Stalemate
14 XIV. Perdido nas páginas.
Notas iniciais
Um mês se passara.
Aos poucos, a paisagem de inverno da Wammy’s House se recolhia e dava lugar à primavera. As flores ainda não haviam desabrochado, mas pequenos botões vermelhos, azuis e brancos poderiam facilmente ser vistos aqui e ali no amplo jardim que rodeava o orfanato. Camadas mais finas de neve caíam repentinamente das árvores, se espatifando na cabeça de alguma criança desavisada e provocando inúmeras risadas.
Mail observava um grupo destes pequenos seres da janela de seu quarto.
Sim. Seu quarto.
Há trinta dias, o ruivo pedira à Watari um cômodo só dele. O diretor lhe dissera que estava com sorte, já que eram raras as vezes em que haviam quartos disponíveis. Mail aceitara imediatamente ficar com ele, em parte por querer ficar sozinho e também por querer passar um bom período longe de Mello.
Apesar disso, aquela não era a primeira vez que passavam tanto tempo brigados. Já houveram outras discussões que resultaram em dias à fio distantes um do outro, mas nunca Matt fizera algo como aquilo.
Não sabia explicar por que, mas, daquela vez, era diferente.
Como agora ficava a maior parte do tempo sozinho, Mail utilizava as horas longe do loiro para relembrar os momentos que passaram juntos desde sua entrada na Wammy’s. Cada dia, cada história fazendo um sorriso bobo brincar em sua face. Recordava-se das brincadeiras idiotas e por vezes até pervertidas, das noites tempestuosas passadas lado a lado, das incontáveis xícaras de chocolate quente que fora forçado a fazer, dos maus modos do loiro, do dia em que este decidira usar aquelas roupas de couro...
Por Deus, como sentia falta dele.
Com aquelas lembranças circulando em sua cabeça e a sensação constante de perda, Mail só via cada vez mais reforçada a ideia de que possuía tendências homossexuais. Com o passar dos dias havia pensado seriamente sobre o caso e, ainda que não acostumado com ele, era impossível descarta-lo completamente. Conseguia conviver, de certo modo, com o pensamento e até aceita-lo, ainda que se sentisse extremamente confuso e desorientado, como se tivesse sido lançado em um remoinho.
Porém, independentemente disso, sua vida rotineira continuou como se absolutamente nada tivesse lhe acontecido, visto que ele decidira esconder de todos o que se passava diariamente em sua cabeça.
Assim não corria o risco de ser humilhado ou julgado por alguma mente preconceituosa e ignorante.
E, de qualquer maneira, não é como se ele pudesse (ou devesse) sair por aí gritando que havia mudado de time.
Sacudindo a cabeça e afastando as vozes em sua cabeça, Matt voltou a se concentrar nas pessoinhas que andavam pelos jardins. Os pequenos anos de mãos gordinhas, todavia, já não estavam mais lá e em seu lugar um casal conversava animadamente.
Ou, melhor dizendo, a menina falava e o dono de cabeleira loira muito conhecida assentia com a cabeça.
– Mello... – A palma esquerda de Matt se ergueu na direção do vidro, tocando-o, tentando desesperadamente alcançar algo que, sabia, jamais poderia ser seu.
A garota ao lado de seu atual objeto de desejo parecia extremamente alegre, como se nada no mundo pudesse desfazer aquele momento.
E Mail queria mata-la por isso.
Não saberia dizer como, em tão pouco tempo, passou a desejar tanto mal a uma única pessoa. Só sabia que já criara diversas maneiras de torturar Cyntia até a morte, desde algumas mais brandas a outras repletas de sofrimento.
Todas extremamente divertidas.
E, apesar daquela vontade ensandecida de eliminar a garota de cabelos negros de seu caminho, o ruivo não podia deixar de invejá-la. Era extremamente ridículo pensar o que ele não daria para estar em seu lugar, ao lado de Mello.
Uma pequena demonstração disso é que, pela primeira vez em toda a sua vida, Mail desejara ser uma garota.
