Stella
49 Cortina de fumaça
Notas iniciais
Michelle nunca imaginou que algum dia seria usada como uma cortina de fumaça, mas infelizmente era exatamente isso que estava acontecendo. O mundo parecia estar mesmo literalmente desmoronando em cima da sua cabeça, mas aquele não era o momento certo para demonstrar toda a sua vulnerabilidade. Então ela simplesmente colocou uma expressão de indiferença no rosto e estufou peito para encarar a filha, que vinha para cima dela com cinco pedras na mão, mais do que preparada para soltar tudo que estava entalado na sua garganta em cima da mãe.
— Eu queria muito ter assinado aqueles documentos para entrar na faculdade. – Maeve parou a dois ou três passos da mãe. – Eu queria muito mesmo... porque pelo menos assim eu não seria obrigada a ficar aqui olhando para você e nem estaria passando toda essa vergonha. – Michelle encarou o chão. – Foi exatamente isso que me levou até aquele maldito escritório hoje... eu pensei que você pudesse me apoiar nessa nova fase da minha vida... – O restante da frase simplesmente morreu na sua garganta enquanto ela se aproximava da mãe com passos lentos. – E então, mãe? O que eu escrevo na minha matrícula? – Os olhos de Michelle arderam e a sua boca ficou mais seca. – Como é que eu escrevo que a minha mãe foi amante de um homem casado e que provavelmente eu sou a maldita da filha dele?
A mulher não conseguiu esboçar nenhuma reação.
— Eu nunca fui amante dele... – Engoliu em seco, aproveitando para respirar fundo. – Foi... foi... uma única noite... há muito tempo...
— Então isso significa que está tudo bem? – O rosto dela tinha ganhado uma coloração meio avermelhada. – Ele ainda é um homem casado! Você está falando como uma verdadeira vagabunda!
— Basta! – Agarrou o braço dela com força suficiente para marcar a sua pele. – Eu acho que você está passando dos limites, mocinha...
Axton não tinha se metido na conversa até aquele momento, mas subitamente tomou coragem, saindo em defesa da moça.
— Então pare de agir como se tudo isso fosse culpa dela. – O tom melodioso e propositalmente sussurrado da sua voz deixou a mulher ainda mais irritada. – Todo mundo aqui sabe que ela tem toda a razão...
Michelle ignorou a filha, indo até onde o rapaz estava sentado, queria que ele fosse embora da sua casa imediatamente.
— Eu entendo que estejam muito magoados comigo, mas mesmo assim nenhum dos dois têm o direito de me desrespeitar...
Maeve riu, dando meia-volta para olhar para a mãe.
— Mas como é que não vamos fazer isso, mãe? – O deboche na voz dela era muito doloroso. – Nem você mesma se respeita...
A mulher pigarreou, aproveitando para engolir toda aquela dor que estava sentindo.
— A minha filha e eu temos que ter uma conversa...
— Mas eu não tenho mais nada para falar com você! – A moça correu para as escadas, subindo com passadas urgentes e atrapalhadas. – Nada!
O resto do dia também não foi nada fácil para Michelle, que não parou de receber ligações de jornalistas interessados em saber do paradeiro da filha ou do filho do prefeito. Como mãe, ela sabia que era a sua obrigação manter todos aqueles abutres longe da adolescente, mas havia uma pequena parte dela que queria simplesmente acabar com tudo aquilo dando-lhes exatamente o que queriam. Maeve passou o dia trancada no quarto se recusando a falar com ela, mas no fim da tarde, faminta, viu-se sem saída. A moça desceu as escadas com a mesma cara de alguém que andou descalço no asfalto quente, encontrando a mãe sentada no sofá com o celular na mão. A mulher olhou para a filha com uma expressão de dor estampada no rosto, mas nem isso ajudou a despertar a empatia da jovem, que cruzou os braços e ficou parada no último degrau.
— Eu sei que não justifica, mas eu estava passando por um momento muito delicado na minha vida. – Michelle começou, listando tudo nos dedos. – O meu pai estava doente, o meu casamento estava acabando...
