha mãe e com o chato do meu padrasto.

— Guarde o celular, estamos num restaurante sofisticado, e usar o celular à mesa é falta de educação, sabia? — O cretino do Benson tentou me repreender.

Lhe mostrei o dedo do medo, e continuei trocando mensagens com o Victor.

— Samantha, olhe para mim, estou falando com você! — Aumentou o tom.

O ignorei, ele se inclinou em minha direção e tomou o meu iPhone com um puxão.

— Caralho! Devolve o meu celular! — Pedi o olhando indignada.

— Não. Vou devolver apenas quando chegarmos em casa. — Avisou desligando e guardando o meu iPhone no bolso interno do paletó.

— Ah, seu filho da...

— Calada! — Rosnou me interrompendo.

Lhe mostrei o dedo do meio pela segunda vez, cruzei os braços e bufei, irritada.

Minha mãe retornou e a nossa comida foi servida após longos minutos de espera. Dei uma "beliscada" ali e outra acolá, provando um pouquinho de cada, mas eu não comi tudo. Eu estava com raiva, e claro, eu só pedi tudo aquilo para o Benson arcar com a conta, aquilo não sairia nem um pouco barato...

Pam me repreendeu com o olhar enquanto pegava a pequena tigela de caldo de Mariscos, ela odiava o fato de comidas serem desperdiçadas. Ela também comeu um pouco do pato e do Risoto, e do Spaghetti que estava com um tempero bastante pesado...

Pedi a sobremesa, uma sobremesa com bastante calda de chocolate. Era bolo com sorvete, com pedaços de morango, uva e pêssego. Um tal de "Dolce" sei lá o quê... Aposto que nem o Benson sabia pronunciar o nome daquilo.

— Tudo bem, mãe? — Perguntei vendo seu rosto vermelho, brilhando de suor.

— Ah, eu... Meu Deus... — Gemeu se contorcendo toda na cadeira, ela pegou um copo d'água com as mãos trêmulas.

Assim que enguliu a água, deu um pulo da cadeira e saiu quase tropeçando, toda apressada, vimos ela ir em direção aonde ficavam os banheiros. Sumiu de vista... Mastiguei um pedaço do meu bolo com calda e frutas, e falei:

— Coitada, da última vez que comeu Mariscos, ela passou 3 horas no banheiro... — Balancei a cabeça, lamentando.

— Merda! A culpa é sua. — O idiota apontou para mim.

— É merda mesmo e bota merda nisso. É uma baita cagada. Mas eu não mandei ela tomar o meu caldo, então a culpa é dela mesma... — Me defendi.

— Hum... Engraçadinha. — Me olhou feio.

— Eu quero o meu celular. — Estendi a mão direita.

— Vai ficar querendo. — Sorriu maldoso.

— Estou falando sério, imbecil. Devolve o meu iPhone. — Exigi.

— Não. Já te falei, apenas quando chegarmos em casa. — Avisou.

— Mas que droga! Quero a porra do meu iPhone agora! — Levantei batendo na mesa.

— Abaixa o seu tom, e trate de sentar agora, todo mundo está olhando para essa sua ceninha ridícula! — Disse, irritado.

— Tô nem aí. — Olhei ao nosso redor. Curiosos estavam nos assistindo, bando de futricados...

— Senta. Agora. — Ordenou pausadamente me dando aquele olhar "matador".

Um arrepio subiu por minha espinha, minhas pernas fraquejaram...

Sentei com muita raiva, cruzei as pernas, eu havia ficado quente, um pouquinho úmida. Maldito seja aquele olhar. Ele sorriu satisfeito, o cretino já devia saber, teve a ousadia de lamber o lábio inferior, ainda me observando...

— Que foi? Perdeu alguma coisa no meu decote? — Perguntei desconfortável, seus olhos não saiam do meu busto.

— Se não quer ninguém te comendo com os olhos, ponha o casaco. — Sorriu, sarcástico.

— Idiota! — Bufei.

— Vá ver como sua mãe está. — Mandou autoritário.

— Oh, mas nós já sabemos como ela está. Ainda está lá no banheiro, sentada na privada dando uma cagada daquelas, não vou dar um pulo lá de jeito nenhum. Não tô a fim de vomitar por conta do fedor! — Fiz careta.

