Starlight
9 Atribulação
Notas iniciais
Atribulação
Tsukishima não sabia se havia feito a coisa certa ao revelar tamanha informação, mas ele se vira encurralado com a presença de Daichi. Por um lado ele achava bom ter falado logo de cara, já que isso o pouparia de uma série de possíveis aborrecimentos posteriores, mas por outro ele achava que sua atitude fora um tanto injusta, já que nem sequer perguntara a Tadashi se ele gostaria que os outros soubessem.
O loiro se viu com um nó na garganta, mas resolveu deixar aquilo de lado. Não queria agir de forma suspeita na frente do outro homem, e desde que Yamaguchi havia chegado na nave, Tsukishima só estava acumulando comentários dos outros sobre como ele via o alienígena de uma maneira errada e tensões entre ele e Kageyama — o que não ajudava em nada o seu humor e nem o dele.
Ele assistiu em silêncio enquanto Daichi chamava todos os outros tripulantes para o laboratório. Por um momento, pensou em tentar persuadí-lo, fazê-lo desistir; mas nem mesmo o cientista sabia como seria capaz de fazer isso. Seus olhar pousou em suas mãos, que estavam em seu colo, e ele aproveitou o momento para engolir a própria saliva, para então passar as mãos suadas de ansiedade em sua calça, tentando esconder tal vestígio.
Após isso ele se levantou, ficando mais alto que o capitão. Ainda assim, a vantagem que Tsukishima tinha em altura não lhe inspirava muita confiança quando comparada com a vantagem de poder que Daichi naturalmente tinha.
Não demorou muito para os outros chegarem ali. Em poucos minutos toda a equipe CORVO estava acomodada dentro do laboratório, e o cientista conseguia sentir a curiosidade em seus olhares direcionados para ele. Ainda assim, ele tentou não demonstrar seu nervosismo, e andou até ficar perto da cela de Yamaguchi novamente.
O alienígena nada falou, e quando viu a quantidade de gente, ele até mesmo se afastou um pouco, ficando sentado no chão. Seu olhar passava por todos aqueles humanos, e ele parecia não entender muito bem o motivo deles ficarem o encarando de volta, como que esperando que ele fizesse alguma coisa. Por um momento ele olhou para o cientista, o único ali a quem ele era pelo menos um pouco habituado, mas ele não parecia ser capaz de ajudá-lo — e também parecia nervoso.
“Por que estamos aqui, mesmo?” Hinata perguntou primeiro, olhando para Daichi. Este apenas apontou para Tsukishima, como que pedindo para que o loiro respondesse no seu lugar.
“Bem… Hoje o Tadashi falou pela primeira vez.” Ele falou, pausando por um momento para poder observar todo mundo. Seus olhos dourados analisaram cada um dos outros homens, e ele aproveitou para fazer suas próprias observações mentais em silêncio.
Daichi estava com os braços cruzados, olhando para o cientista no aguardo de mais. Asahi e Sugawara também tinham seus olhos fixos no loiro, mas aparentavam estar mais preocupados com ele do que interessados na notícia que ele havia acabado de dar. Tanaka, Hinata e Nishinoya estavam mais interessados em espiar Yamaguchi, por mais que ainda tentassem fingir que estavam prestando atenção nele.
Enquanto isso, Kageyama estava mais afastado do grupo. Para Tsukishima, ele era o mais difícil de ler e de entender, o que na opinião do cientista era um tanto frustrante. Em sua expressão podia-se interpretar diversas coisas: raiva, impaciência, indiferença, teimosia, talvez uma certa curiosidade, tudo junto e misturado. O moreno era uma pessoa difícil de lidar, e as possibilidades que seu rosto e olhos azuis — que sempre pareciam estar penetrando a pessoa com quem falava — carregavam deixavam Kei irritado.
Mesmo assim, ele sabia que era melhor não comprar mais uma briga com o atirador. Isso ele já tinha feito com sucesso nos últimos dias, e seria algo desnecessário agora. Seu foco era falar sobre Yamaguchi, tentar fazer com que o alienígena falasse com ele na frente de todos, e quem sabe tudo daria certo.
Não que Tsukishima fosse uma pessoa otimista.
