State Of Dreaming

19 18 - Passo Perigoso


Notas iniciais
Já ta ficando imperdoável demorar tanto pra postar? Porque eu realmente sinto muito por demorar tanto, mas é como eu disse à Ju (aka speedy): to com um bloqueio do tamanho da muralha da China. Enfim consegui escrever algo e estou aqui postando. Muito obrigada a Kate Odair Di Angelo, daughter of the sun e speedy pelos reviews no capítulo passado. Mais uma vez me desculpem pela demora e espero que gostem do capítulo.

P. O. V Autora:

Era uma foto extremamente bela, mas talvez fosse porque nela estavam eternizadas pessoas que ele amava. Suas duas filhas e sua falecida esposa sorriam para ele através das lentes; era época do Mardi Gras, e ele se lembrava como se fosse hoje como estavam animadas... O quão animado ele estava, sem saber da tragédia que se seguiria.

Mas não havia como ele saber, afinal, não era como se ele pudesse prever o futuro ou algo do tipo...

— Elas parecem com a mãe... Embora tenham seus olhos! — Apolo é despertado de seu silêncio saudoso por Ártemis, que lhe sorria levemente.

Havia horas que ela saíra quase fugida da casa; as filhas estavam agindo de forma curiosa, e o estranho amigo de Valentina saíra pouco tempo depois, murmurando sozinho e limpando as lentes dos óculos. Para Apolo sobraram apenas seus pensamentos torturados e uma caixa de lembranças.

— Elas só não parecem mais com Melissa porque puxaram muita coisa de mim! — ele sorri, devolvendo a foto ao álbum. — Está tudo bem, Artie? Você parecia um pouco chateada...

Se ele mudasse a palavra chateada para confusa, acertaria na mosca: após sua conversa com a senhorita Beaumont, Ártemis aproveitou para andar pelo French Quarter, tentar distrair sua mente ao ver os artistas de ruas ou os turistas, e estava se saindo bem nessa "missão", até ser surpreendida por uma senhora de olhos leitosos, tomados por cataratas.

— Precisa parar de enganar a si mesma, querida! — ela sussurrou energicamente, olhando para a ruiva como se enxergasse sua alma. — Vem se enganando a mais tempo do que parece ter de vida, e enquanto isso não parar, jamais estarão em equilíbrio. Você pode lutar contra tudo, exceto contra a mais antiga das forças, querida caçadora.

— Ártemis? Você está bem? — e subitamente, Apolo a está segurando pelos braços, evitando que ela caia.

— O que... O que aconteceu? — ela pergunta ao ser sentada na poltrona em que ele estava.

— Você ficou pálida de repente e começou a vacilar... Estava bem perto de cair! — o médico explica, ajoelhando-se na sua frente, como se ela fosse sua paciente e não ao contrário. — Aconteceu alguma coisa?

Muita coisa acontecera. Se houvesse uma mulher que fosse imune à beleza de Apolo, precisariam estudá-la; Ártemis não era indiferente ao charme de um de seus superiores, mas jamais achou que um beijo a mudaria tanto. Não apenas se sentia errada ao falhar com o código de conduta, como também se sentia confusa sobre si e sobre ele. Não tinha muito tempo desde que tudo aconteceu, mas pesadelos a torturavam, medo de que brigas surgissem também; e agora, avisos de bruxas desconhecidas do French Quarter.

As mulheres, de diferentes idades, a cercaram no meio da larga rua, falando todas ao mesmo tempo, tão rápido que ela mal conseguia acompanhar.

— A morte nos aguarda agora que o senhor da luz está preso;

— Fuja dos conselhos da discórdia.

— Quem não ama vai destruir todos aqueles que você ama.

— Pare de lutar e aceite quando for a hora certa!!

Ártemis se encontrava em total desespero, tentando escapar de uma roda que só aumentava. Estava prestes a se encolher no meio do grupo quando uma voz masculina se fez ouvir sobre a barulheira e ela foi puxada de lá até um bar próximo.

O lugar era aconchegante, com seus bancos altos de madeira polida e escura, um bar enorme e bem servido de todas as bebidas que ela conseguia lembrar.

— Está tudo bem com a senhora? — o rapaz, talvez uns 10 anos mais jovem, pergunta.

— S-sim! — ela consegue gaguejar antes de aceitar a água com açúcar que lhe foi entregue.

