Stark V: Código de Segurança
6 Capítulo 5-Diga a verdade Stark!
Notas iniciais
POV Steve
Acordei com certa inegável animação ou adrenalina. Hoje pode ser um dia comum para qualquer um que trabalhe na Shield ou que seja um Vingador. Mas, eu sempre me animo, ao menos um pouco, quando temos que fazer coisas “heroicas” ou anormais. Ainda assim, o motivo dessa agitação não é totalmente o que faremos hoje e sim o que eu farei hoje. Ontem, conversando com a May fiquei muito intrigado. Se por um lado eu confio em Tony como deveria confiar em qualquer outro pelo outro é muito estranho essa história toda. Ela ficou mal contada.
Levantei da cama apressadamente e tomei um banho quente e após me uniformizar desci apressado para o refeitório. Havia sido combinado que iríamos partir para San Jose dez horas em ponto, e naquele momento, o relógio marcava nove e quarente e sete. Tomando café junto comigo estavam Natasha, Clint e Tony. A gente conversou um pouco sobre o plano, repassou umas estratégias e relembrou outros feitos. Uma coisa não saia da minha cabeça, mas decidi questiona-lo depois.
Quando deu o horário correto me dirigi até a nave, onde os outros Vingadores (a maioria deles) estavam e mais uma dúzia de agentes da Shield. Tratava-se de médicos, médicas, enfermeiros e enfermeiras. Quando a ação terminasse eles iriam tentar socorrer os feridos. Também visualizei mais de vinte caixas de “primeiros socorros”, mais até do que o planejado. Ouvi um dos enfermeiros reclamar do peso de uma das caixas.
Todos sentaram, mas a nave não estava autorizada a dar partida.
–O que será que estamos esperando? –Questionou Natasha, impaciente –A cidade virar cinzas?
–Não. –Afirmou Banner- Acho que falta alguém... Onde está o Thor?
–Ele não vem. –Respondeu Nick na porta da nave, se fazendo finalmente presente- Podem dar partida. Boa sorte Vingadores.
Dito isso o piloto (Tony Stark), assentiu com a cabeça, a porta da nave lentamente se fechou e em menos de cinco minutos estávamos no ar.
–O que será que vamos enfrentar agora? –Perguntou animado o Gavião Arqueiro.
–Terroristas, ladrões de bancos, metralhadoras, coletes à prova de bala, o de sempre. –Convenceu-se Stark.
–Acho que dessa vez vai ser mais difícil. –Continuou Clint- Uma pessoa mais inteligente por trás disso tudo, entende?
–Duvidoso.
Permanecemos quietos por alguns minutos e então, Tony perguntou:
–O que lhe faz ter essa impressão?
–Hum, não sei eu tenho uma impressão, um pressentimento.
–Besteira. –Debochou Natasha.
A viagem prosseguiu calma e acabamos mudando de assunto para sobre como “somos incríveis”, como pôs Tony. Não que eu negue, mas acho que esse termo é muito... Indiscreto.
POV Thor
Ter conversado com o Loki foi a pior coisa que poderia ter feito. Minha consciência ficou pesada, ele disse aquelas coisas com tanta... Tanta afinidade e tão verdadeiramente. No fundo eu sei que ele não pode mudar, mas quem não merece outra chance? E por esta razão, cá estou eu. Acabei de responder a mensagem do Nick Fury (que me chamava para uma operação na Terra) dizendo que não vou pode ir por problemas asgardianos. Olhei uma última vez para a porta do calabouço e sai sem hesitar.
Já dentro do castelo me dirigi até meu Pai o Odin, e confrontei-o, sabendo que me arrependerei mais tarde.
–O senhor acha que... Os presos eles... Todos eles... Não há chance de mudarem? –Gaguejei.
–Alguns sim, meu jovem garoto. –Ele permaneceu virado de costas para mim.
–Até os prisioneiros do calabouço?
