State Of Dreaming

25 24 - Bringing A War


Notas iniciais
Gente, mil desculpas pela demora. Sabe quando você esquece de algo por causa das confusões da vida? Então, isso explica o porquê da demora: foi problema de saúde, faculdade, tudo junto. Quero agradecer a MaryDiÂngelo, Rainha dos Raios, speedy, daughter of the sun e Lety Di Angelo pelos reviews no capítulo passado. Espero que gostem desse capítulo, que é um dos meus favoritos! Segurem seus forninhos!

P. O. V Autora:

Seu último e mais árduo desafio. Conseguira guiar todos para fora dos sonhos, mesmo aqueles que tivera mais trabalho para achar, mas ele ― com quem ela sempre sonhava e que sempre sonhava com ela ―, ainda estava preso naquela estranha maldição.

A irmã, que estava mais do que acostumada com maldições, acreditava na teoria do “liberte-se sozinho”: ela poderia ajudá-lo o quanto quisesse, ser puxada para os sonhos insanos ou levá-lo para sonhos conscientes, mas era escolha dele sair ou não. Tudo uma questão de força de vontade.

Será que ainda havia tal coisa nele?

O ambiente deste sonho era incomparável: certamente tratava-se do suntuoso salão do Fairmont Frontenac, onde muitas vezes dançaram. Estava quase todo escuro, não fosse alguns poucos lustres acesos aqui e ali, mas ainda era possível vê-lo, impecavelmente vestido em um terno, sorrindo para ela ao estender a mão, como se lhe convidasse a dançar.

― Feliz aniversário! ― ele sussurra.

Um ano se passara desde que descobrira o Livro da Discórdia. Não aproveitara nada o ano de 2014; perdera o aniversário de seu amado que agora estava ali, em sonhos, querendo comemorar o dela.

― Não desperdice lágrimas, amor meu: este é seu dia... Ou noite, no caso. Celebremos enquanto podemos! ― ele, aparentemente, se cansa de esperar e a puxa para o meio do salão.

Só então Valentina percebe que vestia um belíssimo vestido longo, de tecido negro, com a gola adornada de brilhantes. Sentiu um arrepio passar por seu corpo quando as mãos gélidas de Eleazar tocaram suas costas nuas.

― No fim das contas, acho que tenho um bom gosto para roupas e sonhos. ― ela poderia ter se deixado levar naquele instante, quando os lábios dele se apossaram de seu pescoço. Poderia ter aproveitado ao máximo aquele sonho, mas seria a última coisa que aproveitaria ao lado de Eleazar.

―O que mais gosta sobre esse lugar? ― olhar nos olhos dele: primeira lição que sua irmã amaldiçoada lhe deu.

― A paz, talvez! Posso viver sem sentir medo de estar sendo perseguido, ver minhas irmãs brincarem sem precisar temer o futuro, amar você sem me preocupar com o que podem nos fazer. ― as intenções eram lindas, e convencíveis.

Mas não podiam ser suficientes.

― E quanto aos outros? Sua mãe? Seu tio? Sua prima? Seus sobrinhos? Seus amigos? ― ela para de se mover, ainda com os olhos presos aos dele ― Não pode deixar todos para trás por medo.

― Tampouco posso estar com eles por causa do poder! ― ele parecia torturado, danificado.

― Não pode ficar aqui para sempre! Você precisa voltar! ― vivos e mortos: Valentina já não conseguia mais distinguir os vivos dos mortos.

Aquilo era um sonho ― pesadelo ― qualquer, ou estava vendo apenas o espírito de Eleazar? Não importava, nada mais importou quando os dois se beijaram. As mãos de ambos passeavam por seus corpos, livrando-se das roupas de baile que usavam, ou de qualquer outra peça que os impedisse de se sentirem.

O ambiente do sonho mudou, e logo ambos estavam no quarto de Eleazar, antigo cenário de diversas cenas de paixão ardente, mas também de amor quase inocente, quando eles apenas queriam a companhia um do outro, sem precisarem recorrer para o desejo, como recorriam naquele momento.

