State Of Dreaming

29 28 - Counting Keys


Notas iniciais
Pudim e daughter of the sun, muito obrigada pelos reviews no capítulo passado. Como vocês devem saber, a fic está em sua reta final: esse e mais três capítulos e iremos dizer adeus aos nossos queridos semideuses (também to chorando, gente). Então sugiro que aproveitem esse capítulo, e aprendam a como derrotar um deus falante.

P. O. V Thalia:

Considerando toda a minha experiência com missões, eu achava impossível presenciar cenas cômicas enquanto se tenta encontrar um jeito de se livrar do vilão. Porém, como era de se esperar, eu estava subestimando meus companheiros de missão e maldição: eu estava vivendo uma época que eu teria felicidade de contar para as futuras gerações de heróis. A história de como um bóreada acertou uma frigideira na cabeça do deus do sol, essa seria minha contribuição para a posteridade semideusa.

A idéia era passarmos a noite no Bayou Gauche, mas depois da conversa com Atena não tínhamos mais tempo a perder: ficou claro que as últimas chaves estavam com Catarina e Lorenzzo, o problema era descobrir o que eles tinham e que serviriam como chave!

― Olha, as únicas coisas que tenho por aqui são o arco e as facas de caça! Duvido que seja sôter, porque Steph o uniu a Skié para formar uma chave, e as facas... Bom, acho que podemos arrombar algo com elas... ― Cathy murmura enquanto voltávamos para casa.

― Não acho que possamos arrombar a biblioteca divina, amor! ― Lorenzzo pondera, tomando as facas das mãos da namorada. ― E eu não tenho idéia do que poderia ser minha chave... As únicas que tenho são as do bar e do carro!

― Não me incomodaria em ir a um bar: uma boa dose de uísque me ajudaria nesse momento! ― para minha surpresa, foi a própria Catarina quem disse isso. Justo ela, a senhorita lei seca.

― Ninguém vai a bar algum aqui! ― ordeno, chamando a atenção de todos ― Vocês precisam parar de divagar e começar a pensar seriamente! Catarina, não consigo nem pensar em quantos sacrifícios que você fez, então vai enumerando aí: uma hora iremos achar essa maldita chave. Lorenzzo, eu não te acho tão nobre assim; na verdade acho que você é um pouco mimado e metido a machão, mas deve ser culpa do seu pai...

― Ei...

― Enfim, Atena não iria te escolher como nobre se não o considerasse como tal, então foca aqui: qual foi o ato mais nobre que você já fez? ― indago, sem ligar para seu protesto interrompido.

Eu estava um pouco cansada de ficar presa no sul do país, e Annabeth estava certa: passamos muito tempo longe uma da outra, e íamos aproveitar aquelas férias para por todo o lance de melhor amiga em dia! Éris atrapalhou e eu não estava nada feliz com isso. Não era só com minha melhor amiga que eu pretendia passar um tempo.

― Enquanto eles pensam, você podia se acalmar, Grace! ― Nico sussurra em meu ouvido, puxando-me pela cintura.

Odiava admitir que sua voz grave me acalmava, mas essa era a mais pura verdade. Aquele momento era decisivo, e eu precisava estar focada. Ainda tinha um grande papel a cumprir naquela maldição.

― Olha, contar o número de sacrifícios que fiz é meio estranho e difícil, mas lembro de um bom ato de nobreza desse metido a machão que eu chamo de namorado! ― Catarina se manifesta, ignorando o revirar de olhos de Lorenzzo. ― Quando estávamos tentando escapar de um bando de monstros, logo depois de eu tê-lo encontrado, Lorenzzo achou a Lança Sangrenta.

― A arma de Ares? ― pergunto incrédula.

― Eu me lembro disso! Inclusive tive que devolver a lança para Ares... ― Nico suspira, como se lembrasse de tempos difíceis. ― Ele não te mandou uma arma de presente por isso?

― Ele mandou a lança que uso hoje em dia. ― Lorenzzo respondeu, e aos poucos vi seu semblante se iluminar. ― Acho que foi a primeira vez que Catarina me elogiou e não me chamou de idiota!