–Sempre, em qualquer lugar, pode haver aqueles que conseguem mudar. É de nossa natureza, como eu lhe disse uma vez, menino, sempre que tiver dúvidas sobre o espírito de uma pessoa, lembre-se da história de Rorako Liandry, o Andarilho Arrependido.
Lembrei-me vagamente da história que ouvia quando era menor. Rorako foi um rapaz que fez todas as suas escolhas erradas. Sempre confiou em quem não devia, por achar que as pessoas não mudavam, até que um dia, ele conheceu Lyandri. Lyandri era um ex-prisioneiro que o salvou diversas vezes da morte mesmo sob ameaça contínua de Rorako. No final, Rorako escolheu confiar na pessoa errada ao invés de em Lyandri e o resultado foi que, Lyandri deu sua vida para salvar Rorako. O jovem Rorako adotou o sobrenome de seu amigo e virou um andarilho e mais um monte de morais de histórias.
–Sempre meu pai. Mas então por que a pena deles é tão severa?
–Todos devem pagar pelo que fizeram no passado. Mesmo que você não corte uma árvore hoje, o ar estará pior pelas árvores que cortou ontem. E assim a vida é.
–Mas, será que há possibilidade de vetar a pena de alguém?
–Depende, a de Loki não. –“Cuspiu” as palavras seco.
–Não me refiro a ele. -Gelei.
–Já lhe disse para não mentir para mim, Thor.
Ficamos nos olhando por algum tempo. Quando ele continuou:
–Será que é assim que vai governar Asgard? Caindo sempre na mesma armadilha? Você não aprende, não é mesmo Thor. –Percebi a decepção em meu pai.
–Não Pai... Eu... Só queria ajudar meu irmã... –Fui interrompido.
–Esse é o problema Thor, o Loki nunca vai ser como você. Nunca vai ter boas intenções, e você quer ajudar uma pessoa má.
–Engana-se. –Olhei para o chão.
–É o que você pensa Thor. E só há uma forma de convencer-te de que Loki não é uma boa pessoa. Vou deixar você tirar seu... Irmão... Da cadeia. –Senti ódio na palavra “irmão” –Faça o que quiser com ele.
–Vou mostrar para você que está enganado, meu Pai. –Sai da sala apressado.
–E eu gostaria que fosse verdade. –Sussurrou Odin.
Mandei mensagem para o Nick Fury, avisando-o que estava à caminho.
POV Loki
Sem muito esforço, ou melhor, com muito esforço sim, engoli aquele negócio pastoso que davam para nós comermos.
Passei a noite toda tentando me lembrar do Quartso de Morte. Mas tudo que lembrei foi de uma história mais ou menos assim:
Flash Back ON
Eu conseguia ouvir uma voz alta do quarto de meu “pai”, de Odin. Estava de castigo pela peça que havia pregado na festa de aniversário de Thor, meu "irmão". Mas, minha curiosidade me levou até a porta do quarto do Pai de Thor. Eu consegui ouvir isto:
–Quem obtiver a pedra então, vai ganhar vida eterna? –Era a voz do Deus do trovão.
–Não, meu pequeno. –E esse era seu pai.
–Mas vai poder ressuscitar quem quiser?
–Isso mesmo garoto. Como você é esperto.
Encostado na porta, meu sorriso foi enorme. “Ressuscitar quem quiser”, pensei comigo, que “maravilha!”. A porta estava porem, entreaberta e acabou me revelando ali. Fiquei de castigo tempo suficiente para me esquecer daquela história de Quartso da Morte.
Flash Back OFF
No meu interior, fiquei triste por lembrar-me daquele dia. Mas, não tinha tempo para lamentar, até porque uma voz invadiu minha mente, de novo.
–Ainda pensando naquilo, Loki? –Era telepatia.
–Failure...
–Não se preocupe, eu sei aonde vamos... Aonde vou encontrar o Quartso. Enquanto você, a manhã ou depois já estará livre, não antes, nem depois. Comece se perguntar onde está o cetro, porque você vai precisar.
–Qual é exatamente seu plano, garoto?