Sempre que este pensamento vinha em sua cabeça, o ruivo ria da própria estupidez. Mesmo que houve uma possibilidade mínima, microscópica, de ter um relacionamento com Mello, tinha absoluta certeza de que não seria ele próprio a ficar por baixo. Portanto, se tal possibilidade existisse, era mais provável que Mello fosse a garota.
E logo o ruivo estava rindo outra vez.
Nessas ocasiões de reflexão, Mail realmente não tinha outra opção a não ser rir. Sabia que tal situação era mais do que impossível: era completamente insana, se não irreal. O loiro (infelizmente) era hétero e, se alguém sequer ousasse tentar insinuar o contrário, certamente levaria bem mais do que um olho roxo.
Matt ainda passou mais alguns minutos se torturando com aquela visão até que um ardor se manifestou em sua garganta e ele se afastou com violência, ocupando seu precioso e inútil tempo com um vídeo game ainda mais precioso e inútil.
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O loiro observava com um sorriso no rosto aqueles cabelos negros se afastarem com velocidade, balançando como bandeiras ao vento.
Finalmente livre. – Ele pensava aliviado.
Há um mês havia aceitado namorar uma das meninas mais sem sal do orfanato, uma tal de Cyntia Cl... Cyntia Fl...
Cyntia alguma coisa.
De qualquer forma o sobrenome dela era irrelevante, visto que sua existência como um todo não tinha qualquer importância para o loiro, que estava mais do que ansioso para se livrar dela. Isso pode parecer estanho para alguém de fora, que via os dois como um belo é próspero casal, possuindo tudo para construírem um relacionamento duradouro, mas é a realidade.
Para Mello tudo não passava de um jogo.
Era desesperador ver a euforia com que ela o apresentava para seus amigos, já que o loiro precisava conter um desejo insano de rir. As cartinhas de amor recebidas no meio da noite, as declarações apaixonadas, as mensagens de texto repletas de frases de amor... Tudo isso fazia Mello literalmente rolar de rir em sua cama.
Tão ingênua!
Fazer pouco caso dos sentimentos dos outros, esmagar o coração de meninas carentes e brincar com palavras falsas para manipular as emoções de pobres almas era mais do que um passatempo para o loiro. Era quase uma profissão.
Não havia nada melhor para se fazer nos momentos de tédio.
E quando a diversão se esgotava, tornando a brincadeira repetitiva e exaustiva, bastava se livrar do brinquedo.
Como ele o fizera minutos antes.
– E aí eu...
– Olha Cyndi... – Mello a cortou com frieza, cansado de passar tantos minutos assentindo com a cabeça. – Eu não posso continuar com isso.
– Como assim? – Os olhos da pequena menina se encheram de pavor, o par de jades prestes a ser inundado por lágrimas.
Curiosamente, aos olhos de Mello, o par de órbitas verdes era a única parte atraente da garota.
– Eu não quero você. Nunca quis. Vai embora Cyndi. – Ela se ergueu de um pulo, os olhos marejados. Gaguejou algumas palavras sem nexo, tentando entender o que havia feito de errado. Mello a interrompeu novamente, sem piedade. – Para com isso, sério. A sua voz me dá vontade de vomitar.
Com este último insulto ela viu sua resistência ser abalada e ocupou-se em rogar uma série de pragas e ofensas dos mais variados tipos, cuja lista suas amigas ouviram em detalhes minutos dois. O importante era que, mesmo após ouvir calado cada um dos insultos, Mello sequer ergueu a mão para ela.
Não era um covarde.
– Adeus Mello! – Ela bradou e, finalmente, se afastou a passos firmes.
Uma pedrinha no chão voou distraidamente do pé do loiro até bater no tronco grosso de uma laranjeira. Como agora estava livre do infortúnio que há dias o incomodava, Mihael pôde esquecer-se desse acontecimento e ocupar seus pensamentos com o verdadeiro problema.
Matt.
