State Of Dreaming
23 22 - Promessa É Dívida
Notas iniciais
P. O. V Autora:
Ela estava furiosa. Embora fosse um lugar onde grande poder circulava, o Olimpo podia muito bem ser comparado ao Ensino Médio: apenas os maiorais sabiam do que ocorria, mesmo quando envolvia alguém que não pertencesse aos 12 — agora basicamente 14 — olimpianos.
— Como uma maldição acontece, e ninguém tem a decência de me contactar? — Hécate invade o Conselho que ocorria, levando os deuses a encará-la.
Nenhum deles jamais saberia ler sua expressão, graças aqueles olhos atemporais, onde íris e pupila se misturavam em um tom escuro como o universo lá fora. Ninguém ali notaria o espanto e horror que tomou conta deles quando Hécate notou a ausência de Apolo e Ártemis.
— Se maldições são sua alça de poder, como não notou antes? — Atena pergunta, sua perspicácia irritando a deusa da magia.
— Tenho tantas responsabilidades quanto você, Atena. — Hécate responde de forma educada. — Onde estão os gêmeos?
Todos se calaram. Essa era a pergunta que se faziam desde o dia em que a maldição caiu sobre eles. Claro, havia aquela que tinha uma leve ideia do que poderia estar acontecendo, mas as estatísticas eram tão incertas que Afrodite preferiu permanecer em silêncio.
A deusa tinha suas suspeitas. Não gostava delas, mas sabia que as chances de serem reais eram altas, e ela precisava checar.
Sem pedir licença aos seus "superiores", Hécate se transporta. Era a deusa dos caminhos também, e conhecia bem uma pessoa que precisaria decidir imediatamente qual caminho tomaria.
— Senhora? — a garota de cabelos brancos se assusta com a presença da deusa.
— Olá, minha querida! — a deusa sorriu, e gostaria que a semideusa fosse capaz de ler a simpatia em seus olhos — Lembra-se do nosso acordo passado?
— Como não lembrar quando estou sendo cobrada por ele e punida quando algo não sai de acordo com o esperado? — a jovem reclama, olhando com desgosto para os amigos ao longe. Havia brigas acontecendo, e ela sabia o motivo.
— Quando a salvamos, dissemos que não seria em vão. Você rogou por nós, te ouvimos e ajudamos: é sua vez de retribuir. — a deusa confirma o que a garota já sabia.
— Apesar de não me agradar, já estou fazendo isso! — ela suspira, revirando os olhos.
— E se eu lhe dissesse que pode mudar isso? Que pode ajudar a trazer seus amigos de volta?
P. O. V Nico:
Por um tempo aquela manhã foi agradável, até mesmo o desentendimento entre Cathy e Thalia foi esquecido, e quase pareciam os velhos tempos na Yancy, mas tudo voltou a nossa triste realidade no momento em que Apolo chegou em casa, com os cabelos molhados e o rosto corado.
— Ah, bom dia, crianças! — ele nos cumprimenta, parecendo muito sem graça.
— Bom dia, papai! — Catarina se vira para ele, que rapidamente começa a seguir para o andar superior — Não pense que vai escapar do interrogatório, senhor Apolo Reymond! Onde esteve?
Não pude evitar sorrir: era uma situação engraçada, ver os papéis se invertendo, a filha querendo tomar conta do pai. Porém, aquela situação ainda era triste, e isso devia estar estampado em meu rosto, pois Valentina resolveu lavar louça, enquanto Thalia me fez encará-la nos olhos.
— Envolvimento romântico nunca passou pela minha cabeça quando saí da caçada... — ela começa, acariciando meu rosto.
— Não entendi: era para eu me sentir melhor com isso, por acaso? — não faz sentido tentar ajudar seu namorado quando você diz que não estava procurando por romance...
