Stalker

10 Primeira Aula


Quando pegou a mochila e a chave da casa, Ian correu para o elevador. Não queria perder mais tempo, havia combinado de encontrar Mio em frente à uma livraria para evitar que a mãe dele percebesse a mentira. O clima estava péssimo, chovia muito e ele estava preocupado em não deixá-lo esperando muito. Quando chegou ao local, avistou ele embaixo do toldo da livraria. Usando uma jaqueta cinza, calça jeans justa, boina e cachecol, Mio estava muito lindo, ainda mais por suas bochechas estarem coradas pelo frio.

Ele parecia uma criança pura precisando de carinho e Ian estava disposto a dar todo carinho que fosse possível aquela adorável criatura. Buzinou para ele, estacionando em sua frente, ele correu pegando a mochila que trazia e entrou no carro.

—Tem certeza que é uma boa ideia ir para casa de praia com esse tempo? — perguntou Mio ajeitando-se na poltrona e retirando a boina.

Ian ligou o ar-condicionado do carro para esquentá-lo.

— Deve estar muito frio lá fora, você está tremendo — disse passando a mão no cabelo dele. Ficou alguns minutos alisando o cabelo branco, enquanto encarava sua boca levemente rosada, não conseguiu resistir à vontade de saboreá-las, então o puxou delicadamente até ele para um beijo. Assim que seus lábios tocaram-se, Mio começou a tremer muito mais do que antes.

Desajeitado, Mio tentava acompanhar os movimentos da língua de Ian em sua boca, era meio estranho para ele a sensação que aquilo causava em seu corpo, principalmente porque estava gostando até das mordidas que Ian dava em seus lábios. Ficou assombrado com o fenômeno que aqueles beijos estava causando em seu corpo, que juntou toda sua força para afastar Ian de perto dele, empurrando-o diretamente para a porta do motorista. Por muito pouco, Ian não bateu a cabeça no vidro da janela.

— A... Acho melhor... é... — colocou a boina de volta na cabeça, e ficou um bom tempo ajeitando ela, como se estivesse saindo do lugar. — Vai ficar tarde, não? É melhor... É melhor nós irmos logo.

Ian o olhava sem entender nada.

— É melhor mesmo. — disse dando partida no carro e sentindo-se um pouco frustrado. Na verdade ele não entendeu porque Mio foi tão grosseiro com ele, então resolveu pensar positivo. Mio com toda certeza, ficou assustado por ter recebido um beijo tão de repente. No entanto, Ian estava começando a ficar preocupado com a reação de Mio, ele passou todo o percurso calado e imóvel, mal parecia respirar. Ele resolveu puxar assunto para deixá-lo mais tranquilo.

— Eu achei que sua mãe pegaria mais no pé, porém ela liberou até facilmente.

— Não foi tão fácil. Escutei por mais de três horas um sermão, além que ela não vê o Nan como uma boa influência. — respondeu ele sem desviar o olhar do para-brisas.

— Fico imaginando se eu tivesse ido fazer o pedido para a viagem, seria bem pior não? — disse rindo, porém Mio não entrou no clima, e aquele pesado silêncio estalou-se por completo entre eles dois.

Ian começou a ficar chateado com o comportamento de Mio, enquanto esse, tentava de todas as formas disfarçar seu nervosismo. Na cabeça dele, seu beijo foi horroroso, e Ian deveria está arrependido de tê-lo convidado. O calor que sentiu ao beijá-lo ainda permanecia em seu corpo, sua mochila estava estrategicamente em cima do colo escondendo a reação que seu corpo exibia vergonhosamente. Estava morrendo de medo que Ian tivesse percebido, iria achá-lo nojento e pervertido.

Sua vontade era voltar para casa e esconder-se embaixo dos lençóis, mas lembrou-se das palavras de seu irmão mais velho sobre deixar as pessoas confortáveis, e achou que deveria fazer ao menos isso para despistar o quão asqueroso ele era.

— Er... Ian... Qual seu prato favorito? — perguntou enquanto encarava a janela, como de costume.

— Macarronada.

— E estilo musical?

— Rock.

Mio se deu por vencido, às respostas frias e monossilábicas de Ian indicava que ele notou sua ereção mesmo com a mochila escondendo. Com certeza Ian achava ele sujo e nauseante. Ainda mas, depois de ter o empurrado daquele jeito. Ele sabia que sua falta de experiências com outras pessoas que não fossem seus parentes, iria uma hora ou outra, prejudicá-lo. Sua vontade era de abrir a porta do carro em movimento e jogar-se! Fazia um esforço enorme para evitar que as lágrimas escorressem em sua face, a tristeza em seu coração estava ficando insuportável. Ele nunca teria Ian.