–Vou ajudar um velho amigo. E juntos vamos dominar o mundo. E você este incluído no: “juntos”. Eu você e ele.
–Quem é ele? –Continuei persistente, tentando faze-lo cuspir alguma informação consistente.
–Nã, nã, não. Já disse: Uma pergunta por dia é mais que suficiente, não é velho? –Franzi as sobrancelhas – Já disse meu plano.
–Só um resumo dele, e eu perguntei exatamente. –Sorri.
–Bom, exatamente eu não posso dizer por que ainda não terminei. Mas a primeira parte é te tirar dai. Depois vou atrás do que eu quero enquanto você usa o Thor para encontrar o cetro, quem sabe você possa virar um Vingador – ele gargalhou- seu irmão é um baita idiota, hein? Bom me deixa ver, acho que o Thor vai te soltar amanhã, mas talvez eu brinque com ele.
Achei estranho e não entendi ao certo o que ele quis dizer com: “Talvez eu brinque com ele”. Mas a telepatia logo foi interrompida e eu tentei me concentrar para cochilar na minha cama de “pedra”.
POV Tony
O clima na nave estava chato, ao menos para mim. De dentro da armadura, pelo menos, eu podia escutar uma música agradável. (E ás vezes, me convencia sobre nossos feitos, para fingir que estava prestando atenção na conversa).
“I am iron man!
Has he lost his mind?
Can he see or is he blind?
Can he walk at all,
Or if he moves will he fall?”
Sussurrei baixinho, eu adoro essa música. Logo que chegamos, JARVIS abaixou um pouco o som (até para evitar uma surdez em mim) e me avisou que deveria pousar a nave.
Descemos da nave e Steve Rogers chegou perto de mim e disse alguma coisa. Eu não ouvi e não consegui fazer leitura labial, mas concordei com a cabeça. Não acho que tenha sido algo importante, deve ter sido uma espécie de incentivo idiota, como sempre.
Vários robôs à nossa frente destruíam tudo, civis estavam sendo atacados e o cenário era devastador, mas não para nós, lógico. Chegamos meio atrasados, que estranho.
Clint se escondeu atrás de um carro e ficou procurando um humano ou algo assim para atirar. Natasha atirou em um homem e começou a trocar tiro pela vida de uma menininha.
Eu levantei voo e pedi para JARIS desligar a música (feito), e uma coisa terrível aconteceu em seguida, uma coisa que eu não consegui acreditar. Um robô parou na minha frente, eu levantei o braço e mandei atirar no mesmo, mas o tiro não saiu.
–Vamos, vamos... Cadê o tiro? –Cochichei comigo.
E como se não bastasse, meu braço começou a mirar no Capitão América, ainda carregando o tiro. Foi muito sinistro. O robô que estava na minha frente há poucos segundos, não esperou eu resolver os problemas técnicos do JARVIS, e simplesmente efetuou três disparou na minha cabeça. Ou melhor, no capacete da armadura. E sabe o que aconteceu? O capacete voou longe! Como? A armadura é montada para que isso nunca aconteça! De repente eu tinha atirado no Capitão América, que defendeu e refletiu com o escudo.
–Que isso Stark? –Gritou Steve enquanto eu levava o meu projétil no tórax da armadura.
–JARVIS o que é isso?! –Gritei irritado – Modo manual! Modo manual agora!
Mesmo eu praticamente suplicando para que o JARVIS deixasse a armadura no modo manual, ele não o fez. E quando eu menos esperava a música da armadura estava alta e dava para todos ouvirem, mas eu não mandei tocar música. E era a musiquinha do carro do gás: a coisa mais irritante da face da Terra, e talvez do universo. Mas aquele negócio estava tão alto, tão irritantemente alto, que adivinha só o que aconteceu? Todos se irritaram com aquilo.
–Desliga essa droga! –Pediu Banner.
É, houve uma falha enorme no sistema hoje. E quando eu menos esperei, May estava atirando em mim, vai entender! Talvez isso tenha sido culpa da pirralha! Mas como ela iria driblar o sistema de segurança?