― Foi muito nobre da sua parte se colocar em risco pela sua irmã, mesmo sem entender o que estava acontecendo. Foi ainda mais nobre abrir mão de tanto poder! ― Cathy sussurrou, encarando os olhos verdes de Lorenzzo. ― Mas é muita lerdeza da sua parte não perceber que a corrente é a chave! ― e com essa declaração, minha querida sobrinha rouba a corrente do namorado e a entrega para a irmã.

A pequena corrente se iluminou como se tivesse sido atingida por um raio de sol, e das mãos de Valentina dois objetos caíram: a lança, com a qual Lorenzzo lutava em todas as batalhas, e uma pequena chave de bronze. Pequena, porém poderosa.

Mais duas como aquela e logo estaríamos em casa.

P. O. V Autora:

Certamente Thalia adoraria contar como Apolo foi nocauteado com uma frigideira, mas esse é o meu papel aqui: se Afrodite me manteve no Olimpo durante a maldição foi para contar tudo o que aconteceu desde que o céu se pintou de escarlate e discórdia. A senhorita Grace vai ter que esperar pela chance de contar a história.

De volta a casa dos Reymond em Nova Orleans, os já conhecidos semideuses se puseram a revirar a propriedade em busca, literalmente, de qualquer coisa: já ficara comprovado que Atena poderia ter escondido a chave em qualquer objeto, e este, ao entrar em contato com um semideus, tornava-se uma chave. As chaves da biblioteca se revelam apenas no tempo certo ― digo isso por experiência própria, afinal eu trabalho nessa biblioteca, junto de muitos outros escribas. ―, que parecia não ser aquele.

Em meio às buscas, Apolo surpreendeu a todos ao descer as escadas. Havia acabado de sair do banho e não poderia ter ficado mais consternado ao sair do quarto e escutar gritos e xingamentos por toda a casa. Reconheceu a voz de suas filhas e do amigo delas, o tal de Nico, mas as demais lhe eram desconhecidas. Tentou perguntar a Catarina o que estava acontecendo, porém a garota simplesmente saiu correndo ao vê-lo, deixando-o ainda mais confuso. Ele já estava farto de tanto se sentir confuso, e só havia uma forma de dar fim àquilo.

― O que aconteceu com sua irmã, Valentina? Por que essa casa está cheia de gente? Desde que você acordou do coma tem agido de forma tão estranha... Eu quase não reconheço a minha própria filha! ― Apolo desabafa, parecendo realmente chateado aos ouvidos da filha mais velha.

Pela milésima vez Valentina se perguntou se estava fazendo o certo. Ela sempre quisera um bom relacionamento com o pai, mas também sempre valorizou a verdade: depois de viver uma mentira por quatorze anos, aquela situação deveria ser insuportável, porém nem sempre era. Era bom ver Thalia e Nico sossegados pela primeira vez, ou ver Cathy sem desmaiar a cada visão. Era melhor ainda não ter que lidar com o estresse contínuo de Lorenzzo. Entretanto não era completo: Valentina não era ela mesma, Apolo não era o deus engraçado que ela conhecera, e Eleazar não estava por perto. Toda aquela realidade e a vontade de viver ali ruíam quando Maria Valentina pensava nisso.

― A razão para não me reconhecer, pai, é o fato de nunca ter me conhecido de verdade! ― Valentina devolve, olhando diretamente nos olhos de Apolo. ― Nada do que se lembra é real, nós sequer somos daqui!

― Do que está falando, Maria Valentina? A família Reymond vive em Nova Orleans desde...

― Desde nunca: os Reymonds são de Nova York, e você é da Grécia. Você não é um Reymond, nem mesmo é um humano: você é um deus, pai! ― ela estava no fim de suas forças, se não contasse logo a verdade provavelmente enlouqueceria.

A pose autoritária de Apolo se desfez ali, quando ele se pôs a rir da fala de sua filha. Foi uma risada alta, escandalosa, quase como Valentina se lembrava dos tempos em Nova York; a risada de Apolo foi alta o suficiente para despertar a atenção de todos os outros semideuses presentes.

― Ok, entendi: isso é alguma piada, não é? ― o deus desmemoriado pergunta, com lágrimas em seus olhos.

