State Of Dreaming
13 12 - Suspeitas...
Notas iniciais
P. O. V Autora:
Ela pensou bastante antes de tomar coragem para fazer tal ligação! Catarina não se considerava uma pessoa corajosa, especialmente no que dizia a respeito de sua estranha relação com um dono de um bar... Ela tinha medo que, se o pai descobrisse agora, poderia ficar pior do que estava e tudo o que a menina menos queria era piorar a situação dele.
Mas ela precisava saber!
— Nós nos vemos ontem de noite? Sei lá... Você passou por aqui?
— Gatinha, não nos vemos há quase uma semana... Isso está me enlouquecendo — o mais velho responde — Mas por que pergunta?
— Bom... Eu tive esse sonho estranho com você e... E Monsieur Campbell...
— Catarina... Que tipo de sonho você...
— Céus... Não esse tipo de sonho, Lorenzzo! — ela sussurra, olhando para a cozinha onde todos tomavam o café da manhã — Sonhei que estávamos numa espécie de floresta e Monsieur pedia que eu entregasse algo a Valentina.
— E o que... — mas Lorenzzo sequer chega a terminar sua pergunta: Catarina desligara, sem se despedir.
Isso porque lá estava Valentina, encarando-a de cima, parecendo confusa e preocupada.
— Quem era no telefone? — ela pergunta sorrindo
— Engano... — Catarina dá de ombros.
— Não passamos tanto tempo assim conversando com estranhos... — um sorriso maldoso se abre no rosto de Valentina — Fala a verdade: era o carinha italiano com quem você sai às vezes?!
Catarina não queria ter sido tão óbvia, mas o rubor em seu rosto deixou claro que sua irmã estava certa sobre quem ela falava.
— Sair com ele ta tão raro que esse às vezes virou quase nunca...
— Ele... Sabe, seria bom se me disse o...
— O quê? — Catarina a incentiva a continuar, mas Valentina estava paralisada.
E como não estaria? Ela pensou que nunca mais veria tal coisa que, além de Nico, ela não teria mais vestígios de sua vida “normal”... Mas ali estava, sobre as pernas de Cathy, o que possivelmente iniciou toda essa bagunça.
“— Amor, você está perdendo o controle! Está ficando difícil continuar a passar as noites aqui: cada grito provocado por um pesadelo é o suficiente para um dos psiquiatras entrarem aqui. Nem toda a névoa do mundo pode mudar o fato de um homem ruivo estar na cama que deveria pertencer a uma morena de olhos azuis! — há quase uma vida, Eleazar discursara tais palavras para ela.
— Eleazar, eu estou bem! É apenas cansaço! Não tem nada a ver com o livro! — Valentina suspirara, ainda estudando as histórias.
— Ele está certo, Val! — a irmã revira os olhos, invadindo o quarto. — Suas visões estão perdendo o controle, seus pesadelos piorando e sua mente está frágil... Além disso, desde que tirou esse livro da biblioteca, o número de monstros ao redor tem aumentado...
— Chérie, devolva esse livro... Antes que seja tarde...”
Sorte de Valentina que arrependimento não mata, nem finaliza relacionamentos... Pelo menos não quando Afrodite é a favor do casal. Do contrário, a Lolita não teria mais amigos, irmãos e nem o namorado...
“— O que... O que você está fazendo, Eleazar? — ela perguntara no início daquele verão, no último dia de aulas.
Eleazar fora buscá-la para irem para o Acampamento juntos, mas a primeira coisa que ele fez ao chegar à YAHS foi tomar o “Livro das Discórdias” de suas mãos, e guardá-lo na maldita bolsa carteiro em que ele tudo mantinha.
— Avisamos, conversamos, e até te ajudamos... Agora estou intervindo: é verão, Valentina, e eu não estou disposto a te perder para esse livro!
— Eleazar, você não pode...
— Não, eu não posso, Valentina! Mas irei, e você não vai me impedir!”
Ele não devolvera o livro no fim de junho, nem no início de julho. Ela tinha certeza de que o namorado estava com ele, então...
