State Of Dreaming

5 4 - Is This Real Or Is It Pretend?


Notas iniciais
Pessoal, muito obrigada por continuarem comigo e por terem comentado o último capítulo!! O capítulo de hoje tem alguns trechos da música Alice (Extended Version), da Avril Lavigne! Espero que gostem dele!

P. O. V Aria:

O sol realçava as cores brilhantes além daquela colina. Mesmo de longe eu podia ver o chalé de Apolo brilhar em toda a sua glória ofuscante, também via os pequenos morangos da plantação e os pequenos semideuses brincando entre eles.

E, como no meu primeiro dia ali, lá estava Will Solace parado bem na minha frente. Contudo, era ele quem chorava desta vez. Abraço-o pela cintura, quase da mesma forma que ele fizera comigo há três anos — embora ele tenha abraçado meus ombros, mas deixemos de lado nossa discrepância de altura —, carecendo de palavras de apoio ou conforto. Apenas faço-o caminhar comigo até a Casa Grande.

— Aria! — Steph me surpreende, abraçando-me com força.

Quando me soltou, pude reparar em Quíron em sua cadeira de rodas, parado ao lado de Rachel. A menina, cujo corpo era habitado pelo oráculo, estava sentada sobre uma cadeira reclinável, aparentemente dormindo.

— Há quanto tempo ela está assim? — pergunto, preocupada e curiosa.

— Desde ontem! — Will responde, aproximando-se dela — Trouxemo-la para fora para tomar um pouquinho de sol... Sempre acreditei que ajudava, por motivos que você bem entende, mas parece que meu pai não está muito disposto.

Ele tinha razão: o dia estava estranho.

— Já tentaram acordá-la?

— É o que mais fizemos. Por quê? — Steph murmura desconfiada

Suspiro antes de começar a lhes contar sobre o sonho que tive com Atena, sobre todos os livros daquele corredor e sobre como eu conhecia aquela profecia.

— Então, você sabe quais são os versos que a completam? — Will desperta de seu aborrecimento, quase aliviado.

Porém, antes que eu pudesse lhes dizer que sim, eu sabia, mas que eu não conseguia me lembrar, somos interrompidos por mais lágrimas.

— Onde está meu irmão? O que aconteceu com ele? Fui até o chalé de Ares e me mandaram pra cá... — Sophia grita de pé na nossa frente — E o que ela está fazendo aqui? — e, ao apontar em minha direção, o desespero em sua voz foi substituído por puro desprezo.

— Sophia, fique calma! — pede um rapaz de cabelo claríssimo, provavelmente descolorido, e alargadores pequenos.

— Calma? Você não pode me pedir para ter calma, ok? Meu irmão sumiu... Ele pode até mesmo...

— Shhiu! — o garoto a interrompe, antes que ela dissesse o que todos pensavam, e a abraça. Embora ela relute por um tempo, aceita o acalento.

— Não me leve a mal, acho muito fofo você estar preocupado com ela, mas quem é você, jovenzinho? — Steph pergunta, descendo os degraus que os separavam, e subindo de novo assim que nota a diferença de altura.

O garoto nos encara, um a um, temeroso até encontrar o olhar de Quíron. Este lhe sorri minimamente antes de assentir.

— Crianças, este é Gregory Falcirolli, filho de Quione, um dos herdeiros do norte! — o velho centauro apresenta.

Eu nunca fui muito próxima à família paterna de Eleazar, mas certamente me lembrava de vê-lo jogando futebol com um garotinho tão pálido quanto ele, e de cabelos castanhos como café. Acontecera há pouco tempo. Tempo insuficiente para que ele crescesse tanto.

— Eu conheço você! — Gregory aponta para mim — Você não é prima do meu tio?

— Sim! Aria Santi, prima de Eleazar Campbell, exilada, possível traidora... Traidora consumada, na verdade, e aprendiz de cozinha nas horas vagas! — apresento-me.

— Gregory Falcirolli, filho de uma puta — um trovão ressoa, interrompendo-o — que, aparentemente, ressuscitou; sobrinho desse seu primo bacana aí, sucessor de algum trono, embora ache idiotice e...

— Eleazar? Você é sobrinho dele? — Sophia o interrompe, afastando-se dele para olhá-lo nos olhos — Oh, deuses! Não só o Lorenzzo, mas o Eleazar também! Eles vão me matar...

