State Of Dreaming

26 25 - Time To Begin


Notas iniciais
MaryDiÂngelo, daughter of the sun e pudim, muito obrigada pelos reviews no capítulo passado! Gente, por algum milagre, estou conseguindo escrever esses dias! Eu pretendia finalizar a fic antes de postar, mas ia demorar muito, então vou postando os que tenho pronto e depois a gente vê como faz kkkk Espero que gostem desse capítulo cheio de girlpower!

P. O. V Catarina:

Eu poderia ganhar um prêmio pelo maior número de traições entre amigos na história. Primeiro minhas primas, que nunca me contaram a verdade, depois Aria por se juntar a Cupido, e agora Stephanye, por ser uma agente dupla.

“— Quando você me ajudou, eu já havia sido resgatada! Já sabia para onde ir, apenas tinha medo! — Steph confessou. — Éris e Hécate ouviram minhas preces, e jamais entenderei porque, mas prometi a elas que as serviria. Porém jamais imaginei que seria um peão num jogo contra meus amigos.”

Das últimas vezes em que descobri que minhas amigas haviam traído minha confiança, eu fiz escândalo, e cheguei a romper com uma delas, mas dessa vez não havia tempo para meus caprichos. Não era apenas um casal que Afrodite queria juntar e um deus esquizofrênico queria ver sofrer; eram olimpianos!

— Qual é o plano? — pergunto, virando-me para minha irmã, ignorando Steph e toda a situação.

Rapidamente Valentina se põe a explicar seu plano de tentar um feitiço de localização, e por mais absurda que fosse a idéia, eu sabia que funcionaria. Nova Orleans era o lar da magia, certamente haveria filhos de Hécate por ali, ou talvez até magos egípcios — o que seria extremamente útil, se eu pudesse ajudar nessa missão.

— Como assim você não vai? — minha irmã me pergunta, tempos depois, quando lhe digo que não irei com ela em busca das bruxas do French Quarter.

— Eu não fui citada na profecia, não como a que busca pelo fim de tudo isso. Você sabe que aqueles que não foram citados, não devem ir! — explico uma verdade universal. — Nem Thalia deveria ir!

— Isso é verdade! — Valentina concorda. — Mas confesso que me sentiria melhor com vocês lá: olha pra mim, eu não intimido ninguém! — havia uma ponta de desespero em sua voz, e eu não pude deixar de rir.

— Não é na base da intimidação que você consegue as coisas. E caso precise, Nico faz isso muito bem quando quer! — afirmo, suspirando. — Você deveria levar isso com você! — estendo-lhe sôter, encolhido em sua bainha.

Parecia quase uma cena de coroação, não fosse o fato de Valentina me olhar com curiosidade.

— Eu não sou mais a salvadora! Esse é o seu papel agora, Val: se não fosse por você, estaríamos todos perdidos! — explico minha atitude.

— Você sempre foi, e será, a salvadora, Catarina! — ela me contradiz, deixando-me surpresa. — Não apenas porque enfrenta qualquer coisa para nos ajudar, mas também porque nos faz perceber que podemos nos salvar! — Valentina sorri, tomando sôter de minhas mãos e colocando o diadema sobre minha cabeça. — Você é a salvadora, e eu sou aquela que precisa aceitar seus poderes... Quando eu descobri o que sou, te conto!

— Você é a Maria Valentina! Apenas isso, e tudo o que importa! — a abraço, tentando conter as lágrimas. — Agora vá e faça esse plano agir o mais rápido possível!

Recebo um último sorriso seu, antes de acompanhá-la de volta até a cozinha, de onde ela e Nico saíram para o French Quarter.

— E a gente? O que faremos? — Thalia questiona, parecendo ansiosa.

— Entrar em contato com a central, também conhecida como Acampamento Meio-Sangue: precisamos unir nossas cabeças! — digo determinada. — E como temos a filha da telefonista, creio que a comunicação será mais fácil, certo Steph?

— Daí depende: quanto tempo vocês acham que levaríamos para criar um arco-íris?

P. O. V Gregory:

Inútil era pouco para descrever como eu me sentia em relação a tudo o que acontecia. Mesmo sabendo que eu faria a diferença — afinal, era meu o sangue que ajudaria a libertar meus amigos —, eu me sentia mal por não poder fazer nada nesse meio tempo em que esperávamos para por tudo em ação.

Não havia sequer um lugar em que eu pudesse treinar meus poderes de forma adequada. Aquele acampamento era ainda muito excludente...

— Podemos conversar? — a voz de Sophia me desperta de meus devaneios revoltados.

