Starlight
13 Fraternidade
Notas iniciais
Fraternidade
Kei sabia muito bem que a melhor opção era falar com Akiteru. Naquela hora da noite, depois do jantar, o mais velho já estava em casa e com certeza poderia dispor de tempo livre o suficiente para conversar com ele. Não custava nada chamá-lo — ainda assim, o Tsukishima mais novo sentia uma certa ansiedade em relação a isso.
Não que ele temesse que seu irmão fosse fazer qualquer coisa ruim. Akiteru jamais faria algo para deixá-lo se sentindo mal, ao menos não de propósito. Ele era com certeza um verdadeiro exemplo de dedicação, especialmente quando se tratava de manter boas relações familiares. Além disso, ele era o seu parente mais próximo e a pessoa em quem ele devia mais confiar — até mesmo porque se não fosse por Akiteru, Kei provavelmente não teria aquele trabalho e não teria se apaixonado por ciência, genética, dinossauros e seria uma pessoa completamente diferente.
Na verdade, se não fosse pelo seu irmão, ele não saberia nem mesmo o que seria da sua vida. Era estranho imaginar-se num universo sem ele, onde Kei seria filho único, sem ter a constante companhia de Akiteru para alegrá-lo, lhe ensinar sobre o mundo, brincar com ele e oferecer-lhe todo o seu amor que parecia nunca acabar — e que realmente devia ser infinito, considerando o quanto ele ainda era apegado ao seu irmão mais novo mesmo depois dos dois crescerem e já terem se tornado adultos.
O Tsukishima mais novo estava sozinho em seu quarto, e tinha se trancado para garantir privacidade. Normalmente ele não fazia isso porque não era necessário, ainda mais porque os outros membros da Equipe CORVO sabiam da existência de Akiteru e do fato de que ele ocupara o lugar de Kei anos atrás, e eles já visitaram a casa dos Tsukishimas algumas vezes no seu planeta natal, Thalassa, quando não havia nenhuma viagem para ser feita.
Kei se perguntava como o seu irmão devia estar agora, sozinho na casa que os dois herdaram após a morte de seus pais — o pai morreu primeiro um pouco depois dele se formar na faculdade, já a mãe faleceu há poucos anos, vítima da idade. Obviamente, os dois filhos acabaram com toda a herança, incluindo a casa da família, grande e com um quintal, que ficava num bairro de classe média-alta. Os irmãos sempre moraram lá, e decidiram ficar com ela não apenas em memória dos pais, que trabalharam duro para construí-la logo depois de casarem, como também pelo fato de ter uma boa localização e ainda estar em boas condições. Além disso, ambos eram solteiros, então no momento aquilo bastava.
Akiteru provavelmente já devia ter chegado do trabalho e jantado alguma coisa que podia ser feita rapidamente, pois devia estar cansado e sem vontade de fazer algo muito elaborado. O loiro conseguia imaginar o mais velho comendo sozinho na cozinha, assistindo o noticiário e então indo lavar a louça. Depois, iria tomar banho e ficaria livre pelo resto da noite, a não ser que tivesse relatórios para fazer ou alguma outra coisa relacionada ao seu trabalho.
Algumas vezes, ele também saia com os amigos — afinal, Akiteru também merecia viver. Essa noite não seria uma delas, porém, já que o mais novo lhe mandou uma mensagem mais cedo perguntando se ele teria a noite livre para que pudessem conversar, e recebeu uma resposta positiva.
A essa hora, Akiteru já devia ter terminado a sua rotina noturna. Talvez ele estivesse já esperando o irmão mais novo lhe chamar — isso era algo que Kei conseguia enxergar perfeitamente. Ele mesmo sabia que já deveria ter feito isso, pois já tinha terminado de jantar e não teria mais nenhuma obrigação a cumprir naquela noite. Além disso, ele não devia deixar o mais velho esperando sem uma justificativa, já que isso seria falta de educação da sua parte.
Ainda assim, ele estava nervoso. Não seria a primeira e muito provavelmente nem a última conversa mais séria que teria com seu irmão, mas isso não significava que ele ficaria completamente calmo. Era um assunto delicado, e Kei sabia que teria tomar cuidado com as palavras. Ele já tinha errado com praticamente todo mundo naquela nave, e não queria agora acabar passando a impressão errada para a sua última esperança.
Não que ele não confiasse em seu irmão. Ele era muito bom em saber o que ele estava realmente sentindo e o que ele gostaria de dizer.