O pequeno grupo, do qual eu fazia parte, se entreolhou tentando entender o que acontecia. As últimas 24 horas pareciam um borrão, como se uma de minhas primas tivesse pintado, com giz de cera, a lente de um telescópio, impedindo qualquer um de identificar uma constelação na confusa trama de estrelas.

Respirando fundo, convido-os a se juntarem a nós.

— Há mais perigos entre o céu e a terra do que podemos imaginar, meus caros! — suspiro, olhando para Will e Steph.

P. O. V Valentina:

Exames! Fiz mais exames naquele dia do que em toda a minha vida: tomografia, ressonância magnética, raio-x, hemograma, e muitos outros. Todos normais. Os médicos me chamaram de milagre... Senti-me num flash back bizarro.

— Ainda bem que está tudo bem! Tivemos muita sorte, pensei que te perderia! — Cathy suspira, aliviada

Ela estava arrumando minha mala, enquanto eu me arrumava no banheiro do quarto: exames normais significavam alta. Não que isso fosse ruim, mas eu sequer sabia porque estava ali, para início de conversa.

— Cathy, o que aconteceu? — pergunto, pondo a cabeça na frecha da porta.

Ela me encara com pesar. Vejo lágrimas ameaçarem cair, mas ela respira fundo, soltando o ar com suspiro longo.

— Papai, enfim, se lembrou que ele também merece férias e concordou em passar um tempo no litoral. Estávamos indo alugar a casa, nós três, mas antes que conseguíssemos sair, nós duas começamos a discutir e eu preferi ficar. Disse que ia arrumar as malas e comprar suprimentos, e eu estava fazendo isso quando recebi o telefonema. — nessa hora ela fez uma pausa, e as lágrimas, antes reprimidas, caem torrencialmente — O carro que vocês estavam, o freio dele estava ruim. Papai não sabia! Ele tentou parar, mas perdeu o controle e acabou capotando e caindo fora da estrada!

E agora eu chorava tanto quanto ela. Aquilo não acontecera; eu nem tive contato com nosso pai. Há meses que não nos víamos, embora eu soubesse e sentisse que ele estava por perto. A última coisa que eu me lembrava era do dia da Independência.

— Cathy? Cathy? — a chamei, puxando-a de sua tormenta — E o dia da Independência? O que aconteceu depois que aquela nuvem nos perseguiu?

— Dia da Independência? Nuvem? — ela pergunta, desafinando.

I'm freaking out (Eu estou enlouquecendo)
So, where am I now?(Então, onde estou agora?)

Catarina nunca desafinou. Ela era uma cantora lírica, completa e perfeita. Passou a vida atuando em teatro musical. Aquilo me assustou mais do que a história do acidente.

— Maria, você estava aqui no dia da independência. — ela diz calmamente — Tem certeza de que está bem?

Não, eu não estou bem! Você está me contando alguma mentira, e está me chamando pelo meu primeiro nome! Ninguém nunca me chamou de Maria... No máximo me chamavam de Marie...

— Sim! — minto, voltando para o banheiro — Deve ter sido um sonho! — digo um pouco mais alto, para acalmá-la.

Um sonho: eu rezava, como nunca na vida, para que fosse isso! Ou um plano dela e de Eleazar: eles adoravam se juntar para tirar uma com a minha cara.

Is this real? Is this pretend?(Isso é real? Isso é fingimento?)

E era na ausência do ruivo que eu pensava quando saí do banheiro, porém eu sequer tive tempo de perguntar por ele: Cathy já estava tagarelando. Pelo menos isso parecia certo...

— Eu nunca vou entender essas roupas! — Cathy murmura e sou obrigada a concordar com ela: aquelas não eram peças que eu estava acostumada a vestir, ou ver.

— Que roupa eu vestia no dia do acidente? — tento soar curiosa e confusa, o que foi incrivelmente fácil e natural.

Ela faz seu melhor para me explicar a complicada roupa espalhafatosa que eu supostamente vestia, mas tudo o que eu pensava era que em nada se parecia com o simples macaquinho que eu me lembrava.

— Chega de papo! Temos que voltar para casa rapidinho, antes que nos expulsem, achando que eu violei o horário de visitas... De novo! — ela reflete e a ouço fechar o zíper de minha mala

— Como assim “de novo”? Há quanto tempo...

— Está internada? Quase um mês! — ela me interrompe, deixando-me aflita com sua resposta.

