Stepfather
12 Maldita chantagista
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Pam me fitou por alguns segundos, sem piscar, em seguida meneou a cabeça, um pouco atordoada. Ela arregalou os olhos, empalideceu e levantou-se da cama como se tivesse tomado um banho de água gelada, andou de um lado para o outro, parou de andar e respirou fundo, seus olhos claros se fixaram em mim, menos ampliados e ela suspirou.
— Minha garotinha cresceu... — Seus olhos ficaram marejados. — Como isso aconteceu? Quando? Aonde? Com quêm? Vocês se preveniram? Quantos anos ele têm? Estudam no mesmo colégio? — Disparou as perguntas, parecia bastante abalada.
— Calma, mãe. Uma pergunta de cada vez. Que tal se sentar? — Bati na cama, ela assentiu e voltou a sentar, cruzando as pernas. — Agora, respondendo as suas perguntas... Eu conheci um garoto no aniversário da Carls, lembra? Mas ele é de outro colégio. Aconteceu no mês passado. A gente ficou na festa, o nome dele é David Collen, dei meu número pra ele e marcamos para ir no cinema... Na volta, ele parou o carro e aconteceu, sabe? Ah, mãe, não quero dar os detalhes... — Escondi meu rosto no travesseiro, fingindo estar com vergonha.
— Por isso você demorou voltar pra casa naquele dia... — Murmurou acreditando na minha mentira. — Conta pra mamãe, quantos anos ele têm? Ele te forçou ou te pressionou? — Indagou toda preocupada.
— Ele têm 17 anos. Não, ele não me forçou a nada. Rolou naturalmente. — Menti descaradamente e ela ficou calada, digerindo tudo aquilo.
— Está me dizendo que perdeu a virgindade com um garoto que mal conhecia num carro? — Me olhou incrédula, assenti e ela me lançou um olhar de decepção. — Estou com dor de cabeça! — Se levantou massageando as têmporas. — Por quê só veio me contar isso agora? — Cruzou os braços.
— Eu... Eu estava com receio de contar. — Abaixei a cabeça.
— Sou sua mãe, você não deveria ter me escondido uma coisa dessas. Estou muito decepcionada com você. — Disse chateada antes de sair do quarto.
"Nossa! Poderia ter sido bem pior, não? Ela poderia ter surtado, mas apenas ficou decepcionada, só espero que ela não conte nada para o meu pai... Ele é bem capaz de querer conhecer o "David Collen", e ainda me daria uma "bela" bronca ou uma tremenda surra, e com certeza mataria o Freddie e eu ficaria de castigo até completar a maior idade. Meu pai pode ser bastante severo quando quer..."
Horas depois: Às 19h:32min...
— Cadê a minha mãe? — Perguntei para o Freddie, enquanto me juntava à ele, na sala de jantar.
— Ela não quis descer alegando que está com dor de cabeça. — Respondeu enquanto se servia.
— Que frescura! Minha mãe é extremamente patética, às vezes... — Falei entediada.
Claro que era só uma desculpa de Pam, ela havia ficado chateada, talvez um pouco brava e não queria olhar pra minha cara tão cedo. Que dramática...
— Ei, para onde você pensa que está indo? — Perguntei para a nova empregada que já estava se retirando. — Me sirva agora! Só espero que a sua comida seja boa! Rápido sua lerda, nada de corpo mole! — Falei enquanto mexia no meu novo celular.
— Obrigado! Já pode ser retirar, Anya! — Benson fez um gesto dispensando-a.
— Sim, senhor. Com licença! — Se retirou apressada.
— Qual é? Essa mulherzinha é paga para nos servir. — Desviei meu olhar para ele.
— O que foi isso, Samantha? A Anya não é sua escrava, você foi totalmente rude com ela. Nunca mais fale assim com ela ou com qualquer outro empregado, entendeu? — Me repreendeu, pensando que podia me disciplinar.
— Foda-se você e essa gentinha de merda! — Fiz careta, voltando a atenção para o meu celular.
