Stalemate II.
5 V. 25/05/20xx
Notas iniciais
25/05/20XX
Mello olhava para o relógio pela oitava vez. Estava seriamente começando a me irritar. Não conseguia me concentrar no jogo em minhas mãos com o loiro daquele jeito. Ele sempre teve um certo toque hiperativo, desde a época da Wammy’s, o que eu tento aturar desde então. Quando não estava lendo, estudando ou comendo chocolate ao meu lado no orfanato, ele mantinha uma cara estranha no rosto e olhava para os lados, pensando. Ou em vez disso levantava, andava um pouco por aí e voltava. Em algumas noites o chocólatra era capaz de sair por horas e horas, andando para cima e para baixo pelas ruas, sem absolutamente nenhuma razão.
E eu? Nunca tive paciência para me mexer muito. Naquele momento, como na grande maioria dos momentos da minha vida, eu estava deitado no sofá, distraído, jogando. Pelo canto do olho via Mello se mexer de vez em quando, o que me atrapalhava demais. Sabe quando você quer prestar atenção em alguma coisa e uma pessoa perto de vocês fica falando, se balançando, ou fazendo qualquer coisa que não deveria estar fazendo? Era exatamente o que estava acontecendo.
Sem aviso, o loiro levantou. Ergui o olhar para ele. Sua mão foi ao bolso e ele pegou o celular, apertando alguns comandos e colocando-o na orelha.
– Vamos. – disse e desligou, pegando uma jaqueta na cadeira e se encaminhando para a porta. Sentei no sofá, pronto para me erguer e segui-lo, mas ele se virou e apontou o dedo para a minha cara. – Fica. – e saiu rapidamente, fazendo barulho ao bater a porta e virar a chave na fechadura. Rosnei para a porta fechada.
Mello fazia aquilo às vezes. Já havia dito a ele um milhão de vezes que odiava aquele comportamento. Detestava quando ele me deixava de fora dos planos, quando me excluía, ignorava daquele jeito. Como se eu não tivesse utilidade alguma. Como se não passasse de um cachorro que obedecia sem questionar. Mas ele não me ouvia. Não se importava. E novamente me ignorava.
Eu sabia aonde ele estava indo. Mello havia conseguido marcar uma reunião com o líder da Warder, a empresa com a qual negociaríamos os preços de um armamento mais atualizado. O homem se chamava Salazar e o lugar que marcaram para se encontrar era um pouco longe, mas, segundo Mello, era perfeito. Ficava no centro da cidade, em um shopping center movimentado.
Como assim, Matt? Negociação de armas a céu aberto? Na cara dura? – deve ser o que vocês estão se perguntando.
Exato. Mello, como sempre, pensara em tudo. Qual o melhor lugar para se conversar com alguém desconhecido do que próximo a outras pessoas? Os estranhos serviriam de testemunhas para o acordo que firmariam. Ou seja, nem nós nem os comparsas de Salazar poderiam simplesmente começar um tiroteio, ou planejar alguma armadilha, estando cercados por tantas câmeras e por olhares vigilantes de curiosos. Assim, estava mais do que garantida a vida e a segurança de ambas as partes, se é que membros da máfia podem ter isso.
Claro que um bando de homem (e algumas poucas mulheres) com cara de poucos amigos e volumes em excesso nas roupas (armamento, principalmente) chamaria muita atenção. Por isso, Mello se encontraria sozinho (argh!) com Salazar na praça de alimentação e os seguranças e subordinados dos dois ficariam em lugares afastados, mas próximos o suficiente para ver e ouvir o que se passava ali. No máximo, Mello e Salazar usariam escutas e os outros se afastariam um pouco mais, mas de forma que os dois líderes ainda estivessem à vista dos capangas uns dos outros.