Como ele ousara ir embora de uma hora para outra? Aquele ruivo maldito, que passara tanto tempo sem falar com ele e sequer tentar implorar por desculpas! Ele realmente acreditava que bastava se afastar, trocando subitamente de quarto, que tudo se resolveria?
Pois estava redondamente enganado.
Caminhando de volta para o instituto, Mello tentava, talvez pela centésima vez, imaginar quais seriam os motivos para Mail tomar uma decisão tão radical. Era bem verdade que haviam discutido no mesmo dia mais cedo, graças à atitude impensada de Matt, mas mal trocaram algumas palavras e o outro se enfurecera.
Eu nem dei o sermão que ele merecia...
Completamente frustrado, o loiro se via em um beco sem saída desde o dia em que voltara ao seu quarto e o encontrara somente com suas próprias coisas. Do mesmo modo com demorara a se conformar com a atitude do mais novo, tinha a sensação de que levaria ainda mais tempo para compreender o que se passava naquela cabeça ruiva em meio aos vídeo games e cigarros.
O que ele está pensando? Por que está agindo assim? – Mello mordia o lábio, sem conseguir encontrar resposta a qualquer uma das suas perguntas.
Seus pés batiam com raiva contra o piso de mármore à medida que subia os degraus, cada passo mais lento em relação ao anterior. O corredor do segundo andar encontrava-se deserto e gelado, com um ruído baixo e melodioso que aumentava a cada passo do loiro. Este, ansioso para entrar na biblioteca e se livrar daquele enxame de ideias ambulante, começou a prestar cada vez mais atenção ao som.
Mas o que... – Mello parou de súbito ao reconhecer aquela voz, o par de safiras arregalados.
Mail.
Desde quando... – O loiro pensava, olhando desesperadamente para o interior das extensas salas dispostas dos dois lados do corredor.
Desde quando Mail sabe cantar?
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Os olhos verdes permaneciam fechados, auxiliando sua concentração. Seus braços, dispostos estratégica e graciosamente ao longo do violão lhe davam uma aura quase divina, sendo impossível não ficar de olhos arregalados com a beleza e exatidão de sua postura. Seus pés batiam no solo em um ritmo constante, marcando o tempo entre cada verso. As palavras saíam de seus lábios com uma facilidade invejável, parecendo tornar o ar ao seu redor mais puro e cristalino. Uma voz digna do mais sacro anjo.
On a cobweb afternoon
In a room full of emptiness
By a freeway I confess
I was lost in the pages
Of a book full of death
Reading how we'll die alone
And if we're good we'll lay to rest
Anywhere we want to go
In your house I long to be
Room by room patiently
I'll wait for you there like a stone
I'll wait for you there alone
(Em uma tarde intrigante
Em um quarto cheio de vazio
Em uma estrada eu confesso
Que estava perdido nas páginas
De um livro cheio de morte
Lendo como morreremos sozinhos
E, se formos bons, nos deitaremos pra descansar
Em qualquer lugar que queiramos ir
Em sua casa anseio ficar
Quarto por quarto pacientemente
Vou esperar por você lá, como uma pedra
Vou esperar por você lá, sozinho)
Por entre uma fresta na porta branca entreaberta, Mihael observava pasmo à cena que se passava lá dentro. Tinha conhecimento de que, há três anos, Matt aprendera a tocar violão, mas jamais o ouvira tocar.
E muito menos cantar.
Se soubesse antes, ou melhor, se tivesse se interessando em saber como o ruivo tocava, teria visto aquela bela cena que agora se encontrava em seus momentos finais.
Ele canta tão bem...
A mão do loiro se ergueu automaticamente em direção à porta e seus lábios se abriram para parabeniza-lo, mas ele fez ambos pararem a tempo. Estavam brigados. Ele não poderia simplesmente entrar ali e conversar como se na houvesse acontecido. E isso sem falar que ainda estava mais do que puto com a troca de quarto do outro.
Tomando uma decisão, Mello esperou que a música acabasse ali fora e, encantado, se afastou a passos rápidos, sentindo-se mais idiota do que nunca.