A armadura começou a se movimentar em altíssima velocidade em direção há um tanque de guerra. Sabe o que significa não sabem? Tanques de guerras, bombas... Por um momento eu pensei o que um tanque de guerra, estava fazendo naquele lugar.
–Vai explodir! –Avisei para que os outros se afastassem, já calculando que iria devastar todo o quarteirão.
De repente uma coisa começou a me puxar, alias o Thor chegou inesperadamente e me puxou para um lado, mas o resto da armadura continuou indo restando somente o núcleo da minha armadura de ferro. Sem baterias reservas posicionadas (muito bem posicionadas alias), as outras partes da armadura caíram no chão e eu consegui conter com ajuda de Thor, o núcleo.
Quando percebi estava no meio do fogo cruzado, com uma louca atirando em mim e a droga da musiquinha do gás continuava tocando! Banner ou o “outro cara”, vinha correndo em minha direção enquanto Thor tentava conte-lo. Natasha tentava acalmar e salvar as pessoas e salva-las dos verdadeiros vilões, se é que eu não estava incluído neles . Steve veio até mim e começou a me puxar em direção à nave da Shield, perguntando irritado:
–O que está acontecendo Stark?! –O barulho dos tiros era alto.
–Falhas técnicas! –Respondi.
E como se nada disso fosse suficiente para acabar com minha reputação, não só na Shield, mas no mundo, a May fez o favor de atirar na minha perna, fazendo-me cair em cima do Capitão América que teve que me arrastar até a nave. O que mais chocou porem foi ver uma família “quase” ser morta por um robô. Acho que ele não viu aquilo. Era uma mulher, um homem e um garoto de quase cinco anos.
–Me dá uma arma. –pedi ao ver que aquele robô era controlado por um humano que estava com a cabeça para fora da armadura e iria matar os três.
–Para você sair atirando em todo mundo de novo? –Questionou grosseiramente.
E tive que empurra-lo para trás e conseguir pegar arma que eu guardava na cintura. Antes que ele fizesse qualquer coisa atirei certeiramente no homem, salvando só a vida do menininho. E para calar a boca de Rogers, eu apontei para a direção fazendo-o ver o que tinha acontecido. Foi quando Clint chegou perto do garotinho e começou a dar cobertura. Talvez minha atitude tenha sido desnecessária, talvez heroica.
Logo chegamos à nave onde ele me deixou e praticamente mandou que eu não saísse. Uns enfermeiros me colocaram curativos e eu pude começar a pensar sozinho. Com o fone de ouvido alto e tocando Iron Man, comecei a raciocinar algumas questões:
Primeiro: como May havia chegado lá? Não pude deixar de observar que entre as caixas de curativos e remédios havia uma simplesmente vazia. O que deve explicar algo.
Segundo: o que havia acontecido com JARVIS? Ele não poderia ter sido hackeado, pois, o sistema de segurança do JARVIS é o mesmo do Stark V. Só se existisse outra pessoa com meu DNA, e a surpresa: Sou filho único, não tenho filhos e meus pais morreram. Nada de tios, avós ou primos, não tenho ninguém que carregue o sangue Stark nas veias, por enquanto. Então o JARVIS não foi hackeado, ele estava agindo perfeitamente normal. Não posso dizer que foi uma falha no sistema, um defeito meu de tê-lo deixado ultrapassado ou ruim, pois ele estava funcionando normalmente até a hora da batalha, não foi um defeito qualquer, foi algo poderoso e friamente calculado por alguém que quer me destruir e me conhece muito bem. Alguém que sabe que não seria possível hackear o sistema do JARVIS. Alguém inteligente. Alguém que eu vou descobrir quem é e vou dar um jeito. Mas qual foi o truque dessa pessoa? Magnetismo? Então foi alguém com poderes. De fato ele poderia ter usado magnetismo para controlar minha armadura, mas teria que ter feito algo mais com JARVIS, para desliga-lo completamente. Para deter o JARVIS com magnetismo teria que ir até a central dele, na minha torre, teria que ser alguém que pode entrar e sair de lá quando bem entender, que é bem vindo. Mas não conseguiria fazer as duas coisas ao mesmo tempo... Alguém agiu com ajuda de uma pessoa que confio... Quem é o traidor?