Isso, em parte, também o deixava ansioso. A facilidade que Akiteru tinha em conseguir enxergar através de seu rosto, suas palavras e até mesmo sua linguagem corporal era algo que fazia mentir ou simplesmente esconder algo dele uma coisa muito difícil. Ele não planejava mentir descaradamente para o irmão, mas no momento, Kei não se sentia confortável para falar sobre o que ele sentia exatamente por Yamaguchi, até porque ele só havia percebido que estava realmente apaixonado pelo alienígena na madrugada anterior.
Akiteru não iria julgá-lo. Ele tinha a mente aberta, ele amava seu irmãozinho, mas ainda assim, isso era algo que o cientista não se sentia à vontade para expressar na frente de alguém que não fosse Tadashi — que, aliás, também parecia ter a mesma capacidade de enxergar através dele, da mesma maneira que Akiteru fazia e talvez até mesmo com mais intensidade.
Por algum motivo, Kei só conseguia se expressar direito com quem realmente conseguia ver através de suas entrelinhas. E por isso mesmo, ele também hesitava em conversar com quem era capaz disso de vez em quando, por medo de deixar passar informações demais.
Ele vivia reclamando que pessoas eram confusas, mas ele mesmo também tinha seus momentos confusos e sentimentos contraditórios — e isso realmente o frustrava.
No entanto, ele não podia passar a noite inteira esperando seu irmão chamá-lo ou ficar encarando a tela do computador e não fazer nada. Ele não podia ser covarde desse jeito, ainda mais quando já devia ter conversado com o irmão mais velho dias atrás quando aquela confusão toda ainda estava se iniciando.
Por isso, o cientista decidiu que era melhor chamá-lo e acabar com aquilo o mais rápido possível, além de obter suas respostas.
Enquanto Akiteru não respondia, ele se perguntava o que o irmão estava fazendo. Talvez tivesse ido ver televisão ou ouvir música e não estava escutando o barulho da chamada, ou então estava ocupado com alguma coisa. Por um momento, Kei até pensou em tentar mais tarde, mas ele sabia que isso era uma desculpa para fugir dos seus problemas e que ele não podia mais fazer isso.
Assim que ele pensou nisso, seu irmão finalmente atendeu. Sua imagem apareceu na tela, e ele estava com o cabelo molhado e uma toalha em mãos. As roupas eram simples, de usar em casa, e Kei conseguia ver que partes da camisa que o mais velho estava usando também estavam úmidas, e era bem óbvio que ele tinha acabado de tomar banho — o que significava não apenas sua demora como também o jeito um tanto desleixado em se vestir.
“Desculpe a demora, irmãozinho! Quando você chamou eu tinha acabado de sair do banheiro…” Isso era bem óbvio, mas pelo menos foi algo gentil de Akiteru em avisar — mesmo que fosse enquanto secava o cabelo. De qualquer forma, ele ainda estava de frente para a tela, e estava tentando se focar nela da melhor maneira possível.
“Tudo bem. Não é como se eu estivesse com vontade de te ver pelado, então você fez bem em se vestir.” O mais novo retrucou com um sorrisinho sacana, apenas para provocar o irmão. Ele não podia perder a chance, e assim que Akiteru ouviu isso, ele acabou soltando um barulho frustrado e fez bico, imitando uma criança.
“Ei, assim você me magoa! E as vezes que tomamos banho juntos quando éramos crianças, não significam nada pra você?” Ele tentou parecer irritado, mas Kei sabia que no fundo o irmão se divertia com aquelas pequenas provocações. Se eles estivessem juntos, o cientista já teria pego a toalha das mãos do outro de propósito, só para vê-lo reclamando mais um pouco antes dele devolver, mas isso não era possível no momento.
“Significam sim, mas agora que somos adultos eu prefiro te ver com roupas.” O loiro respondeu, fazendo Akiteru dar um risinho. Ele sabia o quanto o mais velho dava valor a todas as memórias dos seus tempos de infância, quando eles eram crianças e tinham muito tempo livre — o que significava que eles praticamente não se separavam. Kei, em especial, era muito apegado ao maior, e era claro o quanto ele fazia questão de guardas as lembranças desse tempo com carinho.
Akiteru não era o único que valorizava isso, porém. O mais novo também sentia muita falta dessa época, mas agora eles estavam crescidos e as coisas mudaram. Pelo menos eles ainda eram unidos, só não tinham o tempo livre de antigamente.