Chegaram à casa da praia no fim do dia. Mio ficou imaginando que tipo de amigos Ian possuía para confiar-lhe uma mansão daquelas. Uma casa de dois andares e duas garagens, com uma linda piscina que fazia curva por sua lateral, sua grama era bem verdinha mostrando que apesar de ser uma casa de férias, ela estava sendo bem cuidada o ano inteiro. Imaginou como à vista deveria ser bem melhor em um dia ensolarado. Ian o convidou para entrar pegando a mochila em sua mão.

— A casa tem quatro quartos, escolha qualquer um para que eu possa colocar suas coisas.

Ian ainda parecia chateado, sua vontade era responder que qualquer quarto em que ele estivesse estava bom, mas então lembrou-se do seu beijo fracassado e sua atitude desonrosa e respondeu que qualquer um que ele escolhesse estava bom.

Sentou-se no sofá da sala, enquanto esperava Ian voltar dos quartos. Deu uma olhada na decoração, estilo rústico e moderno. Uma enorme televisão no centro, quatros sofás de couro cobertos por pedaços de um material que lembrava pele de animal. Quadros abstratos, abajures com designer diferentes integravam o cenário. Na sala havia também uma lareira automática que estava desligada no momento. A cozinha estilo americana, era vista de onde ele estava, com suas panelas douradas penduradas no armário embutido na parede. Os eletrodomésticos eram modernos, o que entrava em contraste com os objetos de madeira. Ele achava a cozinha muito parecida com os programas de TV que sua mãe assistia.

A casa era realmente linda e estava admirado com tudo aquilo. Sua família não era pobre, todos seus irmãos trabalhavam inclusive sua mãe e ele recebia uma pensão ainda do seu falecido pai, porém aquele estilo de vida era bem diferente do que estava acostumado. Era assim então o mundo de Ian? Este quando finalmente desceu, foi diretamente para a cozinha.

— Está com fome? Pedi o caseiro para cuidar de fazer as compras, então vou cozinhar alguma coisa. Deseja algo em especial?— perguntou Ian sem encará-lo enquanto observava os armários.

— Sim, estou. — respondeu tristemente— Mas, gostaria de tomar um banho antes.

— Todos os quartos são suítes, mas se preferir aqui embaixo também tem banheiros individuais.

— Prefiro tomar no meu quarto.

— O primeiro à esquerda.

Mio subiu as escadas sentindo que cada degrau o afastava ainda mais de Ian. O comportamento do outro com ele havia mudado drasticamente, não sorria mais, nem brincava com ele. Pareciam dois completos estranhos. Entrou no seu quarto magnífico e deitou-se na enorme cama de barriga para cima com os braços abertos. Ansiava tanto por aquele momento, e o clima não era como esperado. Levantou-se e foi para o banheiro, que era tão enorme quanto o seu quarto. Uma grande banheira o esperava, preparou seu banho e depois se despiu. Dentro da banheira, parou para observar mais detalhadamente o local, percebeu que a pia era bem larga e o espelho acompanhavam o seu tamanho, torneiras de água quente e fria, armários brancos embutidos tornava o banheiro um local excelente para se relaxar.


Assim que Mio subiu para seu quarto, Ian fechou a porta do armário que ele fingia olhar. Encostou-se neles para respirar fundo, aquela situação começou a ficar insuportável. Sua vontade era de abraçar e beijar Mio, porém, o outro mantinha-se na defensiva com ele. Ian achava que tinha entendido as coisas de maneira errada, primeiramente quando percebeu sua atração por Mio, achou que pela sua última conversa antes da viagem, ele estava sendo correspondido pelo mesmo. Mas será que o Amor que Mio confessou a ele, não era exatamente um amor carnal? Ele percebeu que a criação de Mio foi bem diferente da que ele recebeu, ou das outras pessoas que conheceu na vida. Talvez ele só esteja confuso por ter uma amizade com alguém que não fosse seu irmão. Se for realmente esse o caso, Ian decidiu agir como um amigo normal. Não queria estragar o primeiro passeio de Mio sem supervisão da sua mãe, por seus pensamentos egoístas.

Mais calmo, Mio desceu para cozinha guiado por um delicioso aroma que vinha de lá. Queria correr e abraçar Ian agradecendo pela comida, porém sabia que aquilo era impossível. Ian quando o avistou, chamou para sentar-se no balcão. Havia preparado um verdadeiro banquete, com macarrona estilo italiana, vinho e almôndegas. Mio imaginou que sorte teria a mulher que se casasse com ele, em ter um homem que cozinha tão bem.

— Eu não sabia que você era chefe de cozinha, Ian.

— De vez em quando eu sou. — respondeu sentando-se também e se servindo.