— Eu também estou passando por um momento muito delicado na minha vida, mãe. – Fechou o punho. – Esse momento é agora. – Abriu um sorrisinho dissimulado. – Mas dormir com o prefeito te ajudou a resolver todos os seus problemas?
— Eu sei que foi um erro enorme, mas...
— Eu não ligo! – Explodiu, o seu rosto ficando cada vez mais vermelho. – Eu acabei de receber mais de trinta mensagens...
— Eu sei que cometi um erro enorme... – Os seus punhos se fecharam enquanto ela insistia em ser ouvida. – Mas foi só uma vez! – Respirou fundo. – E eu realmente sinto muito, tá bom? Eu também não queria que nada disso fosse a público...
Maeve soltou uma risada, sacudindo a cabeça com uma expressão de nojo desenhada no rosto.
— Então é essa a lição que você tem para me ensinar com toda essa história? Eu posso fazer o que eu quiser desde que não seja pega?
— Eu não sou perfeita...
— Mas eu tenho que ser...
Michelle ficou em silêncio enquanto sentia o seu coração afundando no peito.
— Mas por que você está dizendo isso? É isso que você acha que eu espero de você? – Levou a mão ao peito. – Eu nunca te disse nada disso... eu só quero que dê o seu melhor. – A moça continuava com aquela mesma expressão taciturna no rosto. – Tem algum problema nisso?
— Só um. – Ergueu um dedo. – O problema é que você não faz nada disso. É muita hipocrisia, não acha? – Aumentou o tom de voz. – Você sempre espera que eu tire as melhores notas e que seja perfeita em todos os sentidos...
— Eu nunca...
— Eu não tinha que estar passando por nada disso!
— Eu sei que você está se sentindo muito humilhada! Eu entendo... – Abaixou a voz. – E sim, haverá um escândalo, mas eu prometo que farei de tudo para que nem você e nem a Melissa sejam afetadas. – Maeve negou com a cabeça, abrindo um sorriso desgostoso e voltando a cruzar os braços. – E isso é o melhor que eu posso fazer nesse momento... o melhor que podemos fazer é tentar superar isso, não é?
— Nós duas? – Os olhos dela chegaram a arder, mas ela sacudiu a cabeça para evitar o choro. – Você e eu? Mãe e filha? Um trabalho em equipe? – Empurrou o braço da mãe, indo na direção das escadas. – Olha, mãe... isso foi muito engraçado mesmo.
Michelle odiava ser usada como uma cortina de fumaça para tudo aquilo, mas para a sua infelicidade o prefeito havia acertado em cheio, e agora ela era o assunto do momento na cidade.
— Eu tenho mesmo que assistir o jornal hoje, cara. – Jake estava muito animado com a novidade. – Você e a Stella trabalharam muito duro nesse caso, não foi? – Will arqueou a sobrancelha ao olhar para ele. – É isso mesmo, cara. Vocês são tipo as estrelas daquele laboratório, sempre solucionando todos os problemas dessa nossa cidade maravilhosa.
— A única parte ruim foi ter sido quase processado por negligência...
— É... mas acontece que a coisa toda mudou de figura. – O taco na sua mão deslizou, batendo no chão com um estampido seco. – Agora o prefeito é o principal suspeito desse assassinato.
O outro homem sentou numa das cadeiras.
— O prefeito matou a namorada...
— Logo ele, que se promoveu dizendo que era um homem de família...
— Exatamente. – Bateu a mão no balcão. – E quando os policiais o prenderam, ele começou a gritar que a Michelle devia ser retirada do caso porque eles supostamente dormiram juntos no passado. – Pegou a cerveja das mãos do amigo e tomou um pouco.
— A arquivista e o prefeito? – Danny chegou nesse exato momento. – Uau!
— Ele também disse que ela estava com ciúmes, por isso que queria tanto que ele fosse preso. – Explicou para Danny, que realmente se encontrava de queixo caído. – Foi uma verdadeira bagunça...
— Eu imagino... – Jake riu. – Mas pelo menos isso me ajuda a vender mais cerveja.