E por que então eu não o segui? Por dois motivos. Primeiro, Mello me perceberia em poucos instantes. O loiro sempre foi capaz de notar aproximações sutis de quem quer que fosse. E, convenhamos, eu nunca fui o ser mais discreto do mundo. Segundo, porque eu já havia feito isso antes e acabei levando a maior bronca da minha vida. Não estava com vontade de ouvir aquela conversa de novo. Não mesmo.
Na verdade eu não queria mesmo participar de TODAS as operações da máfia. Um descanso ocasional sempre foi bem vindo. Só gostaria que Mello confiasse um pouco mais em mim.
Para você ter uma ideia, leitor, naquela época, para conseguir essas informações sobre o encontro de Mello com Salazar, tive de perturbá-lo por horas e horas. Ele não costumava me contar nada. Para Mello, eu deveria saber apenas o suficiente para executar minhas obrigações e fazer o que me fosse mandado. Mais nada.
Suspirando e acalmando meus nervos, voltei a me recostar no sofá e ao meu maravilhoso jogo.
26/05
– Onde o Salazar está? – perguntei para o homem com olheiras fundas, minha voz ecoando pelas paredes distantes do galpão.
Mello me mandara até ali junto de Jack, Walter, Thomas, Rodner e o cara que eu AINDA não lembrava o nome, para receber uma pequena parte do armamento combinado na reunião do dia anterior, uma espécie de adiantamento. Ele me instruíra a aceitar as armas somente das mãos do dono da empresa, Salazar, e em hipótese alguma ir embora sem verificar se todas as que foram combinadas estavam lá.
Admito que fiquei feliz quando me mandou naquele missão, principalmente porque ele nem pedira para ir comigo. Talvez o loiro confiasse em mim, pelo menos um pouco, apesar de tudo.
O problema era que Salazar não estava lá. Mello havia me dado uma descrição física do sujeito e posso garantir que nenhum dos dois caras que lá estavam era ele.
Um dos homens, que possuía profundas olheiras de cansaço, deu de ombros à minha pergunta.
– Não está aqui.
Observação interessante, velho.
– O combinado era que ele viria nos entregar pessoalmente. – um veia na minha testa começou a saltar.
– Ele tem mais o que fazer, garoto. Agora pegue as malas logo. Não temos o dia todo.
Segurei-me para não morder o lábio. Mello me deu instruções explícitas. E ainda me fizera repeti-las várias vezes, até ter certeza de que eu decorara o nome, formato e característica de cada arma.
Precisava consulta-lo antes de tomar qualquer decisão.
– Preciso telefonar. – virei as costas sem esperar resposta e saí do galpão, observando a vegetação rasteira e pobre enquanto discava para Mello e esperava ele atender.
– Fala.
– Mello, Salazar não está aqui.
– O QUÊ? Tem certeza?
– Absoluta. O que eu faço?
– Já conferiu as armas?
– Ainda não, são muitas... Eu tento descobrir se eles trabalham mesmo para o Salazar antes disso?
– Não precisa. Se trouxeram o armamento, é claro que trabalham para ele. Além disso, vocês ainda estão vivos, o que significa que eles não foram enviados aí para eliminá-los.
– Vou lá checar o conteúdo das malas. Ah Mello, você vem pra casa hoje?
– Eu já estou aqui no esconderijo.
Controlei um suspiro de pesar. Depois da Wammy’s, Mello nunca mais conseguiu chamar lugar algum de casa.
– Vai ter mais alguém aí?
Ouvi ele resmungando do outro lado da linha.
– Matt, anda logo com isso.
– Haha que grosseria. Eu estava pensando em um jantar à luz de velas, sabe... Só nós dois. Eu tô com saudade desse corpo gostoso.
– ...
– Ok, vou deixar os elogios pra depois. Mas você não respondeu a minha perg...
Parei no meio da frase. Havia um assobio baixo ecoando pelo telefone, que rapidamente foi ficando mais alto. De início era apenas uma perturbação, mas em segundo ficou estridente, como o gritinho agudo de uma criança birrenta.
