Notas iniciais
Cheguei com mais um capítulo, gente! *u* Como não podia deixar de ser, eu vou agradecer DE NOVO E PRA SEMPRE pelos comentários, favoritos e acompanhamentos. Vocês são todos uns leitores muito amor, sabiam? SDÇALASJKDJAK Quero abraçar cada um de vocês! Acho que todo mundo teve um troço no final do capítulo anterior SAKLJASJKHA Espero que estejam preparados pra esse! -q Boa leitura!

Voz

Tsukishima estava honestamente embasbacado. Por alguns instantes, ele jurava que tinha se iludido e ouvido errado, mas logo Yamaguchi fez questão de repetir seu apelido novamente, confirmando que ele não estava ficando louco.

“Então você pode falar?” O loiro perguntou, sem nem mesmo perceber o quanto aquilo era óbvio. Normalmente ele não diria algo assim, mas a surpresa havia tomado conta de sua pessoa e ele não sabia bem o que dizer e muito menos o que pensar ou sentir diante daquela situação.

“Tsukki.” O alienígena repetiu, assentindo com a cabeça. Aparentemente ele ainda estava aprendendo a língua humana, e tal possibilidade não apenas intrigava como também assustava Tsukishima. Tadashi já havia demonstrado diversos sinais de inteligência, era muito emotivo e por mais de uma vez agiu como um humano, mas nunca havia falado — ao menos não até aquele momento.

O fato de que ele também estava começando a aprender aquilo em menos de uma semana também era, no mínimo, surpreendente. O loiro já havia lidado com diversas espécies de alienígenas, mas todos eles agiam puramente por instinto, e em momento algum ele chegou a ser capaz de se comunicar tão claramente com eles quanto estava fazendo com Yamaguchi. Ele podia fazer experimentos, é claro, mas apenas em espécies mais primitivas.

Pelo jeito Tadashi não era assim tão primitivo quanto ele imaginava.

“Isso. Eu sou Tsukki. Qual é o seu nome?” Ele questionou, então, sentindo o coração acelerar em seu peito de pura ansiedade. Seus olhos dourados encaravam a criatura por trás das grades, e Yamaguchi perdeu-se por alguns segundos antes de respondê-lo.

“Ta… Tada…” Tsukishima notou que ele estava com uma certa dificuldade para falar, mas ainda assim estava tentando. Além disso, apesar de não saber falar corretamente, já estava claro que ele sabia qual era seu nome.

“Tadashi. Seu nome é Tadashi Yamaguchi.” O cientista o auxiliou com um pequeno sorriso. Agora ele se sentia um pouco mais confortável conversando com Yamaguchi, sabendo que ele era capaz de entendê-lo, mas por um lado ele também se sentia um pouco culpado por certas coisas que havia dito antes — no entanto, o alienígena não parecia estar julgando-o por isso, ao menos não naquele momento.

“Eu. Tadashi Yama… Yamaguchi. E… Tsukki.” Ele estava aprendendo realmente rápido. Tadashi apontou para si mesmo enquanto falava o seu nome, e logo apontou para o cientista antes de falar “Tsukki”. Sua fala ainda era imperfeita, e ele ainda tinha uma certa dificuldade para formar frases, mas com certeza era um belo avanço.

“Kei Tsukishima. Mas pode me chamar de Tsukki.” Tadashi fez que sim com a cabeça após escutá-lo, sem dizer mais nada.

“Quando você faz assim, diga ‘sim’ pra que eu possa entender, tudo bem?” O loiro falou, fazendo o mesmo gesto. De certa forma, ele estava se divertindo com aquilo — era quase como ensinar uma criança a falar, mas o alienígena era capaz de entender bem mais rápido. Tal capacidade fazia Tsukishima se perguntar se sua raça tinha uma língua em comum, que ele poderia estar usando como base para aprender a língua humana.