— Caralho! Estamos falando da sua mãe. Você realmente não se importa? — Me encarou, indignado.

— Claro que me importo. Só não estou a fim de ir lá, me deixa em paz. — Cruzei os braços.

— Você é mesmo muito insensível... — Murmurou.

Ele pediu a conta, e quando viu o preço quase teve um treco. Vi ele tirar três notas de cem da carteira, e ainda deu uma nota de cinquenta como gorjeta para o garçom que saiu dali feliz da vida.

[...]

— Alelúia! Eu já estava morrendo de preocupação. — Falei assim que ela voltou para a mesa.

Benson me lançou um olhar feio, se levantou para falar com ela.

— Já melhorou, amor? — Foi para perto dela.

Minha mãe estava abatida, a maquiagem toda borrada, estava trêmula e com o rosto vermelho.

— Vamos pra casa. — Disse baixinho com a voz fraca.

— Como quiser, querida. — Ele pegou o casaco dela que estava pendurado no espaldar da cadeira.

— Ow, mãe... — Levantei, pronta parar ir embora.

— Vou ficar melhor, não se preocupe. — Tentou me tranquilizar, ela estava pálida com o lápis de olho escorrendo pelas bochechas.

O amado marido dela a abraçou de lado, a conduzindo para fora do restaurante, fui indo atrás prendendo uma possível gargalhada. Era hilário, e ao mesmo tempo trágico. O Benson deu uma nota de vinte ao manobrista... Que miserável.

O caminho de volta para a casa foi silencioso, minha mãe acabou adormecendo. Tadinha, ficou tão abatida e envergonhada. O Benson a acordou assim que chegamos em casa.

Minutos depois...

Chutei meus sapatos para um cantinho após chegar no meu quarto, joguei a bolsa em cima da cama. Tirei o vestido, fui trocar de calcinha, aquela já estava num estado crítico. Tudo culpa daquele maldito... Vesti uma Boxer roxinha após me limpar com um lenço umedecido perfumado, a Boxer era muito mais confortável para dormir. Tirei toda a minha maquiagem, lavei meu rosto e fiz um coque frouxo, prendendo o cabelo.

Coloquei um moletom que ficava grande em mim, era preto, larguinho e quentinho. Cabiam duas de mim naquele moletom, larguei o vestido no cesto de roupa suja e calcei minhas pantufas.

Saí do quarto, fui para a cozinha pegar alguns Cookies com gotas de chocolate. Preparei um copo de leite e sentei numa banqueta, colocando meu lanchinho noturno sobre o balcão.

— Gula é pecado, sabia? — O Benson comentou assim que me viu devorando meu lanchinho.

— Pecado é ser infiel, você jurou fidelidade, e quem peca vai para o inferno. — Zombei.

— Você não é nenhuma Santa. — Retrucou.

— Não sou mesmo... Mas o maior pecador aqui é você. — Afirmei.

— Hum... — Ele foi até a geladeira, já havia trocado de roupa.

Estava usando uma camiseta branca, calça preta de moletom e chinelos de ficar em casa.

— Minha mãe já está melhor? — Perguntei.

— Sim, ela tomou um remédio, está muito sonolenta. — Respondeu pegando uma jarra de água.

Depois ficamos em silêncio, levei o pratinho e o copo vazio para a pia.

— Preciso do meu celular. — Avisei.

— Pode subir para o seu quarto, só vou ligar o sistema de segurança e já vou te devolver, ok? Esqueci o seu celular no bolso do paletó... — Disse sem me olhar.

— Tá. — Assenti.

Minutos depois...

O Benson bateu na porta do meu quarto, mandei ele entrar já que a deixei destrancada. E como prometido, ele veio me devolver o iPhone...

— Até que enfim. — Estendi a mão para pegar o aparelho.

— Calminha aí, primeiro você tem que me esclarecer uma coisa. — Suspendeu o celular, deixando fora do meu alcance.

— Droga! — Revirei os olhos. — Que seja, diz logo o que quer saber... — Falei entre dentes.

— Desde quando você namora aquele moleque metido? — Indagou, sério.

— Isso não é da sua conta. Agora me dá o meu iPhone e saia do meu quarto! — Falei apontando para a porta.

