State Of Dreaming

15 14 - Esclarecimentos


Notas iniciais
KATE ODAIR DI ANGELO, SUA LINDA, OBRIGADA PELA PRIMEIRA RECOMENDAÇÃO!! Sério, eu amei e ela chegou em um ótimo momento!! Esse capítulo é totalmente em sua homenagem! Obrigada a todos que têm lido e comentado!! Espero que gostem desse capítulo aqui...

P. O. V Autora:

Valentina nunca fora do tipo de garota que tinha insônia! Na verdade, nos bons tempos — aqueles antes de descobrir que era semideusa, ou antes, de embarcar em alguma missão —, ela costumava dormir bem cedo quando não tinha nada para fazer ou festa para ir. Porém naquele dia, ela não conseguia fechar os olhos.

Lembrava-se de que certa vez, ainda na Yancy, Cathy tinha discutido com Apolo. Ela perguntara o porquê à irmã que lhe explicara, cheia de enigmas, que a culpa era da falta de fé no amor.

“— Eu entendo que ele tenha pavor... Eu também teria, se meu interesse amoroso tivesse preferido se transformar em árvore ao invés de ficar comigo... Ou se me julgassem por eu ter gostado de alguém do mesmo sexo... Mas jamais desistiria do amor: é nossa maior dádiva! — Catarina argumentara, andando de um lado para o outro em seu dormitório.

— Cathy, nossa mãe partiu o coração dele... Talvez ele ainda não tenha superado! — Valentina tenta aliviar para o lado do pai, visto que nunca o defendeu muito.

Costumava era culpá-lo antes de entender toda a complicada trama de sua vida...

— Não é sobre isso! Ele ainda não superou isso, verdade! Vai ser uma marca eterna na imortalidade e no ego dele: “Olhem pra mim, eu sou o grande e gostosão Apolo. Nenhuma mulher resiste a mim... Oh, não, eu fui traído e trocado por Tânatos” — a encenação da irmã foi hilária, e elas riam com vontade, até que um trovão estremece todo o prédio — Você sabe que é verdade, papai!

— Então, se Melissa não é a culpada... Quem é?

— Queria poder te dizer, maninha, queria mesmo! Mas nem ele percebe que a ama! E se eu dissesse quem era, certamente papai esqueceria que me ama e me mataria por calúnia.

— É tão ruim assim?

— Não tenho muita certeza... Se eles fossem humanos, seria muito errado, mas são deuses! Não é como se tivessem sangue ou DNA!”

Agora tudo fazia sentido: Catarina, com sua sagacidade, percebera há tempos de quem o pai delas gostava, mas não podia fazer nada: Apolo, que passava tanto tempo entre os mortais, achava seus sentimentos errados e fazia de tudo para liquidá-los... Conseguia transformar tudo em amor fraternal.

Estava mais do que claro que aquela maldição era uma retaliação contra Apolo. E quem quer que a tenha conjurado, sabia dos sentimentos secretos dele por Ártemis!

O beijo que o pai dera em Ártemis fora tão lindo de se ver, que quase fez Valentina desistir da idéia de levar todos de volta para casa!

— Ei, você viu como a lua tá linda hoje? — Catarina abre a porta de seu quarto, tirando-a de suas lembranças.

Ela estava de costas pra porta, o que lhe deu tempo suficiente para se controlar antes de se virar para a irmã.

— Em qual fase estamos?

— Cheia! E está muito bela! — a irmã caminha até a janela, sentando-se no parapeito — Acho que tem um eclipse vindo por aí...

Eclipse, lunar ou solar, era o momento em que Apolo e Ártemis entravam em sintonia completa. Para os humanos, um lindo espetáculo. Para os dois, uma união!

Valentina tinha medo do que aquela reunião poderia significar ali!

P. O. V Nico:

Valentina me pedira que a guiasse pelo mundo dos sonhos, mas após procurá-la incansavelmente através dos sonhos, deduzi que ela não dormira. Eu já sentia meu sono acabando, então resolvi tentar algo antes de acordar.

Eu já fizera a mesma coisa há anos, mas na época ela não fora tão receptiva como estava sendo agora.

— Eu pensei que nunca viria! — Thalia sorri quando entro em um quarto ricamente mobiliado.

— Como é?