Há alguns anos eu criei um aplicativo para o meu celular que me avisa quando tentam rastrear a fonte do sinal dele. Era o que estava acontecendo naquele momento. Alguém tentava encontrar a minha localização, ou a de Mello, através da ligação.
Arregalei os olhos e desliguei a chamada.
Mordi o lábio. Não era a primeira vez que tentavam nos encontrar, mas essas coisas sempre me deixavam nervoso. E se descobrissem onde Mello estava? E se descobrissem onde eu estava? O melhor era terminar de pegar tudo e sair dali o mais rápido possível.
Voltei para o galpão, onde todos me esperavam do mesmo jeito que quando saí.
– Abram as malas.
Admito que dei uma olhada um pouco superficial em tudo. As armas que estavam ali batiam com as que Mello me obrigara a decorar e o volume de cada mala, segundo os meus cálculos, abrigava sem problemas o armamento que fora combinado. Mas, ainda assim, o certo seria que eu olhasse uma por uma, só para ter certeza.
Acontece que, como Salazar, eu tinha coisas melhoras para fazer. No meu caso, seria comer o Mello.
Portanto, saí dali como um desesperado com os outros cinco, torcendo para Mello não me matar depois.
...
– Vai sair?
Eu finalmente havia voltado ao esconderijo. Quando entrei no quarto de Mello, logo depois de descarregar as armas com alguns dos nossos seguranças e deixar o restante na sala, percebi que ele vestia aquela jaqueta de couro que cheirava a viadagem e calçava as botas. Ele me olhou de lado.
– Sid não atende o telefone. Eu o mandei sanar uma dívida com uma ganguezinha qualquer faz algumas horas e ele ainda não voltou. Tem alguma coisa errada.
– E você vai atrás dele?
– Muita coincidência aquela interferência na nossa conversa ter acontecido justamente hoje. Só poucas pessoas sabiam que você ia receber aquele armamento. Provavelmente foi Salazar quem tentou interceptar o sinal, mas ainda assim... Quero ter certeza de que o encontro de Sid com aqueles caras não teve nada a ver com isso.
– Vamos então.
– Não, você vai ficar. – ele já passava por mim e ia para a porta.
– POR QUE EU SEMPRE TENHO QUE FICAR? – a veia em minha testa voltou a se manifestar.
– Porque eu preciso de alguém de confiança para tomar conta de tudo na minha ausência. E você é o único que pode ocupar essa posição. – e fechou a porta do quarto sem dizer mais nada.
Por um segundo pensei em segui-lo, mas desisti sem dar um passo. Mello não era uma criança. Não precisava de mim por perto o tempo todo.
Ainda assim, não concordava com o fato de ele querer ir sozinho. Mello sempre foi inconsequente, mas se arriscar assim por uma mísera interferência? Ir pessoalmente procurar por Sid?
Era estranho. Talvez ele estivesse com um mau pressentimento.
Com esse pensamento em mente – e um sorrisinho besta nos lábios por conta das últimas palavras do loiro – tratei de pegar meu melhor amigo e brincar um pouco com ele.
Só para deixar claro, estava falando do vídeo game.
...
De repente me sobressaltei na cadeira, dando um pulo monstro e machucando as costas com o impacto. Mello entrou tão rápido e bateu a porta do apartamento com tanta força que eu deixei o console cair. Que puta susto.
– Ô delicadeza em pessoa, o que aconteceu?
Ele passou direto por mim. Respirando fundo para controlar um ataque de nervos, levantei-me e o segui até o banheiro.
– Dá pra parar de correr e conversar comig... – ele fez menção de fechar a porta na minha cara, mas eu segurei esta com a mão. – Mello, você não vai fechar essa porta sem me dar uma explicação.
Ele respirou fundo, bem lentamente. Sua expressão não era raivosa, mas era diferente. Eram raras as vezes em que eu o vira perturbado daquele jeito.
