State Of Dreaming

3 2 - No Dia Mais Claro, Na Noite Mais Escura


Notas iniciais
Eu sei que deveria ter postado ontem, mas eu estou com um crise alérgica horrível, que me faz ter dores de cabeça insuportáveis. Resultado: não consegui escrever. Mas hoje eu me forcei a fazer isso, e aqui vai o capítulo. Ah, e muito obrigada Alasca, pudim, SweetJúlia, daughter of the sun, Pandi e Victoire pelos reviews no último capítulo!!

P. O. V Autora:

— Just own the night, like the 4th of july. — o deus cantarolava, deitado sobre a mureta da sacada de seu quarto. Tinha um binóculo em mãos e ria ao observar os mortais no Central Park.

— Parece que Afrodite liberou a escriba! — não se assustou ao receber companhia, mesmo que fosse inédito tê-la entrando em seus aposentos. Na verdade, a alegria do deus apenas aumentou.

— Fico feliz pela menina: imagina quão perturbador pode ser seguir aquela maluquinha para todos os lados, tomando nota sobre tudo o que acontece ou deixa de acontecer...

— É como ser forçada a ser a Gossip Girl do Olimpo! —a irmã o interrompe, fazendo o que julgou ser um comentário casual.

— Artie, como sabe o que é Gossip Girl? — agora ele estava assustado.

— Bom, eu lido com muitas garotas e as mais novas, principalmente as humanas, gostam de ver esses programas de TV... Eu tenho que ver o que elas estão fazendo e, bem... Eu sou meio curiosa mesmo! — ela dá de ombros, como se não fosse nada demais.

— A Jenny é minha favorita! — os dois comentam ao mesmo tempo, após um momento de silêncio.

No céu, o sol brilhou mais forte através das nuvens, no mesmo instante em que Apolo riu.

— Você parece tão feliz. Por que o dia não está fervendo como sempre? — a irmã se aproxima, debruçando-se na murada, perto da cabeça dos irmãos: desde sempre ela sempre gostou de afagar os fartos cabelos loiros dele.

— Porque estou preparando o dia para a noite mais fria! — ele murmura, fechando os olhos em deleite pelo carinho — Última noite de lua nova.

— Ainda bem: seria terrivelmente irônico congelar hoje, levando em consideração que meu irmão guia o carro do sol! — a ruiva suspira, parando o carinho para fechar o leve casaco que vestia.

Claro que o fato de ela estar sentindo frio o incomodou: era verão e ela estava em seus domínios, que não por acaso eram os mais quentes do Olimpo, com exceção das forjas. Mas também sabia que demonstrar preocupação para com ela era inútil, então engoliu as palavras e pôs-se de pé.

— Por falar em ironias, veja só aquela ali! — ele lhe passou o binóculo, ficando atrás dela para guiá-la ao ponto certo.

Soube pela risada límpida que ela deu que havia atingido o alvo precisamente.

— Isso é tão Cathy! — ela ri ao ver a garota saltitar na entrada do parque, vestindo uma camisa da seleção brasileira.

— Não sei se a parabenizo por usar a camisa da seleção brasileira ou, por usar a camisa 4 da seleção brasileira no dia da independência dos Estados Unidos, no Estados Unidos. — ele ri de sua filha mais nova.

— Você pode tirar uma garota do Brasil, mas nunca vai tirar o Brasil dela! — um sorriso ilumina o rosto da deusa

Apolo estava prestes a fazer algum comentário, ou talvez apenas cantar uma música em homenagem ao país tropical, quando todo o seu corpo ficou rígido e sua mente foi tomada por seus poderes. Ele já não comandava o que via ou sentia, era apenas um mero expectador das visões.

Visões nem sempre são o que aparentam e, nesta, ele aparentava estar feliz como não era há éons. Ele via suas filhas gêmeas andando na sua frente, conversando animadamente como duas mortais comuns; pode sentir um sorriso em seu rosto e também sentia uma mão pequena presa a sua.

— Espero que ela não puxe as irmãs... Ou, se puxar, que seja apenas o lado bom delas! — uma voz límpida riu ao seu lado, e seu sorriso apenas se alargou.