— Eu fiquei me perguntando quando você me procuraria em sonhos, ou lá em Nova Orleans, mas você tem sido um péssimo namorado, Nico!

— Espere: você... Você lembra? — eu pergunto surpreso.

— Aqui eu lembro muito mais do que lá, mas talvez você possa mudar isso! — ela se aproxima e ergue o braço esquerdo na minha frente — Meu escudo sumiu, di Angelo!

— To sentindo que esse não será um reencontro romântico... — suspiro — Pelo menos me deixe expressar o quão feliz estou por te ver!

— Meu amor, você não precisa pedir... É só fazer!

— Ótimo! — aproveito o braço erguido em minha frente e a puxo para perto, tomando seus lábios nos meus desesperadamente.

Thalia ri enquanto me beijava, como se estivéssemos curtindo o verão no Acampamento, e não no meio de uma maldição. Sua língua passeava por minha boca de forma que eu gostaria que fosse real e eu pudesse passear minhas mãos por seu corpo por tanto tempo quanto quiséssemos... Mas aquele era o tal “Estado dos Sonhos” e tudo era limitado, e nem sempre era real.

— Eu pensei que nunca mais sentiria você! — sussurro para ela, olhando seus lindos olhos.

— Você até pode sentir... Embora eu não tenha a mínima idéia de como meu eu naquela confusão toda vai se comportar... — ela comenta, me puxando para sentar ao seu lado na cama.

Olhei melhor ao redor, e me senti preso em algum conto de fadas moderno, onde a Rapunzel não tinha o cabelo tão longo e tampouco era loira, mas sim morena, com lindos olhos azuis e um instinto incrível: o quarto tinha uma cama de dossel dourado, com cortinas e colcha alvas, havia duas cadeiras decorativas de estofados azul oyal, uma penteadeira enorme e lotada, além de uma lareira confortável, cercada por três “divãs”...

— Se perguntando por que estou aqui? — como de costume, Thalia parece ler minha mente.

— Exatamente... E também como consegue se lembrar das coisas... — murmuro, ainda espantado.

Pelo que Valentina lera no bilhete de Eleazar, ele, Catarina e Lorenzzo estavam presos em uma estrada sem fim... Enquanto isso, Thalia estava ali, na vida mansa...

— Eu não sei por que estou aqui, mas acho que sei o porquê de me lembrar de tudo... Lembro das coisas que fazíamos antes dessa maldição, e me lembro de tudo o que fazemos em Nova Orleans... Aliás, muito obrigada por ter ficado comigo lá: eu estava aterrorizada! — ela confessa, e cora: Thalia odiava se sentir impotente, e estar naquela situação de ver tudo e não poder reagir, devia ser horrível!

— Eu sempre vou ficar com você: quer você lembre, quer não! — a trago para perto, sentando-a em meu colo: eu não teria aquilo para sempre, mas aproveitaria cada segundo. — Nós não somos os únicos que lembramos, Lia: Valentina lembra de tudo, e está tão envolvida na profecia quanto eu!

— Recite-a para mim! — ela ordena e eu prontamente cumpro, dizendo verso a verso o que o livro revelara. — O Anjo ao anjo ajudará... Imagino que desses anjos seja você, certo?

— Acho que sim... Se o outro anjo for Eros, então é exatamente isso! — suspiro, me deixando cair de costas sobre a cama — Eros fez algo errado enquanto tentava ajudar Afrodite, e eu preciso ajudá-lo a se livrar do problema antes que seja tarde demais...

— Você sabe qual é o problema? — ela ergue uma sobrancelha, encarando-me de cima.

— Não tenho a menor idéia! Para ser bem sincero com você, eu ainda estou confuso quanto ao que está acontecendo... Mas, esqueça minha confusão: por que você acha que se lembra das coisas? Temos pouco tempo para tudo por aqui...

— Somos filhos dos deuses mais poderosos! Eu sou filha do deus mais foda do Olimpo... Pelo menos ele se acha foda, e tem uns poderes e tanto, além de ser o rei da porra toda!

— Que falta eu senti desses palavrões! — murmuro, pondo uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, deixando minha mão deslizar pela lateral de seu pescoço. Sinto-a se arrepiar toda sobre mim.

