Notas iniciais
Acho que dessa vez não demorei tanto assim, certo? Estou aqui na luta para fazer dois seminários pra faculdade, e conseguir terminar todas as fics, e por enquanto ta mais ou menos ok! Quero agradecer a pudim e a daughter of the sun pelos reviews no capítulo passado, e desejar a todos um excelente e quente capítulo.

P. O. V Nico:

Quando descobri que podia viajar pelas sombras, praticamente visitei o mundo todo. Algumas vezes por puro engano, mas com o tempo fui acertando, e naquele momento agradeci internamente pelos benefícios de ser filho de Hades e poder “turistar” de graça.

― O Bayou geralmente é cercado por árvores... Acredito que seja como um pântano... As pessoas costumavam cremar seus mortos nas águas do bayou: colocavam-nos enrolados em jangadas, embebiam-na com álcool, levavam até uma parte e ateavam fogo, vendo o defunto seguir o curso da água enquanto queimava. As águas do Bayou Gauche são poderosas: a energia final dos mortos se espalhou por aquela superfície, e continua por ali mesmo após todos esses anos... Até porque, sempre tem aquela família tradicional que continua a queimar seus parentes lá... ― conto tudo o que sei sobre o lugar em Luisiana.

Madame Ophelia contara a Valentina e a mim que, para trazermos nossos amigos de volta, precisaríamos estar conectados a eles. Não apenas em relação ao horário ― sol se pondo aqui, sol nascendo lá, e vice e versa ―, mas também ao ambiente: eles estavam em uma floresta, e o bayou era o mais próximo que conseguiríamos disso.

― Então, para os trazermos de volta, precisamos levá-los para o bayou? Quer dizer, a versão desmemoriada deles... ― Catarina tenta entender nossos planos.

― Sim! Exatamente isso! ― Valentina afirma ― No caminho pra cá, fiquei pensando em como fazer isso, e pensei: bom, estamos no verão, estamos longe de tudo o que conhecemos, então que tal uma porção do que estamos acostumados? Por que não fazermos uma “festa” ao redor da fogueira?

A sugestão de Valentina não poderia nos animar mais: imediatamente Catarina começou a enumerar o que precisaríamos, Stephanye se ofereceu para conseguir tudo, e Thalia ― sim, ela mesmo, pasmem ―, começou a enumerar músicas e lanches que poderíamos fazer. Eu apenas fiquei ali, chocado demais para agir.

― Que idéia brilhante! ― parabenizei Valentina.

― Pelo menos para isso estou servindo ultimamente! ― ela dá um sorrisinho, vendo Catarina ligar para Lorenzzo, que mal desconfiava que estivesse vivendo uma vida que não era sua. ―Vai ser tão mais fácil para ela...

Era triste ter de concordar, mas de fato seria mais fácil para Catarina: um telefonema, e Lorenzzo estaria ali. Valentina teria, primeiro, que conseguir contatar Eleazar, que a ignorava displicentemente.

― Tenho certeza de que você vai achar um jeito rápido de convencê-lo! Você sempre consegue, Val! ―Thalia vem apoiá-la, e não posso deixar de me admirar com a amizade entre as duas.

Ficamos ali, os três, discutindo alternativas para que nosso plano funcionasse, quando Apolo desce as escadas. Tratamos de nos calar rapidamente, o que claramente chamou a atenção dele.

― Ultimamente me sinto em uma espécie de colônia de férias, ou irmandade de faculdade: todos jovens, cheios de segredo, e eu aqui, por fora de tudo... ― ele murmura, encarando-nos. ― O que estão tramando? Alguma festa?

― Ta mais pra uma reunião informal... A luz de uma fogueira... ― Catarina responde. ― Estávamos pensando em como o verão está acabando, e como quase não aproveitamos nada, considerando tudo o que aconteceu... Então, pensamos em irmos ao Bayou Gauche e acampar lá hoje...

― E eu, o pai, ficaria sabendo disso quando? ― era estranho ver Apolo com uma postura séria. Ele era o mais brincalhão dos deuses.

― Íamos te dizer para aproveitar que estaríamos fora e dizer para que você trouxesse a Artie pra cá: sabemos como você adora cozinhar... ― mentimos em uníssono, nos encarando logo em seguida.

― Ok... Eu prefiro não entender o que está acontecendo agora, e depois, se alguma coisa der errado, brigar com todo mundo! ― por fim o deus desiste, olhando desconfiado para cada um de nós. ― Mas já que citaram a Ártemis, saibam que estou indo visitá-la e, Valentina?

― Eu?!

― Uma tal de Isabella quer ver você?! Ela tá na casa da Artie, e quando soube quem estava indo para lá, pediu que eu a levasse...

E o recado de Apolo apenas nos deixou tensos: a única Isabella que conhecíamos era Bella, a irmã mais nova de Eleazar. Ela e os irmãos não se comunicavam há semanas, e todos nós estávamos preocupados.

