Starlight
10 Lampejo
Notas iniciais
Lampejo
Tsukishima acabou comendo no seu quarto, como havia dito. Por mais que ficar sozinho com Yamaguchi tivesse servido para acalmá-lo, ele ainda não se sentia bem o bastante para conversar com os seus companheiros. Na verdade, ele nem sequer saiu dele depois de jantar, preferindo ficar sozinho com os seus pensamentos.
Ele sabia que tinha extrapolado no laboratório, e que os outros só queriam ajudá-lo. Por isso, ele era grato — era bom saber que seus colegas se importavam com ele daquela forma. No entanto, eles não nutriam a mesma preocupação por Yamaguchi, e era isso que irritava o cientista. Parecia que ele era o único que reconhecia a inteligência e a capacidade do alienígena naquela nave, e isso era injusto e frustrante.
Por um momento, Kei pensou em chamar o seu irmão. Akiteru era bom com conselhos, e entendia as pessoas melhor que ele. Talvez, se ele explicasse a sua situação, seu irmão mais velho poderia ajudá-lo. Porém, Kei sabia que ele também não podia fazer nenhum milagre. Ele provavelmente nunca se vira numa situação tão complicada quanto a dele, e por isso mesmo talvez nem saberia como ajudá-lo. Além disso, o loiro sabia que não estava muito bem, e não queria arriscar conversar com Akiteru e acabar brigando com ele ou deixando-o preocupado. Por isso mesmo, ele decidiu ir dormir, já que o ajudaria a se sentir melhor.
Quando acordou, Tsukishima quase acreditou por um momento que tudo estava magicamente resolvido. No entanto, logo ele percebeu que só tivera uma boa noite de sono, e seus problemas continuavam presentes. Tal fato o desanimou um pouco, e ele não pode evitar de sentir vergonha de si mesmo quando se lembrou do modo como ele agira no dia anterior.
Para alguém que se orgulhava tanto por ser maduro, Kei havia agido igual a um adolescente rebelde. Pensar nisso era deveras embaraçoso, ainda mais porque ele sabia que teria que encarar os seus companheiros de nave, trabalho e viagem assim que saísse do quarto — e por mais que ele pudesse tentar, fugir só o faria parecer ainda mais infantil. Ele não sabia muito bem como lidar com isso sem se sentir no mínimo desconfortável, mas não era como se evitar o contato humano até o final da viagem fosse uma opção viável.
Portanto, Kei concluiu que era melhor sair do seu quarto de uma vez, deixar a vergonha de lado e simplesmente encarar os fatos. Ele fora estúpido no dia anterior, mas era humano e também podia cometer erros. Não era a primeira vez que acontecia um desentendimento, e se ele ficasse se isolando, as coisas apenas iriam ficar piores — então falar com os outros sobre isso civilizadamente era mesmo a melhor, única e mais madura opção ali.
Akiteru provavelmente lhe daria um tapinha nas costas por ele ter chegado a tal raciocínio sozinho. Se fosse alguns anos atrás, ele demoraria mais para fazê-lo.
Assim que ele deu o primeiro passo para fora de seu quarto, Kei sentiu o peso da tensão que havia deixado naquela nave no dia anterior. Por mais que estivesse se sentindo um tanto estúpido por causa disso, ele resolveu continuar andando e seguiu para a cozinha. Felizmente, havia acordado mais tarde naquele dia — talvez porque tinha demorado para cair no sono na noite passada — e por isso mesmo só tinha uma pessoa na cozinha.
Uma pena que essa pessoa era Kageyama.
Com um leve suspiro, Tsukishima resolveu fazer seu café-da-manhã. Ainda dava tempo para ele comer algo leve antes do almoço. Se fosse num outro dia, Daichi ou alguma outra pessoa teria passado no seu quarto para acordá-lo, mas pelo visto os outros tripulantes decidiram deixá-lo dormir à vontade — o que, de fato, melhorou um pouco o seu humor. O que o diminuíra um pouco, porém, era ter encontrado Kageyama.