― Piada é essa mentira que estamos vivendo. ― Valentina enfim explode. Não havia nada de errado em tentar voltar pra casa; ela preferia voltar a não ser tão próxima do pai a continuar vivendo aquela farsa. ― Não me importo se você acredita em mim ou não, mas nosso dia a dia não é o que realmente vivemos. Você é Apolo, deus grego do sol e de uma infinidade de coisas. Cathy e eu somos suas filhas, somos semideusas, assim como todos os outros lá na sala também são semideuses.

― Nem em sonhos eu posso ter tantos filhos! ― Apolo desdenha.

― Acredite-me: você tem tantos filhos, mas tantos, que ninguém tem noção do número. Isso porque não estou contando os mortos: vai saber quantos filhos você já teve em todos esses milhares de anos que existe?! Ah, outra coisa, Ártemis? Ela é uma deusa também. Nico é seu primo, e Thalia e Ártemis são irmãs, assim como também são suas...

― Meu Deus, você só pode estar bêbada, Maria! A pancada quando batemos de carro deve ter sido pior do que me contaram!

― Não teve nenhum acidente de carro, Apolo! Isso tudo aqui é uma maldição comandada por Éris! Ela é a deusa da discórdia, e tem planos de nos manter aqui até... ― Valentina perde a fala ao ver Apolo cair para frente.

Parado atrás do deus, Eleazar estava de pé, com uma frigideira em mãos. Embora o ruivo fosse o mais calmo entre todos os que estavam presos naquela maldição, aquela discussão o estava perturbando; não apenas por ver Valentina sofrendo, mas também porque não parecia certo expor Apolo aquilo: não era culpa dele estar sem memória.

― Quanto menos ele souber, mais fácil o tiraremos daqui! ― Eleazar explica, deixando de lado a frigideira que usara para acertar Apolo na cabeça.

Ainda sem acreditar no que estava acontecendo, Nico ajudou o ruivo a amarrar o deus desprovido de memória a uma cadeira. Nunca, em seus atemporais anos de existência, Nico pensou que veria um semideus "derrotar" um deus, um olimpiano, usando uma frigideira comum.

― Eu vi coisas estranhas na minha vida. Eu vi Mussolini e Hitler, e sobrevivi! Mas jamais, nunca, em hipótese alguma, imaginei que sobreviveria pra ver o dia em que Lorde Apolo desmaiaria depois de um golpe de frigideira!

― Não foi a Rachel quem acertou Cronos com uma escova de cabelos azul? ― Thalia ergue as sobrancelhas, lembrando-se do que Annabeth lhe contara sobre a aventura no labirinto de Dédalo.

― Sim, mas ele estava preso no corpo do Luke. Provavelmente antes do mergulho no Estige. Eleazar acertou o corpo físico de Apolo!! Tipo: o quão louco é isso?

― Depois dessa maldição nada mais me surpreende! ― Thalia suspira, observando Apolo atentamente. ― Se ele tem a outra chave, onde ela poderia estar?

Sem esperar por respostas, a ex-caçadora começa a procurar nos bolsos do loiro, encontrando apenas chaves normais. Também não havia um cordão com ele, não havia nada que pudesse indicar fazer parte do Olimpo.

― Talvez esteja no quarto dele, na maleta do hospital...

― Não, nada nesses lugares. ― Catarina se junta aos demais na cozinha. Ela ouvira toda a discussão entre a irmã e o pai, e por mais perturbador que fosse vê-lo amarrado a uma cadeira, ela precisava concordar com Eleazar: quanto menos Apolo soubesse e contestasse, melhor para todos. ― Queria que Atena tivesse nos dado um livro com o nome de todos os guardiões da biblioteca; tipo livro registro de hotéis...

A fala de Catarina pareceu despertar algo dentro de Valentina, uma vez que esta deu as costas aos companheiros e correu porta a fora. Os que a seguiram viram a garota entrar no celeiro, mal imaginando que ali estava o começo de toda aquela confusão, por assim dizer. Fora ali, no meio de montes de feno, que Valentina guardara o livro da discórdia, e ela não se espantou ao ver uma chave cair dali. Não uma chave qualquer, mas uma cujos entalhes misturavam-se em prata e ouro.