Teria alguma coisa acontecido?

P. O. V Autora:

A verdade, porém, era menos temerosa do que Nico acreditava. Nada de ruim acontecera, exceto a saudade que as meninas sentiam de todos. Acontecera algo excepcionalmente bom para todos ali.

― Onde conseguiu isso, Isabella? ―Valentina pergunta, encarando uma chave. Pelo peso, e as inscrições em grego antigo, certamente tratava-se de um das chaves citadas na profecia.

― Estava entre as minhas coisas hoje de manhã. Tive um sonho com uma linda moça, e ela me dizia que eu superava as garotas de minha idade, e que tudo o que fiz até hoje foi sábio. Ela me disse que eu deveria entregar isso a você, que a ajudaria. ― a menina conta, explicando-se da melhor forma possível. ― E ela também me entregou isso!

E então, das mãos de Bella, Valentina recebeu uma curta corrente de ouro, adornada por inúmeros pingentes, dentre os quais havia um coração. Ela reconheceria aquele pendente em qualquer lugar do mundo: representava tudo o que ela e Eleazar tinham, viveram. Representava o amor dos dois.

― Por que estão aqui, com Ártemis? Onde está seu irmão? ― a filha de Apolo pergunta com urgência.

― Ele disse que precisava ir à escola, que tinha uma reunião com um grupo de doces... Algo assim!

― Docentes? ― Valentina não pode deixar de sorrir: sua cunhada era sábia, mas ainda uma criança. E de jeito nenhum merecia estar passando por aquilo.

― Isso! ― os olhos da menina se iluminaram. ― Por quê?

― Por nada... ― Valentina murmura distraída ― Obrigada pela chave, meu bem! Mas preciso ir!

― Nós vamos nos ver de novo? ― a voz de Isabella não poderia estar mais triste, era de cortar o coração.

― Mais breve do que imagina, Bella! Eu prometo! ― abraçando a cunhada, Valentina voltou para onde o pai estava, avisando que voltaria para casa sozinha. Apolo tentou argumentar, tentou até mesmo oferecer o carro, mas ela preferiu seguir a pé.

Sua casa não era seu destino no fim das contas. Ela estava se comportando muito bem ultimamente, era a hora de se permitir aproveitar algo. A hora de se dá o prazer de sentir...

Valentina seguiu diretamente para a escola que supostamente estudava ― da qual Cathy vivia lhe falando, quando ainda estava desmemoriada. ―, e se pôs a procurar por Eleazar. Ela sentia falta do namorado, sentia falta de senti-lo. Não podia se permitir apenas vivenciar as coisas em sonho: ele podia não se lembrar de sua relação, mas ainda estava ali o desejo. E este era um sentimento mútuo.

Não foi difícil encontrá-lo sozinho em uma sala, revisando papéis. Talvez montando os planos de aula para o semestre que se iniciaria dali a semanas. Valentina não foi gentil quando entrou, fechou a porta atrás de si, e seguiu determinada até ele, beijando-o com voracidade, como se estivesse faminta dele.

Ele já provara daqueles lábios e sabia que era errado fazer de novo, mas não podia parar. Não conseguia se impedir de apertar Valentina contra si e saborear a doçura daquela menina. Eleazar a queria mais que o normal, que o saudável. Ele também queria esquecê-la ― ela era sua aluna, onde estava sua ética?

― Foda-se a ética! ― ele praticamente grunhe, colocando-a sentada sobre sua mesa de trabalho.

Fora ela quem o procurara, embora não houvesse aula, ela quem fechara ― trancara ― a porta e fora ao encontro dele, pressionando-o contra a parede e ficando na ponta dos pés para beijá-lo... Não que isso fosse ajudá-lo caso descobrissem o que estava acontecendo.

― Eu... Eu não posso... ― ele gagueja, tentando se afastar.

― Shiu! ― ela o prende entre as pernas, beijando-lhe o pescoço e o rosto com barba por fazer ― Apenas relaxe, mestre!

Mas como ele poderia relaxar quando sentia aquela pequena mão em seu membro? Ou quando a língua e os dentes dela se arrastavam por sua pele, marcando-o?

Ele queria mandá-la embora, mas era tão doce... Tão docemente infernal!

― Sentindo-se culpado? ― ela provoca, sussurrando em seu ouvido.

Oui! ― ele suspira de prazer.

― Não deveria! ― ela dá uma risada ― Você é o único que desejo! Você é meu, mestre!

O pouco autocontrole que Eleazar tinha, extinguiu-se ali, ao ouvir a convicção de Valentina! Ele a segurou com força pela nuca, aprofundando o beijo, enxergando apenas o vermelho, sentindo apenas o desejo.

