Stalker

6 O Encontro


Chegou à noite, precisamente às sete horas Ian tocou a campainha. Vestia uma camisa sobreposta, preta e branca, calça jeans preta e botas cano curto estilo militar.

— E ai está pronto? — perguntou com um sorriso no rosto

— Sim! Sim! — respondeu Mio muito empolgado. Saíram do prédio com sua mãe alertando as regras combinadas entre eles.

Ian chamou Mio para entrar na sua Pick-up, cor grafite, que estava estacionada na frente do prédio. Enquanto dirigia, puxou conversa.

— Então, o que curte fazer?

— Eu leio, jogo games, vejo filmes... — resolveu ignorar que a sua prioridade era vê-lo pela janela todos os dias.

— Digo de divertido.

— São coisas divertidas.

— Entendi. Você é um daqueles protegidos da mamãe não é?

Mio virou o rosto em direção à janela para não encará-lo. Ficou irritado com a comparação.

— Desculpe se ofendi. Garanto-te que hoje será divertido.

— É... — respondeu não muito animado.

— Tem namorada?

— Não.

— Nesse caso, não temos com que nos preocupar caso arranje uma hoje.

— E você tem namorada? — essa era uma curiosidade de Mio, nunca tinha visto Ian com uma namorada, amigas apenas, nunca namorando uma em sua casa.

— Eu sou do mundo! — disse rindo.

Depois de 20 minutos, chegaram em uma boate. Mio estranhou tantas luzes no local, doía sua vista. Ian o chamou para outra entrada.

— Vem aqui! Essa é a boate de um amigo, tenho acesso vip, não pego essa fila — apontou com a cabeça para a enorme fila do outro lado. Assim que bateu na porta do local, um segurança alto e forte de olhar mal-encarado apareceu.

— Sr. Ian, quanto tempo, seja bem-vindo.

— Obrigado Tonny, esse aqui é meu amigo Mio. Primeira vez dele na Boate. Como estão as coisas aí hoje?

— Quentes como sempre — e deram risada.

— Vamos lá? — disse Ian chamando Mio para entrar.

Passaram por um corredor escuro onde haviam algumas pessoas namorando, depois Mio viu luzes fortes saindo de um salão. Ele ficou assustado e maravilhado com o local. Tinha mulheres penduradas em cordas fazendo malabarismo, mini palcos na parte de baixo com mais mulheres dançando com pouca roupa. Algumas somente de calcinhas. No palco maior tocava um Dj.

Ele seguia Ian que parecia ser muito conhecido no local.

Ian parou no balcão do bar e cumprimentou os Barmans. Mio sentou-se ao seu lado.

— E ai o que vai querer pra começar? — perguntou Ian.

— O que você escolher está bom — disse tímido, nunca tinha bebido na vida e nem sabia o que pedir. Não queria passar vergonha no inicio da noite.

— Manda aí dois drinks com vodka. Daquele jeito que eu gosto, ok? — disse dando piscada pra o Barman.

— Entendi, patrão! — respondeu.

— Curtindo o ambiente? — perguntou Ian voltando sua atenção para Mio.

— Muito legal. Nunca vi tantas luzes em minha vida.

— Ha ha ha, eu acho que o Allan exagera na dose. Desde a faculdade ele sempre curtiu iluminação. Tudo quanto é novidade ele trás para cá.

— Ficou legal mesmo assim.

— Aqui o pedido de vocês... — disse o Barman colocando no balcão as bebidas.

— Opa! Valeu! — Ian pegou sua bebida e fez um gesto para brindarem — Ao meu herói! — brincou batendo as taças.

Mio bebeu aos poucos, depois foi gostando, por ser doce, e começou a beber mais. Algumas garotas se aproximaram e Ian as apresentou a ele. Eram belas garotas, vestiam roupas insinuantes deixando muita coisa amostra. Uma encostou perto dele e apoiou-se em seu ombro.

— Não sabia que estava liberada a entrada de menores na boate — disse brincando, bem perto do seu ouvido. Ele respondeu ter vinte anos e continuou a beber. Ela então começou massagear seu cabelo dizendo que ele era muito fofo. A outra que estava com Ian, aproximou-se também e ambas ficaram mexendo em seu cabelo e alisando seu rosto.

— Primeira vez e já roubou as mulheres da festa! — brincou Ian — Manda mais duas aí! — gritou novamente ao Barman.

Em algumas horas, Mio estava bebendo tequila, dançando na pista, colocando dinheiro na calcinha das strippers, beijando garotas desconhecidas que o achavam bonito, tudo isso na companhia de Ian que só pedia mais rodadas de bebidas. Seu celular tocava o tempo inteiro no bolso e nada dele atender. Quando Ian iria pedir outra rodada, ele o seguiu e o abraçou por trás.