Ele com certeza devia estar pagando pelo o que tinha feito no dia anterior.
Kei tentou não demonstrar muito a irritação que sentia, tanto sobre si mesmo quanto por causa da companhia do moreno, mas ele sabia que uma hora ia ter que falar com ele. E se era para fazer isso, então que fosse logo, para que assim ele pudesse ir comer e seguir com seu dia.
“E aí.” Para a sua sorte, o atirador tomou a iniciativa de puxar o assunto. Tsukishima aproveitou o tempo que tinha entre o cumprimento dele e a resposta que ele iria dar para pensar em algo que não soasse estupidamente passivo agressivo — como ele normalmente faria caso quisesse apenas zoar um pouco da sua cara — e também para pegar comida.
Sugawara havia deixado a sua porção convenientemente separada, aliás, o que era bem gentil da sua parte. O cientista tinha que se lembrar de agradecê-lo por isso mais tarde, e também se desculpar por tê-lo tratado mal e abusado de sua boa vontade.
“Oi.” Aquela não era o melhor resposta, ele sabia, mas Tsukishima não queria se arriscar a falar mais e acabar dizendo algo que não devia. Na verdade, aquela situação toda o deixava um tanto desconfortável — não apenas por ele estar sozinho com Kageyama, em específico, mas também por causa de tudo o que havia acontecido nas últimas vinte e quatro horas.
Ele estava tão concentrado em ficar quieto que nem mesmo percebeu quando o atirador sentou-se ao seu lado na mesa, por mais que já tivesse comido.
“Olha, eu…” Kageyama começou a falar, mas pausou no meio da frase, deixando Tsukishima curioso. Por algum motivo, o atirador parecia estar um tanto tenso, como se não soubesse exatamente o que ia dizer, e foi por isso que o cientista não o interrompeu e apenas ficou ali, comendo e esperando o moreno terminar.
“Desculpe. Por ter sido cuzão esses dias e por não ter te ajudado ontem.” Tsukishima quase cuspiu o café quando escutou aquelas palavras saindo da boca do atirador. Ele achava que estava preparado para muita coisa, mas definitivamente não imaginava que Kageyama seria a primeira pessoa a lhe pedir desculpas depois de tudo o que havia acontecido no dia anterior — honestamente, ele achava que o primeiro a fazer isso seria Sugawara.
“Oh. Certo. Aprecio as desculpas. Só não imaginava que você queria me defender ontem. Sem ofensa.” O loiro não sabia exatamente como responder, mas pelo menos ele estava sendo sincero — ele realmente havia apreciado o fato de que o outro homem havia pedido desculpas, como um adulto decente.
“Eu concordo com você. O Tadashi parece ser bem inteligente. Acho que você só percebeu antes de todo mundo.” De uma maneira inesperada, o que Kageyama estava falando fazia sentido, e também o ajudava a se sentir um pouco melhor. Seu humor ainda não estava perfeito, mas Tsukishima com certeza levaria aquelas palavras em consideração.
Afinal, se ele havia percebido antes dos outros, isso significava que ele precisava convencê-los de que Yamaguchi era, sim, racional. Era algo simples e lógico, mas que ele nem havia pensado direito de tão estressado que havia ficado nos dias anteriores.
“Obrigado.” Ele não sabia se estava agradecendo o outro pelo fato dele ter se desculpado ou porque isso o fez enxergar uma nova possibilidade — talvez, no fundo, foi pelas duas coisas. De todas as pessoas que poderiam ajudá-lo, ele não esperava que Kageyama fosse fazê-lo assim, tão inesperadamente e logo depois dele acordar. Isso apenas provava o quanto o cientista achava pessoas estranhas de vez em quando.
“Bem, eu vou indo. Nos vemos por aí. E eu já fiz as pazes com o Hinata, aliás.” Pelo jeito Kageyama só queria que ele soubesse que estava arrependido de suas ações nos dias anteriores, e pelo menos em uma coisa tanto ele quanto Tsukishima podiam concordar — falar com outras pessoas podia ser um tanto embaraçoso e esquisito de vez em quando.
