State Of Dreaming
9 8. Descobertas
Notas iniciais
P. O. V Valentina:
Não que acordar de um coma — real ou provocado por uma maldição — seja razoável, mas achei bem pior acordar em uma casa que eu não conhecia e estar nela sozinha: Cathy, aparentemente, não dormira em casa, e Nico ainda estava dormindo. Acordar naquelas condições só me fez perder as esperanças de que tudo não passasse de um pesadelo.
Assim sendo, tendo que passar mais um dia no inferno e preocupada com o paradeiro da minha irmã, desço as escadas e vou para cozinha, rezando para que tivesse algo pronto e que eu só precisasse esquentar, ou algo fácil para comer — passar três anos sendo mimada pelo namorado dá nisso. O que fazer quando ele some ou não se lembra da sua existência? Quem vai te alimentar? Quem vai prover frutas frescas e vermelhas, além do adicional de beijos quentes?
— Certamente não vai ser a geladeira de casa! — murmuro, ao ver a geladeira completamente vazia. — Do que a Cathy viveu nesses últimos meses?
— Provavelmente do que encontrava na geladeira de minha irmã...
Um sorriso imediatamente surgiu em meu rosto ao ouvir aquela voz, até que meu lado racional me lembrou: nada mais era como de costume; meu sorriso sumiu e eu reuni todas as poucas forças que eu tinha e fechei a geladeira.
— Monsieur Campbell... Como entrou aqui? — pergunto, dando um sorriso que julguei ser agradável.
— Bom... — e Eleazar cora, ferrando minha idéia de manter-me passiva a sua presença — Eu usei a chave sob o capacho... — ele suspira — Eu bati, mas ninguém atendia, e a Bella queria muito ir ao banhei...
— VAL! — ouço meu apelido ser gritado, e repentinamente uma criatura ruiva está em meus braços.
Sim, eu poderia ter ficado decepcionada por não ser Eleazar que esta em meus braços, dizendo que se lembrava de tudo e que precisávamos achar uma saída; mas o fato é que saber que não era a única à saber a verdade era algo reconfortante.
— A gente precisa conversar! Logo! — Bella diz, com urgência e me abraça de novo, escondendo o rostinho em meu pescoço — O maninho tá muito estranho!
Um alívio sem igual preencheu meu peito ao ouvir tal frase.
— Monsieur, se importa de sair para comprar algo para o café? Não consigo achar minha irmã e, como pode ver, tenho visitas! — viro-me para Eleazar, que nos observava com curiosidade.
— Claro... — ele murmura, após um minuto pensativo — Comportem-se meninas!
Olhei para minhas mini-cunhadas/enteadas: comportamento era a última coisa com que iríamos nos importar.
P. O. V Autora:
Ela gostava da forma que ele puxava seus cabelos longos e escondia o rosto em seu pescoço, deixando beijos e mordidas ali. Da forma como ele sorria ao ouvi-la gemer seu nome, implorando por mais.
— Shiu, temos todo o tempo do mundo! — ele sussurraria, antes de lhe dar mais uma mordida no pescoço e tomar seus lábios nos dele, arrancando seu fôlego com um beijo quente.
Ele inteiro era quente.
E então, ele a faria se sentir uma deusa: cobri-la-ia de elogios enquanto a despia de suas vestes, dando atenção especial para cada milímetro de seu corpo — o pescoço pálido, os ombros salpicados de sardas, e, então, desceria primeiro as mãos, para os seios pequenos e arredondados, os quais ele, então, dedicaria atenção individual com os lábios.
A partir dali, ela já estaria revirando os olhos, mas tudo apenas pioraria — ou melhoraria —, quando ele se abaixasse, mirando seus olhos azul-dourados nos castanho-curiosos dela, sorrisse maliciosamente e abaixasse a delicada peça de renda que ela estaria usando, antes de se dedicar a uma inspeção minuciosa de sua intimidade, segurando-lhe as coxas torneadas, enquanto ela lhe seguraria os fios dourados, impedindo-o de se afastar enquanto ela não se satisfizesse.
