Stepfather
16 Ele vai se arrepender.
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
— Por quê você saiu de casa, gata? — Victor perguntou quando estávamos indo para o quarto dele.
Ele é do terceiro ano, o típico Capitão do time de basquete, popular e pegador. Foi meu acompanhante no baile do ano passado, e a gente já deu uns amassos escondidos no ginásio do colégio, ele já até tentou transar comigo, mas eu sempre fugi de suas investidas...
— Porque odeio o meu padrasto, ele é um tremendo bacaca, e me sinto sufocada naquela casa. A minha mãe nunca tem tempo para mim, e eu cansei de tudo aquilo. — Respondi, aquilo não era totalmente uma mentira.
— Hum. Isso é uma merda, gata. Mas pode ficar o tempo que quiser. O apartamento tá uma bagunça, mas ignore esse detalhe, beleza? — Abriu a porta do quarto.
Estava um pouco bagunçado, haviam pôsteres de bandas de Rock, calendários de mulheres peladas e dois murais de fotos enfeitando as paredes cinzas. A cama era de casal, com colcha e fronhas azuis, um guarda-roupa grande, estante com livros e cds, escrivaninha e alguns puffs espalhados pelo quarto.
— Não ligo para bagunças, relaxa. — Sorri largando minha mochila em cima da cama.
— Está com fome? — Perguntou pegando o notebook verde que estava ao lado do travesseiro.
— Um pouco. — Admiti, indo ver seus murais de fotos.
— Não sei cozinhar direito, mas me viro na cozinha. Vou preparar uns sanduíches, tenho um pequeno estoque de cervejas e refrigerantes. Troque de roupa e sinta-se à vontade. — Falou sendo gentil.
Ele saiu do quarto, e eu troquei de roupa, vestindo uma calça de moletom, e uma blusa larguinha de mangas compridas. Tranquei a porta e fui bisbilhotar suas coisas, começando pela cômoda. Revirei gaveta por gaveta, e encontrei cartelas de camisinhas, duas revistas da Playboy, um livro erótico, um frasco com comprimidos coloridos, um canivete e por último, um lubrificante.
Ri fechando as gavetas, e fui dar uma olhada em seu guarda-roupa. Encontrei apenas roupas de marca, ele tem bom gosto e é muito estiloso. Dei uma olhada em sua coleção de tênis e relógios caríssimos, e dentro de uma caixinha preta maior que um porta-jóias, encontrei uma boa quantidade de dinheiro e um cheque no valor de 3.000 dólares. Nada de maconha e outras drogas, ele estava limpo. Além do canivete, não achei nenhuma outra "arma".
Destranquei a porta e saí do quarto, o banheiro ficava alí perto. Não era um apartamento duplex, fui para a sala e liguei a bela TV de 42 polegadas, ele tinha um Playstation 3, e encontrei a caixa com os jogos. Liguei a TV e o vídeo game, coloquei um jogo qualquer de corrida de carros e me acomodei no sofá.
— Se divertindo sem mim? — Apareceu na sala com uma bandeja.
— Foi mal, eu não resisti... — Dei de ombros e ele riu.
— Você fica linda jogando, sabia? — Colocou a bandeja ao meu lado.
— Eu sei disso, baby. — Sorri convencida.
— Prefere suco, refrigerante ou cerveja? — Perguntou.
— Cerveja. — Respondi sem pensar duas vezes e Victor sorriu, assentindo.
— Vou buscar, espero que goste de sanduíches de pernil com maionese. — Falou indo para a cozinha.
Minutos depois...
— Estavam deliciosos. — Limpei a boca com o guardanapo de papel, eu havia devorado quatro sanduíches, e esvaziei duas garrafinhas de cerveja.
— Que bom que gostou. Minha especialidade são Hot-dogs, mas não tinha os ingredientes. — Fez bico e eu ri.
— Você adora uma porcaria gordurosa e deliciosa? — Perguntei.
— Sim, eu como de tudo. — Admitiu rindo.
— Estou pasma. Você não é gordo! — Cutuquei sua barriga trincada.
— Malho quase todos os dias, gata. — Deu aquele sorriso "matador".
— Acredito. — Meus olhos percorreram seu corpo malhado.
Victor Maxwell era um pedaço de mau caminho. Pele levemente morena, alto, musculoso na medida certa, olhos castanhos cor de mel e dono de um sorriso dígno de um comercial de creme dental.