— Responda a minha pergunta. — Exigiu, seu rosto estava ficando vermelho.

— Por quê quer saber? Caramba! Eu não te devo satisfações e não sou obrigada a te esclarecer coisa nenhuma. — Rebati.

Ele rosnou, me olhando irritado.

— Você é minha enteada, mora e come sob meu teto, e me deve sim satisfações. — Quase gritou comigo.

— Ha, ha, ha. — O olhei com descrença. — Ah, é mesmo? Eu te devo satisfações? Isso é ridículo. Eu nunca quis me mudar para essa maldita casa, nunca quis que você fosse meu padrasto e você não é único que banca nessa merda. Minha mãe trabalha, é ela quem me sustenta e eu só devo somente satisfações à ela e ao meu pai. — Afirmei.

— Aquele moleque não me agradou, nenhum pouco. Ele não serve para você, não consegue enxergar que ele é o tipo de cara que só quer se divertir, é tipo de delinquente que só quer uma coisa? Brincar com patricinhas como você e quando cansar, vai te chutar sem piedade. Talvez te passe uma DST, ou pode te abandonar grávida...

— Patricinha? — Perguntei o interrompendo, incrédula. — Não sou patricinha porra nenhuma! — Me emputeci.

— Você é fútil, mimada e arrogante. Você o tipo de garota que...

— Engule suas palavras! Eu. Não. Sou. Patricinha! — Falei pausadamente, tremendo de raiva.

— Quanta teimosia, não? O que custa admitir? — Se irritou ainda mais.

— Sempre fui mimada pelos meus pais, mas eu nunca fui fútil ou cheia de frescurinhas. Odeio rosa, odeio tudo que tem a ver com moda e não saio por aí carregando um cachorro na bolsa. Só aprendi a usar saltos porque minha mãe praticamente me obrigou, todos os vestidos e saias que eu tenho foi porque ela comprou, e eu odeio profundamente ser chamada de patricinha sendo que eu odeio patricinhas. E repito, não sou fútil e pare de me julgar, você nem ao menos me conhece direito! — Apontei o dedo na cara dele.

— Sua melhor amiga é patricinha... — Comentou.

— É sim, e daí? Algum problema? Lave bem a boca antes de falar da Carly! — O empurrei.

— Calma aí, garota. — Aumentou o tom.

— Você é um idiota! Te odeio! Devolva o meu celular! — Avancei nele, esmurrando seu peito.

Jogou o meu celular em cima da cama.

Ele me deteu, agarrando meus pulsos com força.

— Me solta. — Tentei me livrar de seu aperto.

— Você merece umas boas palmadas, oh, sim, você merece. — Disse com a voz baixa, seus olhos estavam ficando escuros, quase negros.

— Se você bater em mim, vai se arrepender profundamente, entendeu? — Avisei sentindo meu coração bater à mil.

Ele fingiu não me ouvir, soltou os meus pulsos e agarrou minha cintura, tentei escapar, foi em vão por ele ser mais forte. Me carregou até a cama, sentou na mesma e me deitou sobre suas coxas, colocando-me de barriga para baixo.

— O que você pensa que...

— Calada! — Praticamente rosnou.

Suspendeu meu moletom expondo minha bunda, comecei a espernear, ordenando que ele me soltasse.

— Parada. Fique quietinha aí, vai ser muito pior se você não parar de espernear... — Puxou minha calcinha para baixo, me deixando completamente exposta.

— Você vai... Aí. — Reclamei quando ele desferiu o primeiro tapa, pulei em seu colo sentindo o ardor se espalhar por minha bunda. — Filho da puta! — O xinguei, fui punida de novo. O ardor virou um latejo, foi uma palmada mais forte que a outra.

Meus olhos lacrimejaram quando sua palma me atingiu de cheio novamente, o latejo em minhas nádegas aumentou.

— Odeio você... Você vai se arrepender... Juro que vai... — Lágrimas desciam por meu rosto, eu tremia de raiva.

Mordi o lábio prendendo o grito, outra palmada foi desferida, forte e estalada, depois outra e mais outra... Ele encerrou a sessão de palmadas punitivas.