Passaram depois todo o jantar sem dizerem uma única palavra. Foi Mio que finalmente interrompeu o silêncio.

— Ian... Sobre mais cedo... Eu queria que me desculpasse pela cena no carro.— começou falando, porém não sentiu que conseguiria terminar.

— Tudo bem, eu quem devo desculpas. Passei dos limites realmente, me desculpe. — respondeu dando o seu último gole na taça de vinho e levantando-se levando seu prato para pia. — Isso não voltará acontecer.

— Não é sua culpa por eu não saber beijar bem e ser tão nojento... Perdão!— Mio saiu correndo da cozinha, e Ian ficou aturdido pela cena.

Então, ele percebeu que havia se equivocado. Mio não o empurrou por não querer beijá-lo, e sim, pela falta de confiança que tinha em beijar alguém. Provavelmente aquele foi seu primeiro beijo. Ian saiu atrás dele pela casa procurando aonde ele estava e o encontrou em frente à piscina, chorando embaixo de chuva. Correu até ele e o abraçou por trás assustando Mio.

— Eu nunca disse que você beijava mal! Muito pelo contrario, eu estava adorando seu beijo até você me empurrar. Eu pensei que tinha entendido tudo errado e que não estava interessado nesse tipo de relacionamento comigo, então resolvi ficar na minha e agir somente como um amigo. — Ele virou Mio para encará-lo de frente, mal podia ver suas lágrimas já que estava totalmente molhado, mas era visível seus lindos olhos castanhos meio avermelhados— Poxa vida! Você mexe comigo de uma maneira que não sei explicar, naquela hora quando vi seu rosto corado e como tremia de frio, me senti tão atraído que não resistir ficar somente olhando e te beijei. Jurava que você tinha ficado com nojo de beijar outro homem e reconsiderou sua confissão.

— Não! Eu não pensei nada disso! — respondeu Mio — É que... Foi meu primeiro beijo, e não tenho confiança nessas coisas. Eu... Eu não sei como fazer isso por mais que eu queira. Até outro dia eu nem sequer tocava no meu corpo, e quando eu penso no Ian... Eu fico excitado. Mas, você tem experiência com essas coisas, e deve gostar do corpo das mulheres e eu sou homem... então... Eu não sei o que fazer... — deu-se por vencido encostando a cabeça no peitoral de Ian.

Ian ficou meio sem graça quando ele disse que se tocava pensando nele, aquela sinceridade de Mio que o tornava uma pessoa única em todo mundo.

— Não se preocupe com isso!— o abraçou mais forte — Tudo que não souber eu te ensino. Tudo bem?

O outro acenou com a cabeça sem encará-lo. Ian segurou seu rosto, e o obrigou olhá-lo nos olhos. Aqueles lindos olhos de gato, suplicavam por sua atenção. Sutilmente Ian tomou seu lábios em um beijo profundo e apaixonado. Diferente do primeiro, aquele estava envolvido nos mais puros sentimentos que sentia por Mio. Depois de um tempo beijando-se na chuva, resolveram voltar para dentro da casa.

Assim que entraram, Ian estava indo procurar algumas toalhas para secá-los quando Mio o abraçou de repente por trás.

— Você... Você pode me ensinar agora?

— Bom... Não precisa ser agora sabe? — Ian não tinha confiança que poderia parar se continuasse com aquilo.

— Mas... Eu quero! Eu quero saber como é ser amado por alguém. Quando você me toca, eu não quero que pare. Me ensine como posso fazer você se sentir bem comigo.

Aquela declaração inocente e ao mesmo tempo sensual, fez Ian ter várias ideias pervertidas com ele, no entanto ele lembrou que o outro não tinha nenhuma experiência nesse tipo de coisa, e que a primeira vez poderia não ser tão boa quanto ele imaginava.

— Que tal dormimos hoje juntos? Você com certeza deve estar cansado da viagem. — tentou convencê-lo, contudo Mio estava disposto a não ceder.

— Ian — disse olhando para a calça dele — como você pode dizer isso, quando você já está assim? — apontou o volume que aparecia na calça dele.

Não tinha como inventar uma desculpa depois daquilo, Mio estava tão sexy com aquele ar angelical que Ian inconscientemente ficou ereto. Não resistindo mais aquelas provocações, ele resolveu ir até o fim com a ideia sugerida pelo outro. Levou ele até o sofá o fazendo sentar-se.

— Lembre-se, você quem me pediu por isso! Eu não irei parar mesmo que me implore chorando. — ameaçou enquanto desabotoava a própria camisa, depois disso ajudou Mio a fazer o mesmo. Ian o empurrou para deitar-se e se posicionou em cima dele.

