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8 Suporte - Parte 2
Ponto de Vista — Bernardo
Continuação...
Meus pensamentos foram tentando ligar os pontos, Abby ontem falou para o meu eu anônimo que ela estava mal, então provavelmente esses roxos são de ontem, depois que ela voltou para casa... Será que quem estava fazendo isso era o irmão dela? Já que ela morava apenas ela e o Guilherme... mas não, Sophi sempre disse que ele era muito protetor com elas, não acho que ele seria capaz... Mas ontem na casa dela estava parado o carro do namorado dela, ela ficou tensa a hora que viu aquele carro quando estacionamos. Será que aquele desgraçado é quem está fazendo isso com Abby? Apertei com mais força o volante e notei que a mão de Abby parou sobre meu ombro.
— Tá tudo bem? — seu tom era de preocupação.
— Eu é que deveria te pedir isso — falei dando um sorriso em sua direção e relaxando. Estacionei o carro na garagem e entramos em casa. — Deixa que eu vou levar isso lá pra cima — falei pegando minha mochila e a dela — sinta-se em casa, eu ja volto. — subi as escadas e fui em direção ao meu quarto, soltei nossas mochilas sobre a escrivaninha e voltei para onde Abby estava, a qual estava sentada em uma das banquetas mexendo no celular. — Um chocolate por seus pensamentos — falei parando atrás dela e pondo as mãos sobre seus ombros.
— Cadê meu chocolate? — falou ela virando a cabeça para trás me encarando.
— Você não me contou o que está pensando... — rebati
— Você não me mostrou meu chocolate — ela deu de ombros.
Fui até um dos armários e peguei uma barra de chocolate que havia guardada lá. Notei que os olhos de Abby brilharam e ela estendeu as mãos em minha direção.
— Você é pior que criança — falei entregando a barra para ela.
— Eu diria que isso é amor reprimido Bernardo — ela disse abrindo o pacote e tirando uma fileira. Ela comeu o primeiro quadrado e me estendeu o resto da tira, mordi um pedaço e ela sorriu — Eu estava pensando porque que eu nunca conversei com você antes, e em como eu vou apanhar da Bianca por ter fugido dela o dia todo hoje. — ela respondeu dando de ombros, puxei uma das banquetas que estava em sua frente e me sentei.
— E por que você estava fugindo dela?
— Por causa dessas marcas... se a Bianca descobrir sobre elas ela vai surtar, e não sei quem vai apanhar primeiro, eu ou ele... — ela deu um longo suspiro e me encarou — posso fazer café?
— Vai me dizer que é viciada em café também? — perguntei encarando-a com um sorriso. Ela assentiu. Levantei e fui novamente até o armário pegando as coisas necessárias, o pote com o pó de café, o coador e colocando a água esquentar. — Você está certa, por que não nos tornamos amigos antes — falei rindo.
— Okay, agora eu quero saber, além de gostar de café e me dar meu chocolate favorito... temos mais gostos em comum? — ela se escorou na bancada apoiando o rosto entre as mãos — juro que se seus gostos forem os mesmos que o meu eu me caso contigo agora. — ela deu uma risada abafada e ficou vermelha na hora em que terminou a frase.
Arqueei as sobrancelhas e cruzei os braços sob o peito me escorando na pia.
— Abigail, você está me pedindo em casamento? — ela ficou escarlate com minha pergunta e deu um sorriso tímido dando de ombros.
— O pedido só vale se você tiver os mesmos gostos, caso contrário não.
— Ok, lá vai. Séries Favoritas — comecei a citar todas as minhas séries e os olhos dela começaram a bilhar — Filmes favoritos: todos os de super-heróis, com toda certeza do mundo, os de fantasia e magia entram nessa lista também, alguns de romance, mas sei lá, ainda prefiro mais terror do que isso — falei dando uma leve risada. Notei que Abby me encarava atentamente — Ahn, Livros Favoritos... cara, acho que é mais fácil eu te mostrar minhas prateleiras do quarto do que numerar os livros que eu amo. — falei olhando-a. Fui em direção a chaleira e fiz sinal se ela queria fazer o café. Ela deu a volta na bancada e parou na minha frente.
— Eu definitivamente ainda vou me casar com você. Você gosta das mesmas coisas que eu, só que eu nunca li os livros de Sherlock e nem os do Stephen, mas de resto eu tenho os mesmos gostos que você. Só falta me dizer seus cantores ou bandas favoritos, ai com certeza meu coração é seu.
— Nossa, tão fácil assim? Achei que ia ser mais complicado de te conquistar Srta. Abigail — falei sorrindo para ela enquanto a mesma se virava e começou a passar o café. — Ok, Green Day, The Chainsmokers, Milky Chance, The Neighbourhood, AC/DC, Led Zepplin, Rolling Stones e mais alguns — Abby virou-se e estava com um perfeito O quando eu terminei de citar. — O que?
— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ NUNCA FOI MEU AMIGO CARAMBAAAA — ela falou atirando os braços para cima — Calma, você andou me stalkeando? Você é real? — ela começou a me cutucar nas costelas.
— Abby paraaa — falei em meio a risos, ela começou a rir também. Nossos corpos começaram a se aproximar e quando notamos estávamos colados um no outro de mãos dadas, nossos rostos estavam próximos e as risadas foram cessando. Com as respirações já se misturando, se continuássemos mais alguns centímetros logo estaríamos nos beijando...
— E-eu vou terminar o café para nós — ela falou sorrindo e se afastando um pouco, ficou na ponta dos pés e me deu um beijo na bochecha/canto da boca. — Por que não escolhe um filme para nós?
— Claro, terror pode ser? — passei as mãos pelos meus cabelos enquanto ela concordava.
O que ela estava fazendo comigo? Eu nunca me senti assim por nenhuma garota, mas Abby por algum motivo me deixava encantado, envergonhado, mas ao mesmo tempo com uma vontade absurda em abraçá-la e nunca mais soltar. Merda Bernardo, o Lucas estava certo, eu estava apaixonado por ela.
Liguei a TV e comecei procurar no Netflix algum filme e acabei por escolher Boneco do Mal. Voltei à cozinha e Abby estava terminando de adoçar o café, parei atrás dela e abri uma porta acima da sua cabeça pegando duas xícaras e entregando-as, ganhei um sorriso em retribuição.
— Achou o filme? — ela perguntou tomando um gole do seu café e soltando um suspiro de satisfação, dei uma risada abafada e ela me encarou envergonhada — Não posso fazer nada se está bom. — deu de ombros.
— Não tem problema loirinha, você fez uma cara engraçada, apenas isso. Mas achei o filme sim — respondi e logo notei que eu havia a chamado pelo apelido que eu usava em nossas mensagens. Abby encolheu os ombros levemente após escutar o apelido. — Faço pipoca?
Ela assentiu e foi para a sala. Logo terminei e levei um pote de pipoca para a sala e coloquei na mesa de centro junto com nossas xícaras. Sentamos no sofá cada um de um lado do sofá.
— Isso aqui tá errado, vem aqui — falei sorrindo para ela e batendo no lugar ao meu lado.
— Por quê? Eu to bem aqui — respondeu dando de ombros enquanto pegava um punhado de pipoca.
— Eu não mordo Abby, e tenho certeza que vai ser ruim ficar durante o filme se esticando para pegar as coisas.
— Ok, só vou porque você está certo — ela se aproximou e ficou praticamente colada ao lado do meu corpo.
— Viu como nem foi tão difícil.
Ela apenas revirou os olhos e começou a rir. Peguei o pote de pipoca e coloquei sobre meu colo e dei play no filme. Antes da metade dele Abby já tinha caído no sono e estava encostada em meu ombro dormindo, ela estava tão calma e serena assim, não queria a acordar, mas sabia que ela estava desconfortável daquela forma ali, então resolvi me levantar devagar para não acorda-la e a peguei no colo levando em direção ao meu quarto. Abri a porta e a coloquei sobre a cama, ela deu um suspiro, mas virou para o lado e continuou dormindo, peguei uma manta e joguei sobre seu corpo desacordado e eu voltei para a sala para organizar nossa pequena bagunça.
Voltei para o quarto e Abby continuava dormindo, eu não sabia se era certo deitar ao seu lado, parecia o certo, mas errado ao mesmo tempo. Fiquei então sentado na cadeira da minha escrivaninha deixando meu pensamentos me levarem para longe até que a porta do meu quarto é aberta e Stavo entra. Ele encara minha cama e nota Abby dormindo e logo me olha com uma cara de interrogação, vou até ele e o puxo para fora do quarto fechando a porta do mesmo.
— Vai me explicar? – ele pediu com um olhar malicioso no rosto.
— Não pense besteira panaca, ela estava mal, não quis ir pra casa, eu trouxe ela aqui e ela dormiu enquanto assistíamos filme. Fim de história, não tem nada demais – falei jogando as mãos para o alto. Mesmo com minha explicação o sorriso e o olhar de Stavo não desapareceram.
— Okay se você diz – ele deu de ombros – o Sargento chegou, está lá embaixo nos esperando.
— Ele está em casa? – perguntei indignado.
— Foi o que eu acabei de dizer não? – Stavo falou virando de costas e indo em direção para as escadas.
Fui até o andar de baixo e Ayla estava abraçada com o Sargento, diga-se de passagem nosso pai, com um sorriso enorme, ela contava da sua escola nova e dos amigos que havia feito, o sorriso no rosto dele era de puro orgulho. Diferente de quando olhou para mim.