— Sinta-se a vontade para se juntar a minha melancolia! — murmuro, abrindo espaço para que ela se acomodasse ao meu lado na beira do riacho.

— Como está se sentindo? — ela pergunta gentilmente, sentando-se um pouco afastada. Tentei não parecer ofendido, mas podia compreender o porquê de se afastar: eu era um cara frio no sentido mais literal da palavra, e não no sentido emocional. Se quisessem gelar o riacho, só precisam me jogar lá dentro...

— Não sei... Como você se sentiria sabendo que tem algo importante para fazer, mas não pode fazer nada até que te digam que pode? — me virei para ela, encarando seus olhos castanhos.

— Acho que deve ser melhor do que ser controlada e forçada a machucar seus amigos... — Sophia ergue uma das sobrancelhas, desafiando-me a encontrar algo pior.

Ela já havia me contado sobre sua primeira e única aventura, e de fato não conseguia pensar em algo pior: saber a verdade sobre si, e ter seus sentimentos usados para o mal deve ser a sensação mais terrível de todas. Sophia ainda se culpava por muitas coisas, inclusive por parte da atual situação de seu irmão.

— Acho que você vai precisar disso... — a garota me entrega um colar, e eu quase não acredito no pingente do mesmo.

Pendurada à corrente estava uma chave de bronze extremamente simples, quase como a que temos em casa, porém havia certa magnitude e poder emanando da mesma. Tocá-la me encheu de energia e confiança, mas também de dúvidas.

— Esse tempo todo você tinha uma chave, e nunca pensou em nos entregar? — pergunto, um tanto irritado.

— Eu não sabia que era uma chave! Ela nunca havia se revelado para mim! — Sophia se defende — Eu ganhei esse colar depois do conselho a respeito do meu “plano de vingança” contra os olimpianos e os egípcios; a própria Atena me presenteou com ele, alegando ser um símbolo de união, aliança... De fato parecia um simples anel entrelaçado a corrente, até hoje de manhã — ela suspira, dando uma breve pausa —: desde que os D’Anibale me adotaram, Lorenzzo e eu nos tornamos muito próximos. Eu nunca pretendi machucá-lo quando pensei estar fazendo o certo ao vingar meu pai, e uma das poucas coisas que me manteve sã durante o tempo em que fui... “Possuída” foi um relicário antigo, que estava na família de meu irmão há anos, e sempre passava de geração em geração. Ele me presenteou com tal coisa, e eu estava procurando pelo relicário hoje, em minha caixinha de jóias, quando dei de cara com esse cordão. E ao pegá-lo, lembrando de tudo o que acontecera...

— Ele se tornou uma das chaves! — completo seu raciocínio, tocado pela história.

Ver o quanto Sophia sofria com a falta de Lorenzzo apenas me enfureceu mais: não era justo que famílias se separassem, não era justo com ela, nem com as filhas de Afrodite, muito menos com Aria e eu.

— Está mais do que na hora de tudo isso acabar! — murmuro, segurando a chave firmemente em minha mão enquanto levantava e corria de volta a área comum aos chalés.

As atividades do acampamento não paravam, mas não tinham todo o entusiasmo que tio Eleazar costumava descrever para mim em suas mensagens. Era visível a falta que aqueles semideuses faziam, e era ainda mais notável a falta que os deuses desaparecidos faziam: as plantas não cresciam saudavelmente, o chalé sete parecia fraco, e as caçadoras estavam desorientadas, vagando pelo acampamento como zumbis atrás de cérebros. Quando resolvi me mudar para cá, sempre imaginei um verão divertido, mas tudo parecia um eterno velório, porém sem mortalhas para queimar... Se bem que, pelo olhar que todos tinham, eu poderia jurar que qualquer hora eles queimariam uma mortalha para a esperança...

Encontrei Aria sentada na porta do chalé seis, cabisbaixa — aparentemente como eu deveria estar no lago —; estava prestes a lhe mostrar a chave que Sophia me dera, quando a filha de Atena solta um arquejo, atraindo a atenção de todos os que estavam por perto.

— Vocês sentiram a minha falta? — uma voz feminina e desconhecida se faz ouvir, e eu me viro na direção de onde o som vem.

Atrás de mim, flutuando em uma mensagem de Íris, estavam duas meninas de olhos azuis — sendo Catarina uma delas, a cunhada de meu tio —, e Stephanye. Pude notar os olhares ao redor se retirarem dela, e focarem-se nas outras garotas.

— Thalia Grace? — uma das caçadoras murmura incrédula.

