State Of Dreaming

14 13 - Um Pouco Errado


Notas iniciais
Vocês se perguntavam onde eles foram parar depois da maldição? Saberão hoje!! E eu vou saber pra onde vocês foram? Porque só a daughter of the sun apareceu no último capítulo... Enfim, espero que gostem!!

P. O. V Valentina:

Eu podia me comunicar através de pensamentos. Não com todo mundo, mas com aqueles que dividiam laços consangüíneos comigo e, é claro, o amor da minha vida. O mesmo acontecia com Cathy e apenas ela: nenhum de nossos irmãos tinha esse poder peculiar.

Não havia um manual para telepatia, mas dada as últimas semanas, algo me dizia que ou minha mente tinha pifado, ou não era possível alcançar a mente de Cathy — eu tentara, loucamente, me comunicar com ela, mas tudo o que conseguia era sentir dor de cabeça.

Porém, como diria Victor Hugo, nada é mais poderoso do que uma idéia que chegou no tempo certo... E eu esperava que ele estivesse certo.

— Tentar usar seus poderes enquanto dorme... Isso, por acaso, tem alguma chance de dar certo? — Nico pergunta incrédulo, mas não havia como não ter dúvidas: era uma idéia louca.

Mas que, de certa forma, era realizável.

— Ano passado, logo na primeira semana de aula, Eleazar foi me visitar na Yancy Academy... Todos estavam dormindo, então ele começou a me chamar por pensamentos e, mesmo em sonho, eu pude respondê-lo.

— E quando acordou, fugiu da escola com ele... — Nico ri, me interrompendo.

— O ponto é que funcionou daquela vez! Tem que funcionar agora! — suspiro — Vai funcionar.

— Espero que sim! — ele deseja — Então, qual é o plano?

Explico-lhe, muito detalhadamente, que ele deveria tentar me alcançar através dos sonhos para que juntos fôssemos até nossos amigos. Eu usaria meus poderes telepáticos para encontrar Catarina ou Eleazar e...

E o quê? Dizer que estava com saudades? Isso de nada adiantaria. Me comunicar com eles por sonhos era irrelevante no momento; o que eu precisava era trazê-los de volta, e os únicos que poderiam me ajudar nisso eram Greg e Aria.

Eu morria de saudades de todos, mas havia coisas mais importantes a fazer do que abraçá-los!

— Mudança de planos, bonitão! — anuncio, ao mesmo tempo em que o peso em minhas costas aumenta!

— Sentiram minha falta, gatos?

P. O. V Nico:

Se eu sentira falta de Thalia nesses 45 dias? Apenas desesperadamente! Se eu podia acabar com essa saudade de forma adequada? Infelizmente não! Mas só de poder vê-la, já ficava mais feliz!

— Olho se não é a beijoqueira... — sorrio, provocando-a.

— Olha o veneziano gato! — ela devolve no mesmo tom

— Olha a garota desmemoriada! — Valentina se cita, quebrando o clima que acabava de se formar.

Reviro os olhos: Val era um amorzinho, mas seu atual estado de nervos me deixava um pouco irritado. A situação era ruim, mas pelo menos estávamos vivos e podíamos continuar a lutar.

Lutaríamos até a morte e além. Lutaríamos contra a morte!

— Acordou com o pé esquerdo hoje, princesa? — Thalia pergunta, apertando as bochechas de Valentina.

— Não dá para acordar sem... — e eu podia jurar de que já ouvira a mesma frase antes, porém dita pela Cria Maluca I, também conhecida como Catarina de Lyra.

Quem diria que ali, naquela maldita realidade, Cathy era, na verdade, Catarina Reymond. Ela odiava esse sobrenome ou qualquer coisa que a ligasse à mãe, mas parece que o jogo mudou...

— Na verdade, se você tivesse amputado o pé recentemente... — eu começo a murmurar e paro no momento em que Valentina crava seus olhos em mim.

Eles estão quase tão escuros que é impossível identificar o azul neles! Agora conseguia entender porque Eleazar jamais a desafiava para algo: aquela menina de 1,69m podia ser bem assustadora!