Não deveríamos estar fazendo isso! Pelo menos, não assim! Eleazar comentou, em um breve momento de lucidez entre os muitos suspiros de prazer.

Eu preciso disso! Você é tudo o que tenho. E eu preciso de tudo o que tenho! Valentina retruca, erguendo o rosto em sua direção e erguendo-se também. Pode ser nossa ultima chance. e sem dar tempo para o namorado decidir, ou opinar, encaixa-o em si, e foi num misto de prazer e culpa que o viu revirar os olhos quando começou a se mover em seu colo.

Ela o estava usando da mesma forma que o fez usá-la como estepe durante a tentativa falha de fazê-lo parar de fumar. Propusera trocar cigarros por sexo, e ficara feliz quando ele aceitou q barganha. Mas agora entendia como ele se sentiu na época.

Por que está chorando? — ele pergunta de forma gentil, da forma que sempre foi.

Eu não sei se consigo! ela resmunga entre os soluços. Por favor, faça isso passar. Faça essa confusão passar. Faça com que seja apenas nós dois de novo, sozinhos no mundo.

E não havia nada que Eleazar não fizesse para que sua Lolita não chorasse. Com cuidado a deitou sobre a cama, distribuindo beijos em seu rosto, secando suas lagrimas enquanto sentia o choque de seus quadris entrarem no ritmo que estavam acostumados. Os soluços foram se transformando em sussurros baixos e desconexos, entrecortados por gemidos.

Ela não estava feliz, nem conformada. Ela estava desesperada, e isso o destruía mais do que aquela maldição. O desespero de Valentina era pior que sua própria loucura, e se havia algo que ele pudesse fazer, ele faria. Afinal, naquela realidade, ela estava mesmo sozinha contra o mundo...

Ou acreditava estar!

— Valentina? Valentina, acorde! — Thalia a sacudia pelo braço, chamando-a com urgência.

Desde a luta naquela tarde, Thalia passara a morar sob o mesmo teto que Valentina e Nico — o que apenas despertou ainda mais a curiosidade de Apolo: ele conhecia a “tia” de Thalia, e perguntou a menina se a diretora do hospital sabia que se hospedaria ali. Depois de muitas mentiras, conseguiram convencer o deus desmemoriado de que seria algo temporário, mas sabiam que precisariam tomar cuidado. —; para não levantar suspeitas, a filha de Zeus, dividiria o quarto com Valentina naquela noite, o que acabou se provando uma boa idéia quando viu sua amiga se debatendo enquanto tinha algum pesadelo.

Já estava acostumada com tal coisa: quando ainda estavam na Yancy, Valentina vivia a ter pesadelos, e era Thalia quem a acordava e conversava com ela até que estivesse mais calma. Porém, naquela madrugada, não haveria conversas, apenas choro.

— Eu finalmente sonhei com ele, Thalia! Finalmente sonhei com Eleazar, e ele não queria voltar! — Valentina desesperava-se. — E se isso se tornar realidade?

Thalia não sabia o que falar para acalmar a amiga, sentia-se impotente como nunca, e esse era o tipo de coisa que ela mais detestava na vida: não poder lutar. E ela não era a única a se sentir assim: era praticamente parte do DNA de um semideus odiar não lutar, mas infelizmente não havia muito que se fazer quando se está sob influência de uma deusa.

Especialmente se essa está pronta pra te torturar da forma mais cruel possível: machucando aqueles que se ama.

P. O. V Catarina:

Não conseguia dizer se era real ou não, mas eu esperava de coração de que não fosse. Que tudo não passasse de um pesadelo, pois seria mais fácil de me recuperar. Se eu visse minha irmã ser torturada, e tudo fosse real, eu certamente não sobreviveria à dor que eu captava dela, ou da dor que era vê-la sofrer.

Era como ter uma garra dentro de si, tentando arrancar todos os seus órgãos. Valentina gritava de modo pavoroso, e tudo o que podíamos fazer era assistir, e compartilhar de sua dor.

