Stalker
46 Advertência
Notas iniciais

Ian passou o dia tentando entreter Natally, parecia uma acessório dela. Tudo isso para Rafael ter tempo de instalar as câmeras, o problema que sua ideia de um passeio no Shopping, afim de comprar lembranças de Natal, resultou em cinquenta mil em roupas e acessórios e mais dois carros importados. Natally era a falência em forma de gente. Sua vontade era voltar em todas as lojas passadas e devolver cada produto inútil que ela havia comprado. Os seguranças dela, já nem conseguiam ser vistos de tantas sacolas e caixas cobrindo seus corpos. Quando finalmente pararam para comer alguma coisa, em um restaurante que Natally considerasse digno de sua presença, Ian desejou que tudo no ambiente estivesse envenenado. Comida, bebida, o ar.
Pior que isso tudo, era escutar os devaneios dela com os planos para o casamento e noivado junto a seus pais. Que eles dois foram feitos um para o outro, que era algo escrito pelo destino, que o amor deles era único no mundo. Almas gêmeas. Aquilo irritava, Ian. A sua alma gêmea de verdade, o único que correspondia a tudo que ela dizia, estava nesse momento em algum lugar evitando encontrar-se com ele. Quando ele lembrava do olhar de decepção e nojo de Mio no dia que foi pego transando com Natally em frente a sua janela do quarto, quebrava ainda mais seu coração destroçado. O próprio Ian, ajudou Natally a cumprir o seu objetivo, destruir sua vida. Por conta desses pensamentos, olhar e ouvi-lá falando daquela maneira sobre eles dois, causava revolta.
— Algo te incomoda? Você está com um olhar estranho... — perguntou ela, degustando sua refeição.
— Sim, estou cansado de ouvir você falar. — após dizer isso, seu celular tocou e ele viu na tela que era uma ligação de Rafael, atendeu rapidamente. — Sim?
— Está tudo pronto, aja naturalmente afim que ela se sinta à vontade para dizer o que precisamos gravar.— disse Rafael do outro lado da linha.
— Ok. Obrigado. — respondeu encerrando.
Ian estava mais animado, era a primeira vez que um plano tinha chances de dar certo.
— Preciso descansar, estou cansado. Vamos para casa!— disse levantando-se e jogando dinheiro na mesa, bem acima do valor da refeição.
— Mal chegamos...
— Eu tenho coisas do trabalho para fazer, e se você pensa manter a formar, deveria pegar leve com esses pratos de restaurantes. Não vai entrar no vestido. — provocou ele, sabendo que ela tinha uma enorme neura com a aparência.
— Imbecil. — disse soltando os talheres, e pegando a bolsa para ir embora com ele.
Ao chegar em casa, Ian estava empolgado para começar a fazê-la falar, não sabia exatamente aonde Rafael havia instalado as câmeras, então começou a andar pela casa nos pontos que achava perfeito para ele ter colocado alguma.
— Você quebrar um banco sozinha, mais de cinquenta mil em compras! Um monte de coisas que nem irá usar, por puro capricho! — começou ele.
— Claro que irei usar, obviamente não tudo de uma só vez. E qual é o problema de gastar essa merreca? Quando vou as compras com minha mãe em Paris, gastamos o triplo disso, e você bem sabe. — respondeu ela sentada no sofá conferindo os novos anéis de diamante que havia comprado. — Comece a se acostumar com meu estilo de vida, somos da elite e gosto de me manter como tal. Falando nisso, quando vamos sair desse bairro cafona no qual veio se esconder? Eu já te encontrei de todo modo, estou olhando umas mansões na Itália para gente, uma não muito próxima dos nossos pais. Não quero eles se metendo em nosso casamento, você sabe como é mamãe.
— Não precisa se preocupar com isso, não pretendo casar com você. Isso nunca irá acontecer, você e eu somos incompatíveis, nada que você faça irá mudar isso.