— Estava mais interessada no meu irmãozinho, na verdade... — Thalia completa. — Mas ter um envolvimento romântico me fez e faz pensar em certas coisas. — ela continua enigmática, e eu não consigo entender aonde ela gostaria de chegar com esse raciocínio, mas tento acompanhá-lo.
— Posso afirmar que ter sido enviado para uma escola não envolvia romance também. Na verdade, até hoje não sei...
— Não seja bobo, Nico: óbvio que foi Afrodite. — e pelo olhar que ela me lança, eu provavelmente acabara de quebrar sua linha de pensamento — E, de alguma forma, ela convenceu Ártemis a não me punir...
— Ou talvez ela realmente goste de você! — Valentina opina.
— Ártemis desistiu de muita coisa quando resolveu ser uma virgem aos 13 anos imortais, Val... — Thalia se levanta, começando a andar pela cozinha.
— Mas ela conheceu o amor entre irmãs na caçada. E vocês são mais irmãs que as outras jamais seriam... — comento, tentando melhorar o clima que estava se formando.
— Bom, sim, mas isso não é empecilho algum... Na verdade, pensando no que Eros disse, cheguei a uma conclusão meio estranha... Mas que talvez explique algo.
— Ilumine-nos com sua sabedoria, Grace! — peço curioso, e cansado de tentar entender. Nessas horas eu invejava como Eleazar e Lorenzzo sempre podiam saber o que Valentina e Catarina estavam pensando. Eles eram conectados nos raciocínios, mas Thalia e eu éramos melhores em campo, o que não estava tendo nessa missão.
— Ártemis e Apolo sempre foram muito próximos, como gêmeos são, mas a partir dos 13 ela começou a odiá-lo e pediu que Zeus lhe concedesse a virgindade eterna e a capacidade de virar as costas aos homens... E se...
— Ela fez isso porque sentia algo por meu pai e estava se sentindo culpada? Thalia, você é genial! — Valentina grita a interrompendo. — Cathy certa vez deixou escapar que papai talvez sentisse algo proibido, ou que ele considerava proibido, mas ele não é o único...
— Isso explicaria porque Afrodite tem o nome dos dois em uma lista de possíveis casais: ela é a deusa mais velha, desde sempre soube o que aconteceria.
— Ela só não previa que esse sentimento fosse ser usado como uma vingança! — murmuro, quase achando a história familiar ao que acontecera comigo e Thalia no ano anterior. — O que faremos?
— Lutar seria uma ótima opção, mas nossas armas sumiram... Ou estão trancadas no acampamento... — Valentina suspira, esfregando um prato com bastante raiva.
Então me recordo de todas as vezes que Thalia, ainda sem sua memória intacta, me pediu para ir embora antes que sua "tia" voltasse para casa.
— Thalia, com quem você mora? — perguntando, interrompendo seu andar frenético e chamando a atenção de Valentina também.
Thalia se senta novamente, mais séria do que nunca antes. Seus olhos tinham aquele brilho de sagacidade, quase como se um plano estivesse se formando em sua mente.
— Se lembra de quando conversamos pela primeira vez através dos sonhos? Se lembra do que eu pensava? — ela me pergunta, evitando me olhar.
— Você achava que estavam te mantendo ali para ser usada contra nós! — prontamente respondo, ainda horrorizado com tal possibilidade. — O que isso tem a ver?
— Bom... Eu acho que a pessoa que está nos mantendo aqui é a mesma com quem eu moro. — ela solta essa bomba — Ou talvez a pessoa tenha estado ali, ou seja o foco da maldição: só sei que sinto uma grande onda de poder na casa; grande e maligna! Eu senti aegis
Isso nos faz ficar em um silêncio tão profundo que podemos ouvir Catarina e Apolo gargalhando no andar superior. Era um som bom, mas nada real ou natural. Assim como não era natural um semideus estar sem suas armas.
— Vamos! — digo, me levantando subitamente e assustando as duas.
— Aonde? — Valentina questiona, largando o pano de prato sobre a mesa.