Ian estava deslumbrado com o corpo de Mio, apesar de magro, ele possuía pequenas e sinuosas curvas. O bico rosado do seu peito era muito atrativo, convidando sua boca para lambê-los; à vontade de profanar aquele corpo angelical era mais forte que ele, sua língua circulava naquele pontinho rosa e sugava-o com um enorme desejo. Os gemidos abafados que Mio fazia, deixava Ian muito mais atento a seus pontos vulneráveis. Ele queria que Mio experimentasse o prazer pelo menos uma vez na vida, caso aquilo nunca desse certo com ele. Aos poucos, foi descendo por seu corpo, enchendo ele de beijos e lambidas até tocá-lo na sua parte íntima que estava volumosa em sua cueca.

Mio se viu entregue ao prazer que Ian oferecia, jogando-se de cabeça naquela relação, naquele momento nada importava, estava tão feliz porque Ian o desejava daquela forma que seria capaz de fazer qualquer coisa que ele pedisse. Porém, ficou um tanto receoso quando Ian removeu sua roupa de baixo, tocando seu membro e depois lambendo-o. Ele não sabia como agir, e o que dizer. Ficou extremamente nervoso.

Mio podia ser inexperiente nessas coisas, mas sabia muito bem o que era sexo. Antes de passar seu tempo vigiando Ian, ele ficava muitas horas na internet em grupos virtuais. Foi lá que teve seu primeiro contato com o sexo, vendo imagens e vídeos que as pessoas distribuíam como entretenimento nos chats. Ele nunca se viu atraído por aquele tipo de coisa, muitas vezes ignorava e não ficava excitado vendo imagens ousadas de mulheres fazendo sexo oral, mas agora tudo era diferente. Ian estava fazendo aquilo com ele e não achou ruim. Pelo contrário, estava totalmente louco com a forma que ele movia sua língua e boca em seu pênis, ao mesmo tempo morria de vergonha com as expressões que deveria estar fazendo. Contorcendo-se em cima do sofá, Mio estava tão envergonhado com o prazer que estava sentindo com a boca de Ian, que implorava para que ele parasse, esse não lhe dava ouvidos e continuava mais intensamente as investidas sobre ele.

— Ian... pare... eu... go...— Ele não resistiu e acabou gozando em sua boca.

Percebendo o que tinha feito quis morrer te tanto constrangimento, virou-se de bruços escondendo seu rosto entre as almofadas que estavam no sofá. Ian limpou a boca sorrindo com aquele cena.

— Fique tranquilo, essa era minha intenção. Agora... — disse fazendo ele voltar a pose em que estava para encará-lo — É sua vez de fazer o mesmo.

Apesar de ser muito tímido, Mio achou que seu pedido era justo, depois do que tinha feito a ele. No fundo, Mio estava ansioso para tocá-lo. Quando Ian abriu a braguilha de sua calça e a desceu até o meio de suas coxas deixando seu pênis amostra, Mio engoliu em seco. Achou estranho sua atração pelo membro de outro cara e como queria devolver a Ian o mesmo prazer que ele lhe havia proporcionado.

— Não olhe. — Pediu envergonhado.

— Impossível, essa é a melhor parte. — respondeu Ian sorrindo.

Timidamente ele segurou o membro de Ian e tentou repetir tudo que o outro havia feito com ele. Começando pelas lambidas nas laterais, e depois chupando-o da mesma maneira que foi chupado. Ian gemia enquanto olhava para ele, sua mão quente percorria seu cabelo, deixando Mio mais consciente de sua presença ali. Imerso no prazer que sentia somente em fazer aquilo, sua boca mexia-se cada vez mais ousada e provocante, deixando Ian em seu limite. Este tentou desviar-se de sua boca para gozar fora, porém Mio não permitiu forçando-o a gozar do mesmo modo que aconteceu com ele.

Quando o desejo foi satisfeito, Ian sentou-se ao seu lado e Mio, mesmo morrendo de vergonha pelo o que acabará de acontecer, encostou sua cabeça no ombro dele.

— Eu fui bem? — perguntou inocentemente.

— Foi ótimo! — respondeu Ian sorrindo e beijando sua cabeça. — Vamos tomar um banho quente, não quero que você pegue um resfriado.

— Vamos tomar juntos?

— Não! Não! Você me provocou o suficiente por hoje, eu irei tomar no meu quarto e você no seu, mas se quiser poderemos dormir juntos.

— Você ficou de me ensinar, lembra? — resmungou fazendo bico.

— Depois te ensino outras coisas, por hoje deixa assim. — respondeu selando o acordo com um beijo.

Notas finais
:3 E ai curtiu ? Comenta pra que eu saiba. Até breve!