— Foda-se o caralho! Vá lá na cozinha e peça desculpas a Anya. Você não tem o direito de tratar ninguém assim, trate as pessoas com respeito. Principalmente as que trabalham em nossa casa! — Disse bravo, chamando a minha atenção.
— Uh, ficou irritadinho? Que foi querido, padrasto? Você anda fodendo as empregadas também? Sabe, não duvido nada. — Ri o provocando.
— Me respeita, garota. A Anya tem idade para ser a minha mãe! — Bateu com força na mesa, me fuzilando.
— Mas a ajudante dela é nova, como é o nome dela mesmo? Hum... Clarisse? Cherise? Clary? Não lembro. — Fiz careta, fingindo em tentar lembrar o nome daquela vadia.
— Pare de falar besteiras e coma logo. — Ordenou, vermelho de raiva.
— O que é isso? Que nojo! — Olhei para a "pasta" amarelada na travessa de vidro, acompanhada de massa com molho branco e filé de frango com finas tirinhas de um negócio vermelho, em duas panelas rasas sem alças. — Vômito de cachorro? Não vou comer essa porcaria! — Falei enojada. — Mande aquela velha preparar outra coisa pra mim! — Exigi, batendo na mesa.
— Você está redondamente enganada se pensa que pode botar banca na MINHA casa. Não adianta ficar emburrada, eu não vou fazer tudo que você quer. Você não passa de uma criança mimada, malcriada e egoísta! Portanto, trate de se comportar, eu exijo respeito. Sirva-se sozinha, você têm duas mãos e acho que elas não vão cair se você fizer isto. — Falou apertando os talheres, enquanto me fuzilava.
— Sirva-se sozinha, você têm duas mãos... — Imitei sua voz, fazendo pouco com a cara dele. — Claro que tenho duas mãos, não sou nenhum ET para ter mais de duas. Bléeff! — Debochei.
— Você está curtindo com a minha cara? — Largou os talheres, sua carranca estava enorme, ele ia explodir a qualquer instante.
— Talvez... — Dei de ombros. — Você já têm uma cara engraçada. Aposto que você saiu de algum circo! — Ri me divertindo, implicar com ele estava sendo o máximo.
— Está me chamando de palhaço, Samantha? — Se levantou de supetão, apertando as bordas da mesa.
— Hum... Senta aí, irritadinho. Eu vou pedir pra nossa cozinheira idosa fazer batatas fritas pra mim, vou comer lá no meu quarto só para não te incomodar e...
— Cala a porra da boca! — Disse dando a volta, rodeando a mesa e parou ao meu lado.
Parei de respirar, ele se abaixou ao meu lado, quase encostando a boca no meu ouvido direito.
— Eu vou colocar você na linha, garota insolente. Faz tempo que ando te observando, vendo você maltratar as pessoas ao nosso redor. E se maltratar a Anya, a Claire ou qualquer pessoa que trabalha aqui em casa de novo, eu vou te obrigar a fazer o trabalho deles. Seja quêm for, isso não vai ficar barato. Eu não vou aturar suas tolices,nesse teu mau-comportamento que é deprimente e suas gracinhas que me tiram do sério. Você precisa de uma lição, ou melhor, merece algumas palmadas pra vê se aprende ser uma boa moça, gentil e com bons modos. Se fosse minha filha, já estaria num internato. Eu vou conseguir um emprego para você, sua mãe vai concordar comigo, tenho certeza. Que tal trabalhar no Mix's Grill? Hum? Acho uma excelente ideia. Quando chegar do colégio, vai trocar de roupa e vai para o trabalho. — Disse no meu ouvido, fechei os olhos, eu estava tremendo de raiva.
— Eu não vou trabalhar como garçonete, é um empreguinho medíocre. Não tô nem passando fome! — Fechei os punhos, me preparando para me levantar.