Ele me puxou para si e me beijou, não relutei. Apenas retribuí, o beijo dele era bom, muito bom e ele tinha uma excelente pegada. As duas garrafas de cerveja haviam me deixado soltinha, e eu me deixei levar pelo calor do momento. Rompemos o beijo ambos excitados, e Victor me carregou para o seu quarto, e acabou rolando...
[...]
Acordei, e me virei na cama. Nem sinal do Victor. Bocejei me sentando, apertando o lençol contra meu corpo nu. Lembrei do que fizemos e não me arrependi, tinha sido bom. Levantei ainda enrolada no lençol, e avistei minha roupa dobrada em cima da cômoda. Peguei minha mochila que estava pendurada num gancho ao lado da dele, abri a mesma e dei uma olhada no meu celular.
Tinha 62 ligações perdidas da Pam, 36 ligações e 25 msgs da Carly. Elas deviam estar pirando com o meu "sumiço", mas e daí? Eu não estava dando a mínima para aquilo. Resolvi que o meu celular deveria continuar no modo silencioso, achei o carregador do Victor em cima da escrivaninha e o conectei no meu celular, pondo para carregar.
Abri seu guarda-roupa e peguei uma de suas toalhas limpinhas e perfumadas, e saí do quarto indo para o banheiro, levando minha mochila. Fiz minha higiene matinal, e vesti minha roupa ali mesmo, apressada, eu estava faminta.
Desconetei meu celular do carregador e guardei no bolso.
O Victor estava na sala, malhando. Fazendo flexões, ele estava tão concentrado, se exercitando e ouvindo música que nem me viu se aproximando. Apreciei a bela vista, o moreno estava tão sexy, suas costas brilhavam de suor...
Bati palmas aplaudindo, aquilo era um espetáculo. Ele fez uma pausa e finalmente me viu, e sorriu meio sem graça.
— Bom dia. — Sorri para ele que levantou e passou uma toalhinha, enxugando a testa.
— Bom dia, gata. Dormiu bem? — Perguntou me analisando.
Eu estava vestindo uma calça jeans cinza rasgada nos joelhos, uma blusa vermelha com pequeno decote, e uma camisa preta sua de abotoar que não resistir e acabei pegando, e um par de All-Star surrados, os mesmos que usei para vir no apartamento dele.
— Sim, tive uma ótima noite de sono. E você? — Sorri, maliciosa.
— Eu também, linda. — Afirmou. — Vou tomar uma ducha. Se quiser, pode começar a tomar café sem mim. — Avisou antes de sair da sala.
— VOU TE ESPERAR! — Gritei.
Meu celular vibrou no bolso, o peguei de má vontade. Era a Carls me ligando. Pensei bem antes de decidir atender.
" — Sam? Graças a Deus! Você atendeu! Amiga, aonde você está?" — Perguntou, histérica.
— Calma, Carlotta! Aonde estou? Hum, não sei se devo falar... — Falei.
" — Por quê não? Sou sua melhor amiga e estou preocupada com você. " — Disse com a voz chorosa.
— Estou bem, Carlinha. Se acalma, não precisa ficar preocupada. — Tentei alcamá-la.
" — Como não? Você foge de casa e nem me avisa. Sua mãe e seu padrasto estão preocupados com você. Você nem imagina o quanto sua mãe está desesperada. A pobrezinha está inconsolada..." — Disse nervosa e eu revirei os olhos.
" — Você sabe que a Pam é dramática. E o Benson é um cretino, hipócrita. Ele não se importa comigo, sequer gosta de mim..." — Falei sentindo meus olhos arderem.
" — O que aconteceu? Você fugiu por culpa dele?" — Indagou e eu não respondi. — Ah, meu Deus, não me diga que está grávida. " — Começou a pirar.
— Cruzes! Claro que não. Deus me livre, sou muito nova e o meu pai arrancaria meu couro se isso acontecesse... — Estremeci só de imaginar.
" — Então, me fala logo, o que realmente aconteceu? Aonde você está?"
— Benson e eu brigamos... Ele foi um tremendo cretino, filho da puta. Estragou tudo! Estou com tanta raiva dele, Carls. Ele disse coisas que me machucaram... Me usou e me descartou como um lixo. — Desabafei com a voz embargada.