— Bernardo. – ele falou ficando em pé e vindo em minha direção.
Nesses momentos eu nunca sei se devo bater continência para ele em mostra de respeito ou devo abraça-lo como um filho normal faria, mas com o passar dos anos eu sempre fui o mais cobrado dele, o que sempre ganhava mais esporro por coisas minhas e por algo que acontecia com os meus irmãos.
— Senhor – falei acenando com a cabeça.
— Não vai um abraço em seu pai? – ele falou abrindo os braços. Notei minha mãe acenando com a cabeça para eu fazer o que ele pediu.
— Claro... pai – falei indo em sua direção e dando um abraço que estava sendo desconfortável para ambos. Quando nos soltamos notei que sua cara não era das melhores para mim.
— Fiquei sabendo que não está indo bem na escola. – ele falou cruzando os braços sobre o peito.
— Também não é assim, não estou tão mal quanto pensa – rebati.
— Não está TÃO MAL ASSIM? – ele falou indignado e aumentando o tom de voz – ISSO NÃO É O BASTANTE BERNARDO.
— NUNCA É O BASTANTE PARA VOCÊ – respondi no mesmo tom – VOCÊ NUNCA ESTÁ SATISFEITO COM NADA VINDO DE MIM, NA-DA... AGORA QUER BANCAR O PAI DO ANO COMIGO?
— DIMINUA O SEU TOM COMIGO GAROTO.
— OU O QUE?
— NÃO ME PROVOQUE BERNARDO.
— AH AGORA QUER FAZER O PAPEL DE PAI? VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO PAPAI, VOCÊ NUNCA LIGOU PARA NADA QUE EU FAZIA, NÃO ESTEVE LÁ NO MEU PRIMEIRO CAMPEONATO, NEM NA MINHA PRIMEIRA VITÓRIA, NÃO ESTAVA AQUI QUANDO EU PRECISAVA DO SEU APOIO... QUEM ESTAVA ERA A MAMÃE, ENTÃO NÃO ME VENHA BANCANDO O SARGENTO E PAI PARA CIMA DE MIM, CANSEI. – respondi falando alto, notei que Abby estava na escada me encarando e logo o olhar do meu pai estava sobre ela e depois voltou para mim.
— Quem é ELA? – ele falou encarando-a de cima a baixo.
— Alguém importante para mim e que não diz nada a seu respeito. – falei indo para o lado de Abby – Vamos sair daqui, por favor.
Ela apenas concordou com a cabeça e corremos para o meu quarto pegar nossas coisas. Abby não fez nenhuma pergunta naquele momento, apenas pegou sua mochila e pôs nas costas enquanto eu pegava algumas coisas e jogava para dentro da mochila, peguei minha carteira e guardei no bolso da calça e peguei a chave do carro. Peguei na mão de Abby e a puxei de volta para a "zona de guerra".
— Não ouse me dar as costas Bernardo – Meu pai falou pegando em meu braço tentando me segurar, puxei-o de volta e o encarei.
— Mãe estou saindo, não sei quando volto ou se volto hoje. – falei olhando para ela, meu pai me encarava como se fosse me avançar a qualquer momento.
— Filho... – ela respondeu vindo para o meu lado.
— Você vai voltar hoje, você não se governa Bernardo Luiz – meu pai respondeu cortando-a.
— George... – ela segurou o braço do marido e lançou um olhar para que ele parasse.
— Ah, agora o senhor vai tentar fazer como faz com seus cadetes? Desculpa, não sou um dos seus soldados para você falar assim comigo. Tchau pra vocês.
Segurei a mão de Abby com mais força e caminhamos até o carro, ela pegou as chaves da minha mão e eu a encarei por alguns segundos.
— Quem vai dirigir sou eu. – ela disse indo em direção à porta do lado do motorista, eu apenas concordei e entrei do lado do carona jogando minha mochila para o lado de trás. Abby ligou o carro e saiu da garagem em silencio.
Foi assim até uma parte do trajeto, agradeci por ela não fazer nenhuma pergunta. Apoiei minha cabeça na janela e fiquei olhando a paisagem que passava depressa por nós, senti a mão de Abby em cima da minha e quando a olhei ela me devolveu com um sorriso. Encaixei nossos dedos e ficamos assim até ela ir para um caminho que fazia anos que eu não passava mais.
Ela estacionou o carro e ficou me olhando com um sorriso no rosto.
— Vamos esquecer tudo o que aconteceu ok? Assim como você se preocupou hoje comigo eu estou me preocupando com você agora. – ela colocou uma das suas mãos ao lado do meu rosto. – Vamos relaxar. – Ela disse ainda sorrindo. Acenei em concordância e descemos do carro andando de mãos dadas até o local.
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