— Eu acho que talvez isso, além de sua tentativa de me tirar daquele carro, e o fato de você quase ter conseguido, me ajudam a ter algumas regalias nessa maldição... Ou, eu posso ser uma peça chave da maldição e quem quer que a tenha lançado pretende me usar contra vocês! — Thalia diz com naturalidade, como se tivesse me dando duas opções de pizza para escolher, o que só me deixa ainda mais apavorado.

Eu já a perdera para a maldição, de certa forma, e saber que tentariam usá-la contra mim... Que essa possibilidade existia... Isso me assustava e me enchia de raiva de forma proporcional.

— E tem mais! — ela me traz de volta a discussão — Quando saímos do acampamento, cada um levou uma arma, certo?

— Sim! Eu consegui, enfim, uma bainha para minha espada; você estava com Aegis, Cathy com as facas de caça, Lorenzzo não anda sem sua lança, e Valentina...

— Valentina não levou Skiés... Ela não gosta de usá-lo por aí, tem pavor de carregá-lo, então, obviamente, ela deveria ser a única desarmada, certo?

— Certo!

— Você tem visto sua espada, Nico? E pense na arma, e não em outra coisa... — ela alerta, automaticamente me fazendo ter pensamentos maliciosos.

Se eu precisasse embainhar minha espada naquele momento, a culpa seria dela!

— Agora que você tocou no assunto... Acho que não a vejo desde que saí do carro de Lorenzzo...

Quando Eros me mandou para onde os outros estavam — acho que ali era o Reino da Discórdia que a maldição citara —, eu fiquei completamente preso aos dilemas que Valentina estava vivendo, e tentava ajudá-la a entender o que estava acontecendo. Entretanto, depois de 45 dias, eu realmente não me lembrava de ter a espada... Era como se ela tivesse sumido no momento em que fui transportado.

— Nossas armas são nossas histórias: cada glória, cada luta estão nelas. Acredito que parte de nosso poder também está lá! — Thalia conta sua teoria — Acho que, a pessoa por trás disso, atraiu nossas armas, ou as tirou de nós antes de nos colocar em “nossos lugares”... Tive bastante tempo para pensar nisso, e acho que se estivéssemos em posse de nossas armas, teríamos algo que nos conectaria com nossa herança imortal, vamos dizer assim, algo que...

— Algo que poderia nos ajudar a lembrar! — completo, entendendo seu raciocínio.

— Sim! — ela concorda — A pessoa por trás disso é bastante sagaz para reparar nisso... Provavelmente deve ser alguém que irritamos muito, ou que um de nós irritou e estamos todos pagando por isso...

— Thalia... Você reparou em quem está por lá também? Além de nossos amigos? — questiono, recebendo uma resposta negativa — Seus irmãos, Lia... Apolo e Ártemis estão por lá conosco!

Poucas coisas pareciam assustar Thalia Grace, e eu viveria para repetir tal verdade, mas a notícia de que os gêmeos estavam ao nosso lado a deixou de olhos arregalados e ofegante, como se tivesse corrido uma maratona.

— Isso muda tudo, Nico!! Fudeu legal essa porra! — ela grita, desesperada — Ah, não! Por que isso não podia ser mais uma Quione ou um Cupido da vida? Seria tão mais fácil!

— Por quê? Thalia, me dá uma luz aqui!! — a sacudo, sentando novamente.

Ela fixa seus olhos em mim, como se estivéssemos nos vendo pela primeira vez na vida. Eles estavam assustados, como os de um animal indefeso.

— Nico, a lista de pessoas que podem estar por trás disso aumentou em escalas desproporcionais! Dá pra fazer uma longa lista de inimigos que esses dois colecionam... Inimigos que eles conquistaram juntos e que conquistaram separados! E adivinhe qual a maioria deles?

Não era preciso pensar muito para saber quem formava a maior fatia de inimigos. Eram aqueles mais fortes que nós, aqueles pelos quais lutávamos às vezes, mas que também lutávamos contra.

A maior parcela de inimigos era formada por deuses!

Notas finais
THALIA IS BACK, BITCHES!!! E aí, o que acharam da volta dessa diva trevosa? Comentem, povo!! Ou vou mandar a Thalia os perseguirem!! u.u Espero que tenham gostado!! Beijoos e até!!