Sem delicadeza alguma, ele lhe arrancou a blusa estampada, estourando os botões e se deparando com seios não muito grandes, muito bem acomodados num sutiã tomara que caia rendado. Senti-los em suas mãos era muito pouco, Eleazar então se inclinou para saboreá-los também, surpreendendo-se em como a pele dela também parecia ter gosto de morango.

Ela o soltou, segurando-se na mesa para manter o equilíbrio. Foi preciso muito esforço para não tomá-la naquele minuto. Por mais que Eleazar quisesse senti-la ao redor de si, ele queria brincar com ela como ela brincava com ele.

Arrebentou o fino tecido da calcinha, deleitando-se ao ouvir o som do elástico ricocheteando na pele da garota que fez menção de gritar.

― Shiu! Se nos escutarem, nunca saberá o que eu poderia lhe dar! ― ele a alerta.

E não precisa falar duas vezes! Valentina, embora muito quisesse, não soltou um grito; nem mesmo quando sentiu dois dedos de Eleazar adentrarem sua intimidade, remexendo-se lá, em movimentos de vai e vem.

― Você é tão doce, Valentina! ― ele murmura, levando os dedos a boca, provando-os.

Ela o ouvira dizer a mesma frase antes, em circunstâncias diferentes, mas não sabia dizer qual versão lhe agradava mais. No momento tampouco lhe importava: sua insanidade lhe abandonou quando sentiu a língua dele tomar o lugar antes ocupado pelos dedos.

Ela sempre dissera que Eleazar sabia o que fazer com os lábios, só não achava que ele pudesse melhorar! Também não achava que senti-lo dentro de si pudesse trazer tanto prazer e sofrimento ao mesmo tempo.

“Concentre-se na parte boa!” ― ela ordena a si própria, sentindo as estocadas contra si, ouvindo-o gemer seu nome. Valentina se segura em Eleazar, aproveitando o momento de prazer, beijando-lhe a pele alva, os lábios inchados; tudo estava mil vezes melhor que o sonho, porém na realidade faltava apenas uma coisa: o amor.

― Quero lhe propor algo, mestre! ― ela sussurra em seu ouvido, afastando-o minimante para olhá-lo nos olhos.

― Diga-me!

― Encontre-se comigo no Bayou Gauche hoje! Quero aproveitar bem os últimos dias de férias...

― Mas...

― Shiuuu! ― ela o cala depositando seu dedo indicador sobre os lábios dele. ― Estamos de férias, não temos ligações alguma. Somos apenas duas pessoas, interessadas sexualmente uma na outra. Apenas relaxe, mestre, e se divirta como eu! ― a voz de Valentina estava carregada de doçura e sensualidade, enquanto deslizava suas mãos sobre o corpo de Eleazar.

No fundo de sua mente, sempre tivera o fetiche de professor e aluna, e mesmo sob tais circunstâncias, ainda conseguia sentir o prazer. Apenas senti-lo dentro de si, sem se movimentar, era pouco, portanto tratou de empurrá-lo para a cadeira, sentar-se sobre ele, e começar a mexer-se, levando as mãos do ruivo a seus seios.

Ela não se importava se alguém os veria ― o perigo apenas a excitava mais ―, importava-se apenas em senti-lo. Em tê-lo de volta.

Eleazar era dela, e ela o traria de volta!

P. O. V Valentina:

De tudo o que me acontecera naquele lugar, aquela tarde quase compensara todo o sofrimento. Mas jamais seria o suficiente: eu jamais me contentaria em apenas transar com meu namorado desmemoriado, em apenas ter algo puramente físico. Eu não desistira dele quando nos conhecemos, e eu não desistiria agora que o haviam tirado de mim.

Após sair da escola, acabei conseguindo carona com Eleazar. Eu não poderia deixá-lo se sentir culpado pelo que fizemos, pois se isso acontecesse, ele não iria me encontrar no Bayou ao pôr-do-sol. Portanto o convenci de irmos juntos, incentivando a todo o instante para que não desistisse da idéia e simplesmente me deixasse em casa.

Antes de seguirmos, porém, liguei para os outros, avisando do pequeno desvio de planos. Felizmente, eles haviam entendido o recado: eu não voltaria para casa sem trazer a memória de Eleazar de volta!

― Pronta? ― ele me pergunta, sorrindo de orelha a orelha. Era impressionante como eu não conseguia para de amá-lo. Chegava a ser ridículo, eu sei, mas era a verdade. Vou deixar a culpa toda sobre Afrodite por isso.

― Para você? ― sorri maliciosamente, enlaçando seu pescoço ― Sempre!

E para acabar com uma maldição medíocre também, mon amour!

Notas finais
Sim, habemus cena Valenzar! Gente, eu tinha essa cena escrita há tanto tempo, que estava quase chorando, achando que nunca usaria! Felizmente, aqui está ela e eu não poderia estar mais feliz em postar esse capítulo. Mas me digam: o que acharam? O que pensam que vai acontecer daqui pra frente? Digam-me tudo nos reviews, ok? Beijoos e até!