— E eu e o meu camarada aqui vamos nos livrar daquele maldito processo. – Abraçou Danny pelos ombros, usando a sua mão livre para dar alguns tapinhas no seu peito. – Um brinde? – Ergueu a garrafa.
— Um brinde, irmão. – Danny o imitou, bebendo um pouco também. – Agora vou comemorar na sinuca. – O outro homem sorriu, liberando o amigo.
— E você, cara? – Jake cutucou o braço do amigo, que estava com a cabeça abaixada. – Vai comemorar como?
— Eu acho que vou ficar aqui mesmo. – Levantou a cabeça, deitando-a na palma da sua mão. – A Stella ainda não quer beber por causa dos antidepressivos... e mesmo assim ela insiste que eu tenho que sair... então estou me divertindo muito bebendo aqui sozinho.
O outro homem olhou por cima do ombro do amigo, encarando algumas garotas que bebiam e conversavam animadamente do outro lado do bar.
— Mas você não tem que beber sozinho, cara. – Indicou as garotas com um aceno de cabeça. – Tem um monte de gatas aqui.
Ele bebeu mais um pouco, colocando um sorriso apaixonado nos lábios.
— Mas nenhuma delas se compara a que eu tenho em casa.
— Essa é uma excelente resposta. – Stella abriu um sorriso quando o marido virou para olhar para ela.
Lily esticou os braços, projetando o corpinho na direção do pai.
— Papai.
O homem largou a cerveja que estava bebendo e levantou, indo abraçar a mulher e a filha.
— Então a minha esposa maravilhosa mudou de ideia? – O sorriso que ele tinha nos lábios era tão grande que ocupava o seu rosto inteiro quando ele tirou a filha dos braços da mãe e começou a brincar com ela. – É o papai, minha princesinha linda. – Encheu a barriguinha dela com uma chuva de beijinhos enquanto ela morria de rir, tentando segurar o seu rosto com as duas mãos. – Mas o que vocês duas estão fazendo aqui?
A mulher deu um beijo no marido, que retribuiu dando um beijo na sua testa.
— Essa é uma noite em família. Então eu e essa princesinha aqui viemos cantar. – Brincou. – Essa coisinha linda estava louca para ver o papai e a mamãe aqui estava louca para ver o marido dela.
— E eu também estava louco para ver vocês, meu amor.
Ela olhou para o barman.
— Uh... – Umedeceu os lábios. – Eu quero um copo de coca com gelo, por favor.
O homem riu ao ouvir a amiga pedindo o mesmo de sempre.
— Eu não tenho nada contra casamentos... – Jake riu, erguendo os braços. – Então por favor não me prenda, senhora coca com gelo.
O marido dela abriu um sorriso orgulhoso e muito satisfeito.
— Meu amor, eu estou tão feliz por você ter vindo. – Abraçou a mulher pelas costas, dando outro beijo nos seus lábios. – O papai ama muito vocês duas, meu amorzinho. – Beijou a bochecha da filha.
Os pais da menina escolheram uma mesa e foram se sentar com ela, estavam muito empolgados para cantar em mais uma noite de sexta-feira. Stella amava esquecer dos problemas cantando ao lado do marido e dos amigos, em poucas semanas havia se tornado a participante mais assídua no evento.
— Eu acho que fizemos um excelente trabalho nesse caso. – Stella opinou enquanto soltava o copo para esperar a dormência nos seus dedos passar. – Mas ainda não consigo parar de pensar na possibilidade do prefeito não ser o verdadeiro assassino...
Jas tinha um sorriso estampado de orelha a orelha enquanto levava as cervejas para o amigo.
— Eu ainda acho que temos que comemorar por você ter conseguido solucionar esse bendito caso. – Ofereceu o copo para ele, que aceitou meio a contragosto. – E isso não é maravilhoso?
— Eu acho que só colaborei para a prisão de um homem cheio de defeitos, que embora infiel... – Apertou o copo com um pouco mais de força. – Eu ainda não acho que seja mesmo um assassino...