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Uma brisa agradável varria os cabelos de Mail para trás, brincando com seu rosto. Havia acabado de sair da antiga sala de música abandonada do orfanato, que fora substituída por uma maior, quando, ao alcançar os jardins, ouvira a voz muito conhecida de Íris, que tagarelava animadamente com um pequeno grupo de meninas.
– Ela ficou desamparada, coitada. Disse que o Mello foi horrível com ela e nem quis dar satisfação, simplesmente não queria mais nada e...
– Ei. – Matt, quando deu por si mesmo, caminhava em direção ao grupo que imediatamente deu espaço a ele, entre risadinhas. – Você disse... que o Mello chutou a Cyndi?
– É, foi o que eu disse. – Íris respondeu entre dentes, os olhos negros cheios de desprezo. – Por que? Ficou interessado nela?
Mail não pôde evitar o sorriso.
– Isso não é da sua conta, mas obrigado pela informação. – Virou-lhe as coisas e continuou a caminhar por entre as árvores, certo de que o dia havia se tornado mais claro.
Então ele finalmente partiu o coração dela...
Aquela era uma prática comum e cruel de Mello. Namorar. Iludir. Fazer a outra parte se apaixonar perdidamente. E destruir seu coração como se fosse apenas mais uma pedra em seu sapato. Sempre fora assim e o loiro nunca tentara sequer mudar. Gostava do que fazia e fazia porque gostava.
Algumas vezes Mail até se divertia com os rompimentos, vendo os rostos chorosos das meninas. E agora não seria diferente: bastaria ver a tristeza de Cyndi para que um sorriso enorme enfeitasse seu rosto.
O fato era que, desta vez, havia um motivo a mais para a felicidade de Mail. Ter essa menina afastava de quem ele amava, significava um passo a mais para perto do loiro.
Uma a menos, pensava.
Tirando um cigarro do bolso e destruindo seus pulmões com a deliciosa nicotina, o ruivo olhou ao redor durante alguns segundos até localizar quem tanto procurava. Mello se encontrava com as costas apoiadas em uma árvore há alguns metros de distância e remexia na bela barra de chocolate em sua mão enquanto conversava com um garoto.
Era só o que me faltava... – Matt direcionou seus passos para a dupla sem sequer pensar. Estava mais do que farto daquelas pessoas inconvenientes se aproximarem de Mello o tempo todo. Não podia permitir que aqueles abutres ficassem rodeando-o. Se fosse preciso afastaria um por um do loiro, até que restasse apenas ele para lhe fazer companhia. Não importava se era homem ou mulher: este deveria ficar longe, para que não houvesse possibilidade de se envolver com Mello.
Se não posso tê-lo ninguém pode. Prefiro vê-lo sozinho do que nos braços de outro.
– Loira! – Mello o olhou com uma sobrancelha erguida.
Ah, então agora decidiu falar comigo ruiva? Eu sabia que não resistiria.
– O que você quer? – Perguntou e, ao contrário de sua voz seca, um sorriso caloroso dançava em seus lábios.
– Que você tire as tralhas que deixou no meu quarto! – Somente nesse momento Mail olhou para o outro garoto, um moreno de olhos verdes. – E aí Dylan. Não queria atrapalhar a conversa de vocês, mas esse maldito deixou aquelas lingeries dele no meu quarto e não foi buscar. – Ele riu da expressão de choque no rosto do outro e da fúria nos olhos de Mello. – Sabe, ele vive me visitando à noite e nunca leva embora as roupas de manhã. – O ruivo deslizou para o lado de Mello e passou um braço por sua cintura, um sorriso pervertido no rosto. – É cansativo, já que sempre sou eu que limpo tudo, inclusive os lençóis.
– Vai se ferrar seu... – Mello o empurrava com as mãos enquanto Mail ria. Dylan se afastava lentamente, pensando no quanto aqueles dois eram retardados.
– Foi só uma brincadeira loira, não precisa se revoltar. – Matt continuava a tentar abraça-lo, enquanto o loiro o repelia.
