Stalker
4 Oportunidade
Notas iniciais

Nunca passou pela cabeça de Mio ver Ian tão perto. Nem quando lhe salvou a vida.
— Hmm, será que o Anjo é mudo? — disse Ian entrando sem nenhuma cerimonia.
— Err...
— Fiquei curioso sobre quem me livrou da morte. Posso sentar ou devo te fazer companhia em pé?
— Sente-se, por favor — finalmente falou, fechando a porta e sentando-se no sofá.
— Passei o dia procurando nas janelas desse prédio qual delas tinha um anjo. Desculpe chamá-lo assim... Mas é como o considero. Eu realmente achei que fosse uma ilusão da minha cabeça. Quando os policiais descreveram meu salvador percebi que tinha razão e vim pessoalmente agradecer e conhecê-lo.
— Tudo bem.
— Nunca reparei que a vista das janelas mostrava tanto das casas vizinhas. Isso explica a sensação que tinha às vezes de ser observado.
— Não! Não! Foi somente dessa vez! — tentou disfarçar, logo calou-se quando os seus olhos se encontraram. Abaixou sua cabeça.
— Há ha ha, fique tranquilo. E então como se chama? Ou pretende que te chame de Anjo mesmo?
— Me chamo Mio... Mio Kimura — ainda de cabeça baixa, respondeu tímido.
— Prazer, sou o Ian Rolf — estendeu a mão — Sou novo na redondeza, ainda completarei um ano. Curti o bairro e agora tenho mais motivos para gostar dele. Imagino que se algo como isso acontecesse onde morava anteriormente, estaria morto nesse momento.
— Por que aquele homem tentou te matar? — disse depois de cumprimentá-lo.
— Tenho varias hipóteses sobre o assunto. A primeira, é que posso ter mexido com a mulher dele. Segundo, que possa ser inveja do meu bom humor rotineiro... — brincou Ian.
Mio ria cobrindo a boca.
— Ok, falarei sério agora. Trabalho para uma empresa desenvolvedora de softwares de segurança. Provavelmente ele estava atrás do meu Pen-drive com o sistema que criei recentemente.
— Sim! Eu lembro que ele pegou algo em sua mochila, deve ter sido o Pen-drive.
— Sim, senti falta dele, mas estou tranquilo quanto a isso — falou Ian se arrumando no sofá — gostei desse sofá, confortável, comprarei um.
— Você precisa mudar mesmo o seu... — comentou.
— Como sabe?
— Ah... No dia que entrei na sua casa, você estava deitado nele, então reparei — tentou novamente disfarçar seu conhecimento sobre ele.
— Observador você! Espero que não tenha reparado em toda a bagunça — gargalhou Ian. Mio ficava cada vez mais encantando com ele. Sabia que Ian tinha um humor carismático pela quantidade de amigos que o visitava, e sempre estavam rindo. Porém nunca imaginou participar desse circulo um dia. Estava muito feliz por isso.
— Me diga... Porque não está preocupado com o roubo do seu Pen-drive?
— Coloquei uma surpresinha nele caso alguém viesse a roubá-lo. Assim que digitar a senha errada ele se autodestrói.
— Isso não é problema pra você? Afinal, sua pesquisa está toda lá.
— Não, minha pesquisa está toda aqui — e apontou para a sua cabeça — o local mais seguro que poderia estar, no Pen-drive só tinha fotos pornográficas de umas gatinhas que converso na net, só soltei uma mentirinha no trabalho e esperei ver o que colhia. Não imaginei que fosse a morte...
— Continuará nesse emprego?
— Quem sabe? Gosto da mordomia que tenho nele e depois que tentaram me matar por conta do projeto, estou sendo tratado que nem um rei. Acho que me acostumo com isso — riu de novo. A porta da sala abriu e a mãe do Mio entrou. Estranhou ter visita desconhecida em casa.
— Quem é esse, filho? — foi logo perguntando. Ian levantou e a ajudou a levar as compras para cozinha.
— Olá, sou Ian Rolf, o cara que seu filho salvou no prédio à frente. — disse estendendo sua mão para cumprimenta-la. Ela fez o mesmo.
— Oh, vejo que o senhor está muito bem de saúde. Diferente do meu filho doente.
— Mãe... — resmungou Mio pra ela.
— Mas é verdade! O senhor por acaso viu o hematoma que meu filho arranjou por bancar o herói? Ele já tem a saúde debilitada, não devia estar bancando o Super Man por ai.
— Ele não tem culpa se eu tentei BANCAR O SUPER-HERÓI — reclamou Mio dando ênfase ao que ela disse.
— Entendo perfeitamente sua preocupação como mãe. Mas acho que deveria sentir mais orgulho do seu filho, afinal ele salvou uma vida. A minha por sinal. Qualquer mãe estaria orgulhosa, principalmente que para alguém doente, como a senhora mesma informou, ele deu o melhor de si, e graças a Deus está bem como eu vejo, mas eu ofereço de qualquer forma minha ajuda e apoio — virou-se para Mio — Sinta-se a vontade caso precise de consultas ao médico, dinheiro para remédio ou até dinheiro para o que queira fazer. Estou disposto a agradecer por ter salvado a minha vida.
Mio ficou tão tímido com ele o olhando nos seus olhos, de forma tão séria. Mas, antes mesmo que sua mãe fizesse uma lista com as coisas que ele precisava, falou:
— Não, muito obrigado, fiz minha obrigação como cidadão, não precisamos de nada, além disso, estou bem, só ganhei um pequeno hematoma no braço quando tentei abrir a porta com o corpo.
— PEQUENA?! — Alertou a mãe, pronta para começar seu sermão. Ele fez questão de cortá-la:
— SIM! PEQUENA! Diante da situação perigosa que o Ian passou... Que o Senhor Ian passou.
— Oh, pode chamar de Ian apenas — deu um sorriso simpático para Mio que ficou sem ar.
— Para o... Ian... — repetiu tímido.
— Bom, fomos apresentados. Acho que já deu meu horário. Que tal amanhã sairmos para comemorar? Tomar umas e paquerar gatinhas? — disse Ian descontraído.
— Meu filho não faz esse tipo de coisa...
— Irei com prazer!
—MIO! — advertiu a mãe.
— Combinado. Aqui está o meu cartão — disse retirando do bolso de trás — amanhã ás sete?
— Perfeito.
— Mio Kimura! — tentava sua mãe chamar atenção.
— Te acompanho até a saída — ignorou ela, e foi com Ian até a porta.
— Obrigado, Até mais senhora! — disse Ian, sorrindo, percebendo que ela estava muito brava.
Depois da despedida, Mio encostou-se na porta — meio que ainda incrédulo com a situação. Ele iria sair com o Ian! Isso para ele era algo maravilhoso! Era... Ele só precisava convencer aquela senhora na sua frente, com os braços cruzados e cara enfezada, para deixa-lo ir
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