State Of Dreaming
16 15 - Acontecimentos Estranhos
Notas iniciais
P. O.V Thalia:
A parte boa de namorar gente inteligente é que a rapidez com que eles entendem as coisas te poupa muito tempo de explicações. Estava na cara de Nico que ele entendera quem eram os inimigos potenciais de Apolo e Ártemis, e que muito provavelmente um deles, ou talvez um grupo deles, era responsável pela maldição.
Deuses, eu sentia falta dessa sincronia que tínhamos!
— Por que não pensamos nisso antes? — ele pergunta, não sei se para mim, ou a si próprio.
Era realmente algo óbvio: “tem dois deuses sem memória comigo, claro que a culpa de tudo é deles e de seus egos inflados!”... Mas não era tão simples assim, e eu entendia: embora estivesse vivenciando àquilo de maneiras diferentes — eu estava fisicamente lá e duplamente emocionalmente: uma como a Thalia versão maldição, que sentia que conhecia Nico de algum lugar, e como eu, a Thalia que de fato conhecia-o e o amava mais do que julgava normal —, eu achava desesperador o modo como não nos reconhecíamos e como tudo parecia errado. O meu eu aprisionado neste quarto sentia vontade de bater e gritar para que eles acordassem, mas nenhuma voz saía.
Era como estar preso em um robô, vendo tudo, manipulando o corpo, porém sem de fato se expressar. Eu via tudo e queria dizer-lhes que estava ali, mas não conseguia!
— Não se culpe, amor! — tranquilizo-o, segurando seu queixo para que me encarasse — Isso tudo é muito confuso: mesmo as coisas mais óbvias acabam se perdendo na nossa frente! Eu só tive muito tempo para pensar mesmo... Não é como se eu tivesse muito que fazer, de qualquer forma! — tento não soar triste, mas ele me conhecia bem demais para que eu conseguisse mentir.
— Queria que tudo acabasse logo, para que eu pudesse te tirar daqui! — Nico suspira, encostando sua testa na minha
— E para onde você me levaria? — sorrio, tentando descontrair a situação.
— Qualquer lugar que você quisesse ir, exceto Vegas: acho que já passei tempo de sobra por lá! — ele sorri, e mesmo que não fosse como aqueles sorrisos extremamente felizes de antes, já é o bastante para me acalmar.
— Se você me levasse apenas em um barzinho qualquer, e ficasse abraçado comigo, eu já seria a garota mais feliz do mundo! — sussurro, inclinando-me para beijá-lo nos lábios.
E beijá-lo foi como ver tudo mais claro, foi muito além de sentir suas mãos me apertarem de encontro a ele, ou sentir sua língua explorando cada milímetro de minha boca; foi me sentir querida, amada, sentir que a falta só dói quando temos de volta e sabemos que perderemos de novo.
— Eu te amo! — sussurrei, não porque palavras eram necessárias, mas porque eu precisava dizer. — Eu te amo, Nico di Angelo! — e amava o nome dele também, mas isso eu não precisava dizer.
— Thalia Grace, eu acho que não saberia não amá-la! — ele devolve, rindo sob meus lábios.
Entrelacei minhas pernas ao redor de seu quadril e os braços ao redor de seu pescoço: eu não queria deixá-lo ir. Não queria ficar sozinha de novo! Que se fudesse a missão, a maldição e a profecia! Que Eros se fudesse junto com seus erros...
Eros...
— Nico, o anjo ao anjo ajudará! — murmuro de repente, me afastando de súbito. — É isso!
— Isso o quê, Thalia? — Nico parecia confuso, e era de se esperar.
Se como a anjos, a profecia se referia a Nico e a Eros, e ela dizia que de fora para dentro e de dentro para fora o anjo ao anjo ajudará, isso significava que o auxílio seria mútuo! Nico ajudaria Eros, mas Eros também ajudaria Nico!
— Entendeu? Você precisa encontrar Eros, e rápido! — explico-lhe, já um pouco mais disposta a deixá-lo ir. — Precisa encontrá-lo, e pedir que ele lhe ajude também!
— Eu não posso falar com ele, meu amor! Eros não pode “entrar” na maldição!
— Mas você pode se comunicar com quem está do lado de fora, e pode pedir que essas pessoas se comuniquem com Eros!
— Em que exatamente ele poderia nos ajudar, Thalia? Não é como se ele fosse nos dar uma arma poderosa que destruísse maldições alheias...
— Ah, mas ele pode te dar uma arma muito poderosa, que enfraquece qualquer vilão... Nós somos a prova disso, afinal sobrevivemos a Cupido! — dou as dicas do que pode ser e espero que ele entenda.
Se ele estivesse emocionado demais pela minha presença, eu até entenderia — e me sentiria lisonjeada —, agora, se ele estivesse apenas ficando lerdo como Percy... Teríamos uma séria conversa quando tudo voltasse ao normal.