– Eu...preciso pensar um pouco, Matt. Posso?
Aquela pergunta foi muito, mas muito estranha. Franzindo o cenho, afastei a mão. Ele fechou a porta e se trancou lá dentro. Segundos depois o barulho do chuveiro enchia o corredor.
Voltei a me sentar na cadeira da sala. Não sabia o que estava acontecendo, mas imediatamente comecei a me preocupar. O que quer que fosse, abalara Mello de uma maneira que eu nunca vira antes.
Será que ele estava realmente com uma sensação ruim ao ir procurar por Sid? E será que esse sentimento fora confirmado?
Mello, o que aconteceu?
27/05
Com meu vídeo game em mãos, eu encarava a parede branca. Um inseto particularmente interessante subia por ela, as anteninhas balançando. Era meio verde e pequeno. Tinha um jeito engraçado. Ele me distraíra do meu jogo e era de certa forma hipnótico. Eu não conseguia parar de olhar para aquela forma inferior de vida. Aquele ser minúsculo me fazia lembrar de Roger, o velho que cuidava da Wammy's House quando Watari não se encontrava por perto. O cara tinha um obsessão por insetos.
Algumas crianças me disseram uma vez que ele usava as criaturinhas em experimentos, misturando os corpos de umas com as cabeças das outras. Na época eu cheguei a acreditar nos rumores, mas depois passei a rir disso.
De repente engoli em seco. Se Mello soubesse que eu estava lembrando da Wammy's...
Desde que deixamos o orfanato, o loiro tinha uma política restrita quanto a falar sobre o lugar. "Nós deixamos aquela instituição, Matt. Não somos mais Wammy's." Eu achava que ele tinha más lembranças de lá, mas era mais do que isso. Mello ficava furioso quando, sem querer, eu falava sobre o orfanato. Rangia os dentes, desviava o olhar ou passava a olhar para o nada com o cenho franzido por um bom tempo.
Para Mello, Wammy's era sinônimo de abandono, de tristeza, de Near, de inferioridade. Ele não conseguia deixar essa rivalidade infantil de lado e guardar somente as boas memórias, como o dia em que eu tirei a virgindade dele.
Tudo bem, talvez essa não fosse exatamente uma boa memória para se manter.... Segundo Mello, eu o machuquei muito aquele dia. Literalmente falando. Mas mesmo assim nós tivemos muitos bons momentos juntos. Ele podia escolher qualquer outro que estaria ótimo.
Suspirando, procurei superficialmente pelo inseto – sem sucesso, já que o bicho era rápido – e voltei a atenção para meu jogo.
Dois segundos depois o meu celular tocou. Olhei o visor e sentei bruscamente na cama.
– Sid?!
– Eae ruivinho. De boa?
– O Mello tá procurando que nem um louco por você! Onde você tava, desgraçado?
– Comendo a sua mãe.
Revirei os olhos.
– Tô falando sério.
– Olha, segura a franga aí que eu já falei com o loirinho, tá? Deu tudo certo ontem... Ah, tem uma coisa que eu não tive tempo de comentar. Quando ele voltar da reunião, convence a loira a me dar uma grana a mais, sim?
– Ta... Pera, qual reunião?
– Ah, ele não te contou? Salazar pediu para conversar com ele. Bem que achei estranho você não ter ido junto...
Trinquei os dentes. Não podia acreditar que Mello havia me deixado de fora da ação, de novo.
– Ele disse que horas voltava? – perguntei.
– E eu tenho cara de babá? Sei lá, ruivinho, a mulher é sua. Você que tome conta dela. – e desligou na minha cara.
Fechei a cara. Mello estava passando dos limites. Uma coisa era querer me proteger do perigo, outra bem diferente era não me contar absolutamente nada sobre o que estava acontecendo e me deixar descobrir as coisas por intermédio de Sid.