— Eu amo muito tudo isso! Eu amo muuuuuuuuuuuuuuuito tudooooo issssssoo ...

— Ok!Ok! Meu jovem! Percebi... Acho que é melhor parar de beber não é?

— Nãooooooooooooooooooooooo! Eu quero maissssssssss! Eu amoooooooooooooo muito tudoooooo issooooooooooooooooooo!

— Ha Ha Ha! Ok, Pode afrouxar um pouco ai não sou de pelúcia — disse Ian tentando tirar as mãos da sua cintura.

— IAN! IAN EU AMO MUITO VOCÊ AMO MESMOO! EUU SEII TUDO TUDOOO TUDOOO MESMO SOBRE VOCÊ TUUUUUUUUUUDO MESMO, MESMO, MESMO.

— AH, é? E como você sabe?

— PELA JANELA HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA — Disse caindo no chão gargalhando. Ian resolveu que já estava na hora de levá-lo pra casa.

— Vamos? Você bebeu demais — disse tentando levantá-lo do chão.

— NÃÃÃÃÃOOO, EU QUERO FICAR MAIS COM VOCÊ! — pedia Mio.

— Calma ainda estou aqui. Vamos! — e o levou apoiado nos ombros para saída da boate, onde Mio começou a vomitar.

— OOH NÃO! Você não pensa em vomitar no meu carro né? Senta ai — disse Ian colocando ele no chão — Já volto. Não sai daí — tornou a entrar na Boate para pegar um saco plástico ou qualquer coisa que Mio pudesse vomitar dentro. Quando voltou, Mio corria e saltitava pelo estacionamento.

Correu atrás dele.

Ian tentou dirigir rápido afim de que Mio não vomitasse em seu carro.

Como ele parecia bem mal, ficou receoso de mandá-lo para casa e resolveu deixá-lo dormir em seu apartamento. Ele não parava de berrar que estava feliz, que o amava e que as luzes eram legais. Chegando em seu apartamento, colocou Mio no sofá e foi na cozinha pegar um pouco de água para hidratá-lo.

— Ah...ah... O mmundooo não paraa de girarrr, nossa, pare mundoo... — viajava Mio no sofá, com as mãos pra cima tentando agarrar algo no ar. Ian ria da situação. Levou um copo com água e o ajudou beber.

— Você precisa tomar um banho, fede a vomito — como sabia que ele não conseguiria fazer nada sozinho, tentou ajudar.

— Vamos amigo... Da uma forcinha ai também! — disse tentando tirar a camisa dele.

Mio dava risadas e fazia sinal de não com a cabeça como se ele estivesse tentando fazer algo ilícito com ele.

Ian o levou até o banheiro já despido e o deixou no chuveiro com cabeça embaixo d'água.

— Daqui a pouco o mal estar diminui, fique tranquilo. O primeiro porre a gente nunca esquece — gracejou.

Mio ficou com os braços apoiando-se na parede do box, esperando que tonteira melhorasse. Ian aproveitou para pegar algumas peças de roupa para ele vestir.

Lembrou que tinha umas cuecas novas que nunca havia usado — presente de aniversario, em sua gaveta. Pegou uma camiseta de clube de basquete e uma bermuda. Deixou tudo no banheiro e pediu para que ele vestisse. Degustava uma xícara de café no balcão da sua cozinha americana esperando sua visita sair do banho, quando de repente cospe o café em surpresa.

Mio estava vestido somente com a camiseta que o cobria até meio da coxa, as mangas eram longas demais também, ele ficava balançando os braços mostrando que não dava para ver suas mãos. Seu cabelo pingava gotas no chão. Ian não tinha reparado como Mio era bonito e meigo até aquele momento.

— Ei amigão — disse indo para sala e pegando a tolha em cima do sofá. Colocou em cima da sua cabeça — Se não secar isso aí, vai pegar uma gripe.

— Sono... — disse Mio, enquanto tentava secar o cabelo, mais o corpo estava tão mole que somente conseguia fingir estar secando. Ian não teve escolha se não secar por ele. Colocou-se de frente e começou a secar seu cabelo. Mio estava com a cabeça baixa, depois levantou o olhando.

Por um momento Ian se perdeu naqueles olhos castanhos. Mio iria tocá-lo no rosto quando de repente desmaiou.

— Legal, além de todo trabalho ainda tenho que te carregar? Na próxima te levo em um parquinho... — resmungava o levando até a cama.

Notas finais
Não repare os errinhos .... Ajude a divulgar essa fic, agradecido ;)