— Acho que encontrei um “método de vingança” que seja bom! — felizmente ele sorriu.
— Graças aos Deuses você entendeu! — joguei as mãos para cima antes de apertá-las contra seu rosto. — Sentia falta de nossa sintonia...
— Se meu plano der certo, você não vai sentir mais!
P. O.V Autora:
Thalia, tão inteligente... Seu plano era digno de uma filha de Atena, mas creio que seus anos de amizade com Annabeth tenham lhe proporcionado isso...
Mas não vamos apressar as coisas, certo? Contar essa história de forma rápida apenas confundiria a cabeça de todos, inclusive a minha. — para isso eu já tenho Afrodite me fazendo anotar cem diferentes casais por dia. —, então vamos desacelerar respirar fundo e contar o que aconteceu depois que Valentina e Catarina flagraram Apolo e Ártemis se beijando.
Obviamente as gêmeas e o amigo à tira colo — também conhecido como Nico — notaram o clima estranho entre a enfermeira e Apolo. Eles costumavam estar sempre conversando sobre algum avanço da medicina, ou rindo sobre alguma lembrança distante que Apolo tivesse das filhas, porém, naquela manhã, eles estavam mais estranhos do que Nico e Valentina ficavam quando tentavam esconder tudo o que sabiam.
Pela mente da ruiva, apenas a culpa se passava. Sempre fora a mais ética entre suas companheiras de equipe: não fazia amizades muito longas com seus pacientes, não falava de sua vida pessoal, não se deixava envolver empaticamente com quem cuidava. Até conhecer Apolo...
Sim, ela já ouvira falar do doutor — como não ouviria, quando todas as enfermeiras queriam uma chance de trabalhar com ele, dormir com ele ou qualquer coisa que o loiro quisesse fazer com elas —, mas nunca tivera a oportunidade de conhecê-lo: seus horários eram diferentes, e ela nunca era escalada para a equipe dele, o que jamais lamentou. Estava ali para trabalhar e salvar vidas, não para suspirar por um médico qualquer. Entretanto, no momento em que foi posta para supervisioná-lo, conseguiu entender tudo o que as amigas queriam dizer.
“— E é tão triste vê-lo ali, sob um monte de tubos, levando uma semi-vida! — ela suspirara para o “irmão”.
Não eram bem irmãos, mas sim vizinhos e ela o conhecia desde que nascera. Ela havia se mudado há tempos, mas ainda o tratava como irmão mais novo... As pessoas pareciam acreditar em tal coisa: se pareciam, afinal de contas. Quantos ruivos pode se encontrar em Nova Orleans?
— O doutor Reymond sempre me pareceu cheio de vida, mesmo que seus olhos só nos mostrassem tristezas... — Eleazar concordara. Ele fora visitar Valentina, a babá de Isabella e Olivia. Ártemis soube que os dois haviam discutido e ele mandara a garota embora... Parecia arrependido.
— Eu não deveria estar pensando nele dessa forma... Não deveria mesmo! — ela suspirara, horas depois, quando se viu só”
Ainda concordava com tal pensamento... Mas talvez discordasse caso soubesse o que o doutor pensava.
O loiro pensava que nunca mais sentiria seu coração bater descompassado depois que sua esposa morreu. Ele amava a mulher e jurou que uma parte de si morrera junto com ela, porém, quando viu o sorriso luminoso de Ártemis pela primeira vez, ainda nos corredores do hospital, antes do acidente, tudo mudou. Ele lembrava vagamente de tê-la visto algumas vezes, sempre acompanhada de outras enfermeiras ou até mesmo da diretora do hospital, mas nunca tivera coragem de lhe dirigir a palavra: a ruiva parecia sempre tão altiva e diferente dele... Não imaginava que o destino daria um jeito de surpreendê-lo e colocá-los juntos, em tal situação... Apolo costumava pensar que, se a sorte sorri para você, você deve sorrir de volta.
E foi o que ele fez naquela noite, enquanto lavavam louça. Ele se sentiu tonto e sua adorável enfermeira o agarrou antes que ele caísse, segurou-o bem perto dela, ficando de costas para a pia e de frente para ele.
— Desculpe-me, Ártemis! — ele suspira, apoiando-se na pia.
— Tudo bem, Apolo! É normal que se sinta tonto agora que voltou a andar... Seu corpo ainda não está 100% pronto para aventuras como lavar a louça! — ela o tranqüiliza, abrindo um sorriso para ele, acariciando seus braços com as mãos pequenas.
— Ou talvez seja uma mensagem subliminar me dizendo que não nasci para lavar louças... Deveria perguntar à minhas filhas a quantidade de louças que já quebrei... Tenho quase certeza de que serão muitas! — ele ri, por mais que sua fala não fosse a mais engraçada de todas.