Obviamente eu sabia quem era Thalia Grace: filha de Zeus, irmã de Jason, ex-caçadora de Ártemis, namorada de Nico di Angelo, o filho de Hades! Também sabia que ela estava na missão, presa na maldição, porém eu jamais a vira e não sabia se me espantava com sua beleza ou com o simples fato de ser ela ali, falando conosco, com sua memória restaurada após o elixir de Eros.

— Olá, caçadoras! — a filha de Zeus as cumprimenta — Aria, quanto tempo!

— Funcionou! — foi tudo o que consegui dizer, atraindo a atenção de todos.

— Esse é Gregory, Thalia! Sobrinho do Elz, e aparentemente maluco como ele! — Catarina ri, deixando-me chocado. — Sim, também recuperei minha memória. Graças a Stephanye aqui!

Antes que possamos perguntar como tudo aconteceu, as três nos fazem o favor de contar tudo. Desde quando Steph recebeu a visita de Hécate, que lhe informara como os arcos unidos formavam uma chave, passando pelo elixir de Eros, a descoberta de Éris como vilã, e como as armas eram poderosas o suficiente para trazerem de volta a memória.

— Pensando bem, faz mesmo todo o sentido! Nossas armas são nossas histórias, há um pouco de nós nelas... — Aria murmura, seguindo a linha de raciocínio que Thalia expõe.

— Eu sempre soube! — a filha de Zeus diz, parecendo orgulhosa por ter pensado nisso antes de uma filha de Atena.

— Enfim... — Catarina revira os olhos, dando fim à guerra de egos que se iniciaria — O importante é que agora temos mais uma chave!

— E nós também! — mostro então a chave que Sophia me entregara, e me coloco a contar minha parte da história. —... E hoje de manhã, havia se transformado nessa chave. Ou seja, agora temos seis chaves: Steph, Valentina, Aria, Sophia, Jasmyn e Claire.

― Pela primeira vez desde que tudo isso começou, eu sinto que há esperança para que acabe: faltam poucas chaves, e Valentina tem um plano que pode dar certo... ― Thalia então nos conta sobre o plano de pedirem ajuda às bruxas de Nova Orleans, e como esse plano tinha fundamento ― Há muita magia aqui! Tanto grega, quanto...

― Egípcia! ― Sophia se aproxima ― Nova Orleans é conhecida como a cidade alagada; segundo Walt, a morte ronda esse lugar: provavelmente isso recarregará as energias do Nico... Dará mais poder para lutar, talvez até o ajude a viajar nas sombras...

― Ou o destrua, com os mortos se agarrando a ele para encontrar uma saída! ― Will a interrompe, discursando com fervor e raiva.

― Ele é o Rei Espectral: os mortos devem se curvar a ele, não o contrário. Sim, ele precisa tomar cuidado, mas não deve temer! Ele deve controlá-los! ― Thalia contrapõe, e enfim entendo porque todos ali a tratavam com respeito.

Obviamente eu já ouvira falar da filha de Zeus que costumava ser tenente das Caçadoras de Ártemis, e agora entendia porque ela merecia tal posto: era uma líder nata, que parecia saber mesurar as necessidades com as capacidades de cada um.

― Thalia Grace! ― uma caçadora a chama, e todos nos viramos para ela ― Onde está nossa deusa?

E ali estava um assunto delicado, que obviamente incomodava Thalia: a ex-caçadora volta seu olhar para Catarina, que parece se constranger com o que estava por falar. No entanto, quando enfim o fez, jamais poderia ter dito nada melhor:

― Eu sei que não sou tão pura como meu nome dá a entender, e sei que sua ex-tenente também não o é mais. ― Catarina começa, olhando para suas mãos antes de erguer o olhar e fixá-lo nos da atual tenente ― Porém, é preciso que saibam: os votos que definiam sua lealdade foram rompidos! Graças ao plano de Éris, sua matrona deixou de ser casta.

O burburinho entre as seguidoras de Ártemis era desesperador: algumas choravam, outras gritavam maldições; o ponto em comum entre elas, com toda certeza, era a raiva: raiva de Éris, da situação, e muito provavelmente do próprio Apolo ― ouvi muitas dizerem que, mesmo desmemoriado, o deus continuava a ser um tarado... Preferi ficar quieto quanto a isso.

― Não é hora para discursos de ódios, de promessas que jamais serão cumpridas! ― Thalia toma a palavra, e sua potente voz faz com que todos voltem seus olhares para ela. Tomo coragem de desviar, e olhar ao redor, e observo como a admiração estava presente nos rostos dos que estavam ali: ela podia não estar mais na caçada, mas ainda era a tenente, ainda estava no comando de algo. ― É hora de lutar! Estamos aqui, fazendo o possível e impossível para vencermos, e nossos amigos aí fora fazem o mesmo. Aria e Gregory até mesmo enfrentaram Eros, e se não fosse por eles, ajudados por Claire, eu não estaria aqui, falando com vocês. Se não fosse por Stephanye e sua tentativa de redenção, Catarina tampouco estaria aqui.