― Através de você conseguimos o livro de volta, Cathy. ― Valentina anunciou, voltando para dentro da casa. ― Sempre achei estranho o jeito como esse livro nunca mais fechou normalmente... Acho que agora sabemos o porquê! ― e sem mais delongas, ela apresenta a todos a décima primeira chave. ― Agora só nos resta uma!

― Na verdade, não nos resta mais nada!

P. O. V Nico:

Estávamos no carro de Lorenzzo, a caminho da loja de Madame Ophelia, e o humor entre nós não poderia estar melhor. Embora Eleazar não estivesse conosco naquele momento, nada parecia nos abater.

― Eu espero que ele não precise acertar a Ártemis com uma frigideira também! ― Thalia comenta, entrelaçando suas mãos a minha. ― Se bem que seria extremamente engraçado!

― Ninguém tem provas de que ele não fez isso, então acho que você pode contar pra todo mundo sobre Eleazar e as frigideiras olimpianas. ― sorrio para ela, deleitando-me ao ouvi-la rir.

― Como você nunca pensou nisso, Nico? ― ela me pergunta, e eu sabia a que se referia.

Obviamente ela falava sobre o fato de desde o início eu, de certa forma, saber onde estava a chave de Apolo. Logo no começo de todo os nossos problemas de verão, quando Eros me tirou do limbo e me levou até Nova Orleans para ajudá-lo de dentro da maldição, eu conseguira me comunicar com Aria através de um sonho; estávamos discutindo sobre o que poderia estar acontecendo, e no meio de nossa conversa, Apolo apareceu.

Eros deu a entender que eu estava naquela missão para ajudá-lo e impedir que algo ruim acontecesse; Apolo me disse que eu estava ali para salvá-lo. No fim das contas, o deus do sol acabou sendo ele mesmo o salvador de todos nós.

― Naquele dia Apolo estava completamente transtornado. Ele se movia e falava como se fosse um furacão, rápido demais para que o entendêssemos corretamente ― suspiro ―, mas finalmente fez sentido: ele sabia que para nos tirar de toda essa confusão seria preciso combinar as chaves com algo poderoso. Geralmente a biblioteca precisa apenas da presença dos deuses para estar inteiramente à disposição; assim os escribas podem dar continuidade a nossas histórias, enquanto os guardiões estão por aqui, lutando para manter tudo sob proteção.

― Então, quando um dos deuses está desmemoriado, a coisa mais poderosa para voltar ao normal seria o sangue dos semideuses?

― Faz sentindo, não faz? Uma gota do sangue de Percy quase destruiu o mundo quando lutamos contra Gaia; o poder do sangue de três naturais combinado deve ser equivalente ao poder que um deus tem sobre aquela biblioteca! ― exponho meu raciocínio. ― Contudo, ainda acho que Apolo deveria ter dito logo que estava deixando sua chave com a gente, sabe? No meio dos gritos de “Atena nunca arruma esse lugar”, ele poderia ter dito algo como “aliás, minha mente é bem confusa, então to avisando logo que eu tenho uma das chaves. Vou deixá-la junto do livro que vai ficar com a Aria, tá?”. Teria nos poupado tanto tempo!

― Verdade! ― Thalia murmura, desencostando do banco do carro. ― Mas isso tiraria um pouco da graça.

― Thalia, não tem nenhuma graça em estarmos preso numa maldição, sua louca! ― deixo escapar, criticando-me ao ouvir Catarina rindo no banco da frente. ― Eu falei igual você e o Will de novo, não é?

― Com certeza! ― ela se vira para nós, com os olhos azuis brilhando. ― Mas eu prometo manter isso em segredo!

― Você e seus segredos...

― Está tudo bem. ― Cathy sorri para nós. ― Dessa vez ninguém morre no final.

E eu jamais quis que Catarina estivesse mesmo certa. Aqueles três meses de sofrimento foram suficientes, eu não gostaria de ter que me preocupar com a possível morte de um de meus amigos. Eu já estava farto de perdê-los.

― Que você tenha razão nessa, minha cara Catarina!

Notas finais
Já sabem: se alguém estiver falando muito, acerte com uma frigideira u.u Mentira: agressão é feio! Só vale em caso de vida ou morte. Agora, algo que vale sempre são reviews: que tal deixar um aqui? Contem-me tudo o que acharam, e eu os responderei com prazer! Beijinhos e até!