Seu olhar enfim alcançou Yamaguchi, que parecia estar bastante retraído em sua cela. Por mais que o conhecesse havia poucos dias, o loiro já conseguia ler um pouco da sua linguagem corporal. Assim como na noite passada, ele estava todo encolhido, como se por acaso isso fosse fazê-lo desaparecer, e sua cauda estava começando a tentar se enrolar pelo seu corpo.
Por um instante seus olhares se encontraram, e o loiro percebeu o quanto Tadashi parecia estar desesperado para que ele fizesse todas aquelas pessoas saírem dali, já que ele estava claramente desconfortável. Infelizmente, porém, ele não tinha tamanho poder para salvá-lo.
Antes que qualquer um de seus colegas fosse suspeitar de qualquer tipo de comportamento esquisito, Tsukishima pigarreou, aproveitando o momento para desviar o olhar do alienígena para evitar que ele o cativasse ainda mais. Tal ato atraiu a atenção não apenas dele, como também de todos os humanos — mesmo Hinata, Tanaka e Nishinoya, que pareciam mais interessados em olhar para Tadashi, fixaram seus olhares no cientista.
O suor começou a descer pela sua nuca. Normalmente ele não se importava muito em ser o centro das atenções, e por mais introvertido que fosse, Kei tinha uma relativa facilidade quando se tratava de falar em público sem gaguejar muito, travar ou passar mal. Ainda assim, estava nervoso como um garotinho que precisava apresentar um trabalho escolar na frente dos colegas de classe. Tal sensação não era muito comum para Tsukishima, e ele mesmo não sabia direito como lidar com isso. Na verdade, ele não sabia o que fazer quando perdia sua própria confiança, já que era um evento raro.
No fundo, ele sabia que estava se duvidando se aquilo era correto. E por isso mesmo ele se sentia tão ansioso — por mais que pensasse, Kei não sabia dizer se a sua decisão e suas palavras estavam tendo um efeito positivo a longo prazo. Fazer coisas sem a certeza de que poderiam funcionar era algo que deixava o cientista tenso e impaciente, e ele não gostava em nada disso.
“Yamaguchi, pode vir. Ninguém vai te machucar.” Ele se virou e falou para o alienígena. Tsukishima sabia que o outro depositava pelo menos um pouco de confiança nele, e se ele conseguisse fazê-lo ficar um pouco mais à vontade, as coisas poderiam ir bem para os dois. É claro, o loiro jamais poderia ser capaz de adivinhar as reações dos outros caso escutassem Yamaguchi falando, mas ele tinha ao menos que tentar.
Suas palavras não pareceram muito convincentes, porém, pois Tadashi apenas se encolheu mais no lugar, balançando a cabeça em sinal de negação. Aquilo não deixou o cientista frustrado, mas sim nervoso — ele podia sentir a ansiedade do alienígena.
“Vamos, por favor. Confie em mim, eu garanto que você vai ficar bem.” Ele se sentia um tanto inútil por não ser capaz de persuadir Yamaguchi, mesmo que ele já soubesse que o alienígena não era um animal irracional. Não, ele era inteligente, ele conseguia entender a ansiedade e o leve sinal de urgência em sua voz, assim como ver o desespero crescente em seu olhar.
Tsukishima sabia que ele era capaz de lê-lo perfeitamente, e ainda assim não dizer nada. Era, de certa forma, fascinante nos momentos certos e terrível nas horas erradas. Nem mesmo seus pais eram capazes de fazê-lo, e nem mesmo Akiteru, que tanto o entendia. Ao contrário de sua família, Yamaguchi conseguia enxergar tudo, e não precisava de palavras para deixar claro o quanto sabia. Além disso, apenas o cientista era capaz de detectar tal mensagem, pois os outros humanos não pareciam estar captando a tensão entre ele e Yamaguchi.
Ou, se estavam, provavelmente não estavam interpretando da maneira certa.
“Acho que ele não está com vontade de conversar, Tsukki.” A voz de Sugawara preencheu os ouvidos do cientista, e ele logo se virou, saindo da mira dos olhos castanhos de Tadashi. Não que isso ajudasse muito, já que o outro homem o olhava com uma certa pena — não por maldade, já que Sugawara não costumava fazer isso, mas ser visto daquela forma era um tanto irritante para Tsukishima.