— Hum... Pois bem, como quiser. — Disse tomando o meu celular. — Você é muito desprezível, Samantha. Nenhum homem vai querer casar com uma mulher como você. Como pode ser tão fria? Tão má? Você despreza as pessoas, você não respeita nem sua própria mãe. Você é uma pessoa terrível! — Cuspiu as palavras. — Eu nunca mais vou me envolver com você, nunca mais vou deitar com uma garota mimada que só ama a si mesma, que se acha a superior, que só se importa consigo mesma! — Falou com desprezo.
Me levantei o empurrando e saí correndo, me retirando da sala de jantar.
[...]
P.O.V Do Freddie
Puta merda! Não acredito que aquela pirralha fugiu. Essa garota só dá dor de cabeça. E agora? Onde será que ela foi? Eu preciso encontrá-la, a Pam nem imagina que sua filhinha mimada fugiu de casa. Que merda aquela garota têm na cabeça?
Resolvi ir atrás da Sam, fui no meu Audi R3 preto, depois de quase meia-hora circulando pelos arredores, encontrei uma garota suspeita andando num patinete motorizado. Me aproximei com o carro, constatando minhas suspeitas...
Era a loirinha fujuna.
Ela estava com outra roupa, toda agasalhada com um casaco e gorro, e estava levando uma mochila. Buzinei chamando sua atenção e ela disparou com seu patinete azul, e antes que ela virasse na próxima rua, eu a bloqueei com o meu carro.
Vendo que não dava para seguir naquela rua, pois ela estava numa calçada e havia sido bloqueada ali com a intenção de dobrar para a esquerda, a loirinha imediatamente largou o patinete na calçada e disparou, correndo que nem uma louca.
Estacionei meu carro numa vaga qualquer ,saí apressado travando-o e comecei a perseguí-la, correndo o mais rápido que podia.
Depois de percorremos uns cinco quarteirões, ela se cansou e não conseguiu prosseguir, parou se curvando, com as mãos apoiadas nos joelhos, tentando recuperar o fôlego.
Fiz o mesmo e quando me recompus, eu a peguei, abraçando-a por trás.
— SOCORRO! SOCORRO! SOCORRO! TÊM UM TARADO TENTANDO ME ATACAR! — Berrou se debatendo, tentando se soltar.
— Cala a boca. — A calei com a mão, pressionando a palma contra seus lábios.
Algumas pessoas nos olharam assustadas e outras apenas apressaram os passos, seguindo seus caminhos sem olhar para trás.
— Vou te levar pra casa. Shhh, quietinha! — A puxei sem tirar mão de sua boca.
Olhei ao nosso redor, estávamos perto de alguns prédios residenciais com poucos andares, há poucos metros estava um grande prédio comercial, e acabamos parando em frente à uma lojinha de doces...
— Sua mãe está dormindo, ela nem imagina que você fugiu... — Falei olhando para uma mulher que estava falando ao celular, com certeza chamando a polícia, ela me olhava muito assustada.
Ela relutou bastante, pisou no meu pé várias vezes, mas eu consegui convencê-la a voltar pra casa comigo.
— Droga! Roubaram o meu patinete! É tudo sua culpa! — Reclamou esmurrando meu peito quando passamos pela calçada aonde ela havia o largado.
— Bem feito! — A puxei, apressando os passos. — Por quê fugiu? — Perguntei ainda irritado.
— Não é óbvio? Odeio aquela casa. Odeio conviver com você e a minha mãe juntos. Pam só dá atenção para você, ela nunca se importou comigo mesmo. Eu tenho meus motivos! Ela é a única culpa de tudo isso. — Desabafou, chateada.
— Não fale assim, pequena. Claro que sua mãe se importa com você, ela te ama muito. — Falei passando o braço por seus ombros.
— Não me toque. Eu te odeio! Eu te odeio tanto! Você é o pior padrasto do mundo! — Esbravejou, me empurrando.
[...]
— Eu conheço esse olhar, você está louco para me foder. — Sorriu maliciosa quando eu a levei para o seu quarto.
— Já chega por hoje! Já estou farto de você! — Falei com raiva, ela estava na soleira da porta, mordendo o lábio inferior, seus olhos azuis me fitando com cobiça.