E ele não se afastaria, pelo contrário: ele a puxaria para mais perto, deixaria que sua língua explorasse cada recanto daquela área macia, a seguraria com força enquanto ela se movesse contra seus lábios, e, quando ela enfim mostrasse que estava satisfeita, sorveria tal prova como se aquilo fosse o néctar dos deuses...
Seria o néctar de sua deusa...
Se os sonhos de Ártemis se tornassem verdade e o homem em coma despertasse. Como ela podia ter sonhos como aqueles com um homem que mal tinha meia consciência? Que tipo de instintos ela tinha? Os mais sujos e depravados, certo?
Mas se ele fosse tão bom na vida real, quanto era em seus sonhos, ela não se importaria em realizá-los.
— Ele que está internado e você que é a doente, Ártemis! — a enfermeira ruiva suspira, indo ao banheiro do quarto de seu paciente: ela precisava lavar o rosto, fazer aquele rubor sumir — Uma doente pervertida! — ela murmura, encarando seu reflexo.
Sem saber que, não muito longe dali — ou a uma distância desconhecida —, ela era observada minuciosamente enquanto planos maiores eram postos em prática.
— Então, eles já têm noção do que fazer?
— Não ainda, senhora, mas não tenho como ter certeza: apenas os familiares e os dois líderes puderam participar dessa reunião!
— Hum... Não tenho muita certeza de que me importaria se eles descobrissem: mesmo que descobrissem o que fazer para sair desse estado, seria preciso muito para escapar daqui antes que o verdadeiro mal acontecesse. — a mestra comenta, vendo a ruiva voltar para o quarto e, tenramente, ajeitar os cachos do loiro adormecido.
— A senhora obteve algum sucesso nessa parte? — a criada pergunta
— Graças ao desleixo daquele filho de Afrodite, sim! — a mestra ri, voltando-se para a criada — Acho que estou pronta para o próximo passo.
— Como queira! — a criada dá de ombros — Vou tentar conseguir mais informações!
— Faça isso, minha querida! — o sorriso da mestra se alarga — Enquanto isso, vou agilizar as coisas por aqui: está na hora do belo despertar!
P. O. V Nico:
Eu fui criado por uma irmã, e a perdi. Então, encontrei uma irmã perdida, e temos um laço indestrutível. Tenho, entre meu grupo de amigos, muitas garotas, além de uma namorada... Era de se esperar que eu estivesse preparado para lágrimas, mas eu não estava.
— Como assim, cara? Como assim ele disse isso? — Valentina chorava na cozinha, desembalando as coisas que Eleazar e Catarina trouxeram da rua.
Poderia ser uma cena normal, e ela estivesse chorando por alguma série que viu, mas o fato de Cathy estar bêbada e cheirando a drogas, e Eleazar a ter encontrado no meio da auto-estrada, com o pneu do carro furado, só indicava que as coisas não estavam nada normais.
Fui acordado abruptamente por Valentina que estava acompanhada por Bella e Liv. Fiquei feliz por ver as meninas, que me impediram de ficar assim por muito tempo: a mais velha das irmãs se pôs a contar o que acontecera naquela manhã, enquanto vinham para a casa que atualmente eu estava hospedado.
— Pensei que Eleazar e mãe tivessem uma boa relação... — murmurei, ajudando-a a colocar o conteúdo das embalagens em pratos diferentes.
Mãos ocupadas igual mente sem pensar.
— Boa relação? Pelos deuses, eu tinha até inveja de como ele e a mãe se davam bem: eles tinham aquela amizade forte, do tipo “eu estou aqui sempre”. E ela sempre estava ali mesmo: quando ele se apaixonou por mim e ficou todo confuso e se sentindo culpado, depois de nossa primeira vez, quando eu desapareci... E essas foram as poucas coisas que ele me contou, mas foram fortes... Se ela estava lá para essas coisas, certamente estava nas mais amenas. — ela funga, tentando conter o fluxo das lágrimas — Isso não é normal, Nico! Não é!