― Vocês podem não estar na profecia, mas podem ajudar. ― Catarina a apóia, parecendo entender aonde aquele discurso chegaria.

― Campistas, Caçadoras, ajudem-nos a sair daqui antes que algo pior aconteça. Ajudem Aria e Gregory a encontrarem as chaves antes que a discórdia triunfe! ― Thalia finaliza seu discurso, deixando a todos extasiados.

Aquela mensagem, a presença de duas semideusas influentes, parecia ser a motivação de que precisávamos para continuarmos a lutar. Mesmo após o fim da conversa, a comoção não acabara. A empolgação estava presente: os campistas buscavam por mais informações sobre as chaves e seus critérios de distribuição, as caçadoras organizavam buscas, Aria traçava estratégias para completar o plano de Valentina.

Pela primeira vez desde que cheguei ao acampamento, eu me senti parte do lugar. Eu me senti um semideus destinado a salvar àqueles que amo, custe o que custar.

P. O. V Valentina:

Gostaria de dizer que Nico e eu nos encontramos com uma daquelas bruxas caricatas da Disney, mas a mulher que nos encarava em nada lembrava a madrasta da Branca de Neve.

Madame Ophelia, como pediu para ser chamada, era uma mulher negra, de olhos castanhos escuros, cabelos em corte Chanel, vestes elegantes ― tão diferentes das vestes hipsters que as bruxas mais novas usavam por ali ―, e um batom vermelho chamativo em seus lábios carnudos. Madame Ophelia era linda, e dizia verdades cruéis.

― Isso não acontece todo dia: a morte manda um visitante, enquanto uma parte da vida o acompanha... ― A bruxa riu quando Nico e eu passamos pela porta. Sua risada era alta o suficiente para ser ouvida por todo French Quarter.

― Excuse moi...

― Seria tão fácil acabar com tudo o que sofrem se você não fosse tão corrompida, minha cara criança. ― ela mirou seus olhos diretamente em mim, e todo o meu corpo se arrepiou.

― Do que... Do que está falando? ― gaguejei a pergunta, e foi aí que ela pediu para que a seguíssemos botica à dentro, levando-nos para uma saleta minúscula.

Não havia uma bola de cristal, nem mesmo cartas de tarô; havia apenas um enorme mapa, chaves, e um rastro de sangue sobre ele. Nico e eu nos entreolhamos: estávamos no lugar certo.

― Veja bem: precisam do sangue de 3 naturais e há 4 de vocês aqui: uma livre, uma aprisionada, um forte o suficiente, mas não para o que precisam, e uma corrompida. Sua única chance era localizar e soltar a que estava aprisionada, e vocês o fizeram. Dois terço do sangue já estão entre nós! ― ela nos conta, e eu me pergunto como sabia de tudo o que estava acontecendo.

Estaria ela mancomunada com Éris?

― Posso não ler mentes, senhorita, mas posso sentir energias: você e seu amigo desconfiam de mim, mas acreditem, estou ao seu lado! ― Madame Ophelia nos assegura.

― Como podemos ter certeza disso? ― Nico questiona.

― A discórdia não é boa para ninguém, meu jovem: tenho certeza de que de onde vêm, eles sabem lidar com tanto poder de destruição! ― a bruxa aponta, e não poderia estar mais certa. ― Vocês precisam sair daqui o mais rápido possível...

― Seria o meu sonho! ― Nico suspira ― Madame Ophelia, o que precisamos fazer?

Eu jamais vira Nico implorar por algo, porém ali estava ele, um dos semideuses mais fortes da história, implorando por ajuda, ignorando nossa idéia original― o que era compreensível, considerando tudo o que Madame Ophelia vinha dizendo até então. Tempos difíceis nos levavam a fazer isso, e não era momento para termos orgulho, e sim o de conseguirmos toda a ajuda possível.

― Tenho uma idéia... E só depende de vocês para que dê certo! ― ela disse séria, encarando a nós dois.

Nossas posturas mudam, nossa respiração se torna mais profunda: chegara a hora de iniciarmos nossa cartada final. Chegara à hora de resgatarmos nossos amigos!

Notas finais
E então? Ansiosos pelo que está por vir? Teorias de quem tem as outras chaves? Teorias sobre o que vai acontecer? Não esqueçam de me contar tudo o que acharam, ok?! A opinião de vocês é muito, muitooo importante! Espero que tenham gostado!! Beijoos e até!