— Que conversa ridícula é essa? Até amor já fizemos, como você vem com essas piadinhas de que não iremos casar? — perguntou ficando furiosa.
— Primeiro que não fizemos amor, transamos. E isso porque eu estava bêbado e irritado. Nada mais, você não é a primeira pessoa com quem transo nessa face da terra! — falou, Ian sabia que ela iria explodir a qualquer minuto.
— Você fez amor comigo porque você me ama! — gritou ela levantando-se do sofá e agarrando a gola da camisa dele — Você é meu noivo, vamos nos casar, sim! Nada, nem ninguém irá mudar isso!
Ele removeu as mãos dela da sua roupa, segurando seu pulsos longe de seu corpo.
— Não sou seu escravo, nem seu servo. Não sou obrigado a amar você, só porque você quer. Eu quero que você me deixe em paz! — falou encarando ela fixamente nos olhos.
Ela começou a surtar, se debatendo sob ele, tentando tocá-lo, mas ele evitava ainda mantendo os pulsos dela presos.
— Você é meu, Ian! Somente meu e de mais ninguém. Eu nunca irei permitir que outra pessoa tenha você. NUNCA! — gritava histericamente.
— Chega com essa perseguição, Natally! Mio é a única pessoa dessa terra na qual eu quero estar junto para sempre. É o único que amo, e mesmo que você faça de tudo para nos separar, mesmo que não estejamos mais juntos, você nunca irá mudar esse sentimento. Ele não está à venda! — disse ele.
— Mio, Mio, Mio! Eu odeio esse bastardo que enfeitiçou você! Eu deveria ter matado ele quando tive oportunidade, só dessa maneira o feitiço seria quebrado e você voltaria a me amar. — ela conseguiu se soltar das mãos de Ian quando ele afrouxou os dedos, e o abraçou pela cintura, colocando a cabeça no peito dele. Ele a afastou com raiva, e com um dedo apontado para o seu rosto disse:
— Nunca mais ameace a vida de Mio, entendeu? Nunca mais! Mesmo que ele nunca tivesse me conhecido, meus sentimentos por você não iria mudar. Não te amo e nunca irei te amar.
— Eu nunca irei permitir que vocês fiquem juntos, irei destruir ele e toda família dele para não sobrar nenhum gene da passagem dele por esse mundo! Ou você me ama, e se casa comigo, ou nunca mais verá a linhagem da família dele. Você sabe que eu cumpro minhas ameaças. — disse ela com os olhos azuis avermelhados de fúria. Estava fora de sí, até sua respiração estava pesada.
Ian surtou ao ouvir a ameaça dela, sim, sabia que ela teria coragem de cumpri-la, por esse motivo a raiva era maior. Ela era a culpada por ele ter feito Mio sofrer todo esse tempo, por Mio ser de outro homem, tudo no relacionamento deles foi estragado com as ameaças de Natally. E mesmo com eles separados, ela não achava suficiente, e agora voltava a insinuar atentar contra a vida de Mio. Aquilo era imperdoável. Com muita raiva, Ian a empurrou longe, fazendo ela cai no sofá que estava próximo. Não achava correto bater em mulher, porém, ele tinha uma enorme vontade de mata-lá.
— Você nunca mais irá tocar em um fio de cabelo de alguém que eu ame, todos esses anos eu estive fugindo de você, mas dessa vez estou pronto para te encarar e encerrar com isso de uma vez por todas. Se encostar um dedo em Mio ou em qualquer membro de sua família, eu irei te matar com minhas próprias mãos. Irei para a cadeia, mas te tiro do mundo!
— Amor... — levantou ela tentando conciliar as coisas — Por que você não entende? Eu sou a única capaz de te fazer feliz, somos um de corpo e alma. — ela tentou agarrá-lo, mas ele se desvencilhou, fazendo com que ela caísse no chão, porém, não foi suficiente, rastejando de quatro, ela se grudou a perna direita dele com força. — Você é e será o meu único amor, será que não percebe? Todos esses anos provei para você que nenhum desses seus relacionamentos casuais, valia a pena. Nenhum deles lutou por você, como eu luto.