— As bruxas do French Quarter levam seu título a sério demais... — o jovem resmunga, sentando-se na frente dela, permitindo-a encarar olhos castanhos-esverdeados emoldurados por grossas sobrancelhas castanhas. — Elas vivem me dizendo que preciso me libertar e assumir meu verdadeiro eu... Mas esse sou eu: Lorenzzo D'Anibale, 19 anos, dono de um bar... Presente da família, eu acho! — dá de ombros, parecendo descontraído — E você? Quem é ou precisa deixar de ser?

— Ártemis Melzedeck, 33 anos, enfermeira em tempo integral, caçadora nas horas vagas! — ela responde um pouco mais calma — Mas não vou abrir mão de quem sou, mesmo que... Enfim... — ela se ergue da banqueta em que estava, indo até a porta, coberta por persianas escuras — Elas ainda estão lá fora...

— E ficarão enquanto eu morar e trabalhar aqui! — Lorenzzo suspira. — Sorte sua que eu tenho uma ideia...

— Então, você chegou aqui depois de fugir com o dono de um bar? — Apolo ri ao ouvir a história de Ártemis.

— E estranhamente ele sabia muito bem o endereço daqui: chegamos muito rápido...

— Acho que não deve ter muitas fazendas de gado em Nova Orleans... — o loiro sorri, tentando evitar pensar que, talvez, o tal dono de bar fosse exatamente o tipo de “amizade” que sua filha mais nova teria.

— Bom... Você tem razão! — ela dá de ombros e o assunto se encerra ali, por mais que ambos quisessem continuar a conversa.

Apolo estava aliviado por Ártemis ter voltado: a presença da ruiva o acalmava, e até mesmo parecia acelerar o processo de cura — ele já conseguia andar sem precisar de muletas, sua memória parecia estar voltando assim como sua fala estava mais desenvolvida. Apolo se sentia ele mesmo de novo.

— Eu pensei que você estava indo embora! — confessa o homem, extravasando seus pensamentos mais profundos.

— Eu pensei em ir... — Ártemis sussurra baixo, envergonhada talvez.

— Por que nos beijamos? — Apolo pergunta, sorrindo ao ver as bochechas rosadas de sua enfermeira.

— Si-sim! É errado, sabe: você é meu paciente... Pelo menos é no momento; na maior parte do tempo é meu chefe, mesmo que não tenhamos trabalhado juntos. — também era errado ela sonhar que está transando com ele, mas não era como se ela pudesse controlar o subconsciente.

Freud explicaria isso, com certeza!

— Não quer dizer que eu nunca tenha te visto por lá... — confessa — Muitos colegas nossos têm casos... — inclusive ele mesmo, pensa Apolo.

— Acredite, eu sei! Fica um bafafá no vestiário das enfermeiras... Não quero fazer parte dessa fofoca toda! — embora ela confessasse: gostava sim de ouvir as histórias contadas.

— Deixe-me ver se entendi: seu único problema é que você ta trabalhando pra mim? Se não fosse isso por isso, o que faria?

— Seguiria meus instintos. — ela responde rapidamente. Todos seus instintos mandavam calá-lo naquele momento e beijá-lo.

— Maravilha! — o loiro sorri, encarando-a de perto — Senhorita, você está despedida!

— O quê??? — a mulher não poderia estar mais chocada... Exceto, talvez, se soubesse o que estava por vir.

— E acaba de ganhar um encontro. Hoje, às 8 horas. — seus lábios roçam sobre os dela — Não se atrase: estou ansioso para ver seus instintos em ação. — e antes que Ártemis pudesse ter qualquer reação, Apolo se afasta, sorrindo maliciosamente.

Mal sabiam eles, mas enquanto os dois comemoravam secretamente seu encontro, outro alguém em Nova Orleans comemorava a guinada em seu plano maléfico.

Notas finais
Sobre o nome do Lorenzzo: como estou reescrevendo as histórias anteriores, achei adequado mudar o sobrenome dele e deixar il Magnifico ser o sobrenome de trabalho da mãe dele (para quem não lembra, ela é modelo). Então, vamos interagir? O que vocês acham que Apolo deve aprontar para o encontro? Espero por suas respostas!! Beijoos. P.S.: não vou dizer quando voltarei, pois o bloqueio ainda continua.