– Você é um babaca e vê se sai de perto de mim porque seu cheiro é insuportável. – Mihael se desvencilhou e tapou o nariz com uma das mãos.
– É só cigarro e você gostaria se provasse. – Mello revirou os olhos, impaciente, já que cansara de dizer ao outro o quanto odiava cigarros. – Mas enfim, um dos seus livros veio junto com as minhas coisas. Vem que eu vou pegar.
– Desde que você fique a favor do vento... – O mais velho se aproximou e deu um tapa forte na cabeça do outro. – Isso é pelas merdas que você falou agora a pouco e isso... – Mail sentiu um soco em ombro esquerdo. – ...é porque você é irritante e insuportável.
– Obrigado. – Ele sorriu para o outro que fechou a cara, fingindo aborrecimento.
Ah Mello... Você é tão fácil de ler.
De volta ao quarto, Matt devolvia o livro de Mello com uma tristeza inexplicável. Mesmo com o loiro estando ali ao seu lado, ele parecia estar há anos-luz de distância. Inatingível. Inalcançável.
Para alguém como o ruivo, que passara tantos anos sem querer nem exigir nada, sem desejar desesperadamente algo ou alguém, os sentimentos que tomavam cada vez mais espaço dentro de si eram completamente estranhos. Não sabia como controla-los ou mesmo como reagir a eles. Poderia ouvir seus instintos e agir sem pensar, mas estas eram características de Mello, não dele.
Portanto, ao se deparar novamente com aquelas emoções se agitando dentro dele, decidiu ouvir o que seu cérebro e sua parte racional tinham a lhe dizer.
Imediatamente se arrependeu da escolha.
Ele não é gay, Matt. Se tentar fazer algo vai perdê-lo para sempre. Mello vai te odiar. Nem mesmo a amizade dele poderá ter. Terão de se afastar.
Apenas o pensamento era mais do que insuportável. Ficar afastado de Mello estava absolutamente fora de cogitação, de modo que teria de se contentar com sua amizade. Pelo menos assim poderia estar sempre ao seu lado, sem levantar suspeitas. Teria sim de esconder com absoluto cuidado o que sentia, mas, em todo o caso, valeria a pena.
Isso é tão injusto... Quando finalmente encontro alguma coisa que desejo com tanta vontade, simplesmente não posso tê-la.
Parabéns pela sua sorte Matt.
– Matt! – O loiro o chamava há alguns minutos, sacudindo seus ombros. Mail piscou várias vezes para se orientar. – O que ‘tá acontecendo com você? Faz uns dois meses que estranho desse jeito.
– Eu estou bem...
– Fica sempre sonhando, distraído... Evasivo.
‘’ Você anda olhando para os lados com frequência Matt, exatamente como está fazendo agora. Evasivo. Como se estivesse tentando fugir de alguma coisa.’’
Pelo visto, Mello e Near eram mais parecidos do que o loiro suspeitava.
– Já disse que estou ótimo.
– Não está não! Você ficou me encarando por cinco minutos.
– É que eu achei que tinha uma coisa estranha em cima do seu pescoço, mas era só a sua cara mesmo.
– Você pediu... – Mello começou a agarrar a gola de Mail, pronto para lhe dar um belo soco. O ruivo só pensava em como Mello ficava ainda mais bonito visto de perto.
Esses olhos azuis ardendo em fúria, o dourado dos cabelos, o contorno dos lábios... Ah, eu poderia agarrá-lo agora e...
– Matt... Que cara é essa?
– Hum? O que?
O loiro bufou e o soltou com raiva.
– Nada. Vou estudar.
Na soleira da porta, prestes a sair, Mihael teve a ideia de perguntar ao outro sobre a música que ouvira mais cedo, mas havia algo que o fazia recuar. Como se lhe dissesse que ainda não deveria questioná-lo sobre isso. Pensou durante uma fração de segundos e continuou seu caminho, certo de que perguntaria no momento oportuno.
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