— Onde você encontrou isso? — pergunta, apontando para o livro.
Catarina travou: não podia simplesmente dizer que acordou e tinha o livro nos braços. Era loucura! Principalmente por conta do sonho...
— No sótão! — deu seu melhor sorriso amarelo ao responder
— Posso ver? — a irmã pergunta, estendendo a mão
“— Confio em você para mandar-lhe isso! — o ruivo lhe estendera a mão da mesma forma que Valentina agora fazia.
— Já que vou mandar um presente para sua namorada...”
Catarina não era do tipo que se prendia muito em detalhes... Mas sonhar que seu professor de francês está mandando um livro para sua irmã, que é namorada dele, e acordar tendo os livros nos braços... Bom, certamente é algo a se pensar...
— À vontade! Aproveite-o, enquanto eu aproveito as guloseimas que deixou para trás! — mas a fala de Catarina foi totalmente ignorada pela irmã.
Valentina estava focada no livro. E precisava ficar a sós!
P. O. V Valentina:
Eu corri. Não para o meu quarto, como a maioria das garotas que guardam segredos faz, muito menos para alguém... Eu corri para o celeiro. Não sabia quais reações aquele livro poderia me causar, mas não estava disposta a descobrir perto dos outros, que nada sabiam. Nem mesmo Nico mereceria tal coisa.
Então, escondida atrás de montes de feno e ração, observei o livro em minhas mãos e me surpreendi ao notar que haviam páginas dobradas: da última vez que o tive em mãos, não estava assim e, conhecendo Eleazar — o semideus fofo, não essa versão professor estranhamente violento e enciumado — como conheço, ele jamais faria isso com o livro... Na verdade, ele sequer o tocaria.
Pelo menos eu achava que não, mas, como de costume por ali, eu estava enganada.
Eu tinha inúmeras fotos com aquela caligrafia nelas, fossem para se declarar, fossem para por a data. Era uma caligrafia ao mesmo tempo graciosa e masculina. E estava endereçada para mim!
“Hey, Lolita, Hey!
Eu não tinha muito tempo para planejar um início, então foi a música da Lana mesmo. Eu sei que é uma de suas favoritas... E me desculpe por falar tanto nesse “bilhetinho” e por dobrar as páginas, sei que tal coisa a irrita, mas é como dizem: um mal necessário.
Você não está entendendo nada, então farei meu melhor para explicar nesse curto tempo (uma vez que o “sol” se por aqui, aí vai amanhecer. Você vai acordar, e minha essência adormecer)
De alguma forma, a maldição aprisionou nossas essências — tudo o que faz de nós o que somos: memórias, paixões, manias, etc — em um mundo de sonhos e jogou nossos corpos aí, onde quer que esteja. Estamos diferentes, moldados como o conjurador da maldição quis... Porque é isso o que acontece quando elas são lançadas: o conjurador decide o rumo do que vai acontecer e sua consciência deixa de lhe obedecer. Confie em mim, isso é uma merda! Uma merda dupla agora! ~ suspiro frustrado que você conhece bem.
“Ah, mas Elz, por que eu me lembro? Por que suas irmãs lembram? E COMO CARALHOS VOCÊ SABE DISSO? E, PUTA MERDA, COMO ESSE LIVRO TÁ AQUI COMIGO??” — você deve estar se perguntando isso, eu sei, então vamos por parte:
1º você e minhas irmãs lembram porque passaram por outra maldição, mas estavam protegidas, antes de tudo. Aquela parada de domínios é real! O poder de Bóreas lhe protegeu!
2º eu sei disso porque Gregory, meu sobrinho, contou tudo o que aconteceu depois que sumimos na nuvem vermelha. Temos uma profecia e tu tá nela, gatinha. Assim como Greg e Aria — o que é bizarro, pois parece que tudo gira ao redor de mim, mas sei que não é: algo maior que um semideus foi o catalisador de tudo —; aparentemente eles estão tentando nos alcançar através de sonhos lúcidos (pergunte ao di Angelo sobre isso (e não o mande cortar o cabelo: só eu posso receber tal ordem de teus lindos lábios)); e Greg conseguiu isso ontem... Hoje... Enfim...