Eu a sentia e rezava para que ninguém mais sentisse: era ruim demais ver e sentir tudo o que minha irmã sentia. Ter Eleazar ao lado, tentando sair de suas correntes — das quais eu não me lembrava de tê-lo visto ser acorrentado — e berrando quando estas lhe proporcionavam cortes não ajudava em nada.

Não deveríamos estar na mesma equipe: ambos amávamos Valentina de forma incomparável, e ambos sofríamos ao vê-la sangrar. Sofríamos mais que qualquer outra dupla sofreria.

— DEIXE-A EM PAZ! — ele gritava, como se suas palavras tivessem algum poder ali.

— O príncipe dos ventos tentando defender sua princesa indefesa. Se nem mesmo vosso rei pode, o que o faz crer que tem tal poder?

— Amor. Sempre se provou uma grande arma para nós.

— Tolo. Pensei que após todos esses anos já houvesse entendido que os prazeres carnais são mais significativos que os prazeres do coração. Foi por seguir o coração, que sua namorada agora perde o herdeiro que levava em seu ventre. É isso o que acontece quando se acredita no que Afrodite prega: amor apenas traz dor. — nossa captora diz. — Aproveite mais um pouco dela, pois em breve ela será incapaz de proporcionar-lhes mais gritos. Poderão ir quando a diversão acabar.

Sinto a presença da captora desaparecer, e volto a me concentrar na agonizante cena a minha frente. Minha irmã se contorcia de dor, e eu nem podia canalizá-la para mim, pois ela estava perdida em sua dolorosa tormenta

A captora manteve sua promessa: em minutos, não havia mais gritos e nossas correntes se abriram, derrubando- nos no chão. Corremos para a poça de sangue em que Valentina jazia, desacordada. Eu sabia que ela não estava morta, mas aquela visão não era menos assustadora.

— Precisamos tirá-la daqui. — despertei Eleazar de seus devaneios de culpa.

— Isso é minha culpa. Eu deveria tê-la deixado pra lá no momento em que a conheci. Se não a tivesse seguido para fora daquele bar, ela...

— Não é hora para arrependimentos. Afrodite teria dado um jeito de colocá-los juntos, e as Parcas se encarregariam para que nada desse errado. Vocês se amam, todos sabem e até invejam isso, agora prove seu amor por ela e salve sua namorada. Salve a mulher de sua vida. — digo firmemente, sacudindo-o sem gentileza.

Porém, não foi ele quem despertou de seu desespero. Foi a mim que a claridade presenteou, e pude enfim ter certeza: nada daquilo era real.

— Precisamos ir embora! — murmuro, me afastando da imagem moribunda de Valentina.

— O quê? Ficou maluca, Catarina? — ele esbraveja, voltando sua atenção para Valentina. — Já perdi um filho, não posso perder Valentina também!

A dor em sua voz era tão autêntica, que quase cedi novamente, porém me mantive firme. Costumavam me dizer que eu tinha uma mente forte, pois até mesmo minha mãe mortal possuía um dom ligado a psique; estava na hora de por essa força em ação, ou estaríamos perdidos.

— Eu já lhe disse, vocês terão lindos bebês. Fortes, saudáveis, mas não agora! — digo com firmeza — Pense Eleazar: vocês nem juntos estão, como ela poderia estar grávida? E mesmo que estivessem, creio que não fariam nada sem se precaverem! — conforme eu falava, via o semblante de meu cunhado estampar confusão. — Nem mesmo antes das férias vocês passaram muito tempo juntos e sozinhos: estávamos em um internato, e na maioria das vezes que os dois se viam era para brigar. Nem fudendo ela estaria grávida! — finalizo, sem deixar de notar os diferentes sentidos de minha frase.

Porém a sintaxe ―ou a semântica ― pouco me importava. O que valia, e valeu, foi tirar Eleazar de seu torpor. Assim como eu, ele se afastou do que supostamente era Valentina. O sangue, e a doppelgänger da minha irmã desapareceram, deixando-nos sós em um lugar escuro e úmido.