“Certo, certo. Você era mais fofo quando era um menininho. Ficava todo animadinho com tudo… Mas então, como vão as coisas? Tem algo que você quer falar comigo, né?” Num instante o mais velho voltou a ficar sério, assumindo uma postura mais preocupada. Por mais brincalhão que fosse, ele sabia quando era o momento de deixar essas coisas de lado, e essa era mais uma coisa que Kei tanto admirava em seu irmão. Instintivamente, ele assentiu com a cabeça, dando permissão para que Akiteru falasse novamente.
“Pode contar tudo, seu irmão tá aqui pra te ajudar.” Naquele momento, Kei soube que estava em excelente companhia, e sentiu-se até mesmo um tanto bobo por não ter chamado o irmão alguns dias antes, já que ele era alguém tão confiável.
De qualquer forma, ele estava pronto para escutá-lo, e o cientista precisava contar tudo o que tinha acontecido nos últimos dias.
“É sobre o espécime que capturamos… O Yamaguchi, lembra? Eu te mandei umas fotos e vídeos dele. Acontece que… Bem, ele é realmente fascinante, como você falou uns dias atrás. E o comportamento dele não é apenas muito interessante como também está sendo muito surpreendente. Acho que até demais.” Ele começou a falar, pausando para pensar em como iria continuar. O Tsukishima mais novo não queria alongar demais as coisas e dar detalhes desnecessários, mas também não queria ser muito vago.
“Como assim?” Akiteru perguntou, claramente interessado não apenas como irmão como também como cientista — coisa que ele também era, e que Kei não era capaz de esquecer.
“Ele tem sentimentos, Aki. O Asahi atirou nele só para paralisá-lo e ele realmente sentiu dor, ficou praticamente chorando de dor. Isso seria normal, eu diria, mas algumas noites atrás eu acordei no meio da madrugada, acabei visitando ele e…” O mais jovem estava pronto para continuar a falar, mas percebeu que seu irmão soltou um "opa, peraí" e ele se calou, sabendo que isso era um sinal para interromper sua narrativa.
“Como assim você foi visitar ele no meio da madrugada? Você não é de ficar andando por aí durante a noite." Kei estava sentindo que seu irmão iria questionar isso, e ele pessoalmente preferia esquecer de como tinha acordado de uma maneira bem desagradável algumas noites atrás.
"É que eu tive um pesadelo e tive que... Botar algumas coisas pra lavar." Respondeu, sentindo o sangue correndo pelo seu rosto — e ele sabia que estava um pouco corado. Akiteru apenas olhou para ele por alguns segundos em silêncio, absorvendo a informação antes de soltar um risinho e voltar a falar, sorrindo travesso.
"Você fez xixi na cama? Awn, pobrezinho! Que pena que seu irmão não estava aí pra te ajudar, mas pelo menos você soube cuidar disso como um menino grande, né? Seu irmãozão está tão orgulhoso!" O mais velho apenas falou num tom mais infantil, fazendo Kei ficar ainda mais envergonhado e com o rosto mais vermelho. Ele já era um adulto e tinha quase dois metros de altura, e mesmo assim seu irmão não perdia nenhuma oportunidade de tratá-lo como se fosse um garotinho apenas para sacaneá-lo.
"Você fala como se eu ainda fosse criança... Foi um acidente, tá bom?" Ele se defendeu, escondendo um pouco o sorriso em seu rosto porque, no fundo, ele até que se divertia com aquelas brincadeiras de Akiteru — e o mais velho bem que já sabia disso, de qualquer forma.
"Eu sei que foi. Mas você fica fofo com vergonha." O outro disse com um risinho, apoiando o queixo nas mãos logo em seguida, dando permissão para que a conversa voltasse ao ponto sério.
"Então... Eu fui visitar o Tadashi. E ele estava chorando de verdade. Ele não estava machucado e nem nada, era um choro puramente de tristeza, como se ele estivesse com saudade de casa. Eu acabei conversando com ele um pouco e ele se acalmou, então eu fui embora dormir." O loiro escondeu a parte em que os dois deram as mãos de propósito, e pelo visto Akiteru não suspeitou de nada. Como ele também não interrompeu, Kei decidiu seguir em frente com sua fala.
"No dia seguinte ele estava bem mais apegado a mim, e estava todo manhoso. Eu meio que fiquei tentando deixar ele quieto de novo, mas aí... Ele falou. Ele disse 'Tsukki' e a gente literalmente conversou. O vocabulário dele é bem limitado, ainda... Mas ele entende o que eu digo e responde direito, mesmo que com respostas curtas e uma certa dificuldade. E ele está aprendendo palavras novas." Quanto mais ele falava, mais o irmão parecia surpreso — e com razão, já que isso era algo realmente surpreendente. Em momento algum ele duvidou de suas palavras, o que era algo bom e até mesmo confortante para Kei, pois era bom ver alguém realmente o levando a sério.