“Sim, Tsukki!” Yamaguchi assentiu e falou com um sorriso, e nem parecia mais que ele estava infeliz por estar preso numa cela. No entanto, Kei sabia que aquela felicidade logo acabaria quando ele o deixasse sozinho.

Tsukishima se perguntava se Yamaguchi iria lhe questionar sobre o local onde estava, o motivo de estar preso e se eles ainda estavam no mesmo planeta. Ambos ficaram em silêncio, e por um momento o cientista pensou em casualmente se afastar, mas Tadashi continuava de pé, encarando-o com aqueles olhos castanhos que, aos poucos, deixavam de ser enigmáticos. Mais uma vez, o loiro o analisou da cabeça aos pés — ele estava cada vez mais acostumado com a figura do alienígena, mas a cada vez que o olhava era como se houvesse mais e mais para se descobrir.

Não que ele se sentisse atraído fisicamente pelo outro — na verdade nem mesmo a nudez dele era capaz de incomodá-lo, por mais que fosse capaz de deixar outras pessoas desconfortáveis -, mas Tadashi era… Fascinante. Tsukishima podia formar linhas, desenhos e constelações mentais ao ligar suas sardas na pele morena, assim como podia se lembrar perfeitamente da sensação de tocar suas escamas quando eles seguraram as mãos na noite anterior.

“Tsukki?” Yamaguchi perguntou, tirando-o de seus pensamentos. Os olhos do cientista se encontraram com os do alienígena, e por um breve instante ele se questionou se mantê-lo trancado daquela forma era realmente certo. Por mais que seu lado racional o continuasse lembrando de como ele quase tinha sido morto por causa disso, ele também sabia que Tadashi era capaz de ser mais que um predador — e estava fazendo questão de provar isso.

“Está tudo bem. Eu só estava te olhando.” Ele respondeu, percebendo então que Yamaguchi devia estar se sentindo um tanto desconfortável com o jeito que ele estava o encarando, por mais que Tsukishima soubesse que não estava com nenhuma intenção maliciosa.

“É que… Você é diferente de mim, Tadashi. Seu corpo é diferente do meu, da minha espécie… E eu não consigo deixar de achar isso interessante.” O loiro decidiu explicar um pouco mais, e era verdade. A anatomia do outro era realmente interessante, com todas aquelas garras e escamas, sem falar da grande cauda. Eram essas coisas que atraiam Tsukishima, por serem diferentes e curiosas. Por mais que ele já tivesse visto pessoas que também pareciam híbridos de humanos com animais, ele nunca encontrara alguém que tinha tal aparência naturalmente — e, desde que ele o vira na selva, o loiro o admirava tanto com a curiosidade científica como também com um fascínio por ele ser mais forte e perigoso.

Tadashi olhou para baixo, admirando o próprio corpo. De tão acostumado que estava com ele, nunca havia parado para pensar muito sobre isso. Para o alienígena, tudo nele era comum e parte de sua vida desde que nascera — as garras, os dentes afiados, a cauda comprida que ele podia movimentar sem nem se esforçar em pensar. Depois disso, ele olhou para Tsukishima, parecendo um tanto frustrado.

“Seu...” Yamaguchi comentou, apontando brevemente para as roupas de Kei. Ele parecia um pouco frustrado, já que não sabia falar direito, mas do jeito que o encarava, Tsukishima percebeu que ele deveria estar tentando tecer um comentário sobre o fato dele andar com o corpo coberto. Aparentemente, aquilo o deixava levemente irritado, e mesmo ele estava começando a nutrir uma certa curiosidade sobre como a anatomia humana podia ser diferente dos de sua espécie.