— Ok, obrigado por me... O que quer que tenha sido aquilo! — Eleazar murmura, ainda com lágrimas pontilhando seus olhos, e a voz rouca de tanto gritar. — Agora, me diga que você sabe como sair daqui!

Eu não sabia, e já estava pronta para me desesperar novamente quando fomos surpreendidos por uma luminosidade intensa. Imediatamente nos viramos para investigar do que se tratava, e nosso susto não poderia ser maior.

— Talvez eu possa ajudar! — Stephanye diz, mas sequer foi a presença de minha cunhada o que me assustou, e sim o que ela tinha em mãos.

Reluzindo como um raio de sol no verão, lá estava sôter, meu arco de batalha.

P. O. V Autora:

Se por um lado Éris sentia-se vitoriosa pelas torturas mentais impostas — ora fazendo Valentina crer que Eleazar de fato gostava do lugar, ora fazendo Catarina e Eleazar sofrerem por Valentina —, ela jamais imaginaria que a promessa de Nico di Angelo ainda estava de pé: ele destruiria o reino da discórdia.

Mas não sozinho!

— Está me dizendo que...

— Sim, Lorenzzo: Catarina recuperou a memória graças a Steph, que lhe entregou sôter. — Eleazar afirma, contando novamente tudo o que acontecera em seu “pesadelo comunitário”. — Éris está por trás de tudo, e precisamos voltar antes que seja tarde demais.

— Bom, isso sempre esteve bem claro! — Lorenzzo murmura, chutando as pedrinhas no caminho.

Mal conseguia acreditar que Catarina fora sem pensar duas vezes, sem pensar nele. Porém, era de se esperar: Catarina sempre fora uma heroína, e heróis não têm dúvidas na hora de ajudar.

— Só espero que eles saibam o que estão fazendo lá fora! — o ruivo suspirou — Não estou disposto a perder nossos amigos, Lorenzzo!

— Se isso acontecer, Eleazar. Se um deles se machucar, não serão os deuses que entrarão em guerra: serei eu! — o italiano declara, sem delongas.

E ele jamais falara tão sério!

P. O. V Valentina:

Estava cogitando comprar um filtro dos sonhos depois da noite passada. Eu já tivera pesadelos terríveis, mas acho que nada se compara a ver alguém que você ama perdendo a força de vontade. Nem mesmo a parte supostamente romântica do sonho compensava tudo.

— Uau, eu realmente não queria estar em sua pele hoje de manhã! Especialmente depois do pesadelo horrível que eu mesma tive! — a voz de Catarina me liberta de meus pensamentos, e eu me viro para encará-la. — Bom dia, Val!

Val! Eu costumava odiar esse apelido, depois passei a me acostumar com ele, e enfim senti falta: naquela realidade, eu era Maria. Ouvi-la me chamar de Val já poderia ser o suficiente para que eu tivesse certeza, mas vê-la com o arco pendurado nas costas, e o brilho arrogante no olhar valia mais do que mil palavras.

— Como...? — murmurei, e provavelmente eu estava tão boquiaberta quanto Thalia e Nico, que acabavam de voltar do quintal.

— Com uma ajudinha minha! — e como se não fosse o bastante, minha cunhada aparece.

— Steph? — perguntamos em uníssono, Nico, Thalia e eu.

— É melhor se sentarem! — a filha de Íris suspira — Tenho uma longa história para lhes contar.

Pelo tom da voz de Stephanye, eu sentia que muito mais nos seria revelado agora. E talvez eu não gostasse nem um pouco da verdade.

Notas finais
Sim, Catarina está de volta!!! O que me dizem disso, amores? O que acharam das torturas? O que acham que está por vir? Quero saber todas as reações que tiveram enquanto liam u.u Espero de coração que tenham gostado, e mil desculpas pela demora de novo! Beijoos