— Oh! — Fez bico. — Tem certeza que não quer entrar? — Abriu o casaco expondo a blusa preta com um pequeno decote, se oferecendo.
— Boa a noite, Samantha! — Lhe dei as costas, me encaminhando para o meu quarto. — Foda-se! — Murmurei dando meia volta e fui bater na porta do seu quarto, eu estava latejando.
— Eu pensei que...
— Shhh, nada de palavras, você já falou muita merda hoje. Não quero me arrepender depois... — Entrei trancando a porta e ela sorriu, tirando o gorro. — Que tal usar essa boquinha linda e deliciosa para outra coisa, hein? — Sugeri tirando a jaqueta, a camisa e desabotoei minha calça, desci o zíper e ela mordeu o lábio, o umedecendo com a ponta da língua, entendendo o que eu queria.
— Tudo que você quiser, querido padrasto. — Se aproximou e eu a agarrei, beijando-a com todo o meu desejo, e gemi contra seus lábios quando sua mão deslizou entre nossos corpos, agarrando meu membro, apertando-o de leve.
[...]
Semanas depois...
P.O.V Da Sam
Cheguei do colégio e encontrei a Claire no meu quarto. Parecia que ela estava bisbilhotando minhas coisas, mas ela não se assustou quando me viu entrando, continuou passando um paninho pelo espelho... Minha escrivaninha estava arrumada, assim como os outros móveis, a cômoda, e a cama perfeitamente arrumada.
Pendurei minha mochila no suporte ao lado da escrivaninha, sentei na cama e comecei a retirar meus All-Stars.
— Você tem uma bela coleção de roupas de Grife, sapatos de marcas, aposto que nunca foram usados. Só estão de enfeite no seu guarda-roupa, não é? — Claire perguntou enquanto ainda limpava o grande espelho.
— Como é que é? Você andou bisbilhotando o meu guarda-roupa? Quêm você pensa que é? — Me levantei irritada.
— Pode ir abaixando o seu tom comigo. — Se virou pra mim, me olhando com frieza. — É o seguinte, garota, eu vi você e o patrão saindo do escritório dele semana passada. Eu percebi as trocas de olhares, já faz semanas que ando observando vocês e já saquei que você abre as pernas para o marido da sua própria mãe! — Sorriu cínica.
— O que você quer para manter o bico fechado? — Perguntei, me controlando para não voar no pescoço daquela estúpida.
— Seus vestidos que ainda estão com as etiquetas, aquela bolsinha cor de creme da Gucci, uma das suas bolsas Chanel, uma da Prada, uma Louis Vuitton, três calças Versace, uma par de botas da Gucci, dois pares de sapatilhas Jimmy Choo e seu perfume J'Adore-Dior que ainda está na caixinha! — Pediu a chantagista.
— Mas o quê? — Indaguei incrédula. — Como você sabe o nome de todas essas marcas? — Aumentei meu tom de voz.
— Não interessa como eu sei, mas eu quero tudo isso que acabei de listar. — Exigiu balançando um espanador.
— De jeito nenhum. Não vou te dar porra nennuma! — Esbravejei com raiva.
— Ah, não? Então, eu vou contar tudo para a sua mãe ou melhor, vou chantagear o gostoso do seu padrasto e pedirei muito sexo em troca do meu silêncio. — A vadia sorriu maliciosa.
— Okay. Eu te dou as roupas, as bolsas, os sapatos e o perfume. — Falei derrotada, por dentro estava morrendo de raiva.
— Que maravilha, acho ótimo! Não tente me passar a perna, garotinha. Venho pegar meus "presentinhos" daqui à pouco, ok? — Bateu palmas, animada. — Ainda sou nova, tenho vinte anos e sou bonita, acho que o senhor Benson iria gostar dos meus talentos, eu sei como enlouquecer um homem na cama! — Me provocou.
Fechei os punhos, tremendo de raiva, mordendo o lábio para não xingá-la.
Ela saiu do meu quarto cantarolando, tranquei a porta e fechei os olhos, respirando fundo. Minha vontade era de matar aquela maldita chantagista.
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