Ela deu de ombros e bebeu um pouco da própria bebida.
— O importante é que o caso está solucionado.
— Oi, irmão. – Will chegou colocando a mão no ombro dele, que simplesmente virou para olhar para ele. – Será que podemos dar uma palavrinha com você?
— Então também vieram me parabenizar?
— Não. – Ele negou com a cabeça. – Mas acho que você e essa coisa linda aqui precisam trocar uma ideia. – Abraçou a esposa pelas costas, dando um beijo no seu ombro direito. – A Jas e eu daremos o nosso apoio moral.
— Então vocês também ainda têm dúvidas?
— Olha... – Apertou mais o corpo da mulher contra o seu. – Vocês são as pessoas mais inteligentes que eu conheço, então se ainda tem alguma coisa incomodando vocês... é porque esse caso ainda não está encerrado.
O outro homem se animou com a resposta, abrindo um sorriso vitorioso.
— Eu disse que o principal suspeito raramente é o verdadeiro assassino.
Lily choramingou e a sua mãe usou a mão livre para esfregar as suas costas em movimentos circulares.
— Então eu acho melhor repassarmos essa história toda do início.
O problema era muito maior do que eles imaginavam, mas com alguns minutos de conversa os quatro finalmente conseguiram chegar a um consenso, e agora a suspeita número um era ninguém mais ninguém menos que a mulher do prefeito.
— Ele tem toda a razão. – O homem continuou cochichando para a mulher quando os amigos deles deixaram a mesa. – Mas será que entendemos isso direito?
— Eu acho que sim. – O bebê deitou a cabeça no ombro da mãe, que continuou esfregando as suas costas. – O prefeito não a matou, então isso significa que a Michelle está comendo o pão que o diabo amassou sem motivo nenhum.
O público estava muito animado quando a mulher com o bebê subiu no palco e anunciou que naquela noite cantaria uma música em homenagem à filha. A música escolhida por ela era a mesma que ela cantava todas as noites para ninar aquele anjinho que se encontrava nos seus braços.
— Nos olhos da minha filha, eu sou uma heroína. – Engoliu em seco, sentindo uma vontade enorme de chorar. – Eu sou forte, sábia e não tenho medo algum. – O marido dela colocou um sorriso no rosto quando percebeu que a música que ela estava cantando era In My Daughter’s Eyes. – Mas a verdade é muito clara, ela foi enviada para me resgatar. – Os amigos dela começaram a bater palmas enquanto suspiravam com a fofura da menina, que também estava sorrindo para a mãe. – Eu vejo exatamente o que eu quero ser nos olhos da minha filha. – Beijou a testa dela. – Eu encontrei um motivo para acreditar nos olhos da minha filha. – O homem não conseguiu mais se segurar e subiu correndo no palco para abraçar e beijar os dois grandes amores da sua vida.
Os meses seguintes passaram lentamente e penosamente para todos, mas pelo menos o relacionamento de Michelle com a filha havia melhorado consideravelmente, ainda não era uma grande melhora, mas elas conseguiam conversar sem que tudo acabasse em briga. Em contrapartida, a vida de Danny ainda estava uma verdadeira bagunça, e o fantasma do caso Hannah Knox ainda o assombrava todas as noites quando ele deitava a cabeça no travesseiro.
Jas havia prometido para o irmão que ajudaria a solucionar todo aquele mistério que envolvia a manhã em que a sua cunhada quase foi assassinada. A investigação deles corria com muito avanço, mas mesmo assim as coisas não corriam como o esperado e parecia que eles estavam sempre andando em círculos. A mulher estava realizando uma investigação solo no dia em que esbarrou com um grupo que tinha exatamente a mesma descrição do grupo que drogou o seu irmão, mas para o seu azar, os homens foram muito mais espertos do que ela e acabaram pegando-a no flagra.
— Sou eu. – O homem cochichando era a única coisa que ela conseguia ouvir através daquela faixa que cobria os seus olhos e ouvidos. – Estou na padaria e temos um problemão aqui. – A mulher nem tentou gritar, sabia que a mordaça impediria toda e qualquer tentativa, mas tentou se mexer, notando que os seus braços e pernas também estavam presos à cadeira. – Eu só preciso saber como é que você quer lidar com isso.