“É, acho que sim…” O loiro respondeu com um suspiro, olhando para baixo. Era melhor evitar contato visual com os outros, ainda que isso não ajudasse tanto, considerando que era o mais alto da equipe.
“Talvez você tenha ouvido errado, não? Você por acaso conversou com ele?” Asahi o questionou, e em seu rosto estava a mesma expressão de pena. Aquilo não surpreendeu muito Kei, já que ele imaginava que alguém iria dizer-lhe algo assim — além disso, o moreno também já devia suspeitar que ele via Tadashi de uma maneira diferente.
“Conversei. E ele me respondeu, me chamou de Tsukki e falou o próprio nome. Ele pode falar, só não muito.” Tsukishima afirmou, olhando diretamente nos olhos de Asahi. Ele não queria parecer hostil, mas sabia que ele não devia ser o único que estava duvidando do que o cientista havia escutado.
E sim, ele tinha conversado com Yamaguchi. Bastante, até. Talvez mais do que o normal e necessário. Os outros só não sabiam.
“Talvez ele apenas tenha falado porque assimilou o som repetido. Você sabe que muitos animais fazem isso, Tsukki…” Daichi resolveu se intrometer pela primeira vez naquela conversa, provavelmente porque havia se cansado de toda aquela espera para nada. Isso e porque ele concordava com as opiniões de Sugawara e Asahi — isso estava bem claro, por mais que ele não tivesse dito nada.
“Mas ele entende o que eu digo. Nós conseguimos manter uma conversa, e ele foi capaz de acompanhar perfeitamente. Não foi apenas repetição ou memorização de comandos. Foi um diálogo, como o que estamos tendo agora. E eu sei que ele está entendendo a situação aqui, e está acompanhando tudo.” O cientista argumentou, decidindo ser o mais firme possível. Aquela situação estava não apenas deixando-o desconfortável como também bastante irritado. Era como se, aos poucos, seus companheiros estivessem se virando contra ele.
Obviamente, o loiro sabia que eles pensavam no seu bem. Ele não era mais um garotinho para pensar que aqueles que discordavam da sua opinião tinham inveja ou só estavam querendo deixá-lo com raiva. Ainda assim, ele não podia deixar de ter o orgulho ferido.
“Se ele está acompanhando nossa conversa, então ele não deveria estar falando?” De todas as pessoas, Tsukishima não imaginava que Tanaka seria capaz de dar-lhe tamanha facada em forma de argumento. Aquela pergunta tão simples o deixou sem palavras, e ele evitou ao máximo olhar para o homem e para Yamaguchi. Ficar encarando o primeiro apenas o deixaria pior, e olhar para o alienígena num pedido silencioso para que ele falasse apenas o faria parecer ainda mais patético e desesperado.
“Você tem alguma explicação para isso, Tsukki?” Ele também não esperava que Hinata fosse fazer essa pergunta. Na verdade, Tsukishima não estava nada pronto para ser questionado por todos os seus colegas, não daquela forma.
Por um momento, ele se sentiu como um animal encurralado.
“Não. Eu não sei explicar.” Falou, admitindo a própria derrota. No entanto, ele estava sendo sincero, pois realmente não sabia e nem podia adivinhar as razões pelo silêncio de Yamaguchi.
O alienígena se aproximou um pouco das grades da cela, com cuidado. Aparentemente o tom de voz de Tsukishima o tinha atraído. Ainda assim, ele o fizera com passos cautelosos, sem a confiança que tinha dias atrás. Antes, Tadashi era um grande caçador, livre e capaz de fazer praticamente qualquer coisa em sua terra, mas agora ele era o prisioneiro de uma raça estranha que tinha interesse em observá-lo.
Tais humanos se viraram para ele ao perceberem a movimentação, e todos aqueles olhares fizeram o alienígena paralisar. Kei o observou por um curto momento, mas decidiu cortar o contato visual logo depois. Ainda assim, o cientista esperou, junto com seus companheiros, rezando para que Tadashi abrisse a boca e falasse alguma coisa.
Ele não disse nada.
“É, acho que já esperamos o bastante. Ele não parece que tá com vontade de falar… Se é que ele consegue falar, Tsukki.” O tom de dúvida era óbvio na voz de Daichi, e isso fez com que o sangue de Kei fervesse em suas veias. Ele estava realmente duvidando de suas observações, e isso ferira diretamente o seu orgulho não apenas de cientista como também humano — e se havia uma coisa que ele odiava, era ter o orgulho ferido.