POV Steve Exatas 3 horas depois
Não me perguntem como foi a operação. Faz quase três horas daquilo e não tiro da cabeça. Um fracasso total! O que deu na cabeça do Tony? Ele ficou louco?! Eu já teria socado ele várias vezes, mas todos nós temos que esperar a “cirurgia” para retirar o projetil do corpo do Homem de Ferro.
Havíamos decidido que como eu sou o capitão, eu iria conversar com ele. Talvez fosse o mais sensato, porque embora estivesse furioso também, acho que os outros não iriam deixa-lo se explicar.
Assim que os médicos autorizaram eu entrei na sala. Ele me olhou assustado, já estava consciente. A televisão estava ligada no jornal:
“Homem de Ferro perde o controle da armadura”, “Homem de Ferro mostra sua verdadeira face”, “Homem de Ferro contra a Shield” e “Homem de Ferro, herói ou vilão?”.
Sem dizer nada eu sentei em uma cadeira perto da cama onde ele estava:
–Eu sei que você não vai perguntar –Começou Stark- mas eu estou bem. Os médicos disseram que terei que ficar um ou dois dias sem andar. –Permaneci quieto- Enquanto ao que você vai perguntar: eu não faço a mínima ideia, não fui eu e eu não sei quem foi.
–Stark... –Olhei com certo desprezo, mas ele continuou observando o jornal – Quero explicações, todos querem. Mas não vou te acusar de nada. Diz-me qual é o problema que te ajudo a resolvê-lo, quero fazer isso do jeito mais fácil.
–Acho que foi magnetismo. –Arregalei os olhos – Alguém deve ter usado isso para controlar minha armadura. É alguém muito bom no que faz, porque a armadura não é necessariamente de ferro é de cobre e mais alguns outros minérios, sua composição contém pouquíssimo ferro.
Continuei no silêncio.
–Existe um traidor na história. –Ele riu- Mas não sou eu, pode ficar tranquilo. Alguém entrou na Empresa e fez algo com o JARVIS. Ele simplesmente foi posto para hibernar. É alguém em quem confio, as câmeras foram quebradas, eu já falei com a Pepper, não foi ela. Ninguém entra na Empresa sem passar por ela, que jura que não deixou ninguém entrar enquanto estava dentro. Ou seja, alguém que conhece bem minha rotina e a rotina dela se aproveitou de quando ela não estava, entrou na Torre e colocou o JARVIS para hibernar. E como é uma pessoa próxima da família, fez isso sem colocar tudo em alerta. As câmeras foram editadas, era alguém que conhecia minha senha ou tinha permissão para acessar minhas coisas. Quais procedimentos devemos tomar? –Olhou para mim franzindo a testa, mas antes que eu respondesse- Bom, vocês devem parar de desconfiar de mim, primeiramente. Enquanto eu vou reconfigurar todo o sistema de defesa temporariamente e colocar tudo no modo manual. Sabe o que isso significa? Eu vou tem que comandar tudo, vai ser um saco. “Senhor, fulano quer entra na torre, devo autorizar?”, “Senhor, fulano quer entrar na cozinha devo autorizar?” “Senhor, fulano quer sair da torre, devo autorizar?”. –Imitou uma voz de robô – Ainda bem que quem comanda essas coisas é a Pep... –Senti algo nos olhos dele ao falar esse nome, algo que o fez fraquejar brevemente — Pepper, tadinha.
Não pude deixar de rir daquilo. Mas logo retomei a postura de sério e questionei:
–Tony... Tenho outra coisa para questionar também... O computador Stark V... Eu sei que não foi você, mas... –Ele me interrompeu.