— Eu estou indo. – O outro respondeu. – Me espera bem aí.
O homem que ela identificou como sendo o chefe chegou em alguns minutos e começou a discutir aos cochichos com o outro, enquanto um terceiro elemento apertava ainda mais as amarras que a prendiam na cadeira.
— Eu quero saber é como que você deixou uma policial te seguir até aqui, idiota! – Empurrou o ombro do subordinado, que cambaleou para trás. – Será que você nunca aprendeu nada comigo? Você parece até uma criancinha idiota tentando dar os seus primeiros passos.
— Eu não sabia que ela estava atrás de mim.
O chefe simplesmente soltou uma risada.
— Você não sabia? – O barulho de um tapa ecoou. – Está escrito na testa dela que ela é da polícia. – Abaixou ainda mais a voz. – Eu quero que você me explique como foi que você não percebeu que ela estava te seguindo. – O outro mexeu a boca, mas não saiu nada. – Fale mais alto! Eu não estou ouvindo nada!
O terceiro elemento se aproximou deles, dizendo:
— Ele estava muito ocupado se drogando para perceber...
O chefe deu outro tapa ainda mais forte no rosto dele.
— Eddie. – Esperou o outro homem criar coragem de olhar para ele. – Esse seu probleminha com as drogas vai acabar mandando todo o nosso negócio pelos ares...
— Eu sinto muito. – Abaixou a cabeça. – Isso nunca mais vai acontecer.
— Você tem toda a razão... – Apontou o dedo na cara dele. – Isso nunca mais vai acontecer. Mas agora eu vou ser obrigado a limpar toda essa sua bagunça. – Olhou para a refém, que continuava se remexendo na cadeira para tentar soltar as mãos. – A única pergunta agora é o que eu vou fazer com ela. – Olhou para os dois. – Eu sei que ela viu esse idiota aqui, mas por acaso ela te viu também?
O outro negou com a cabeça.
— Não. – Engoliu em seco quando o chefe lançou um olhar inquisitivo para ele. – Eu... eu acho que não.
— Acha ou tem certeza?
— Eu a agarrei pelas costas e o Eddie a amordaçou, então eu nem olhei direito para ela.
— Uau! – Olhou para Eddie. – Eu estou realmente muito impressionado... pelo menos alguém nessa maldita equipe ainda coloca o cérebro dentro da cabeça antes de vir trabalhar.
Eddie soltou um longo suspiro.
— Eu sinto muito mesmo...
O homem encostou o indicador no peito dele.
— Eu disse que é para você calar essa sua maldita boca. – Eddie desviou o olhar. – Eu acho que você está me dando problemas demais... e agora você não me deixa mais nenhuma escolha...
Eddie arregalou os olhos, começando a implorar:
— Não...
— Shhh... – Usou o indicador para calar a boca dele. – Todo mundo aqui está cansado de saber que você não é o melhor capanga do mundo, mas por enquanto eu não vou te machucar. – O outro homem assentiu, colocando as mãos nas costas. – Então considere esse como sendo o seu dia de sorte, mas da próxima vez...
O plano que o chefe bolou era meio complicado, mas era muito melhor do que ter que desovar o corpo de uma policial no meio do centro da cidade em plena luz do dia. Os homens estavam saindo do esconderijo com ela, quando ouviram passos e em seguida a figura do seu marido surgiu no meio das lixeiras, e os capangas a puxaram para que se escondessem atrás de uma delas. Dante olhava de um lado para o outro como se realmente estivesse procurando alguma coisa que deixou cair no chão. Naquele momento ela desejou ainda estar vendada, pelo menos assim não sentiria a dor de saber que o seu marido ainda tinha alguma esperança de encontrá-la com vida, enquanto ela sentia que seria a cortina de fumaça perfeita para ocultar ainda mais o assassinato de Hannah Knox.
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