Disquei o número de Mello. Eu não podia deixar o contato salvo pois, caso meu celular fosse roubado, poderiam chantageá-lo ou coisa parecida. Mas não importava, eu sabia o número de cor.
Tocou três vezes e caiu na caixa postal. Respirei fundo tentando descontroladamente me acalmar. Nunca fui estressado, mas Mello estava pedindo. O fato de ter tocado três vezes e depois desligado a ligação só podia significar uma coisa: Mello vira quem estava ligando e rejeitou a chamada.
Coloquei o celular e o vídeo game sobre o criado mudo, voltando a me deitar na cama e olhar para o teto. Procurei com as mãos um travesseiro e o coloquei no rosto, cobrindo-o por inteiro. Gritei abafado contra aquela superfície macia, liberando minha irritação. Como Mello causava esses impactos diários em mim. O desgraçado acabava com a minha paz de espírito com esses atos ridículos. Era triste pensar que, minutos antes, eu estava feliz da vida olhando para aquele inseto.
Colocando o travesseiro de volta embaixo da cabeça, tratei de dormir. Talvez os sonhos me trouxessem a paz que a realidade tirava.
...
Acordei de bom humor. Um pouco de descanso podia ser milagroso.
Puxando o celular para perto, liguei outra vez para Mello. Fora de área. Então ele finalmente desligara o celular para que eu não o incomodasse? Pois muito bem. Eu esperaria por dias se fosse necessário. Mello me daria uma explicação a qualquer custo.
Olhei para o horário no celular. 21:27.
28/05
O barulho da chave girando na fechadura me fez erguer os olhos do vídeo game. Olhei rapidamente para o relógio da sala. 04:40 da madrugada.
Mello se esgueirou para dentro, olhando para os lados. Seus olhos bateram com os meus. Talvez tenha sido impressão, mas por uma fração de segundo pensei ter visto uma fagulha de desespero nas safiras.
– Mello. – disse simplesmente, encarando-o de forma acusatória.
– Eu tô cansado, Matt. Não vou transar com você agora.
Respirei fundo.
– Por que você sempre pensa tão pouco de mim? Eu quero conversar. Quero saber onde você esteve.
– Sério? Conversinha de namorada ciumenta agora? – ele tirava a jaqueta e as luvas. – Isso não faz o seu estilo.
– Mas esconder as coisas de mim faz muito o seu, né? – me esforcei para deixar a raiva de lado e me aproximei dele. – Mello, me deixa ajudar.
Tentei colocar a mão sobre o ombro dele, mas Mello o moveu para tirar minha mão. Ele me virou as costas, mas ficou parado de frente para as portas dos quartos.
– Não tem nada que você possa fazer, Matt. Me deixa em paz, por favor.- ele então seguiu para o próprio quarto. Ouvi o som da chave indicando que Mello trancara-se lá dentro.
Por uns bons 20 minutos eu não consegui me mover. Não porque eu estava bravo. Nem porque estava triste. Mas porque estava surpreso.
Mello havia pedido por favor. Deliberadamente, sem ninguém pedir a ele. Suas palavras foram melancólicas e abatidas, como se ele tivesse sido derrotado. Não as dissera de forma irônica, nem fora sarcástico. Não parecia em nada com o Mello que eu conhecia tão bem.
Meu pensamento imediato após esses minutos de torpor foi bater na porta dele, mas pensei melhor. Tanto Mello quanto Near sempre tiveram essa de "gênio solitário". Não custava nada dar a Mello algum tempo para pensar, refletir.
Reprimindo-me mentalmente por ter me sentido tão irritado com ele, fui para meu quarto. Ainda estava com sono. Deitei na cama, joguei mais um pouco e peguei o celular. O relógio marcava 05:52. Mordi o lábio.
Era bom que Mello tivesse uma desculpa muito boa que justificasse ele ter chegado tão tarde em casa. Do contrário, eu teria de descobrir o que estava acontecendo do meu jeito.
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