State Of Dreaming

11 10 - A Little Trouble


Notas iniciais
Oi, gente ~suspiro triste Tem alguma coisa errada com essa fic? Ela tá ruim? Vocês acham que não vale a pena continuar com ela? Porque parece que sim, já que a maioria não aparece ou sumiu. Se não estiverem gostando, é só excluir e mudar o final de U.D! Isso ainda é possível! Enfim, o capítulo de hoje!

P. O. V Gregory:

Eu ainda não tinha idéia de como me comunicar com os outros: meus poderes não tinham nada a ver com tal coisa; não estava na minha lista de habilidades.

Esfriar sentimentos, no entanto, estava, e eu usava esse poder de forma exaustiva, dispersando-o por todo o acampamento. A falta que os outros faziam foi aplacada, mas os outros sentimentos perdiam sua intensidade também. Eu estava criando um impasse, onde nem raiva, nem amor, tinham chance de vencer... O chalé de Afrodite me queria morto, mas eu aceitaria a morte de bom grado se isso significasse que ela não sofreria.

— Algum avanço? — Sophia pergunta. Era a primeira vez que nos víamos naquele dia.

— Nada da minha parte! — suspiro, sentando-me ao seu lado na entrada de seu chalé.

Nesse momento ela poderia se acabar em lágrimas, mas minha presença apenas aumentava a intensidade de meus poderes sobre ela, e eu ficaria ali até que ela dormisse em paz, ou além: pesadelos eram ótimas formas de se lembrar de nosso sofrimento, e eu odiava vê-la sofrendo.

Sophia suspira, encostando a cabeça em meu ombro.

— Já não sei mais o que sentir... Não sei se me desespero, se sinto raiva, medo... Eu nem contei nada para minha mãe: Lorenzzo é a luz dos olhos dela; é capaz de ela burlar todas as ordens e ir atrás de quem quer que tenha lançado a maldição...

— Eu também não contei para minha irmã que faço parte da profecia! — dei uma risada, tentando aliviar o clima — Julia, muito provavelmente, faria com que Phobos se infiltrasse no Olimpo só para descobrir o que está acontecendo.

Ficamos em silêncio... Não éramos exatamente amigos, apesar de tudo o que aconteceu na festa de Natal e no dia seguinte, mas era o suficiente para que eu me preocupasse com ela... E ela comigo.

— Como você tem se sentido com tudo isso? — ela pergunta baixinho.

— Eu vim para me encontrar com meu tio e prosseguir com meu treinamento, mas eis-me aqui, aprendendo a sonhar, tentando desesperadamente encontrar uma forma de resgatá-lo... É, não diria que estou muito bem.

Para meu deleite, Sophia ri, o que foi um alívio e tanto. Conversamos por um bom tempo, até que ela sucumbiu aos braços de Morfeu e adormeceu ali, sentada ao meu lado.

Sem muito esforço, a ergo e levo para dentro do chalé, depositando-a na cama. Vista assim, adormecida, jamais seria possível dizer que ela estava sofrendo.

— Você é adorável demais para sofrer tanto! — suspirei, sentado ao lado da cama.

Pode ser que seja assustador observar os outros dormirem, mas para mim, no momento, era reconfortável: as paredes gélidas do chalé de Bóreas refletiam minha agonia... Talvez até a multiplicassem.

A presença de Sophia era calmante, tinha sobre mim o mesmo efeito que um chá de camomila... Era tão tranqüilo que pude relaxar e dormir.

Pude, até mesmo, sonhar.

P. O. V Valentina:

Nunca fui muito próxima a Apolo. Sim, meu pai é um deus legal e eu gosto dele, mas não me sentia muito confortável em sua presença: ele era um homem poderoso, no fim das contas. Mas nem era por isso que eu me mantinha distante: fui criada odiando o homem que ajudou a me gerar e, mesmo sabendo que a maior parte de minha vida era uma mentira, ainda era difícil assimilar a fúria de sentimentos dentro de mim.

— Você está bem? — a voz de Apolo me faz pular de susto.

— Sim... — sorrio para acalmá-lo — Só estou... Tentando lembrar.

Estávamos sentados na varanda da frente, tomando chá e observando Cathy e Nico discutindo sobre cavalos. O filho de Hades me surpreendeu ao se mostrar um excelente cavalheiro e se ofereceu para tocar o gado por ali... O mito do gado mágico, especial, ou sei-lá-o-que de Apolo não saía de minha mente: se as vaquinhas fossem vermelhas, seria ainda pior.

— Também tenho tentado me lembrar de algumas coisas e, apesar de tudo ser um borrão, não me lembro de ter ouvido falar desse seu amiguinho italiano... — ele murmura, soando entre o jovial e o preocupado.

Não sabia o que era pior: Apolo insinuar que eu tinha algum envolvimento romântico com Nico, ou o fato de usar o diminutivo. Com o tempo fui começando a odiar o uso do diminutivo, tanto que, se a situação fosse outra, eu o repreenderia. Apolo não ficaria bravo, eu bem sabia: ele ficaria surpreso e riria antes de murmurar algo fofo.

Não pude evitar me sentir estúpida por ter perdido ótimas oportunidades de virar amiga de meu pai.

— Antes que o senhor se pergunte, não! Eu não tenho nenhuma paixonite por Nico e, mesmo o achando absurdamente lindo, ele não faz meu tipo! — declaro, baixando os óculos de sol sobre meus olhos.

Apolo dá uma risadinha mínima, erguendo sua xícara devagar; ele ainda sentia dificuldades para se locomover ou segurar objetos. Claro que Ártemis muito o ajudava e tudo isso me assustava: Apolo fraco ao ponto de não conseguir segurar, sei lá, um pente; Ártemis com os olhos brilhando a cada avanço que ele fazia; os dois sem a mínima idéia do que estava acontecendo ou do que realmente eram...