Ela estava certa: nada daquilo era normal! Eleazar jamais teria ódio de seus pais — nem mesmo Bóreas, uma vez que ele foi criado junto ao pai, que nunca lhe escondeu as dificuldades de suas vidas —, Catarina jamais beberia ou se drogaria — ok que ela ficou bêbada no Natal, mas foi a única vez que isso aconteceu e foi o suficiente para ela pegar no nosso pé eternamente —, Lorenzzo não estaria sumido — porque até agora eu não ouvira falar do meu conterrâneo —, e Thalia não estaria longe de mim — estaríamos implicando mutuamente, parando apenas para que eu lhe dissesse que a amava e ela corasse e dissesse que também me amava. Principalmente, Valentina não estaria chorando e perdendo o controle.
Ela tinha plena noção de que era sensível e a mais vulnerável entre nós, e fazia questão de manter isso escondido: o que era fofo para nós, poderia ser uma arma para nossos inimigos.
— Eu sei, Val! Mas Aria achou a profecia e... — e então, faço a única coisa que sei fazer quando meninas que eu gosto estão chorando: a abraço.
— Como assim Aria achou a profecia? Como você sabe disso? — Valentina se afasta, olhando em meus olhos.
Conto, então, rapidamente sobre o sonho que tive, sobre como manipulei minha mente para manter o sonho lúcido e com isso acabei descobrindo o corredor de Aria.
— Aliás, recebemos a visita de Ap...
Mas eu nem cheguei a lhe contar sobre o que Apolo nos contara, ou a lhe soltar de meu abraço — que, convenhamos: não era nada demais —, pois no instante seguinte havia um ruivo me empurrando para longe e puxando uma Valentina bastante assustada para trás de si.
— Quem é você e o que pensa que está fazendo com essa garota?
P. O. V Aria:
Para doze portas abrir
Do sangue de três naturais necessitará
A exilada, o herdeiro e a guardiã
Ao reino da discórdia devem ruir
E ao estado dos sonhos findar
De fora para dentro, de dentro para fora
O anjo ao anjo ajudará
Aquela que não pode amar uma promessa agora cobra
Travar-se-ão uma luta vã
E aquele que ama não deve resistir
Ergui os olhos do livro quando terminei de ler, e encontrei meus companheiros de reunião tão confusos quanto eu.
— Não sei se estarei sendo ignorante, mas alguém pode me explicar o que vem a ser um natural? — Gregory pergunta, quebrando o silêncio.
Quíron e Will trocam olhares, como se soubessem de algo que todos os outros — no caso Sophia, eu e Sr.D — não soubessem.
— Gregory, ninguém nunca te disse o que seus poderes são? Ou melhor, como podem ser... Classificados? — Will pergunta cautelosamente.
Vejo meu quase-primo balançar a cabeça negativamente.
— Bom, meu pai, sua mãe, Perséfone, Deméter, Zeus... São exemplos de deuses ligados à fenômenos da natureza... Costumam dizer que seus filhos, quando podem controlar eventos da natureza, tais como a intensidade da luz solar, raios, tempestades de neve etc., são conhecidos como “naturais”. — Will pausa — Thalia Grace, minha irmã Catarina, seu tio Eleazar, você... Todos vocês são naturais.
De dentro para fora, de fora para dentro...
Enfim algo nessa confusão toda fez sentido: haviam três naturais enclausurados dentro da maldição, e um do lado de fora. A exilada e o herdeiro estavam aqui, livres para procurar a maldição — ela pode não ter sido citada, mas não é segredo algum de que ela existe —, enquanto a guardiã estava lá, presa junto ao anjo — havia dúvidas de que esse era Nico?! —, tentando recuperar a memória de nossos amigos.
O estado dos sonhos... Minha única chance de reencontrar os outros dois citados na profecia.
— Gregory, vamos! — chamo pelo garoto, fechando o livro e caminhando para fora da casa
— Vamos... Vamos pra onde? — o menino pergunta, me seguindo.
— Aprender a sonhar!
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