— Olha: além de gato, também é sagaz! — Thalia observa, olhando-me por sobre seus óculos de sol de lentes redondas.

Eu a invejava por poder usar óculos de sol! Desde que começara a usar óculos de grau, eu disse adeus aos estilosos de sol... O máximo que me era permitido eram lentes que se adequavam à luminosidade... Naquele momento, tava na cara que eu adquirira miopia...

Dica: não viaje tanto pelas sombras, se presas sua energia vital! As sombras podem consumir você, e se isso não acontecer, podem lhe causar danos irreversíveis! Miopia era apenas o mais leve.

— E fica um charme de óculos, diga-se de passagem!

Fiquei sem ter o que falar: quando a pessoa que você gosta te elogia, você trava instantaneamente.

— Eu acho que vou deixá-los a sós... — Val murmura, deixando Thalia cair no chão.

Ela teria se desequilibrado, se eu não a tivesse segurado pelo braço. Consegui sentir o tremor que abalou seu corpo quando nossas peles se juntaram.

Deuses, eu precisava voltar a senti-la!

— Você não perdeu só a memória; perdeu a gentileza também, Maria! — ela grita para Valentina, com a voz trêmula — Vou te chamar de ogra a partir de agora!

— A Fiona é uma princesa ogra, querida! Mariazinha aqui é pior! — a Lolita sorri e manda beijos para nós, se afastando com o livro.

— Pensei que ela nunca mais fosse sair! — Thalia me segreda — Agora vamos!

— Vamos pra onde? — pergunto confuso, vendo-a me dar a mão e me puxar para fora da propriedade.

— Conhecer a cidade, é claro!

Eu poderia negar... Talvez eu devesse negar, mas aquele sorriso, aquele que ela costumava sorrir só para mim, estava lá. E havia uma quantidade mínima de coisas que eu conseguia negar à Thalia.

— Qual a nossa primeira parada?

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Eu nunca havia me aventurado muito pelo sul dos Estados Unidos, mas tudo me indicava que estávamos em Nova Orleans: o clima místico, os artistas de rua, o jazz e o blues soando por ali, o típico “dialeto” meio inglês, meio francês...

Nova Orleans era o berço da magia, e algo me dizia que não estávamos por ali à toa...

— É sua primeira vez? — Thalia pergunta, tirando-me de meus devaneios.

— Oi? — pergunto confuso.

— Em Nova Orleans... — ela abre um sorriso malicioso — Não acredito que ainda não tenha tido sua outra primeira vez.

— Mais ou menos... — dou de ombros, me controlando para não lhe perguntar como ela desconfiava disso — Por que a pergunta?

— Tenho a impressão de que já nos vimos antes... — ela confessa — Todos dizem que aqui ainda há bruxas e todo esse tipo de coisa absurda de magia, e eu costumava não acreditar nisso, até conhecê-lo.

Desde que eu soubera que o rapaz com quem Cathy saía era Lorenzzo, comecei a criar esperança de pelo menos ficar ao lado de Thalia enquanto toda essa loucura continuasse. Como se, por algum milagre, ou talvez por ter quase escapado comigo da maldição, ela se lembrasse de tudo... Como se o amor que sentíamos fosse maior do que uma maldição.

Tudo indicava que poderia ser...

— Tenho a impressão de ter passado uma vida inteira ao seu lado, Thalia! — suspiro, empurrando os óculos para cima.

— Naquele dia, quando nos beijamos... Eu nunca havia sentido nada tão forte por garoto algum. Eu procurava por essa... Energia, em todos e, de repente, eu a encontro em um total estranho! — ela para na minha frente, me encarando com seus brilhantes e inconfundíveis olhos azuis. Poucas foram às vezes em que eu a tinha visto sem maquiagem, fosse leve ou pesada, mas eu podia afirmar: ela era ainda mais linda ao natural, quase divina — Eu tenho sonhado com você, menino de Veneza! Sonhos que não fazem o menor sentido!