" — Oh, Sam, eu te avisei. Te avisei tanto. Eu falei que ele só queria se aproveitar de você e não você quis me ouvir. E olha só no que deu. Venha pra minha casa... "
— Não. — A interrompi. — Eu não vou pra sua casa. Minha mãe vai te pressionar e você vai acabar dando com a língua nos dentes. E não quero que ela saiba aonde estou, e te garanto, estou bem aqui...
" — Como ousa dizer que eu te entregaria? Eu não faria isto. Nem sob ameaça. Estou preocupada com você e você não tá nem aí. Parece que não pensa. Só faz as coisas por impulso. E agora vem dizer que não confia em mim? Sabe, eu não estou te reconhecendo! E quer saber de uma coisa? Bem feito! O Benson te deu um pé na bunda e você mereceu. O que vocês fizeram com a Pam foi...
Desliguei na cara dela. Ela não tinha o direito de falar aquilo pra mim, e nem de me julgar. Ela tinha que me apoiar e ficar do meu lado, amigas são para isso, certo?
— Maldita, Xereta. — Resmunguei com raiva, apagando seu número do contato.
Desliguei meu Pearphone, e o enfiei no bolso.
— Que cara é essa? — Victor perguntou. Eu nem tinha visto ele se aproximar.
— Briguei com uma amiga... — Murmurei, chateada.
— Com aquela magrinha, alta que só vive com você no colégio? — Indagou.
— Essa mesma. — Confirmei.
— Hum... Vocês eram bem próximas, né? Eu até pensei que rolasse um lance entre vocês duas... — Comentou passando a mão pelo cabelo úmido.
— Isso é sério? — Comecei a rir.
— Já rolou ou não? — Insistiu no assunto.
— Talvez... — Falei só pra deixá-lo na dúvida.
— Hum... — Coçou a nuca, ainda desconfiado.
— Estou faminta. Vamos comer? — O puxei para a cozinha.
Minutos depois...
— Você não tem namorado não, né? — Perguntou de repente.
— Não. Por quê? — O encarei, confusa.
— O seu corpo... Hum, ontem reparei que tinha marcas de chupões. — Falou e eu abaixei a cabeça, sem jeito. — Suas coxas e cintura estão com alguns hematomas ficando roxos... — Comentou, sério.
Culpa do Benson. Ele sua pegada bruta. Maldito. Que raiva.
— Eu fiquei com um cara, e ele curte ser bruto na cama. — Sorri envergonhada.
— Ah, tá explicado. Ele é do nosso colégio? — Quis saber e eu balancei a cabeça negando.
— Ele é mais velho. Não estuda mais... — Levantei começando a recolher a louça suja.
— Você ainda era virgem quando a gente ficava. Por acaso perdeu a virgindade com esse cara? Eu o conheço? — Seu tom elevou um pouquinho.
— Ah, Victor, isso não é da sua conta! Nada disso importa! — Me virei para ele, alterada.
— Importa sim. Eu preciso saber! — Insistiu.
— Por quê quer saber? — Cruzei os braços, irritada.
— Ainda pergunta? Eu gosto de você. E quero ter algo sério com você! — Disse e eu comecei a rir. — Para, isso não tem graça. — Bufou.
— Você quer que eu seja sua namorada? Ah, fala, sério, Maxwell! Você é um tremendo pegador, popular que sempre quis me levar pra cama. E só está me acolhendo aqui porque quer me comer. — Falei, sorrindo debochada.
— Poxa, assim você me ofende. Tivemos uma noite maravilhosa ontem. E estou sendo sincero com você, custa acreditar em mim? — Perguntou e parecia chateado.
Suspirei, e me acalmei, tendo uma ideia. Até que ele seria útil, e eu não podia desperdiçar aquela chance.
— Me desculpe. — Fiz a minha melhor cara de arrependida. — Eu aceito! — Me aproximei.
— Aceita ser minha namorada? — O idiota sorriu como um bobo.
— Sim, eu aceito. — Assenti e ele praticamente correu para me beijar.
Vou mostrar para o Benson que a fila anda. E quem saiu perdendo foi ele, e vou usar o Victor para fazer ciúmes, sim, vou deixar o Benson louquinho. Ele vai me querer de volta, e eu não vou ceder tão cedo, ele merece sofrer. Vai me desejar ainda mais, e vai enlouquecer quando me ver nos braços do Maxwell, e isso será muito divertido. Vou voltar pra casa comprometida, e darei o maior gelo nele. Esse idiota merece.
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