Ao menos ele se desculpou e poupou o loiro de muito trabalho.
“Bom saber.” Kei afirmou, e logo em seguida o atirador saiu da cozinha, deixando-o só. Não demorou muito para ele terminar de comer, e assim que o fez ele lavou a própria louça — era o mínimo que podia fazer, considerando que Sugawara tivera a boa vontade de separar seu prato — e seguiu para o laboratório.
No caminho, ele acabou encontrando Asahi e Nishinoya, e não soube exatamente o que dizer — por isso mesmo, acenou, como que dando bom dia, mas logo o mais baixo resolveu puxar assunto.
“Como é que você tá hoje, Tsukki? Se sentindo melhor?” A pergunta feita pelo mecânico não parecia em nada com um deboche. Pelo tom de voz, Tsukishima percebeu que ele parecia na verdade um tanto preocupado com ele. O loiro o encarou, e logo depois passou a olhar para Asahi, que por mais que estivesse em silêncio, parecia estar igualmente preocupado, e até mesmo meio arrependido.
“É, acho que sim.” Ele estava melhor que no dia anterior, isso era fato, mas ele não podia se considerar realmente bem, ao menos não para os seus padrões. Enquanto que não estivesse muito irritado ou triste, Tsukishima ainda sentia uma certa ansiedade em seu peito, junto com diversas dúvidas; estas envolvendo tanto o que ele pensava de si mesmo quanto sobre os outros, especialmente Tadashi.
Por algum motivo, ele estava especialmente ansioso para vê-lo, depois de toda aquela confusão. Kei ainda se lembrava de como o alienígena tentou lhe pedir desculpas, mas a culpa não era dele — e o loiro deixou isso bem claro para Tadashi. Porém, em outras circunstâncias, ele não achava que teria a mesma reação. Teoricamente, ele devia estar com raiva do outro, visto que ele não falou quando deveria e por isso mesmo tornou tudo mais difícil para o cientista, mas ele não se sentiu assim. Ao menos, não em relação ao alienígena meio humano e meio réptil.
Talvez Asahi estivesse certo, pois ele estava definitivamente sendo bonzinho demais com Yamaguchi.
“Não fique se culpando por ontem… Nós também fomos meio grossos com você. Foi mal.” Asahi falou, ainda que num volume baixo e olhando pros próprios pés, quase como se tivesse ficado com vergonha. Restou a Nishinoya a opção de dar uma cotovelada nele, fazendo-o se endireitar novamente e soltar um gemido de dor.
“É isso aí. E você não precisa ficar todo pra baixo por causa disso também, seu chorão.” O mais baixo acabou por falar, com um sorrisinho meio sacana no rosto. Era no mínimo curioso ver o quão próximo ele era de Asahi, considerando como eles eram diferentes — e não apenas quando se tratava de altura. Nishinoya era praticamente o oposto de Azumane tanto em aparência quanto em temperamento, sendo bem mais agitado e animado do que ele. Ainda assim, os dois se davam muito bem, e não era incomum vê-los juntos, assim como acontecia com Hinata e Kageyama.
Pelo menos Tsukishima se dava bem com os dois lados dessa dupla, e não nutria rancor algum por ninguém. Na verdade, ele até apreciava como ambos claramente se importavam com ele, cada um com a sua maneira.
“Eu não ia chorar!” Asahi exclamou, fingindo estar mais ofendido quando na verdade estava mesmo era constrangido — coisa que era comum de acontecer quando Nishinoya resolvia pegar um pouco no seu pé.
“Aham, sei. Mas enfim, Tsukki. Nós dois queríamos dizer que não estamos bolados com você por causa de ontem. Pode ficar tranquilo.” Ele falou, então, meio que dando de ombros. Se fosse mais alto, provavelmente tentaria dar um tapinha nos ombros do loiro, ou então fazer cafuné. No entanto, como isso não era possível, o engenheiro se limitou a dar-lhe um sorriso para apoiá-lo.