“Nós humanos temos a tradição de cobrir nossos corpos para nos protegermos. Não temos escamas ou penas, e os pelos que temos não cobrem muito. Tivemos que inventar esse método pra sobrevivermos… E andar publicamente sem nada é algo mal visto socialmente.” Tsukishima explicou rapidamente, e Tadashi o escutou atenciosamente. Depois, assentiu, mostrando que havia entendido as palavras do cientista. A raça dele era estranha, tendo que andar daquela forma e criando uma cultura onde era errado exibir o corpo. Yamaguchi nunca fora censurado por isso, e nunca estranhou muito ver outros de sua espécie nus — mesmo as fêmeas.

O alienígena nada comentou, mas a maneira com a qual ele o encarou fez Kei dar um risinho. Mesmo ele concordava que algumas tradições humanas pareciam muito esquisitas sob certos pontos de vista.

“Eu sei. Mas é assim que funciona para a nossa espécie. Nós ainda nos descobrimos, mas isso é visto como algo muito particular… Geralmente para nos lavarmos ou para nos reproduzirmos. Você sabe, ter filhotes.” O loiro falou mais um pouco, observando enquanto Tadashi apenas o escutava com uma de suas sobrancelhas levemente levantadas. Pelo jeito, a cultura humana era algo muito esquisito para ele.

“Filhotes, Tsukki?” Ele perguntou, pois ao menos esse conceito era conhecido para ele. Por mais que ele não fizesse a menor ideia de como reprodução humana funcionasse ou como filhotes humanos se pareciam, ele sabia que todas as espécies precisavam se reproduzir — e, de alguma maneira, isso iria resultar em outros pertencentes a ela.

“Se eu tenho filhotes? Não. Nem filhotes e nem uma fêmea para isso. Não tenho parceiro. E você, Tadashi?” Tsukishima apenas deu de ombros enquanto falava, já que não era como se aquilo importasse na vida dele. Além disso, se fosse para explicar todas as nuances que a sexualidade humana poderia ter, ele não só iria passar o resto do dia falando como apenas serviria para deixar o alienígena incrivelmente confuso. Contudo, aquela se mostrou como uma boa oportunidade para questioná-lo sobre a reprodução de sua espécie, e saber se ele tinha algo que podia ser chamado de família.

“Não…” Então ele era solteiro. Yamaguchi pareceu um pouco desanimado ao falar sobre isso, mas Tsukishima preferiu não questionar o motivo para tal. Um dia, quem sabe, ele poderia ter filhotes e uma boa parceira, quando fosse solto. Isso com certeza iria animá-lo.

“Tudo bem. Um dia você provavelmente vai ter, já que você quer.” O loiro falou, e ele percebeu que Tadashi deu um pequeno sorriso, um tanto envergonhado. Aparentemente havia ficado no mínimo lisonjeado. No final, Tsukishima devia admitir que Tadashi era até simpático quando não estava com fome ou tentando matá-lo.

Por um momento Kei quase perguntou para ele o motivo dele tê-lo atacado na selva dias atrás, mas depois ele desistiu. Era melhor não pensar muito nisso, e talvez nem mesmo o alienígena seria capaz de explicar — a melhor resposta era a de que isso tinha acontecido por puro instinto.

“Tsukki.” Yamaguchi o chamou de novo, interrompendo seus pensamentos. Por algum motivo, Tsukishima estava se perdendo muito neles naquele dia, e mesmo o alienígena estava sendo capaz de perceber isso. Era um tanto embaraçoso, na verdade — se bem que ele não iria admitir isso.

“Sim?” O loiro respondeu, ainda que com uma pergunta. Ele não sabia o que Tadashi queria, ainda mais depois daquele silêncio que havia se instalado segundos atrás. Por mais que ele fosse simpático da sua própria maneira e uma companhia relativamente agradável, sua principal característica era a imprevisibilidade. Isso, de certa forma, deixava Tsukishima ansioso para saber o que ele iria falar. Ao contrário dos seus companheiros humanos, ele não era capaz — ao menos não ainda — de saber o que se passava na mente do alienígena, e muito menos o que ele planejava dizer.