— Descobrir o que tem naquela casa, recuperar nossas armas e, se a sorte estiver ao nosso favor, saber quem nos mantém aqui! — revelo o plano. — Não podemos mais ficar de braços cruzados, esperando que nossos amigos lá fora nos salvem. Somos guerreiros também: ta na hora de mostrarmos a que viemos! — discurso, sentindo a adrenalina correr por minhas veias.
O verão estava acabando e não havíamos feito grandes descobertas que nos libertasse dali. Não podíamos nos arriscar mais: se Apolo e Ártemis estavam na lista de Afrodite, com certeza ela sabia como queria trabalhar com eles, e certamente não era com uma maldição a impedindo de checar o trabalho. Não queria imaginar o que aconteceria quando voltássemos e os dois se dessem conta do que andaram fazendo.
— Uau, di Angelo! — Thalia sorri, passando por mim com as chaves do carro na mão. — Continue assim, e ao fim da missão talvez ganhe uma recompensa!
Fico um minuto estático, vendo-a seguir rebolando para onde o carro está estacionado. Aparentemente resquícios da "Thalia da maldição" estavam presentes... E eu não reclamaria de suas propostas.
— Vocês vão vir ou não? Eu não quero dirigir! — Thalia grita, quando já está distante de mim e Valentina.
— Está pronta? — pergunto para a filha de Apolo. Mais do que ninguém, ela estava interessada em acabar com aquilo.
— Thalia, você e eu contra o mundo? Acho que já vi isso antes, e deu super certo! — ela sorri irônica, e pela primeira vez posso ver semelhanças entre ela e Catarina — Vamos recuperar essas armas, e chutar alguns traseiros divinos! — Valentina segue na direção de Thalia, tomando a chave de suas mãos.
Não pude deixar de sorrir: algumas mudanças até que eram bem-vindas!
P. O. V Autora:
Ela estava mais do que arrependida pelo que vinha fazendo, e faria qualquer coisa que pudesse para se redimir disso. Inclusive invadir o chalé alheio e roubar armas especiais.
Havia muitos segredos no chalé sete, entre eles estava a real localização das armas de cada um ali: você poderia estar olhando um violão, e na verdade ele ser um arco composto. Até mesmo alguns filhos de Apolo não sabiam ao certo o que era e o que não era arma, mas ela, apesar de não ser dali, sabia uma ou duas coisas.
Atrás do case de um violino, havia duas caixas de jóias, dignas de gargantilhas, acomodando algo mais valioso do que diamantes. Ali estavam duas das mais poderosas armas do acampamento: uma capaz de salvar qualquer um, outra de matar até mesmo um deus.
Sôter e Skiés, os arcos de Catarina e Valentina, podiam ser muito mais do que armas.
"— Apolo é tão inteligente quanto Atena: ele forjou esses arcos, com a ajuda de Ártemis e Hefesto, a partir de uma das chaves derretidas. E os fez idênticos para confundir aos inimigos. Mesmo que Sôter seja dourado e Skiés negro, as propriedades mágicas deles são idênticas!
— Então, para que entrar...
— Precisa usar os dois arcos para abrir o portal para a maldição. Usá-los ao mesmo tempo.
— Mas isso irá destruí-los...
— Acredite, não irá! — Hécate sorri — Eu mesma fui procurada para impedir que isso acontecesse.
— Como assim?
— Vai descobrir quando os usar!"
Estava tudo pronto para partir: mochila com suprimentos e armas, os arcos apostos, o bilhete de despedida. Mas, pelo visto, nunca seria lido.
— Stephanye? O que está fazendo?
— Consertando um erro, e de quebra salvando meus amigos! — a filha de Íris responde ao namorado, antes de juntar os arcos e criar um portal.
Lançando um último olhar para Will, Stephanye embarcou para a missão que poderia destruir a todos.
Especialmente ela, que devia à deusa por trás de tudo, mas que não impediria Steph de recuperar seus amigos.
Ela lhes devia isso!
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