— Que tipos de sonho? — minha voz sai tão baixa que até me assusta.

—Todos os tipos! Eu me divirto muito ao seu lado nesses sonhos: rimos, dançamos, e até mesmo... — ela pausa e o rubor em seu rosto diz mais do que ela poderia proferir em palavras. Agora sabia de onde ela tirara tanta convicção sobre primeira vez...

Não posso conter um sorriso: minha Thalia era uma garota tímida por ali.

— Não imaginei que fosse tímida! — murmuro, acariciando seu rosto e o erguendo.

— Quando se trata de garotos interessantes, eu sou um desastre! — ela sussurra.

— Se importaria em me contar um desses sonhos? — peço, sem desviar meu olhar do seu — Por favor?

Ela pisca duas vezes, os lábios se entre abrem em busca de mais ar e ela está praticamente translúcida.

— Lia? — a chamo, mas ao invés de uma resposta concreta, ela dá um grito de pura agonia.

E desmaia em meus braços.

P. O. V Autora:

Mundo real, domínio da discórdia, ou estado dos sonhos: não importava onde, Nico sabia dirigir! E furaria todos os bloqueios, todos os sinais, se achasse que a vida de Thalia estava em risco!

No momento, parecia estar!

— O que...? O que aconteceu? Onde vocês estavam? — Valentina pergunta quando o amigo chega com a morena desmaiada em seus braços.

— Estávamos conversando... Ela disse que sentia algo diferente por mim e que vinha tendo sonhos estranhos... Pedi que me contasse e quando ela ia fazê-lo, desmaiou! — ele responde o mais rápido e eloqüentemente que consegue.

— Leve-a para meu quarto! Chego lá em um minuto, no máximo! — a garota diz e some em direção ao corredor sob a escada.

Dito e feito, quarenta e cinco segundos depois, Valentina entrava em seu quarto, equipada com a maleta de Apolo, debruçando-se sobre Thalia e medindo sua freqüência cardíaca e pressão arterial.

— Sinais vitais estão ok! — ela tranqüiliza Nico — Reflexos também! — responde, iluminando os olhos de Thalia, que reagem.

Valentina então se ergue e vai até a penteadeira do outro lado de seu quarto.

— Eu não sei quem nos colocou aqui, ou em que estava pensando quando decorou este quarto, mas enfim esse perfume aqui terá serventia! — e, destampando-o, ela passa o frasco sob o nariz de Thalia.

A menina engasga, erguendo-se rapidamente, tossindo.

— Thalia, amore, stai bene? — Nico pergunta desesperado, mas Thalia não lhe responde de pronto.

Ela não entendia italiano por ali!

— Como viemos parar aqui?

— Você desmaiou, meu amor! Estava prestes a me contar com o que havia sonhado e... Você não se lembra, não é?

— Lembro que estávamos juntos, mas não me lembro de ter dito nada! — ela murmura, se sentindo péssima por vê-lo tão desapontado. — Minha cabeça dói...

Nico não podia acreditar naquilo: Thalia estava a um passo de se lembrar de pelo menos um detalhe da vida dos dois... Aquele desmaio não poderia ser coincidência!

— Eu vou buscar um pouco de água para você... — o rapaz se ergue, mas é impedido de continuar.

— Por favor... — Thalia sussurra — Fica!

O olhar de Nico cruzou com o de Valentina, que sorriu para ele.

— Eu pego a água e um remédio! — ela diz, saindo antes de ver Nico voltar a se sentar ao lado de Thalia e ser abraçado pela mesma.

No entanto, ao descer, Valentina chegou a tempo de ver uma cena curiosa.

— O que está fazendo aqui? — ela pergunta à irmã, que pede por silêncio e aponta para a cozinha, sorrindo.

Mãos na nuca, lábios nos lábios... O erro de Eros e o pesadelo de Valentina.

Apolo e Ártemis demonstrando amor... De uma forma lindamente errônea!

Notas finais
E então, gente? O que acharam? Me contem pelos reviews!! Beijoos