Stalker

5 Preparação


Notas iniciais
Como prometido capa com o Mio.

Mio passou a noite dando explicações para a sua mãe. Convenhamos, ele tinha 20 anos! Não era mais nenhuma criança.

Todos os seus irmãos gozavam de uma liberdade sem limites, menos ele, o mais novo dos três.

Tudo bem que Mio sempre teve uma saúde fraca quando pequeno, vivia internado com problemas respiratórios, febre e essa rara doença que lhe roubou a cor do cabelo, mas fazia anos que não sentia nada. Raramente uma febre quando o clima caía.

Aquela era uma oportunidade única e não queria desperdiçá-la. Não iria!

Estava disposto a fazer de tudo, fugir se fosse necessário. Ele iria sair com Ian, estava decidido quanto a isso.

Para realizar esse desejo, declarou greve de fome, só comeria se sua mãe o deixasse sair, e ela surtou com a decisão dele. No início pensou que ele estava blefando, porém quando ele recusou sua sobremesa favorita, o mouse de maracujá... Ela percebeu que ele falava sério.

— Tudo bem, você venceu! — falou. Mio abriu aquele sorriso contagiante e correu para abraçá-la. Só que ela não havia terminado.

— MAS... Eu irei junto.

Não! Aquilo não poderia estar acontecendo, sua mãe saindo com ele e o Ian? Nunca!

— Mãe, você não pode ir! — disse categórico.

— E por que não?

— Vamos fazer coisas de HOMENS, e mulheres não fazem coisas de HOMENS! — tentou argumentar, mas sabia que isso não iria colar.

— Eu assumo o papel do seu pai nesta casa, criei você e seus irmãos. Então posso SIM, fazer coisas de HOMENS — ressaltava como ele.

— Me diga, porque você nunca pediu para sair com meus irmãos e suas namoradas? Agora, quando eu finalmente arranjo um amigo para sair você insiste em ir junto? — Essa era fatal, jogou a ultima carta que tinha na manga. A diferença de tratamento entre ele e os irmãos.

— Oras... — ela engasgou um pouco — Você é diferente deles. Tem saúde mais fraca, precisa de mais cuidados. Eles não precisam de tanta atenção como você.

— Alguns anos atrás eu realmente precisava de cuidados, só que cresci, estou mais forte do que era, sei me defender e me cuidar sozinho. Entenda isso. NÃO SOU MAIS UMA CRIANÇA! E caso a senhora não queira perceber, irei morar com Tia Kim. Pelo menos ela notou que não tenho mais 10 anos — disse voltando pro quarto e trancando-se lá.

A Tia Kim era irmã mais nova do pai falecido do Mio, e nunca se deu bem com a cunhada. Era a tia favorita dos meninos, sempre alto-astral, fazia tudo que eles queriam. A mãe sabia que ela era uma rival perigosa, então bateu na porta do quarto, tentando reverter situação.

— Eu não quero mais falar com você — respondeu ele de dentro.

— Filho, eu pensei aqui comigo... E acho que você tem razão. Já é um homem, apesar de que precisa ainda de alguns cuidados... Entenda que a mamãe só quer seu bem, e está preocupada com você. O mundo não é como você está acostumado a ver em filmes. É cruel. E eu quero poupá-lo dessa tristeza.

Ele então abriu a porta.

— Eu sei mãe — disse ainda segurando a maçaneta — Eu sei que o mundo não é um mar de rosas e que você quer me proteger, mas tem que entender que já passei da idade de ficar esperando você assumir minhas decisões, eu preciso sair, conhecer pessoas, errar como todo mundo e aprender com meus erros, é somente isso que te peço. Não me tornarei um vagabundo, nem encrenqueiro. Quero ser livre como o Nan e Hayato.

— Tudo bem, tudo bem, entendi. Mas me prometa se cuidar e liga de hora em hora.

— Pode deixar! — disse a abraçando.

Estava uma noite fria para o encontro, Mio perdeu boa parte da sua tarde convencendo sua mãe que tudo ficaria bem, e outra procurando o que vestir. Era seu primeiro encontro na vida. Encontro? Ele nunca parou para pensar sobre o que sentia pelo Ian. Antigamente achava que era admiração por ele ser um jovem independente e saudável, mas como explicar as palpitações quando o via? Refletiu e percebeu que aquilo era comum de acontecer quando pensava nele. Outras vezes o espiando pela janela do seu quarto, pegou varias cenas dele de toalha sem se preocupar com a vizinhança, algumas vezes até sem roupa ao troca-se com pressa no quarto. E toda vez seu coração palpitava.

Levou os dedos até a boca alisando os lábios... Seu primeiro beijo foi com Ian — lembrou.

Quando realizou a respiração boca a boca, no nervosismo não tinha notado o que estava fazendo. Será que Ian se lembrava disso?

Pegou uma camiseta meio folgada com listras brancas e azuis, uma calça preta meio justa no corpo, um tênis all star preto (seu preferido), um cordão da sorte que ganhou do seu pai quando menor, e por cima da roupa, uma jaqueta estilo punk (presente do seu irmão Nan).

Deu uma arrumada no cabelo, estava precisando de um corte. Depois de dar uma última olhada no espelho, seguiu para sala e ficou no sofá esperando ele chegar.