De certa forma, era frustrante. Ele não gostava de não entender as coisas. No entanto, isso ainda o deixava curioso, pois não saber apenas o fazia buscar mais conhecimento, até que pudesse entender.

“Eu… Sair.” Tadashi afirmou, encarando-o com os olhos castanhos. Ele não precisava falar para mostrar que estava com saudades da selva, de seu planeta, de ser livre. Poder sentir a terra debaixo de suas garras, alimentar-se de carne fresca, ir para onde quiser e dormir debaixo do céu estrelado. Apesar de sua fala ser imperfeita, Tsukishima sabia muito bem que ele estava querendo questioná-lo sobre quando poderia sair daquela cela e ser livre de novo.

Aquilo fazia o cientista se sentir culpado, por mais que Sugawara tivesse lhe dito que tal sentimento era desnecessário, considerando a situação em que se encontrava.

Era apenas seu trabalho, não era?

“Daqui a alguns dias. Nós ainda estamos no seu planeta, mas não podemos te soltar. E agora que você fala… Quero dizer, que eu sei que você fala… Eu não sei quanto tempo vai durar. Desculpe.” Ele respondeu, notando a dúvida em sua própria voz. Durante a madrugada, quando ele estava sozinho com Tadashi, ele havia falado com bem mais certeza — e mesmo o alienígena percebeu isso.

“Tsukki?” Por um momento o cientista não entendeu a repetição de seu nome, mas logo ele percebeu que o alienígena estava tentando lhe perguntar o motivo para ele não saber quando iria embora daquela nave. Yamaguchi parecia, em parte, com um garotinho curioso. No entanto, não era como se ele precisasse elaborar sua pergunta, pois Tsukishima já tinha entendido, ainda que fosse algo que nem mesmo ele sabia explicar direito.

Ainda assim, ele iria tentar.

“Meu trabalho e o da minha equipe não costuma envolver capturar alienígenas que falam. Nossa espécie é um tanto fraca fisicamente, mas nós somos muito inteligentes. Somos capazes de inventar coisas incríveis, mas pra isso tivemos que fazer muitas coisas horríveis. É complicado de explicar, Tadashi. Somos acostumados a usar outras espécies menos desenvolvidas para avançarmos, e é assim que sobrevivemos. É por isso que você está aqui, porque você… Parecia ser inferior a nós. Mas eu acho que estávamos enganados e lhe julgamos errado. Ao menos eu julguei errado.” Kei estava falando demais, e sabia disso. Normalmente ele não ficaria assim, mas considerando a situação, ele não achava que podia dar uma resposta simples e clara. Além disso, elaborar estava ajudando-o a entender o que estava acontecendo.

“Você não é muito diferente de nós, e não é inferior. Você não deveria estar nessa cela.” Confessou, parando para respirar fundo. Ele mal acreditava no que tinha dito. Em duas frases, Tsukishima admitiu que estava respeitando Yamaguchi e o via praticamente como igual, sem falar que também achava uma injustiça vê-lo preso.

Aquilo ia contra tudo o que seu bom senso lhe dizia, assim como as normas do seu trabalho.

Tadashi ficou quieto, absorvendo as palavras do cientista e o significado contido nelas. Por um breve instante ele mordiscou o lábio inferior, mas foi incapaz de encontrar palavras para dizer. Tsukishima, no entanto, percebeu isso.

“Está tudo bem. Você não precisa tentar me animar. Eu só acho que falei demais… Bem, de qualquer forma, eu vou trabalhar agora. Não posso ficar conversando com você o dia inteiro.” Ele sabia que aquilo soou como uma desculpa estupidamente esfarrapada, por mais que ainda fosse regada com um fundo de verdade. Ele tinha mesmo perdido uns bons minutos apenas conversando com o alienígena, e por mais que quisesse continuar, ele não podia fazer isso.