Viu a si próprio virar o rosto na direção da dona da voz, mas antes que tivesse o prazer de ver a responsável pelas batidas errôneas de seu coração, a visão mudou.

Ele estava frente a frente com sua primeira inimiga: Píton! Matara a cobra ao vingar a mãe, e tomara o oráculo para si. Mas a cada profecia — e estas eram muitas —, precisava enfrentar a cobra novamente, lutando pelo controle de seu corpo: era uma luta puramente psicológica, que ele geralmente era capaz de vencer enquanto a cobra sussurrava os versos malditos em sua cara, mas dessa vez ele não tinha tanta sorte.

— Para doze portasss abrir, do sssangue de trêsss nesscessssitará — a cobra sibila em seu rosto, arrastando seu pesado corpo sobre o deus. — A exxilada, o herrrdeiro e a guardiã.

Sua cabeça parecia prestes a explodir, era o que sempre acontecia quando visões e profecias vinham, no entanto esta estava ultrapassando os limites do que ele considerava normal. Precisou reunir todas as forças que tinha para se livrar de Píton e retomar o controle do próprio corpo.

— Apolo, você está bem? O que viu? — sentiu Ártemis afastar seus cabelos da testa, que estava suada.

Pontadas de dor ainda surgiam, levando-o a soltar gritos de pura agonia. Com muita dificuldade, pediu que a irmã o ajudasse a chegar até a cama, onde desabou exausto.

— Ela... Ela estava vencendo, Artie! — lágrimas misturavam-se ao suor em seu rosto.

Não precisava explicar à irmã sobre quem falava: ela era a única, em todo o mundo, que sabia das dores que ele sentia quando as profecias surgiam. A única que sabia do fardo que ele carregava desde muito novo, quando resolveu vingar a mãe.

— Shhhiu, não é real, Apolo! — ela sussurrou, tentando acalmá-lo.

Eram gêmeos, dividiam segredos e angústias, mas dessa vez tudo o que sentiu foi dor: Apolo sofria tanto, que não era capaz de controlar os próprios pensamentos. Ele parecia um humano febril: estava quente e delirando.

Ártemis já vira o irmão sofrer antes, mas nunca vira nada tão sério. Tentando manter o desespero longe, foi até o toalete no aposento do irmão, abriu o armário sobre a pia e pegou uma das inúmeras toalhas brancas que havia ali. Molhou-a com água fria, pondo um pouco em uma bacia e voltou ao quarto. Apoiou o recipiente no criado mudo, e fez Apolo deitar a cabeça sobre suas pernas.

Pôs a toalha sobre a testa do irmão, e não exagero ao dizer que vapor de água escapou da toalha. Quem diria que o corpo de um deus era tão parecido com o corpo de um humano? Apolo estava mesmo com febre?

— Ártemis... — ele suspirou, no que ela julgou ser um sono tortuoso.

— Estou aqui, meu bem! — ela se inclinou para beijar-lhe a bochecha, que também estava quente — Sempre estarei!

P. O. V Aria:

Eu tinha certeza de que nunca mais seria convocada para nada em minha vida, não depois de ter sido acusada de traição e muitas outras coisas de nomes não tão pronunciáveis, mas, como de costume, eu estava errada.

Era de tarde, e eu estava de férias da escola assim como John estava de férias da faculdade. Estávamos juntos em seu apartamento, e eu tentava ensiná-lo a fazer brigadeiro da mesma forma que, há anos, meu primo me ensinara, quando um clarão, que nada tinha a ver com a luz do sol, surgiu.

— Eu surtaria pelo doce, se a situação não fosse tão ruim! — Stephanye suspirou através da mensagem de Íris.

— Steph? O que... Para que...? — eu não conseguia pronunciar as frases corretamente.

Da última vez que vira Steph, eu tinha sido a maior filha da puta de todos os tempos. Havia conspirado com Cupido, apenas por medo de não conseguir detê-lo; eu havia acreditado em um deus com problemas de personalidades ao invés de ter confiado em meus amigos, então eu estava surpresa por receber uma M.I de um deles.