“Obrigado.” Kei respondeu, tentando sorrir de volta. Pelo menos agora ele tinha o apoio de mais duas pessoas. Ele não sabia bem o que estava acontecendo, mas de qualquer forma, estava gostando — ver os seus companheiros se esforçando para deixá-lo mais à vontade com certeza era algo que estava ajudando. Tsukishima conseguia sentir a ansiedade diminuindo, e aos poucos ele estava se sentindo melhor — não completamente, mas com certeza bem melhor do que estava na noite passada.
Ele não se encontrou com mais ninguém antes de chegar no laboratório. Assim que o fizera, o cientista se viu sozinho novamente, exceto pelo fato de que Tadashi ainda estava na sua cela. Depois de todo aquele tempo, ele finalmente iria descobrir como o alienígena estava, e só de pensar nisso ele sentiu o coração bater um pouco mais rápido.
Tsukishima tentou ignorar tal fato, e aproximou-se da cela. Yamaguchi havia notado sua presença, e seus olhos castanhos pareciam seguir os seus movimentos. Porém, ele estava sentado no chão com a cauda ligeiramente encolhida, desanimado. Não foi necessário para o cientista pensar muito para saber o motivo disso.
“Ei, Tadashi.” Ele chamou, ficando um pouco mais perto da cela e se ajoelhando, ficando na mesma altura que o alienígena. Este continuou em silêncio por alguns instantes, e então inspecionou a área ao redor rapidamente, meio desconfiado, antes de falar.
“Tsukki.” Escutá-lo falando aquilo, ainda que baixinho e de uma maneira cabisbaixa, fazia o loiro sorrir. Por algum motivo, ele gostava de ouvir Yamaguchi falando o seu apelido, fosse por causa de sua voz — que era bastante bonita — ou porque ele simplesmente parecia adorável ao fazê-lo.
“Você está com fome?” Ele perguntou, mesmo que soubesse que o outro provavelmente estivesse faminto — o que acabou se provando como sendo verdade, pois ele não apenas assentiu como murmurou um “sim”. Tal ato fez com que Tsukishima se levantasse, indo pegar a carne para que ele pudesse comer, e mesmo depois dele jogar na cela, o loiro notou que não era apenas a fome que o incomodava, e ele ainda comia sem muito gosto.
Sua cauda sequer balançava, e ele não atacara a comida com aquele mesmo apetite voraz dos dias anteriores. Aparentemente, Tadashi também parecia ainda estar um tanto chateado em relação aos acontecimentos da noite passada. Por um momento, Tsukishima até searrependeu por não tê-lo visitado de madrugada, assim como tinha feito na outra noite. Ele dormiu pouco depois, obviamente, mas ele não podia dizer que não valeu o esforço.
Kei ainda se lembrava de como fora sentir a textura das escamas de Yamaguchi contra sua pele, assim como a maneira que suas garras acariciavam-lhe a sua mão. Ele fora surpreendentemente gentil, e o loiro gostaria de sentir aquilo novamente. Fora um momento único em sua vida, e enquanto sua mão estava conectada com a de Tadashi, ele podia sentir como se o entendesse perfeitamente.
Tsukishima estava começando a sentir falta disso, por mais que não confessasse. No entanto, toda vez que seu olhar se encontrava com o do alienígena, ele podia jurar que o outro também compartilhava daquele sentimento.
“Tsukki.” A voz de Tadashi chamou sua atenção novamente, fazendo-o encarar Yamaguchi. Assim como na primeira vez em que se viram, suas patas e rosto estavam sujos de sangue, e Tsukishima o viu passando a língua por cima dos lábios para limpá-los. No entanto, ele não sentiu medo e nem nojo daquilo, pois ele estava começando a se familiarizar com tal ato.