“Tu… Tudo bem, Tsukki.” Yamaguchi respondeu, parecendo ter entendido que era melhor deixar o cientista trabalhar em paz. Ao menos eles tinham chegado num consenso, e o loiro não pode deixar de se sentir um tanto grato por isso.

Ele era mesmo muito ruim quando se tratava de experiências sociais. Talvez devesse falar mais com Akiteru sobre isso e pedir um pouco de ajuda.

Após sentar-se na sua cadeira, Tsukishima deu uma última olhada para a cela do alienígena. Tadashi havia se sentado, mas captou o olhar do humano e deu um leve sorriso, que foi respondido por um singelo aceno da parte do loiro. Kei se virou um pouco depois, ficando alguns instantes sem fazer nada.

O que havia acontecido naqueles últimos minutos tinha sido realmente inesperado. Horas atrás, o cientista podia jurar que Yamaguchi era apenas um animal selvagem, ainda que fosse incrivelmente humano. Agora, porém, ele não sabia mais como classificá-lo. Ele era selvagem, mas ao mesmo tempo era inteligente, simpático, e até mesmo gentil. Sua presença era boa, e mesmo sua voz soava bem. O olhar era cheio de sentimentos, e seus sorrisos, ainda que recheados de dentes afiados, eram belos e o faziam sorrir também.

No final, ele podia até mesmo considerar Tadashi como uma espécie de amizade em potencial. Se tivesse nascido humano, era provável que eles seriam amigos, na verdade. Ele não parecia julgá-lo, era um bom ouvinte, e era de certa forma divertido ficar com o alienígena.

Tsukishima sabia que não podia considerá-lo próximo, porém. Isso era algo que ele tinha claro em sua mente desde criança, quando escutava as histórias de Akiteru. Ele não podia se apegar demais, e devia saber separar o trabalho da vida pessoal, de seus sentimentos. Não que isso significasse que ele deveria se tornar um homem frio; pelo contrário, isso dizia que ele deveria saber quando e como demonstrar o que pensava e sentia.

Seu irmão era uma pessoa incrivelmente amorosa e simpática, mas sabia levar o seu trabalho a sério. Tais qualidades sempre fizeram Kei admirá-lo, e por mais que ele trabalhasse com seriedade e afinco, ele sabia que ainda faltavam-lhe habilidades quando se tratava de socializar com as pessoas, tanto que demorou um certo tempo até que ele se acostumasse com os integrantes da Equipe CORVO.

E agora lá estava ele deixando os seus sentimentos interferirem no seu trabalho.

O loiro resolveu inspirar profundamente, para então soltar o ar lentamente. Repetiu o processo por mais algumas vezes, concentrando-se nisso. A cada vez que terminava de soltar o ar, era como se estivesse deixando ir um pedaço de suas preocupações, quase como se estivesse purificando a própria mente. Aquilo era bom, e o fazia se lembrar do que ele deveria realmente estar focado.

Após sentir-se mais relaxado, ele finalmente voltou ao trabalho. Foi por pura sorte que ninguém o surpreendeu falando com Yamaguchi, ou então ele deveria diversas explicações — na verdade, ele nem sabia como explicar aquilo para Daichi e os outros, por mais que soubesse que teria que fazê-lo.

Antes que ficasse ansioso de novo, Tsukishima resolveu cantar baixinho para distrair sua mente das preocupações. Ele podia não gostar ou concordar com diversas coisas que a sua espécie fazia, mas era inegável que os humanos eram capazes de criar excelentes músicas.

Aquela era uma de suas paixões antigas, assim como os dinossauros. A humanidade sempre fora extremamente criativa, e esse era um ponto que diferenciava a espécie de outras — e a música, por mais que fosse algo teoricamente imprático, era uma das melhores maneiras de se mostrar o quão longe a capacidade de criação humana podia chegar.