— Antes de contar o porquê de estar aqui, deixe-me dar um breve resumo do que aconteceu após sua partida! — e na rapidez que só ela tem, Steph inicia uma narrativa dos últimos acontecimentos, como o tempo que Cathy e Lorenzzo passaram separados, a OJI, Cathy viajando para Londres, Thalia e Nico dormindo juntos no Natal e Cathy e Lorenzzo fazendo as pazes na mesma época, conselho olimpiano, Zeus descobrindo tudo e Hades o pondo no chinelo.

E então, a parte mais surpreendente da narrativa: o sonho que Valentina teve com minha mãe! Um sonho muito parecido com o meu.

— Steph, eu também tive um sonho desses! — murmurei, puxando de dentro da camisa o cordão, cujo pingente era uma chave.

— Aria, precisamos unir forças! — ela diz, aflita. — O oráculo a chama!

— Como assim o oráculo me chama? Ele recitou alguma profecia?

— Hoje, Eleazar, Valentina e os outros foram para o Central Park, comemorar o aniversário de namoro dos dois e para ver a parada que teria por ali; porém algo deu errado e eles correram de volta para o Acampamento. Nesse meio tempo, Rachel teve uma espécie de mal estar ou algo do gênero...

— Sim? — a incentivei a continuar, segurando no braço de John para não desmaiar.

— E quando, enfim, começou toda aquela parafernália de fumaça verde, e mudança de voz, ela recitou apenas dois versos antes de desmaiar.

— E quais foram? — John perguntou

— Para doze abrir, do sangue de três necessitará. A exilada, o herdeiro e a guardiã... E foi nesse ponto que ela desmaiou, como se fosse um brinquedo com defeito.

Precisei puxar uma cadeira para me sentar! Eu conhecia aqueles versos, de alguma forma eu conhecia aquelas versos, como se fossem parte de um sonho muito antigo ou de um livro há muito lido e esquecido.

— E, Aria?

— O que mais? O que mais aconteceu, Stephanye? Eu exijo que me conte! — eu não estava em posição de exigir coisa alguma, mas por mais errada que eu estivesse no passado, eles ainda eram importantes para mim.

— Eles não conseguiram chegar a tempo no Acampamento! — agora lágrimas escorriam pelo rosto dela — Eleazar não conseguiu salvar as meninas!

E foi então que toda a confusão e desconfiança sumiram! Ela não se referia à Valentina ou qualquer uma de minhas amigas; as meninas só podiam ser minhas primas, duas crianças que seriam obrigadas a enfrentar seja lá o que for.

Antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, desfiz a M.I e encarei John.

— Você não sabe se é de você que a profecia fala! — ele começou, temendo estar certo sobre seus pensamentos.

— John, o sonho de Valentina foi igual ao meu, a profecia falou sobre uma exilada e o mais importante: meus primos estão correndo perigo! — fechei os olhos, soltando um longo suspiro — Eu tenho que ir!

Senti seus olhos em mim, como se não acreditasse no que via em sua frente. Sabia que ele se oporia com todas as forças, ou que se ofereceria para ir, mas aquela era uma missão minha.

Atena havia dito em sonho: todas as suas filhas, uma hora ou outro, precisavam provar seu valor. E a minha hora chegara.

— Você não vai me ouvir se eu disser para não ir!

— E nem vou deixá-lo ir comigo! — esclareci, antes que ele sugerisse — John, eu tenho que fazer isso e preciso de seu apoio; preciso de você aqui para ajudar meu pai a tranqüilizar tia Fleur. Alguém sadio para entender cada mensagem que eu for capaz de enviar.

Ele olhou em meus olhos uma última vez antes de puxar-me para seus braços e me contemplar com um beijo sôfrego. Seus lábios tinham certa violência, expressando muito bem o desespero que ambos sentíamos.

— Tente voltar viva para mim! — ele murmurou ao me soltar

— Eu...

— Vá logo, Aria, antes que eu me arrependa disso e a prenda comigo para sempre! Salve nossos amigos e volte para mim: eu estarei esperando! — ele se afastou, dando-me passagem.

Já era tarde, a noite vinha caindo escura e fria para um verão, e eu corria de meu porto seguro. Eu corria para a redenção!

Notas finais
E então? O que acharam? Me contem pelos comentários, me xinguem e me ameacem - só não me matem, porque eu preciso continuar, né? Espero vê-los nos reviews!! Beijoos e bom carnaval!!