"Caramba. Você já contou pra alguém sobre isso?" Akiteru perguntou, ainda um tanto embasbacado. O mais novo fez que sim com a cabeça.
"Falei pro Daichi e todo mundo se reuniu no laboratório pra ver ele falando." Ele respondeu, fazendo uma pequena pausa porque ele sabia que o que iria falar depois não iria realmente agradar o seu irmão.
"E aí?" O mais velho apenas questionou, sem esconder sua curiosidade. Kei apenas respirou fundo antes de falar novamente.
"O Yamaguchi ficou muito estressado e não disse nada. Todo mundo começou a duvidar de mim. Aí eu fiquei puto, briguei com a nave toda e não falei com mais ninguém pelo resto do dia." Assim que ele terminou de explicar o que aconteceu, Akiteru apenas soltou algo que parecia ser uma mistura de um grunhido e um suspiro frustrado, pondo a mão no rosto.
"Puta merda, Tsukki." A frase saiu meio abafada, mas o mais novo sabia muito bem o quanto ele não queria acreditar que aquilo tinha mesmo acontecido.
"Alguns pediram desculpas no dia seguinte. Incluindo o Kageyama, mas isso é porque a gente também tava meio brigado por outros motivos. Enfim..." O mais jovem logo tratou de retrucar, e pelo menos isso fez Akiteru deixar de esconder o rosto em sua mão e passar a olhar para ele novamente.
"Você quer saber como fazer pra convencer os outros sem pegar mais uma briga. Certo?” Seu tom de voz era bem sério, e era inegável o fato de que ele tinha realmente acertado — ainda que parcialmente — as intenções de seu irmão mais novo.
“Sim. E também gostaria de saber se eu poderia… Convencer o pessoal da Foundation que ele é racional e poderia conviver conosco. Ele é muito inteligente, Akiteru. Não merece viver numa cela e ser usado como cobaia. Nós não fazemos isso com outras raças tão inteligentes quanto as nossas que encontramos por aí.” Kei afirmou, claramente preocupado, e Akiteru ficou em silêncio por algum tempo, claramente pensativo. Normalmente, ele responderia logo de cara, mas aquela era uma situação que demandava pensar mais antes de agir sem saber se está fazendo o certo.
“Hmn, entendo… Bem, convencer o pessoal da nave é fácil. Você só precisa conversar com eles com calma, paciência e não ficar puto de novo. Ser um adulto, basicamente. Mas sobre o pessoal da Foundation… Eu não sei, Tsukki. Essa seria a primeira vez que isso iria acontecer. Pode dar muito certo, mas é algo muito arriscado e pode dar errado... Imagino que o DNA dele seja bastante valioso, assim como o de sua espécie. Além disso, ele é inteligente, mas sua espécie não parece ter desenvolvido tecnologia, certo? Afinal, a gente sabe que todos os planetas são muito bem sondados por robôs antes de expedições." O mais velho falou, e ele tinha razão. Antes das expedições, todos os planetas em potencial são sondados por pequenos robôs não apenas para saber se existe vida e outros compostos relevantes como também para definir se existem componentes altamente tóxicos para humanos.
"Eu sei, mas isso não significa que não exista uma possibilidade deles terem subestimado a espécie do Yamaguchi, não é? Acho injusto classificá-lo como selvagem quando ele tem tanto potencial." Ele enfim confessou, evitando pensar no quanto ele queria Yamaguchi livre apenas para que eles pudessem ficar juntos sem mais dificuldades. Afinal, ele não era tão diferente assim de um humano, e não tinha razão para ficar preso.
"Entendo... Mas ir contra os interesses da Foundation é algo arriscado. Não estou dizendo que erros não acontecem porque nós dois sabemos que é mentira. A gente conhece as histórias de muitos... Acidentes de trabalho. E nós dois já ouvimos falar de gente que já foi reclamar dessas coisas e... Bem, se fodeu. Não falo apenas de perder o emprego. Tenho medo de que algo assim aconteça com você, sem falar dos riscos que o Yamaguchi correria. E dependendo da situação, talvez outras pessoas." Akiteru deixou muitas coisas implícitas em suas frases, e Kei sabia muito bem do que ele estava falando. Era verdade, aquilo era arriscado. Ele poderia muito bem acabar em grandes problemas — e envolver outras pessoas muito queridas também.