“Se vocês acham que estou enlouquecendo, então, podem ir. Não preciso ficar ouvindo essas coisas de vocês.” Ele estava cheio de raiva, mas tentou ao menos parecer uma pessoa civilizada. Se fosse para perder a paciência de verdade, Tsukishima iria ao menos se controlar até que tivesse um excelente motivo para fazê-lo, pois também tinha seus limites.
“Opa, Tsukki, ninguém aqui falou nada disso! Se você tá ofendido tudo bem, mas não precisa ficar puto…” Nishinoya logo se intrometeu, e por mais que Kei soubesse que ele estava falando aquilo por pura bondade para querer controlar a situação, suas palavras não serviram para acalmá-lo.
“Eu não estou puto. Só irritado.” Tsukishima mentiu, e ele sabia que não fora nada convincente. Seu tom de voz estava um tanto alterado, e era óbvio que todos os presentes perceberam isso. Mesmo Yamaguchi se afastou, dando alguns passos para trás, mas sem desviar o olhar do loiro.
“Nada disso, você tá puto.” De todas as pessoas que podiam falar isso, foi justamente Kageyama quem o fizera. Era irritante, no mínimo, escutá-lo falando aquilo, ainda mais porque ele estava certo.
Tsukishima respirou fundo, cerrando os punhos. Ele não queria descontar a raiva em ninguém, mas estava difícil — e parecia que, quanto mais tempo se passava, mais irritado ele ficava.
“É, eu estou puto mesmo. Você tá certo. Mas eu não estou louco. O Yamaguchi falou comigo, e se vocês não querem acreditar em mim, então é problema de vocês. Podem achar o que for, eu não ligo. Eu sei o que estou fazendo com minha vida e meu trabalho, certo?” Ele estava ao ponto de falar tudo de uma vez para os outros, mas ele sabia que se não se controlasse e explodisse, as coisas ficariam ainda piores do que já estavam. Por mais que ninguém falasse nada, Kei sabia muito bem o que os outros estavam pensando.
Que ele era louco. Que sua sanidade estava fugindo e que ele estava se apegando demais a Yamaguchi. Era até provável que eles achassem que ele havia se apaixonado pelo alienígena ou algo assim, de tão próximo que ele havia ficado dele naqueles dias.
Eles com certeza achavam que suas emoções o estavam afetando durante seu trabalho, e a pior parte era que eles estavam certos.
Ainda assim, seu orgulho e sua teimosia não o fariam admitir isso. Ele ainda era são, e sabia muito bem o que fazer. Kei Tsukishima não precisava ser julgado silenciosamente — ele precisava era ser deixado em paz e com espaço para botar ordem na sua vida.
“Não sou criança. Não preciso que vocês fiquem me encarando desse jeito com medo de falar comigo e me machucar ou algo assim. Sinceramente, foda-se. Eu quero ficar sozinho. Se alguém quiser falar alguma coisa, que fale agora antes de sair.” O loiro fez o melhor que pode para falar de uma maneira ainda civilizada, e a cada segundo que se passava sem que ninguém saísse, mais impaciente ele ficava. Será que por acaso eles haviam decidido testar os seus nervos naquele dia?
“Tsukki, não quer conversar? Tenho certeza que você só está meio estressado e isso foi um mal entendido… Essas coisas aconte…” Sugawara havia começado a falar como se fosse a mãe do time, e por mais que isso fosse adorável da sua parte, foi o que serviu para que Tsukishima perdesse a paciência de uma vez.
Ele não precisava ser tratado daquele jeito.
“Não! Eu não quero conversar! Eu quero que vocês me deixem em paz! Tá difícil assim de entender? Eu já falei que quero ficar sozinho, cacete! Vão logo! Podem fofocar sobre mim num outro lugar, eu não ligo, mas por favor, saiam antes que eu tenha que empurrar todos vocês pra fora!” Se antes eles não estavam convencidos, agora suas opiniões mudaram. Tsukishima raramente gritava por alguma coisa, então escutá-lo assim realmente serviu para mexer com todos os outros tripulantes.