— Considerando que é minha filha e que, assim como eu, cora quando mente, tenho certeza de que fala a verdade! — ele diz, olhando para mim com carinho.

Ali eu pude entender porque Cataria, em nossa realidade, o amava tanto: Apolo deveria ganhar o prêmio de pai do ano todos os anos.

— Mas então... — ele pigarreia, chamando minha atenção — Não vai contar ao seu velho pai quem faz seu tipo?

Tive que rir: não acredito que estava falando com meu pai sobre garotos. Nunca havia falado sobre tal coisa com minha mãe, uma vez que Melissa só sabia brigar comigo e me impedir de ser feliz... Ainda me pergunto se aquela mulher algum dia me amou como dizia amar...

— Eu gosto de ruivos, papai! — suspiro, passando a mão por meu pescoço vazio: a gargantilha que Eleazar me dera não estava em lugar algum.

Meu pai suspira pesadamente e olha ao redor. Acompanho seu olhar, curiosa para saber onde este pararia e, quando descubro, me sinto completamente confusa: entre rosas coloridas, colhendo apenas as amarelas, Ártemis estava encantadora, com seu vestido de verão de tecido leve e estampado, e os cabelos presos em uma trança lateral.

— Me pergunto, filhinha, se seu gosto peculiar foi herdado de mim ou se é uma simples coincidência!

E a fala de Apolo me leva a um simples pensamento, que traduzia tudo: fudeu!

P. O. V Autora:

Há menos de um ano os três formaram um trio meio estranho: um cara com violência contida, uma menina de rosto fofo e com habilidades e licença para matar, e um rapaz disposto a tudo para reencontrar sua amada. Eram estranhos, mas Lorenzzo, Catarina e Eleazar foram um trio bem sucedido, e a amizade entre eles cresceu.

No fim das contas, acabaram por compor a mesma família, e os três juntos podiam causar muita dor de cabeça... Porém, agora, eram eles que sentiam tal incômodo.

— Não entendo como acabamos juntos nessa... Nem estávamos no mesmo carro... — Catarina comenta frustrada, chutando as pedras no meio do caminho.

— O que não entendo é o lugar em que estamos! — Lorenzzo, por sua vez, diz ao observar os arredores

Pinheiros enormes os cercavam, o chão era de terra e o céu vermelho lhe impedia saber se era dia ou noite. Só sobreviviam graças às habilidades de caça que tanto Cathy quanto Eleazar possuíam — ela por ter sido agraciada por Ártemis, e ele por ser um exímio caçador do gelo.

— Em que merda de maldição estamos? Algo em que se misturam todas as estações do ano em uma longa e interminável floresta de pinheiros? — Lorenzzo pergunta, fazendo um gesto que abrangia os dois lados da estrada, que a oeste parecia uma floresta nos Alpes Suíços e a leste a Amazônia... Isso se lá houvesse pinheiros.

— Tirando o excesso de pinheiros, poderíamos estar no Rio de Janeiro: você sai de casa pela manhã com vários casacos, pelo meio da tarde usa um só, pela tarde não usa nenhum e ao anoitecer você já não sabe mais nada. — Cathy murmura saudosa.

— Pessoal... Vocês ouviram isso? — Eleazar os surpreende, falando pela primeira vez em dia.

Ele passara o tempo tentando entender onde suas irmãs e Valentina estavam. Além de se perguntar por que sonhava, constantemente, com as mesmas, porém de maneiras estranhas: suas irmãs lhe chamavam e pai e Valentina sempre ficava triste ao vê-lo.

— Isso o quê? — Catarina pergunta confusa, parando de tagarelar.

Mais uma vez um farfalhar se faz ouvir e Eleazar consegue identificar a direção do som.

— Fiquem aqui! — ele diz, largando a bolsa carteiro no chão e liberando suas asas.

Alçou vôo antes que pudesse ouvir a cunhada lhe dizendo para não fazer tal coisa. Sobrevoou a área coberta de neve e não pôde acreditar no que seus olhos lhe mostraram.

Passaria despercebido, não fossem as roupas escuras e o brilho de seus olhos verdes. Eleazar reconhecê-lo-ia em qualquer lugar, até mesmo no meio de uma tempestade... Até porque, na maioria das vezes, era ele quem as causava.

— Sacré... — o ruivo interrompe-se e muda seu curso, descendo até o garoto de cabelos brancos — O que você está fazendo aqui, moleque?

O sorriso sapeca de sempre, que o fazia parecer um anjinho. Se a ocasião fosse outra, Eleazar o abraçaria e bagunçaria os cabelos eternamente bagunçados.

— É ótimo te ver, titio! — Gregory murmura, caminhando sem dificuldades até ele — Precisamos conversar... E bem rapidinho!

— Sempre que você usa o diminutivo, sinto que alguma encrenca se aproxima... — Eleazar suspira, pousando e recolhendo suas asas.

— Dessa vez, tio, a culpa não é minha e a encrenca... Ela já chegou e é das grandes...

Eleazar suspira: tudo o que ele temia estava acontecendo!

Notas finais
*Qualquer erro, me avisem, pois o bug no Nyah tá terrível* Li numa pesquisa aí que Quione e seus filhos podem esfriar os sentimentos... Achei interessante o Gregory ter essa habilidade... E quem concorda com a Valentina? E o que acharam do reaparecimento dos nosso trio favorito? Gente, sério, falem algo! Apareçam! Ou realmente não vou ver um porquê para postar... Eu vou acabar editando o fim de U.D... Pela milésima vez! Beijoos