Notas iniciais
Queria pedir desculpas pela demora: eu tenho esse e mais um par de capítulos escritos, mas não conseguia postar de jeito nenhum aqui... Sei lá, dá um pouco de desânimo, sabem? Eu agradeço muito aos que estão comentando e tudo o mais, vocês sabem que sim, mas é triste saber que o número de acompanhamentos é quatro vezes maior que o de review, e isso acaba me deixando meio pra baixo... Mas hoje resolvi deixar isso de lado, então aqui vai o capítulo!

P. O. V Nico:

“Isso está acabando comigo! Pensei que teríamos paz, mas veja onde estamos. Como estamos: armados para enfrentar algo que nunca chega... É sonhar demais pedir um tempo sem isso?”

Não eram suas exatas palavras, mas o que Thalia me dissera há meses, agora ecoava em minha mente. Estocamos armas, exaurimos Cathy para que ela visse o futuro, passamos noites em claro vigiando o sono de Valentina, mas nada aconteceu, então relaxamos.

E esse foi o nosso erro! Baixamos nossa guarda, nos acomodamos, e fomos pegos. O “algo” a que Thalia se referia chegara, assim como seu tempo sem nada de monstros e perigos... Ela não tinha que pensar em mais nada daquilo, e eu deveria ficar feliz por vê-la livre, mas eu não era altruísta o suficiente para isso.

Além do mais... Nada daquilo era real!

— Sinto muito por isso, bello ragazzo! — uma bolsa de gelo me é dada, e logo Catarina está sentada ao meu lado na escada.

E em nada se parecia com a garota que eu treinei ou que me ajudou no ano anterior. A Catarina que eu conhecia jamais teria seus olhos injetados ou vermelhos por causa de maconha; se seus olhos estivessem naquele estado, provavelmente seria por conta de alguma briga boba com Lorenzzo, e tudo voltaria ao normal no fim do dia, quando ele a tomasse nos braços e pedisse desculpas.

Dessa vez, no entanto, não havia desculpas suficientes para consertar tudo aquilo.

— Não é a primeira vez que me batem pela manhã! — sorrio para ela, tentando não deixar o clima estranho.

O silêncio, naquele maldito lugar, me assustava. Ele parecia dizer a verdade: heróis? Vocês não passam de um bando de crianças, com pais mimados e excêntricos.

— Como assim? Sempre se mete em problemas com garotas?

— Não... Só com uma, mas... — suspiro ao lembrar-me de minhas desavenças com Thalia — Isso ficou no passado.

E o amor também, seu idiota!

— Que fofo: um ragazzo innamorato! — ela murmura, e eu paro de respirar por um nano-segundo.

Em nossa “realidade”, Cathy é poliglota. Aprendeu quase todos os idiomas que sabe sozinha... Já aqui, todos parecem ter deixado tudo para trás, esquecido seu meio de agir...

Talvez... Então...

— Onde aprendeu a falar italiano tão bem? — questiono, tentando soar natural

— Com um carinha com quem saio às vezes! — ele dá de ombros, como se não fosse nada demais.

Tive que respirar fundo antes de seguir para a próxima pergunta.

— Não vou pedir que me conte o nome dele, ou qualquer outra coisa: afinal, não somos amigos... Ainda! — ressalto e ela sorri — Mas, vem cá, de onde ele é? Sicilia? Piemonte? Milão?

— Ah, não! — ela ri — Ele é de Veneza também!

Parece que nem tudo mudara no fim das contas... O que significava que ainda havia esperanças para Thalia e eu.

P. O. V Valentina:

Passara anos querendo que Eleazar brigasse com outros caras por minha causa. Chamem-me de mimada ou vadia, não vou me importar — até porque, de certa forma, eu era mesmo —, mas o ego de qualquer garota infla quando tem homens brigando por ela.

Quando Eleazar sentia ciúmes, toda a violência contida nele vinha para mim: ele me levava à loucura inúmeras vezes, mas não da forma mais carinhosa. Era bruto, e ele deixava marcas como se quisesse que os outros soubessem que eu era dele. Eram nossas melhores e piores noites: depois de tanta brutalidade, ele voltava ao normal, se sentia culpado e pedia desculpas, beijando cada parte de meu corpo, fazendo amor comigo da forma mais gentil possível.

Agora, eu daria tudo por aquela brutalidade.

