State Of Dreaming
1 Prólogo - Era Uma Vez...
Notas iniciais
4 de Junho de 2014
P. O. V Autora:
Era uma vez, em uma cidade nada pacata, uma poderosa deusa: um estalar de seus belos dedos, e toda a paz em volta deixava de existir. Talvez fosse por isso que a rejeição sempre estivesse presente em sua vida.
Mas, como para toda regra há exceção, hoje ela tinha companhia.
– A que brindamos? – os lábios que pronunciam tais palavras estavam adornados por carmim
– Ao controle: há meses que não identifico nenhum uso indevido de magia. Sem maldições contra princesas, sem feitiços contra príncipes. A magia está em paz! – a loira, dona de uma voz cadenciada, comemora.
– Como pode comemorar tal coisa? As maldições são as partes mais engraçadas! – a deusa comenta, sorvendo o doce líquido avermelhado. Vinho! Tão bom quanto o sangue derramado em batalha.
– Engraçadas para você, que não tem de consertar tudo depois!
– Pois me divertiria igualmente, mesmo que tivesse de consertar tudo, se visse uma jovem perder seus sete irmãos para uma maldição, ou se pudesse ver alguém se contorcer em agonia durante um sono de cem anos de duração.
Se seus olhos não fossem completamente negros, expressariam o cansaço que a aquele tipo de conversa gerava: Hécate deveria saber que é inútil discutir sobre serenidade com aqueles que preferem a guerra, mas talvez ainda houvesse parte dela que acreditava existir o bem na amiga.
– Claro que nada disso se compara ao holocausto: o doce aroma da morte, misturando-se ao desespero e, a minha favorita, a discórdia. Aqueles foram dias de gló... – e se ela foi interrompida, a culpa certamente foi das risadas.
Há muitos éons, bem longe dali, duas crianças nasceram. Divinas se tornaram, levando luz aonde quer que fossem. Por muito tempo viveram em harmonia, até que uma discussão os separou e transformou-os: a garota tornou-se insensível e fria, enquanto o garoto afogou-se em amargura e culpa, usando seus dons para buscar uma cura para tais sensações. Depois disso, momentos felizes entre eles eram raros, e aquele chamou a atenção de Hécate, que sorriu ao vê-los.
Dali, da sacada de seu palácio, os dois pareciam duas crianças brincando: corriam pela relva, perseguindo um ao outro em algum jogo tipicamente humano, e ocasionalmente perseguindo criaturas fantásticas que ali habitavam. Ela não pode deixar de sorrir quando o rapaz, dono de cabelos loiros claríssimos e um carisma tão encantador quanto sua voz, prendeu a irmã sob seu corpo e pôs-se a fazer cócegas nela.
– Veja só aqueles dois: vivem entre tapas e beijos! – e, como se quisessem afirmar tal ponto, a menina estapeou o irmão, que se abaixou para beijá-la. – Se amam tanto e mal percebem!
Suspiros podiam ser ouvidos por todo o vale naquela tarde, pois todos os que aos gêmeos amavam, estavam felizes. Mas como eu disse, para toda regra há exceção.
E a exceção dessa regra estava mais do que determinada em destruir àquela harmonia.
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