“O que é, Tadashi?” Ele perguntou, pensando se não estava dedicando tempo demais da sua vida para pensar e interagir com aquele alienígena. Ele devia estar trabalhando, ainda mais depois do que aconteceu no dia anterior. Em parte, ele até queria estar fazendo isso, mas sua vontade de ficar com Yamaguchi para poder conversar e aprender com ele era bem maior.
O alienígena olhou para ele com uma expressão um tanto pensativa, e então abriu a boca para tentar falar novamente.
“O… Obri…” Ele tentou falar, mas não conseguia formar as sílabas tão bem ainda. Yamaguchi soltou um grunhido frustrado, e Tsukishima não pode deixar de sorrir com aquilo — pois, querendo ou não, era adorável quando ele ficava assim, por mais que não ajudasse muito na comunicação entre eles, que ainda estava se desenvolvendo.
“Obrigado.” O humano falou devagar, ajudando-o. Ele percebeu o quanto Tadashi parecia atento a ele naquele momento, talvez para poder assimilar melhor a linguagem humana. Para uma criatura que tivera contato por poucos dias, ele estava aprendendo rápido, e isso de certo modo era bastante fascinante — Tsukishima se perguntava o quanto Tadashi seria capaz de aprender caso ficassem mais tempo conversando.
“Obrigado, Tsukki.” Ele conseguiu falar bem na segunda tentativa, e acabou dando um pequeno sorriso ao perceber que teve sucesso. Tsukishima quase pensou em entrar na cela para poder fazer carinho na sua cabeça, como se ele por acaso fosse um bichinho de estimação, mas logo depois ele desistiu. Aquela não era a hora certa para isso, e se ele fosse pego, ficaria devendo boas explicações. Considerando como sua situação envolvendo o resto da Equipe CORVO era frágil, era melhor não arriscar.
Ao menos não agora.
O fato de que ele achou prudente deixar a possibilidade de realizar tal ato mais tarde deixou o próprio loiro um tanto surpreso. Se fosse com qualquer outro alienígena, ele jamais cogitaria isso, mas Tadashi era definitivamente diferente. Ele com certeza era capaz de mexer com a mente racional de Tsukishima, e ele não se importava tanto assim com isso.
Era interessante descobrir o quanto a mera existência de Yamaguchi era capaz de desafiar Kei a ir além de barreiras que ele não achava que pensaria em ultrapassar. Barreiras estas criadas por ele mesmo, pela sua equipe, e pelo seu trabalho. Era arriscado, ele sabia, mas ao mesmo tempo o deixava animado.
“Muito bem.” Ele não sabia porque tinha elogiado o alienígena, mas ele gostou, visto como seu sorriso se alargou e agora Tsukishima podia ver seus dentes afiados e ainda sujos de sangue — o que, de certa forma, tornava tudo estranhamente adorável. Quando ele viu Tadashi pela primeira vez, o cientista jamais imaginaria que o veria sorrindo daquela forma para ele, ainda que depois de comer.
Ele com certeza era um caso especial.
Kei acabou por sorrir em resposta, sem deixar de notar a cauda do alienígena balançando logo atrás dele. Ele ainda parecia um tanto cabisbaixo, mas ao menos havia ganhado um pouco mais de energia e animação, e isso de certa forma deixava Tsukishima mais animado também.
Depois disso, ele resolveu ir trabalhar. Não podia ficar o dia inteiro falando com Tadashi, infelizmente. No entanto, seus pensamentos conseguiram chegar a uma certa ideia que poderia dar certo. Assim que Tsukishima pensou nisso, ele acabou por questionar se realmente levaria isso a sério, pois parecia ridículo — novamente, o loiro resolveu espiar Yamaguchi em sua cela, que estava deitado e quieto, de costas para ele e provavelmente cochilando.
Depois de alguns segundos de contemplação, Kei soube que iria seguir em frente com o que estava em sua mente, por mais ridículo que soasse.
E não haveria ninguém ali que seria capaz de pará-lo.
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