Ele tinha mesmo levado aquilo tudo bastante a sério.
“Certo, nós vamos sair e te dar privacidade.” Daichi tomou o controle da situação, e foi o primeiro a se dirigir para a porta, seguido pelos outros homens alguns segundos depois. Estes nada disseram, percebendo o clima de tensão instalado no local, mas o cientista ainda tinha uma última coisa para pedir.
“Sugawara.” Um arrepio se passou pela espinha dele, ainda mais porque ele sabia que fora sua fala que instigara o ataque de raiva de Tsukishima. Tentando manter a compostura, ele se virou, olhando por um instante para o homem mais alto que estava logo atrás dele.
“D-descul…” Ele começou a falar, já que imaginava que o loiro iria gritar com ele novamente. No entanto, apesar de ter sido interrompido, Tsukishima já parecia estar um pouco mais calmo.
“Não. Não é isso. Eu quero que você deixe o jantar no meu quarto. Eu vou comer lá.” A frieza e seriedade tomaram conta das palavras do cientista, e por um instante Sugawara pensou em falar que estava tudo bem e que ele não só poderia como deveria jantar com todos os outros tripulantes na cozinha — no entanto, ele logo se lembrou do que acontecera segundos atrás, o que o fizera desistir. Se Kei havia ficado zangado daquela maneira, talvez o melhor seria dar-lhe o tempo e a privacidade que ele queria.
“Certo…” Ele respondeu, assentindo. No momento, era melhor deixá-lo quieto. Depois eles poderiam conversar e se resolver.
Tsukishima ficou em silêncio, apenas olhando para a porta enquanto cada um dos seus companheiros ia embora. Ele mordeu o lábio inferior, frustrado com a situação, mas deixou de fazê-lo quando enfim viu-se a sós. Por mais que soubesse que deveria voltar a trabalhar, sua mente não estava em condições.
Seu olhar acabou parando em Yamaguchi, que estava apenas observando tudo em silêncio, sentado no chão. Ainda assim, o alienígena percebeu a intensidade do pequeno gesto do loiro, e sua cauda acabou enrolando-se um pouco mais, ficando mais perto de seu corpo.
“T-Tsukki, eu… D-Des…” A hesitação era presente na voz dele, e isso fez com que Tsukishima o interrompesse — ele realmente não estava com paciência para escutá-lo falando até o final da frase, até porque já sabia como ela ia acabar.
“Não precisa pedir desculpas, Tadashi. Você não me deve nada. Eu que devo sua liberdade. E a culpa foi minha, de qualquer forma.” O cientista afirmou, e por mais que estivesse irritado, também dava para perceber que ele estava um tanto decepcionado consigo mesmo. Ele não podia e nem conseguia culpar Yamaguchi, até porque sabia que o alienígena se vira tão encurralado quanto ele naquela situação — no entanto, Tsukishima era quem tinha mais poder ali em relação ao que podia fazer, e acabou perdendo o controle.
Ele era ridículo.
“Eu nem te perguntei se estava tudo bem em falar pros outros sobre você falando, mas acabei contando mesmo assim. E deu merda. A culpa é minha. Não se martirize. Tadashi, eu… Deveria estar tentando te soltar, mas só estou fazendo tudo ficar pior. Sem falar que eu tô puto com todo mundo, e acho que todo mundo tá chateado comigo depois dessa… Foi mal. Mesmo.” Kei sabia que devia desculpas para os outros tripulantes, mas ele também devia para Tadashi. Na verdade, ele devia muita coisa para aquele alienígena, especialmente sua liberdade, e nem isso ele estava conseguindo.
Ainda assim, Yamaguchi era o único que não parecia estar chateado com ele de alguma forma, e isso servia para fazer com que Tsukishima se sentisse menos inútil. Na verdade, a presença dele já servia para acalmá-lo, assim como o seu silêncio.
“Obrigado, Tadashi. Você é o único que ainda confia em mim… Eu vou fazer essa confiança valer. Prometo.” Ele definitivamente era ridículo, falando daquele jeito com Tadashi. No entanto, aquilo o fazia se sentir um pouco mais confiante. De alguma forma, ele iria dar um jeito — Tsukishima sempre achava uma solução, no final.
E ele sabia que iria conseguir resolver esses problemas também.
Fale com o autor