–Ah pare de ser hipócrita, capitão. –Arregalei os olhos- Eu sei que você pensa que eu dei um computador e sou um espião ou traidor ou qualquer coisa assim. Não se preocupe a pessoa que deu um computador para o Ricardo foi à mesma que hibernou o JARVIS. E eu só dei o computador para cinco pessoas que poderiam fazer isso. O Nick? Não, não pode ser ele, estava lá com a gente. A Pepper? Ela ainda tem o computador dela. O Presidente? Ele não conseguiria sair da casa branca sem ser percebido. Quem sobra? Eu, que não fui, logicamente, e o meu velho amigo James Rhodes, que está há bastante tempo fora ãhn? Vou fazer uma visitinha surpresa para ele e averiguar se o Stark V continua nas mãos dele. Ou será que eu fui traído por um militar? Veremos.
Continuei olhando-o perplexo. De fato, seu raciocínio lógico era avançado, um QI relevante. Como suspeitar de uma pessoa assim? A menos que tenha sido tudo friamente calculado e eu esteja caindo no joguinho dele, o que eu não acho possível, Tony Stark é inocente. Ficamos um pouco em silêncio e Tony logo voltou a olhar a televisão. Não parecia interessado na notícia que difamava o Homem de Ferro, nem eu estava também. Vida de herói é sempre assim: hora você é o melhor, hora você é o pior. Engenheiros que não pareciam saber de nada sobe engenharia apareceram na televisão dano diversas entrevistas. E a imprensa como sempre, “sensacionalizava” toda a situação.
–Dois dias sem andar? –Troquei de assunto.
–É... –Ele sorriu brevemente – Não adianta fingir que ia perguntar, eu sei que não.
–Ah, eu ia sim. –Ri também.
–Hum rum... Estou com cara de Natasha? –Ele perguntou com voz de deboche.
Não entendi ao certo o que ele quis dizer. Olhei franzindo a testa.
–Como?
Ele sorriu maliciosamente e eu revirei os olhos. Que besteira.
Logo ele recebeu uma mensagem no celular, tirou-o do bolso e voltou a digitar, como sempre. Quando percebi já estava perguntando:
–Com quem você tanto conversa? –Minha voz pareceu rígida e seca, não foi a intensão.
Ele m olhou por um tempo com cara de “Não é da sua conta”, mas antes que eu saísse dali e deixasse o clima pesado para trás me surpreendeu:
–Com a Pepper, ela não gerencia a empresa sozinha.
Sorri e assenti. Disse que iria falar com os outros. Havia entendido o que ele quis dizer. “ela não gerencia a empresa sozinha”, isso não tinha nada haver. Ele não ficava tanto tempo no celular para falar com a namorada dele sobre a Empresa. Por um momento eu senti como se ele fosse... Bom...?
Saí da sala mais do que apressado e avisei os outros:
–Ele é inocente. –Um suspiro mútuo tomou conta do lugar, como se fosse algo ruim. Percebi que a fama de Stark era pior do que o que eu pensava.
Do último andar, onde estava May conversando com Nick, foi possível ouvir um ruído barulhento e um grito de desespero:
–Não é verdade! –Seguido de um forte choro.
Todos nos assustamos. O que teria acontecido?
POV J.R.
–Ótimo, seus homens foram muito bons, e como sempre a imprensa fez o trabalho sujo. –Ri comemorando.
–Ah, agradeça o jovem Hans. Particularmente, não acredito que a Shield tenha ignorado seus poderes.
–A Shield não sabe de tudo. –Olhei para o garoto que dormia em um sofá velho – O importante é que ele continue pensando que tudo não passa de um jogo, okay? Não quero matar o menino, e não pode haver testemunhas.
–Relaxe um pouco... –Me ofereceu um drink de Whisky, mas eu preferi o champanhe que estava tomando- Ninguém vai desconfiar de você.
–Só por precaução... –Peguei o objeto na mesa – Diga-me que os arquivos já foram salvos e transferidos, certo?
–Certíssimo. –Aquilo me deu um alivio, agora era só destruir e destruir, até que as pessoas perceberem a besteira que eram os Vingadores.
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