— Qual a porra do seu problema? — eu o arrastara para fora de casa depois que ele bateu em Nico.

Em Nico di Angelo, o cara com quem ele jogava cartas!

— Meu problema? Você quem acordou de um coma ontem e que estava agarrando um estranho hoje! — Eleazar grita. Aparentando mais ciúmes do que deveria ser certo naquela maldita realidade.

— Nico não é um estranho! — grito de volta, a verdade sendo inútil.

Ele não se lembrava disso. Sequer lembrava sobre nós!

— Não me importa o que ele é. Me importa o que vocês estavam fazendo na frente de minhas filhas.

Dei uma risada de escárnio depois dessa. Já havíamos feito coisa bem pior do que nos abraçar, isso sem ligar muito para quem ouvia ou via...

— Pelos deuses, foi só um abraço! E elas nem são suas filhas.

Isso o deixou pálido... Mais pálido do que normalmente era.

— Como você...

— Sei? — dei outra risada, sem paciência para ser gentil — Sei muitas coisas ao seu respeito, Eleazar Santi Cambpell. — sorri, mas a verdade daquela realidade me atingiu quando vi sua cara de surpresa — Ou, pelo menos, eu costumava saber.

Um silêncio incomum pesa entre nós. Eu não suportava estar tão perto dele e não poder tocá-lo. Era como se eu fosse doente e ele a cura.

— Eu...

— Isabella, Olivia! — ele me interrompe, voltando para dentro da casa — Vamos embora!

E mais uma vez eu o via me dar às costas. Da primeira vez, ele era aquele lutava e eu a que ficava em casa, temerosa; desta, no entanto, eu seria aquela que lutaria.

Eu ia por um fim em quem quer que estivesse por trás dessa maldição!

P. O. V Autora:

Tentar aprender algo com um filho de Hipnos era uma tarefa quase impossível, mas Aria e Gregory precisavam tentar: precisavam, ou melhor: deviam, dominar a técnica do sonho lúcido.

Tinham que tentar, através dos sonhos, criar uma maneira de se comunicarem com os amigos enclausurados na maldição... Mas, infelizmente, não estavam sendo bem sucedidos nessa empreitada.

Clóvis, o conselheiro chefe do chalé de Hipnos, levava muito tempo para falar apenas uma frase completa — o que era irritante e prejudicial para a missão —, além de sua presença deixar a todos sonolentos. Nem mesmo tirando-o do chalé a coisa melhorou, mas pelo menos foi uma iniciativa boa a de Greg: ninguém, exceto os acostumados, suportava a temperatura do chalé de Bóreas.

Mesmo ali, onde era frio demais para dormir, e tomando xícaras e mais xícaras de café, Clóvis não era um professor rápido, e dias, talvez semanas, foram gastos tentando dominar tal tarefa.

No entanto, algo que poderia mudar, e muito, tudo o que já estava acontecendo surgiu e o clima entre os amaldiçoados ficou ainda mais tenso: Apolo despertou de seu suposto coma, mas não tão bem quanto Valentina.

Sim, ele poderia ir para casa, mas não sozinho: uma enfermeira precisava seguir com ele, para ajudá-lo a se reabilitar e para não sobrecarregar as garotas com tudo o que ocorria.

— Não vai haver nenhum tumulto lá em casa, não é? Porque se for para ter um monte de enfermeiras entrando e saindo, é melhor...

— Não se preocupe, minha querida. — a diretora do hospital, responsável pela alta de Apolo, interrompe Catarina — Será apenas uma enfermeira, que conhece bem o seu pai e se voluntariou para acompanhá-lo.

— E quem seria essa boa alma? — Valentina pergunta intrigada... E não era com a enfermeira.

Ela podia jurar que conhecia aquela diretora de algum lugar. A pele bronzeada e os cabelos castanhos não lhe eram estranhos.

— Seria eu! — e quando Ártemis entrou na sala, Valentina se sentiu incapaz de ficar tão contente quanto Catarina.

Pelo contrário: sua apreensão apenas aumentou. Crescendo cada vez mais!

Notas finais
Não, não está gigante... É apenas um capítulo reflexivo mesmo! Os próximos que serão mais... decisivos! Enfim, por favor, se você leu o capítulo, deixa um recado pra mim! Pode ser apenas um gostei... Eu só preciso saber o que estão achando da fic! Está me matando não saber a opinião de todo mundo! Espero vê-los nos reviews! Beijoos!