Kei podia ficar horas fazendo aquilo, e para ser sincero, ele gostava demais de música. Em sua mente ele mantinha uma espécie de biblioteca pessoal, cheia de letras das canções que ele mesmo mais gostava, fossem elas recentes ou de séculos atrás, criadas por pessoas já falecidas, algumas que nunca ao menos viram o espaço além do sistema solar. Ainda assim, isso não tirava o mérito artístico das mesmas, e algumas tocavam-lhe até o fundo de sua alma.

Normalmente ele não gostava de cantar sabendo que alguém poderia ouví-lo, então Tsukishima contentava-se em fazê-lo sozinho no quarto ou durante o banho. No entanto, mesmo que ele soubesse que Tadashi o estava ouvindo, aquilo não o deixava desconfortável. O loiro sabia que não era nenhum cantor profissional — até porque se fosse, ele não estaria naquele laboratório -, mas achava que sua voz era no mínimo aceitável.

Antes mesmo que percebesse, ele estava se animando, passando a cantar cada vez mais alto. Ele ainda estava focado — em parte — no seu trabalho, mas devia confessar que estava se divertindo. Mesmo Yamaguchi o escutava com atenção, ainda que não falasse nada. No entanto, ele parecia entretido com o pequeno show do loiro. Não era nada especial, mas preenchia o silêncio que antes predominava naquele laboratório.

Kei nem sequer percebeu quando Daichi entrou ali, e só parou de cantar quando sentiu a mão do capitão em seu ombro, gesto esse que o fizera olhar para cima, se calar e corar um pouco, envergonhado por ser pego naquela situação. Ele sabia que o outro homem não iria censurá-lo por isso, mas ainda era algo que deixava Tsukishima meio embaraçado.

“Que raridade você cantando assim, Tsukki. Tem algum motivo?” O moreno questionou, e tal pergunta fez com que o loiro travasse no lugar. Ele tinha motivos, sim, mas era complicado de explicar — e o capitão queria uma resposta.

Por um momento ele pensou em mentir, mas já era tarde para isso. Se tentasse, Daichi com certeza saberia e isso só o colocaria em mais problemas.

“Eu… Estava distraindo o Tadashi. Ele está mais calmo agora. Além disso…” Tsukishima começou a falar, e sabia que estava hesitando. Daichi apenas o encarou com um ar de dúvida, sem pressioná-lo, apenas esperando que ele terminasse a frase.

“Ele sabe falar. Nós conversamos um pouco. Pode chamar os outros aqui agora mesmo.” As palavras do cientista pareceram deixar o outro homem chocado, por mais que ele tivesse tentado não demonstrar. Ainda assim, Daichi pegou o seu comunicador, já que acreditava e confiava plenamente no julgamento de Kei.

Talvez eles estavam mesmo enganados em relação a Yamaguchi.

Notas finais
Eu estava esperando por esse momento. TODO MUNDO TAVA ESPERANDO POR ESSE MOMENTO. Pois é, quem disse que o Yamsraptor é apenas um alienzinho cachorrinho? Tá legal que ele é, mas ele também é inteligente e *---* Escrever esse diálogo dele com o Tsukki foi TÃO LEGAL. TÃO BOM, TÃO SATISFATÓRIO, TÃO PERFEITO SADJHLSAKHDASKJLH AMO DEMAIS ESSES DOIS JUNTOS, GENTE, CÊS NÃO TEM NOÇÃO DO QUANTO EU SHIPPO E AMO ELES ASSIM E eu tenho o headcanon de que o Tsukki adora cantar, mas morre de vergonha de cantar em público. Então ele prefere fazer isso quando tá sozinho, mesmo, ou quando tá na companhia de alguém com quem ele se sente REALMENTE confortável. Acho fofinho ;w; E eu sei, o final é um baita de um cliffhanger. Sorry not sorry LKSJAHSALKJ MAS VAI TER ATUALIZAÇÃO DAQUI A UNS DIAS, ENTÃO NÃO SE PREOCUPEM, PESSOAL~ Nos vemos no próximo capítulo!