— Você tem talentos... Mesmo que lavar louças não esteja entre eles. — ela ri também.
Riem juntos, como se tivessem ouvido as histórias mais engraçadas do mundo, porém mal sabiam que estavam agindo como adolescentes: riam de nervoso, pois sabiam o que viria a seguir.
Seus olhares se cruzaram, quando Ártemis parou de rir ao ouvir o silêncio ao seu redor e abriu seus olhos para ver um Apolo encará-la extasiado.
— O que foi? — ela pergunta calmamente.
— Você! — ele suspira, erguendo uma das mãos até o rosto sardento, capturando uma lágrima que escorria pela bochecha.
— Eu? — gagueja de nervoso.
— Você é tão linda, Ártemis! Linda por inteiro!
Foi como se nunca tivessem experimentado um beijo, pois a força que os atingiu foi arrebatadora. Era como matar a fome, sentindo o coração golpear o peito como se precisasse sair e gritar o que sentia; sem contar na urgência com que os lábios se moviam, devorando-se, provando do sabor um do outro.
— Ártemis? Ártemis? — Valentina passava a mão em frente ao rosto da ruiva, preocupada com o olhar perdido dela. — Você está bem?
— Uh? Hã, sim, estou! Bem! Ótima! — ela murmura, rápido demais. — Vocês pretendem sair de casa hoje?
Os três adolescentes se entreolham, desconfiados, tentando descobrir qual mentiria.
— Não! — os três respondem, se surpreendendo.
— Ótimo! — a ruiva então se levanta, limpando os lábios. — Preciso ir até o hospital... Preciso conversar com a diretora, passar relatórios, você entende, não é? — e a última pergunta foi direcionada a Apolo.
O homem apenas movimenta a cabeça afirmativamente, sem mencionar uma única palavra.
— Vou tentar não demorar, crianças! Qualquer coisa é só me ligarem! — e antes que alguém pudesse dizer algo, Ártemis já havia saído pela porta da cozinha.
Os quatro, que permaneceram sentados, trocaram olhares, tentando entender o que estava acontecendo. Claro que as gêmeas sabiam o porquê de toda a agitação da ruiva, mas não pretendiam mencionar tal coisa ao pai: preferiam que ele lhes contasse o que acontecera.
— Sem querer ser chato, mas alguém entendeu o que aconteceu? — é Nico quem quebra o silêncio, notando a tensão na pequena família.
— O dia que alguém entender às mulheres, por favor, me avise! Com licença! — Apolo se levanta, seguindo para a varanda.
Louças não faziam parte de um destino feliz para ele... E, pelo visto, Ártemis também não!
P. O. V Aria:
— Como estão as coisas aí?
— Complicadas... Demais para explicar assim... E eu não quero arriscar te trazer para cá! — suspiro.
Estava conversando com John por mensagem de Íris. Eu sentia falta dele como nunca na vida, especialmente porque ainda não confiavam em mim por ali — e eu jamais os culparia por isso: eu dissera que lutaria para proteger Thalia e Nico, mas quando as coisas ficaram difíceis, fui a primeira a abandoná-los... O Acampamento não perdoa desertores tão fácil assim...
— Não concordo com isso, nem entendo, mas vou respeitá-la! — ele respira fundo, coçando os olhos verdes
— Como estão as coisas por aí? — pergunto, tentando conter o choro que subia por meu peito.
— Difíceis! — ele suspira — Sua tia não sai mais da cama... Só fica lá, agarrada com coisas que pertencem aos seus primos, enquanto seu pai se divide em gerenciar o hotel e cuidar dela... E eu, bom, eu tento ajudá-los como posso, mas não tenho idéia do que fazer!
Queria dizer que sentia muito, ou que também não sabia o que fazer, porém tinha noção de que confessar tal coisa apenas pioraria tudo: nossas esperanças já eram pequenas e eu não precisava diminuí-las mais ainda.
— Diga... Diga que meus primos estão bem, John! — conto — Gregory os viu... Viu Eleazar, pelo menos, e ele está bem! Vamos achá-lo! Vamos achar todos!
— Ótimo! Por que eu realmente adoraria saber que história é essa de minhas primas estarem em perigo e ninguém ter pensado em me avisar!
— Falo com você depois, Aria! Pelo visto você tem muito que resolver! — e John desfaz a mensagem antes que eu peça para que espere.
— E então... Vai me responder ou não?
Respiro fundo, virando-me para a dona da voz. Eu esperava tudo, exceto a cena que vi; cena que confirmou o quão estranho aquele verão estava sendo: na minha frente, Claire me encarava com os olhos vermelhos de tanto chorar.
— Onde estão minhas primas, Aria? — ela exige saber.
E eu adoraria ter lhe respondido.
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