Se ela me visitava há quase um mês, e se, pelo que entendi, morávamos só ela, eu, e Apolo...

— Onde tem estado? — enfim uma pergunta razoavelmente normal para alguém que estava em coma fazer.

— A enfermeira que cuida de nosso pai se compadeceu de nossa história e me deixou ficar no apartamento com ela. — minha irmã dá de ombros

— Mas, e o tio Klaus? — a imagem do loiro sorridente volta a minha cabeça.

— Quem? — ela ri nervosa — Maninha, não temos tio. Pelo menos, não que eu saiba! — ela mais uma vez dá de ombros — Você está muito estranha: tem certeza absoluta de que está bem?

Analiso minhas opções: ou toda a minha vida foi uma mentira e o que Cathy me contava era a verdade, ou aquela maldita nuvem surtira efeito e, por algum motivo estranho, eu era a única que sabia a verdade. Levando em conta que 16 anos eram mais confiáveis do que 1 suspeito mês, agarro-me loucamente à última alternativa: estávamos passando por alguma crise divina, e estranhamente Cathy era, agora, uma cópia morena da Barbie, e eu bancava a Emma Swan da vez... Ou a Regina, já que ela era a única que se lembrava de tudo...

— Meninas, se ainda planejam ver seu pai, sugiro que saíam daqui agora e corram até o quarto dele! — uma voz feminina nos apressa.

E como se o relato de Cathy já não fosse bastante louco, eis que lá estava Ártemis, vestida de enfermeira, aparentando ter uns trinta e tantos anos... Era demais para só uma Valentina!

— Lady Ártemis? — deixo escapar, arrependendo-me logo em seguida.

— Hum... Lady é um tanto exagerado. Só Ártemis, ou até mesmo Artie, está ótimo! — ela responde, sem graça — Contou para ela, Cathy?

— Contei! Mas tenho certeza que não contei seu nome... Ou contei?

— Contou. — respondo alto demais, e a expressão de confusão no rosto de Cathy apenas piora — É claro que contou. De que outra forma eu saberia? Ainda não aprendi a ler mentes!

Aprendi sim, mas não estava surtindo muito efeito no momento...

Murmurando mais algumas desculpas esfarrapadas, dizendo que minha cabeça estava apenas um pouco confusa, consegui convencê-las de que estava bem. Cathy murmurou um simples “Ok” e disse que levaria minha mala para o carro, enquanto Ártemis me acompanhou até o quarto que Apolo estava.

— Sinto muito, mas você tem apenas dois minutos. O horário de visitas está acabando! — ela murmura, realmente triste.

Afirmo com a cabeça e entro, perdendo o fôlego: definitivamente aquele era Apolo, mas assim como Ártemis, meu pai aparentava ter uns trinta e tanto anos. Havia tubos e fios ligados a ele, quase me fazendo mudar de idéia sobre o que era real: era uma imagem muito frágil para pertencer a um deus. Para pertencer a Apolo!

Entretanto, lá no fundo, no âmago de meu ser, pude sentir algo se acender. Como se meus poderes reagissem diante a presença de sua fonte.

Saí do hospital determinada a descobrir o que estava acontecendo.

I'll take a stand until the end (Vou me defender até o fim)

P. O. V Autora:

O choque estampava àqueles dois jovens rostos. A menina, enfim, entendia pelo que seu irmão passara quando fora ela quem sumira. Só que agora não havia uma salvadora para garantir que tudo ficaria bem: Catarina também desaparecera.

Já o garoto encarava a tudo como um desafio!

— Um herdeiro. Claro que sou eu! Conhece algum outro? — Gregory pergunta e é bombardeado por uma enorme lista de “possíveis herdeiros”, entre os quais estavam Eleazar, Nico e Will — Meu tio e esse outro aí sumiram! E eu não consigo enxergá-lo em uma missão, Menino Solar!

Porém, antes que Will pudesse refutar, o destino se encarregou de coincidir acontecimentos: Dionísio surge desesperado, gritando que seus irmãos sumiram; Rachel começa a despertar e o celular de Will toca incessantemente.

Sem hesitar, Will atende a chamada, rezando a todos os deuses. Pedindo que fossem notícias de seus amigos e de suas irmãs.

— Will? — a interferência dificultava a nitidez do telefonema, mas não importava.

Os deuses o ouviram!

— Valentina?

Notas finais
E então? O que acharam? Que tal me contarem pelos comentários? Beijoos!