Stay
30 Love Me Tender
Notas iniciais
Daryl continuava encarando Rick. Uma expressão séria e atordoada, já havia se passado tanto tempo... Meses... O caipira já havia desistido de tocar naquele assunto, suas preocupações eram Carol e Sophia agora. Estavam todos felizes, estavam todos vivendo seu momento de paz. Mas Daryl sabia que isso não duraria para sempre. Era acostumado com aquele tipo de felicidade. Duravam alguns dias, meses talvez... Mas sempre acabava. Abaixou seu olhar e se distanciou do Xerife. Respirava fundo, tentando manter a calma.
– Tem certeza? – Sua voz é rouca, fraca. Tão baixa que Rick precisou fazer certo esforço para entender as palavras que saiam da boca do caipira.
– Sim. – Rick se aproximou do homem. Conhecia Daryl, sabia que o homem faria algo estúpido. – Preciso que me deixe cuidar disso.
Daryl não respondeu, seus pensamentos seguindo uma única direção.
– Daryl. Eu preciso que me deixe cuidar disso. – Rick segurou o ombro do Homem, fazendo com que Daryl olhasse para ele. – Se fizer alguma coisa... Eu vou prender você.
Daryl encarou o homem a sua frente. Não se tratava apenas da investigação de Rick. Ele se importava com Daryl.
Nos meses que se passaram, ele e o xerife haviam criado uma amizade. Daryl havia mudado. Não era mais aquele caipira. As pessoas o admiravam, Rick o admirava.
– Quer que eu fique parado? Esperando que aquele desgraçado termine de foder com minha vida? – Daryl fala, se afastando novamente de Rick.
– Eu não quero que você faça algo estúpido. – Rick diz, mais alto do que poderia. — Não quero ter que colocar algemas no meu irmão.
O homem sussurra as ultimas palavras, fazendo o caipira olhá-lo. Parecia confuso, mas logo suspirou e baixou seu olhar. Entendia o que o homem dizia.
– Tudo bem... – Daryl suspira.
Antes que qualquer um dos dois pudesse dizer qualquer coisa, Lori atravessa a sala, sendo seguida por Sophia e Carl. A mulher parece surpresa ao ver Rick e Daryl ali. Não que fosse algo inédito para ela. Já estava acostumada com a presença do caipira. Mas a expressão séria no rosto de ambos, fez com que a mulher ficasse preocupada.
– Tudo bem por aqui? – Pergunta indo até Rick e selando seus lábios nos do homem.
– Sim. – Daryl responde. O homem dá um meio sorriso quando seus olhos param sobre a barriga de Lori. – Você está bem?
Lori suspira.
– Judith está me enlouquecendo. – Ela fala caminhando para a cozinha.
– É possível ela ficar mais louca? – Daryl sussurra para Sophia, que ri com o comentário do homem.
– Eu ouvi isso. – Lori grita da cozinha, fazendo com que Daryl sorrisse.
Daryl passou um bom tempo na companhia dos Grimes, eram todos como uma família. Não se importava mais de estar ali, conversando com Lori e com Rick. Brincando com Carl e Sophia. Daryl tinha marcado seu lugar na vida daquelas pessoas.
Carol se despedia de Karen, a mulher acenou para algumas crianças, enquanto caminhava para fora da pré-escola.
Sorriu abertamente ao avistar Daryl, não muito distante dali.
Apertou seus passos, seus braços se abriram, quase que automaticamente quando alcançou o homem.
– Aconteceu algo? – Pergunta.
Daryl apenas suspira, escondendo seu rosto no pescoço da mulher.
– Não. – Ele diz depois de algum tempo.
– Daryl... – Carol olha para ele. Conhecia o homem, Daryl não conseguia esconder qualquer coisa dela.
– Não é nada... – Ele diz novamente. – É coisa do Merle.
A mulher sorriu. Seus lábios finalmente alcançando os do homem.
– Eu te amo. – Ela diz.
Daryl se acalma com as palavras da mulher. Aquela paz volta para o caipira. Era como se nada tivesse acontecido. Como se tudo estivesse bem.
– Eu também... – Disse simplesmente. Carol entendia-o. Conhecia suas feridas. Apenas saber que ele a amava era o bastante para ela.
Beth largou seu violão em cima da cama. Deixou que seus pés lhe arrastassem até as vozes que vinham do andar de baixo.
Sorriu abertamente ao avistar Merle conversando animadamente com seu pai. Ela sempre se alegrava ao ver um Dixon.
– Ei, loira. – O homem abre os braços para a garota, que se aconchega nos braços dele. – Como está?
– Bem. – Beth sorri.