3º Aria também tem uma chave da biblioteca, para outro corredor, mas este só aparece em sonhos. Ela consegue transportar objetos para lá ou tirá-los do local ao segurá-los junto ao peito quando dorme. Sentido não tem, mas se funciona... Por que não tentar, né? Pedi a Cathy (esqueci de dizer que ela e Lorenzzo estão aqui, me tendo como vela... Agora entendo o Leo) que lhe entregasse o livro... Pelo que Greg falou, não estamos juntos aí, mas você e ela moram na mesma casa e espero que receba tal livro.
Meu eu daí é mais estúpido que o normal, chute-o (chute-me, sei lá) nas bolas. É UMA ORDEM! OBEDEÇA-ME, LOLITA!
Ok... Me perdi aqui... Não, lembrei!
Não tenho idéia de quem é o culpado, ou a culpada por isso, mas é perigoso e tenho 99,9% de certeza de que está aí, perto de você e só de pensar nisso me sinto irracional... O que só piora ao lembrar que minhas irmãs estão aí. Amor, você sabe se proteger: eu a treinei, o acampamento também, e você foi brilhante ao lutar contra Cupido! VOCÊ DERROTA DEUSES, LOLITA, NUNCA SE ESQUEÇA DISSO! Então, por favor: proteja minhas pequenas, nossas pequenas! Por favor!
Odeio ter que te pedir isso, odeio esse livro, odeio toda essa merda! Queria estar aí com você... VOU ACHAR UM JEITO DE ESTAR AÍ! Juro pelo Estige!
Je t’aime, luz da minha vida!
Com todo amor, saudades e mais amor ainda... Muito mesmo.
Eleazar “vous ange, chaton” Campbell
P.S.: arranque essa página depois de ler.
P.S².: sonhe comigo, Lolita!”
Eu queria, desesperadamente, chorar, mas tudo o que consegui foi sentir raiva. Raiva da situação, do sentimento de inutilidade e, principalmente, de quem quer que fosse o conjurador daquela confusão maldita.
A pessoa por trás daquilo tudo conseguia ser mais mesquinha do que Quione e mais fútil que Phoebe e Cupido juntos. Estava claro para mim que o motivo de tudo isso estava relacionado a Apolo e Ártemis. Provavelmente rejeição de uma das partes, o que tornava tudo pior.
Imagina se todo mundo que foi rejeitado resolvesse se vingar dessa forma? O mundo já teria acabado há tempos...
— Era tão mais fácil quando a culpa era sua, seu ruivo sarcástico e doentio! — suspirei, tão frustrada quanto meu amado remetente, enquanto arrancava seu bilhete, mas o mantinha dentro do livro, evitando que voasse.
Porém, não havia tempo a perder com suspiros e sofrimentos: estávamos em perigo, e eu era uma das responsáveis para por o fim em tudo... Não era minha primeira escolha para salvar o mundo, mas não falta das memórias de Catarina, eu teria que servir, né?
Felizmente, eu tinha um veterano de guerra ao meu lado. Um sábio e vencedor veterano.
— Preciso que me diga tudo, exatamente tudo, o que souber sobre sonhos lúcidos, Nico! E quanto mais rápido você fizer isso, melhor será! — digo autoritariamente, quando encontro o italiano lavando louça.
A que pontos chegamos: de guerreiro a faxineiro. Se os tempos fossem outros, eu estaria dando risada agora!
— Calma aí, menina!! — ele arregala os olhos, secando as mãos — Por que tanta urgência de repente? Estamos presos aqui há mais de um mês, e...
— E agora eu percebi que, se quisermos sair daqui, não temos que dar nosso melhor: temos que dar nosso pior! — eu sabia que era verdade, mas isso não me impediu de sentir um arrepio.
Eu não sabia se conseguiria controlar o meu pior!
— Não gosto quando garotas fofas se tornam perversas assim...