— Acabou, acabou. Shiii. Não precisava ter sido assim, mas você merecia receber umas belas palmadas, você sabe que sim... — Massageou minhas nádegas, tentando amenizar o ardor. — Ficou vermelhinha, toda vermelhinha... — Comentou ainda me massageando.

Fiquei calada, indignada, ainda toda trêmula, sentindo minha bunda arder...

Ele escorregou a mão entre minhas pernas, seus dedos foram direto "lá", deslizando entre meus lábios vaginais. Paralisei, meu coração batia forte, disparado...

— Ficou excitada... — Concluiu.

Praguejei mentalmente, me odiando naquele momento.

O maldito parou de me tocar, me pôs de pé, me segurando firme. A Boxer deslizou por minhas coxas, ele me soltou e me ajudou a tirá-la, eu queria sentar, mas minha bunda estava muito dolorida.

— Isso fica entre nós, certo? Você gostou, pode admi...

O calei com um tapa, minha mão latejou, me segurei para não urrar de dor. Seu rosto virou com tamanha força que usei, atingindo-o de cheio. Não pensei, apenas agi, impulsionada pela raiva.

Ele me olhou incrédulo, com a bochecha esquerda com a marca da minha mão. Fiquei satisfeita.

— Você bateu em mim... — Murmurou, seu olhar enegrecido se fixou no meu.

— Bati. Foi merecido, estamos quites agora! — Sorri, minha mão ainda latejava.

Ele deu um passo em minha direção, recuei e ele deu mais um passo. Quando estava prestes a recuar de novo, suas mãos fortes me agarraram, arquejei.

Suas mãos se firmaram em minha cintura, espalmei as mãos por seu peito, tentando afastá-lo. Virei o rosto quando ele tentou me beijar, não foi só uma tentativa. Ele continuou insistindo, soltou minha cintura e colocou as mãos em minha nuca. E virou minha cabeça, juntando nossos lábios, relutei e ele continuou me apertando contra si, esmagando sua boca contra a minha.

Pediu passagem, mordiscava meus lábios e tentava enfiar a língua na minha boca à qualquer custo. Não parei de relutar, apertei os lábios, eu não iria ceder. Não mesmo, mas o babaca não me largou, continuou tentando me beijar a força, suas mãos seguravam meu rosto.

Parei de relutar, fingindo dar por vencida. E mordi seu lábio inferior sem piedade, ele imediatamente me soltou e se afastou, praguejando. Bingo!

Eu havia conseguido com que ele parasse de me agarrar e tentasse me beijar a força, machuquei seu lábio à ponto de fazê-lo sangrar. O cretino soltou alguns palavrões, tocou no lábio machucado e gemeu de dor. Bem feito, não fiquei nenhum pouco com pena ou arrependida.

— Por quê você fez isso? — Perguntou, raivoso.

— Ainda pergunta? Você estava me agarrando, tentando me beijar contra a minha vontade. Mas só o que estou sentindo por você agora é repulsa. Puro nojo. E nunca mais tente me agarrar, nunca mais, entendeu? Trate de manter essas mãos nojentas longe de mim. Agora sou comprometida com o Victor, você o conheceu hoje. E não dou a mínima se você não aprova o nosso namoro. Pelo menos ele me respeita, me dá valor e já disse que é apaixonado por mim. Não é como você, pois você é um idiota, arrogante que ainda por cima comete assédios contra a própria enteada! — Cuspi as palavras, o olhando com repulsa.

Ele não falou nada, apenas abaixou a cabeça. Ficamos em silêncio. Com passos lentos foi até a porta destrancando-a, e foi embora do meu quarto. Corri para a mesma e a tranquei, me encostei ali, permitindo que todas as lágrimas acumuladas saíssem. Escorreguei, deslizando minhas costas na porta, sentei no chão, chorando descontrolada...

Eu devia ter ficado satisfeita, certo? Feliz por lhe dar o desprezo merecido. Mas pelo contrário, dizer tudo aquilo e ser rude com ele não foi nada fácil, mas no fundo eu sabia... Apenas não queria admitir pra mim mesma.

Notas finais
E aí??? O que acharam??? Alguém aí ficou com pena do Benson ou o desprezo foi merecido??? O que acharam dele repreendendo ela com palmadas??? Comentem!!! Bjs