Ela não estava bem. Tinha certeza de que nunca ficaria. A dor da perda era mais forte do que qualquer outro sentimento. Fixou seus olhos em seus braços, agradecendo mentalmente por estar usando uma blusa com mangas compridas. Não queria que Merle fizesse perguntas. Não ele...
– E Maggie? – O homem pergunta, reparando na ausência de Maggie.
– Na cidade com Glenn. – Beth rola os olhos.
– O japonês? – Merle franze a testa.
– Coreano. – A garota se afasta do homem, sorrindo.
– Tanto faz.
Passaram o resto da tarde conversando. Hershel ficava feliz quando sua garota sorria. Sabia o que a menina estava passando, ninguém, nem mesmo ele, estava sofrendo mais do que Beth.
Depois de muito insistir, Merle acabou conseguindo a permissão de Hershel, para poder levar a menina Greene até a cidade.
Beth gostava da fazenda, não se importava de passar muito tempo ali. O lugar era calmo, afastado... Ela sabia que viveria feliz, enquanto vivesse naquela fazenda.
Enquanto dirigia, Merle não conseguia parar de pensar no quanto sentia falta de sua mão. Ele ainda a sentia ali, estava mexendo seus dedos naquele exato momento. O homem tinha um fantasma no lugar da mão.
Passou meses tentando se lembrar como havia a perdido. Mas era impossível, já que ele estava bêbado e drogado quando isso aconteceu.
Estava feliz por Daryl.
Ele via como seu irmão estava feliz, tinha encontrado algo que nenhum Dixon encontrou. Felicidade. Amor... Família.
Invejava Daryl... Seu irmão sempre foi melhor do que ele e seu pai. Sempre responsável, sempre pensando nas conseqüências, sempre bom de mais... Ao contrário de Will.
Merle tinha as mesmas marcas que seu irmão. Era marcado pelas mesmas cicatrizes. Mas Daryl conseguia ser melhor do que ele nunca seria. Ele merecia tudo o que estava acontecendo em sua vida naquele momento. Merecia aquilo mais do que qualquer pessoa. Ele nunca diria isso para ele... Mas sentia orgulho de Daryl.
O homem parou o carro, Beth sorria ao olhar as luzes da cidade.
– Sabe aonde me encontrar. – O homem diz indicando o bar.
Beth acena com a cabeça, a garota sai do carro e começa a andar. Não podia deixar de pensar no quanto aquela lugar era bonito de noite, tantas luzes, tantas pessoas... Crianças correndo de um lado para o outro, casais caminhando de mãos dadas.
Lembrou de quando passava tardes inteiras ali... Annette costumava levar ela e Maggie para lá.
Tudo lhe lembrava sua mãe. Desde as fotografias em família, até os discos velhos de seu pai. Queria ouvi-la cantar novamente, sentia falta de sua voz.
Beth estava distraída de mais para notar a presença de um homem ao seu lado. Levou um pequeno susto, mas logo se acalmou quando deu conta de quem se tratava.
– Não queria assustar. – Ele sorri para a garota.
– Está desculpado. – Beth abaixa seu olhar.
Sempre se sentia envergonhada quando estava na presença do Xerife. Não era algo que ela podia controlar. Não quando ele a olhava tão intensamente, como sempre fazia.
– E Lori? – A garota pergunta, quebrando o silencio que se instalava entre os dois.
O homem suspira, os olhos dele procurando por sua esposa.
– Está bem... – Sussurra.
Rick se assustava ao perceber quanto tempo havia passado. Em poucos meses estaria segurando Judith em seus braços.
– Ela está tão bonita. – Beth comenta. – Sempre achei mulheres grávidas bonitas.
Rick sorri para a menina. Tinha um carinho especial por Beth. Ele conhecia Annette. Sabia como as coisas estavam sendo complicadas para a garota Greene.
Ficaram em silencio novamente.
Beth observava o novo casal de Woodbury. Tinha um pequeno sorriso nos lábios, enquanto apreciava sua irmã abraçada a com certo coreano.
– Eles parecem felizes. – A garota comenta, chamando a atenção do Xerife mais uma vez. – São lindos.
– Você é linda. – Rick sussurra. O homem sorri quando Beth cora violentamente.
Carol se surpreendeu ao abrir a porta e dar de cara com Shane. O homem tinha um olhar sério, sua voz era um sussurro quando perguntou por Daryl. Seus olhos seguiram para a mulher em pé ao lado dele.
– O que houve? – A voz do caipira alcança seus ouvidos.
Carol se assustou quando dois homens começaram a colocar algemas em Daryl.
– Tenho um mandado de prisão para você. – Shane diz. Não tem coragem de encarar Carol ou Daryl. Não tem coragem de presenciar aquela cena. – Daryl foi acusado de estupro.
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