— Pois se acostume: só vou descansar e voltar a ser fofa quando esse pesadelo chegar ao fim!
P. O. V Autora:
Ela continuava com aquela irritante sensação de que os conhecia. Quer dizer, ela e as gêmeas foram criadas juntas, certo? Então por que, depois que ele chegou, parece que tudo em relação a elas mudara também?
Thalia lembrava de brincar de bonecas com Catarina e Maria Valentina, mas ultimamente, flashes dançavam em sua mente. Flashes em que ela e Maria estavam sentadas em um quarto, conversando, e que a amiga dizia claramente
“— Você está totalmente louca pelo Nico! Só tem que dizer isso a si própria e aceitar!”
Nico! Nico di Angelo! Veneziano. Dezessete anos. Um simples beijo... Ok, não tão simples assim, mas um beijo fora o suficiente para desconstruí-la. Ele agora aparecia, constantemente, nos pensamentos dela, em seus sonhos, em tudo, exceto em sua porta.
Thalia Grace odiava se sentir confusa, odiava não saber o que Nico era — embora em seus sonhos ele revezasse em ser um ótimo dançarino, um guerreiro nato, e um amante incansável. Ela se odiava por estar desesperada por saber.
— Hora de visitar velhos amigos, Thalia!
P. O. V Aria:
Um mês, quinze dias, vinte horas e dez minutos: esse foi o tempo que fiquei sem saber notícias de meus amigos... Os verdadeiros, e não os que foram recriados pela maldição.
A evolução de Gregory no treinamento me era surpreendente, mas não havia tempo para parabenizá-lo: tínhamos muitas lágrimas para secar e muito que ajustar.
— Eles... Eles estão bem? — Sophia deu voz à pergunta em nossas mentes.
— Sim! — Gregory sorri para ela — Seu irmão e sua cunhada continuam discutindo como sempre... E Lorenzzo não gostou muito quando soube que estive com você.
Não quis perguntar o que aquilo significava, ninguém quis, na verdade... Era muita notícia boa para se implicar do nada.
— Como minha irmã está? Como eles têm se virado sem armas? — Will dispara pergunta atrás de pergunta.
Catarina estava bem, e não estavam completamente desarmados: Eleazar podia conjurar suas armas de gelo e caçar no lado com neve, enquanto ela tinha suas facas de caça e Lorenzzo — ter um filho de Marte/Ares ao seu lado é sempre uma boa. Ela parecia mentalmente estável, apesar de furiosa e triste, e continuava altruísta. Porém...
— Ela não recuperou a visão! — Greg informa.
— Temia isso! — Will suspira — Toda vez que Apolo some, algo do tipo acontece...
— Ele sumiu muitas vezes? — pergunto confusa.
— Eu só presenciei duas, sendo esta a segunda. A primeira foi durante a guerra de Gaia, pouco antes de você chegar aqui, Aria.
Eu ainda me lembrava de como Will me ajudara no passado. De como eu devia a ele...
— Eles vão voltar! — eu o abraço, surpreendendo-o — Você sabe disso, e eu não vou descansar até que estejam de volta.
— Eu sei, Ari! Eu sei! — ele retribuí o gesto, mas logo se vira para Greg de novo. Em busca de mais informações.
Com o canto do olho, vejo a estranha expressão que tomara o rosto de Steph. Seu poder de mudar as cores do cabelo e dos olhos de acordo com seus sentimentos era, além de impressionante e invejável, uma ótima forma de descobrir seu verdadeiro humor.
— Está tudo bem, Steph? — pergunto bem baixo, tentando não chamar a atenção.
— Sim! — ela responde, rápido demais — Só estou feliz em receber notícias.
— Todos estamos... — sorri e me afastei, voltando para perto de Greg.
Eu estudara com Steph por tempo suficiente para saber identificar suas emoções. Embora ela disfarçasse na escola, sempre ficava claro para nós, seus amigos semideuses, o que ela sentia.
E, no momento, os cabelos brancos de Steph mostravam que ela mentia!
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