Steampunk: Do ferro ao sangue
1 SEASON1: As quatro chaves de Luna.
Notas iniciais
Havia muita gente no salão de festas, damas vestidas com o mais precioso pedaço de seda, homens com seus elegantes ternos e mordomos servindo as pessoas com a sua cortesia, mas havia uma pessoa em especial que chamava toda e qualquer atenção.
Os cabelos negros lhe caiam ondulados pelos ombros de pele alva, os olhos eram de um marrom escuro, comuns, mas nem por isso perdiam a sua beleza. Olhava para todas as pessoas da festa com atenção, afinal seu alvo poderia muito bem chegar ali á qualquer momento. Quando avistou o conde, um homem de cinquenta anos, mas que aparentava ter uma idade muito mais avançada, sorriu gentilmente e se encaminhou até lá.
O vestido esvoaçante de tons de vermelho se arrastava pelo chão enquanto andava. Ele moldava as curvas do seu corpo fazendo-a parecer uma sereia de calda escarlate. Quando chegou até o seu alvo se inclinou em uma reverência formal.
— Olá Conde Stonem, um belo baile, devo dizer.
— E eu digo que o baile não me interessa nem um pouco.
A mulher sorriu, entendeu o recado perfeitamente. Sentou-se ao lado do Conde na vasta mesa principal, onde muitos dos mordomos serviam o delicioso jantar. Havia carnes assadas e variedades de legumes e pela forma arredondada do Conde deveria imaginar que ele não apreciasse nem um pouco brócolis ou cenouras.
— Mas, como estávamos falando antes da linda senhorita chegar... — Um homem qualquer que estava sentado a certa distância do Conde começou a falar — Tem de fazer algo a respeito do problema, Conde Stonem! Sem um herdeiro teremos que fazer eleições... Só o Grande Sábio sabe quem este povo faminto vai colocar em seu lugar!
— Se acalme Rudolph, tenho em mente de convencer o meu querido sobrinho a desistir daquele lugar para loucos.
“Desmond só tem dezessete anos meu caro, mas está tão decidido como um touro.”
Apenas pensou, mas tinha certeza que o Conde Stonem sabia o que seu sobrinho diria. Percebeu que uma mulher de azul que estava presente à mesa a estava observando fixamente, logo que olhou para o seu acompanhante soube o porquê. O homem também lhe olhava, mas não exatamente para o seu rosto. Sentiu as mãos pesadas do Conde lhe tocarem a coxa. Era uma inusitada não-convidada ali. O vestido vermelho indicava sua profissão e a jovem de vestido azul não parecia muito complacente com sua presença.
— Não acho que vá conseguir... O senhor deve declarar imediatamente o seu herdeiro! Não queremos que um qualquer da plebe seja eleito para um importante cargo. E vamos ser sinceros, o senhor não está em seus melhores dias.
O Conde pareceu se irritar com o comentário do homem de bigodes chamado Rudolph, se levantou e puxou o braço da bela moça de vestido vermelho. Ela fez uma leve reverência para os outros da mesa e seguiu o homem entre os convidados e os mordomos. Sabia pra onde iriam, sabia o que o Conde tinha em mente. O seguiu até uma pequena porta lateral que dava para o corredor principal do castelo, onde ficavam os quartos. Entraram e logo se dirigiram para a última porta no final do corredor.
O cômodo era amplo e as paredes eram de um azul escuro horrendo. A cama de casal era tão grande quanto o próprio quarto e acima dela havia um dossel feito de um tecido muito fino e claro. O conde se aproximou andando desajeitadamente com sua grande pança. Segurou a cintura da dama de vermelho firmemente e deslizou suas mãos pelo espartilho...
— Hoje não, velhote. — disse ela.
Com um empurrão o velho caiu na cama. A mulher suspendeu a saia do vestido e tateou até encontrar a arma que Emília havia feito especialmente para ela, era até uma pena ter que usá-la com um velho estúpido e patético como aquele.
— Então, velhote, onde está a chave? Se você não falar temo que algum plebeu terá de assumir o seu cargo por que não vai ficar vivo essa noite.
— Você é uma... Você faz parte da...
— Tão burro que apenas confia em uma prostituta sem nem lhe perguntar o nome, os ricos apenas deveriam parar de deixar qualquer mulher de vestido vermelho entrar em suas festas. Sim, Conde, cadete superior da Steampunk. Meu nome ? Valentina... Prazer em conhecê-lo... Ou não...
Valentina sorriu de modo irônico. O Conde soltou um guincho, sabia que não havia escapatória. Havia visto o rosto de um membro da Steampunk, mesmo se escapasse vivo, seus olhos provavelmente não funcionariam nunca mais.
— Então, senhor, devo mesmo partir para a violência? Não gostaria de usar minha arma favorita em um porco nojento como você...
— No armário... Está no armário.
— O medo faz as pessoas terem bom senso pelo menos.
Encaminhou-se até o armário de madeira antiga e o abriu. Vasculhou até encontrar a maleta. Foi quando sentiu os braços do conde em seu pescoço.
— Você é que vai morrer, vadia.
“É o que você acha.”
Pisou com o salto alto no pé esquerdo do Conde que gritou e largou-a imediatamente. Puxou a maleta do armário e o golpeou com a mesma. Conde Stonem foi ao chão com todo o seu peso. Val tirou do seu espartilho um punhal decorado com várias engrenagens.
— Até nunca mais, velhote.
Fez duas incisões em cada olho e o grito do homem se espalhou por todo o castelo. Ouviu passos apressados se dirigindo até o quarto. Valentina não se intimidou com isso, pegou calmamente a maleta e se dirigiu até a janela, abrindo-a com um chute. Do outro lado esperava por ela uma longa corda, agarrou-a no mesmo instante que os guardas arrombaram a porta. Quando olharam para janela não havia nem a sombra da mulher, no quarto havia somente o velho, gordo e agora também cego Conde Stonem estatelado ao chão.
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