Stalemate II.
1 I. Contos iniciais: Relatos de um observador.
Notas iniciais
Certa vez, em uma aula de filosofia, surgiu a discussão sobre o que exatamente era o amor. O conceito se resumia a um sentimento de afeição, que poderia ser físico ou espiritual. Eu, sendo uma criança romântica na época, é claro, fiquei encantado com a ideia do amor genuíno, em que haveria um desejo intenso e único de se fazer bem ao seu objeto de afeto. A felicidade era gigantesca dentro de mim e eu jurei que, um dia, encontraria alguém para fazer bem sem querer nada em troca.
De longe, a pior decisão da minha vida.
Você que está lendo estas palavras, preste bem atenção. Se pensa ter encontrado sua cara metade ou se sonha desesperadamente em encontra-la, saia daqui agora mesmo. O que se segue são relatos frios e realistas da minha vida – nem um pouco normal, diga-se de passagem – nos quais há provas irrefutáveis de que o amor não existe. É uma idiotice criada por algum desocupado para fazer uma pessoa (aquela que se “apaixona”) ser usada e manipulada por outra (o objeto de afeto).
Acreditem, sei exatamente do que estou falando. Como todo ser humano infantil e fútil, fiz a besteira de me permitir ser seduzido por alguém. Aliás, querem saber como descobri que estava “apaixonado”?
Tive uma bela ereção com um cara vestido só de toalhinha.
Decepcionante, certo? Você com certeza esperava algo mais romântico. Bem, sinto desapontá-lo caro leitor. Minha vida amorosa é uma bosta. Na realidade, a da maioria das pessoas é. Somente aquela porção pequena de sujeitos que aceita uma relação de completa obediência-submissão é que consegue ter relacionamentos felizes.
Bom, eu não entro nessa lista. Não mais.
Meu nome é Mail Jeevas e eu vou tomar outra garrafa de vodka com limão enquanto você lê. Não diga que eu não avisei.
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