A dúvida pesava em seu peito. Tudo o que seu irmão falou fazia um sentido absurdo, mas ao mesmo tempo Kei se sentia um tanto que inútil apenas ficando sem fazer nada.
"Acha que devo me arriscar?" O mais novo perguntou, olhando fundo nos olhos dourados do irmão. Eles eram muito parecidos com os seus, mas Akiteru tinha um ar que misturava a suavidade de suas feições — ele tinha o rosto redondo, com bochechas mais proeminentes e no geral parecia ser uma pessoa amável e doce — com a maturidade dos anos a mais que tinha vivido.
"Você acha que deve se arriscar? Você está disposto a correr esses riscos que eu te falei?" Aquela não era a resposta que o Tsukishima mais novo queria, mas eram os questionamentos que ele precisava para refletir. Kei olhou para baixo, admirando suas mãos por um momento, e então voltou a encarar o outro.
"Não sei." Ele respondeu, sendo completamente honesto. Ele estava completamente perdido, e não sabia qual direção deveria tomar — e ele temia seguir pelo caminho errado e se arrepender depois.
"Eu não posso decidir por você, Kei. Sou seu irmão mais velho, não a voz da razão ou sua consciência. Você que tá passando todos os dias com o Yamaguchi, não eu. Você que sabe como ele fala, como se comporta, até onde vai seu potencial. Avalie isso. Você é um cientista, sabe o que está vendo e sabe qual deve ser a melhor decisão a se tomar a partir disso. Eu também já estive nessa nave e me vi em muitos impasses. Algumas vezes acabei optando por caminhos mais seguros, e outras eu fui pelos mais arriscados. Agora é sua vez." Akiteru não era muito de falar daquela maneira, mas ele realmente era bom em dar conselhos. Se não fosse cientista, com certeza seria um palestrante motivacional — e com certeza faria muito sucesso.
O silêncio de repente se tornou pesado entre os dois irmãos, já que o mais jovem ainda estava calado, pensativo. Felizmente, Akiteru viu nele a oportunidade de lembrá-lo de outra coisa muito importante.
"Seja lá o que você decidir, eu vou te apoiar. Não esquece disso também." Kei precisava ouvir isso. Ele realmente precisava saber que, independente do caminho que iria tomar, pelo menos uma pessoa estaria ao seu lado.
Nesse momento ele desejou poder abraçar seu irmão.
"Aki... Obrigado. Me ajudou muito." Como não podia abraçar, porém, ele apenas agradeceu com um sorriso tímido, mas completamente sincero. Akiteru acabou sorrindo de volta, sem vergonha alguma, e Kei foi capaz de ver os seus dentes alinhados e o quanto os cantos de sua boca curvadas para cima apenas tornavam as maçãs de seu rosto ainda mais salientes — e era impossível não achar aquilo encantador.
"De nada. Estou aqui pra te ajudar sempre que você precisar!" O mais velho respondeu, e isso já bastava para confirmar tudo o que ele tinha dito anteriormente.
Ele nunca iria abandoná-lo.
Os dois acabaram conversando mais um pouco sobre outras amenidades, rindo e fazendo brincadeiras um com o outro. Foi divertido, Kei tinha que admitir, e ajudou a deixá-lo bem mais relaxado depois da conversa mais séria de antes. Era fácil relaxar com seu irmão, felizmente, e os dois apenas se despediram quando estava ficando tarde e ambos estavam começando a bocejar.
No momento em que a chamada encerrou, Kei se sentiu estranhamente solitário. Parecia que o tempo que tivera antes não foi o suficiente, e ele gostaria de ser capaz de encontrar o mais velho pessoalmente de novo. Eles podiam ter crescido juntos e ainda morar na mesma casa, mas a saudade durante as viagens era algo sempre presente. Felizmente, quando o mais novo voltava, os dois podiam se ver novamente.
A conversa, porém, serviu para o mais jovem refletir sobre o que deveria fazer. sobre aquilo tudo. Por mais que estivesse rindo e brincando com seu irmão, o cientista não deixou de pensar no que ele tinha lhe dito mais cedo, e foi assim que ele finalmente percebeu o que queria fazer.
Ao se deitar em sua cama, Kei finalmente tinha decidido qual caminho seguir, e iria colocar suas ideias em prática a partir do dia seguinte.
Fale com o autor