— Você os ameaçou de morte, espancou uns, usou a influência de sua família para prejudicar outros e esperava que eles ficassem comigo sofrendo dessa maneira para te provar que são merecedores? Ninguém é louco como você! Você é uma criminosa doente! — disse ele usando da força para tirar ela de sua perna, jogando novamente ela longe, dessa vez caiu deitada.
— Eu provei que eles não te mereciam! Eu nunca te abandonaria, por nenhuma ameaça desse mundo, eu lutaria por você até o fim, como estou fazendo. Então, perceba de uma vez que sou a única que te merece!
— Você merece é um quarto em um sanatório! Ninguém faria algo tão macabro. — respondeu Ian, se afastando dela.
— O amor de verdade é capaz de qualquer coisa! Eu mataria todos na terra para te ter somente para mim. — disse levantando e se recompondo.
— Até seus pais?
— Qualquer um. — afirmou categórica.
— Você me enoja. — respondeu ele indo para o quarto, o limite de sua paciência chegou ao fim, estava feliz por Mio não estar por perto, dessa maneira ele poderia ir par casa de Rafael e aguardar os pais dele chegarem no país, para mostrar o vídeo com toda confissão de Natally. Pegou a mala e começou a jogar as roupas dentro, não iria levar muito, o resto ele comprava para repor.
— O que você está fazendo ?— perguntou ela o seguindo.
—Indo embora, só volto na presença de nossos pais.
— Você não vai para lugar nenhum! — gritava, jogando no chão as roupas que ele havia colocado na mala.
— Foda-se! Não preciso levar nenhuma roupa. — disse saindo do quarto, ela o puxou pelo braço.
—Se você sair daqui, eu irei matar aquele albino! Eu não estou brincando!
— Seria uma pena para seus planos, se ele estivesse bem longe daqui, não é? — disse ele sorrindo, soltando seu braço das mãos dela.
De repente, ela passou em sua frente correndo e saiu do apartamento. Ele chegou a pensar que ela tinha trancado a porta pelo lado de fora, porém, ela entrou novamente com seus seguranças. Ian respirou fundo, estava pronto para lutar.
— Amarrem ele na cama, tem uma corda na primeira gaveta do criado mudo, não machuquem o rosto dele, meus pais não podem perceber que ele foi agredido. — ordenou ela de braços cruzados.
Os dois homens partiram para cima de Ian, que socou um deles, porém, o outro o agarrou pelo pescoço e apertou bem forte até Ian perder a consciência. Após deixá-lo desacordado, fizeram como Natally havia pedido, amordaçando também ele caso tentasse gritar pedindo socorro.
— Bom trabalho, agora eu quero que vocês invadam aquele apartamento. — disse apontando para o prédio de Mio — Finja que foi um assalto, e espanque todos que estiverem naquela casa, se encontrar um albino, mate-o.
— A senhora tem certeza que quer disso? A policia pode considerá-la suspeita número um. — alertou um dos homens.
— Eu tinha seguranças de verdade e troquei por dois bandidos. Se eu quisesse conselho, teria contrato dois gurus! Eu mandei fazer parecer um assalto, até onde sei, eu não sou assaltante. Então cumpra seu trabalho, antes que eu mande desfazerem de você como faço com todos meus inimigos. Não esqueça que tenho sempre pessoas vigiando vocês, esperando um passo em falso para acabarem com as suas raças! — lembrou ela.
Os homens engoliram em seco, acenaram com a cabeça confirmando que aprenderam a lição e saíram do apartamento. Ela foi para a cama e se deitou com a cabeça no peito de Ian desacordado e amarrado nos pés da cama.
— Você caladinho, é tão perfeito. — disse sorrindo.
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