Stairway To Heaven
3 Chapter Two - Peace Doesn’t Exist For The Winchester
Notas iniciais
Stairway To Heaven
Chapter Two
Peace Doesn’t Exist For The Winchester
– Hey Dean. – o sorrisinho tímido espalhava-se sobre os lábios rosados da estranha figura de cabelos cacheados enquanto o nome do caçador era comentado com um carinho que com certeza Michael não utilizava há muito tempo. Dean encarou o outro homem por alguns segundos bem duradouros, assim como qualquer outra pessoa – ou Anjo — na sala.
– O que você está fazendo aqui, desgraça?! – o Winchester primogênito nunca poderia acostumar-se com aquelas repentinas aparições angelicais, principalmente quando indivíduo aparecia bem do seu ladinho. A sala poderia ser enorme e totalmente desocupada – e na maioria das vezes era -, mas a criatura sempre – ênfase a palavra – aparecia do seu lado.
– Papai me pediu. – respondeu simplesmente enquanto seus belos olhos azuis rodavam por todo o seu âmbito, descontraidamente, vendo onde estava. Ele não tinha intenção nenhuma de aparecer para os Winchesters novamente, mas Dean havia chamado seu nome e então ele precisava ver como o loiro mais velho estava.
– Você encontrou com o Pai? – Castiel interrogou. Deus estava sumido há tanto tempo que ele nem se quer podia imaginar quando fora a última vez que o mesmo entrara em contato com algum outro Anjo. Ele parecia ter fugido de qualquer coisa que envolvesse envolver-se com os Céus, largando seu posto de lado completamente. Por que diabos ele voltaria agora?
– Não, mas ele falou comigo, só ouvi sua voz. – Michael não parecia importar-se muito com o que saía de seus lábios e nem sequer parecia querer esconder o que tinha acontecido, estava mais interessado em rodar seus olhos azulados pela sala, vendo o lugar antigo em que estava e observando a magia pura fluindo dentre os conhecimentos dos inumerados livros ali presente. Ali era um bom lugar.
– E o que isso tem haver com a gente? – Sammy perguntou, estranhando o comportamento de Michael, bem diferente da vez em que se encontraram e o mesmo estava todo prepotente enquanto usava seu irmão mais novo como receptáculo. E por falar no Milligan, Adam estremecia a cada vez que seus olhos chocavam-se contra figura do todo poderoso Arcanjo. Sabia que tinha sofrido uma eternidade nas mãos de Lúcifer e o outro ser celestial nem se quer tentava impedir, mesmo que não pudesse lembrar-se de nada, sabia – sentia — aquilo. Maldito Arcanjo.
– Não tem nada haver com vocês Winchesters mais novos ou Castiel. Tem haver com Dean. – respondeu focando seus olhos azulados na figura do loiro mais velho, que arqueou uma de suas sobrancelhas para a resposta. Antes que qualquer um pudesse falar mais alguma coisa, um bater de asas e Michael estava bem na frente de Dean antes que qualquer um pudesse abrir a boca. O Arcanjo era ainda mais rápido que Cass. Assim que seus olhos azuis focaram-se nos olhos esverdeados de Dean, as palavras fluíram suavemente por entre sua boca – Papai me pediu para cuidar de você. – e com a mesma inocência de Castiel, não via nenhum mal em pronunciar tais palavras.
O silêncio tomou a sala repentinamente, Dean engoliu seco para a aproximação do outro Anjo e não pode deixar de ter suas maçãs do rosto levemente avermelhadas. O Novak olhou seu irmão com uma profundidade intensa e perguntava-se mentalmente porque Deus não havia pedido aquilo para si. Era um Anjo também no final das contas, mesmo que Michael fosse mais forte, todavia já havia ajudado muito mais os Winchesters e já era até mesmo parte da família – diferente do Arcanjo que era quase um inimigo.
Sammy olhou seu irmão mais velho esperando que o Arcanjo recebesse um belo soco em sua cara por ter falado tais palavras e pela proximidade desnecessária entre seus corpos. Adam esperava praticamente a mesma coisa – pelo o pouco que conhecia do irmão, sabia que o mesmo era bem capaz de dar uma bela direita na cara do Arcanjo mais poderoso de Deus. Só que o soco simplesmente não viera, para a surpresa dos irmãos.
– Se Deus não reparou, eu sou bem crescidinho para cuidar de mim mesmo. – o mais velho dos três irmãos comentara enquanto contornava o corpo de Michael e saindo automaticamente do aperto que o Arcanjo fizera consigo, Dean não podia recuar perante o cacheado, já que havia uma parede atrás de seu corpo impedindo sua passagem.
– Eu realmente não sei o motivo, Dean, mas se ele me pediu, então eu vou cumprir. – deu de ombros sem importar-se muito e retornou a sentar-se no sofá, sobre os alhares atentos de todos. Não estava nem um pouco incomodado com a atenção extra. Ele era Michael no final de tudo. E de repente estava tudo muito quieto – novamente. Um clima estranho espalhou-se por toda a sala. Ter Michael ali era mais do esquisito.
– E esse seu receptáculo? Pensei que só pudesse usar Winchesters. – Sammy perguntou tentando descontrair a tensão que havia formado. Dean parecia estar tentando entender porque ele precisaria de mais um Anjo da Guarda, e Adam estava encolhido de mais em seu cantinho para falar qualquer coisa. Já Castiel estava incomodado com a presença de seu irmão muito próxima ao seu protegido.
– Para matar Lúcifer, eu precisava de um corpo que aguentasse todo o meu poder e o apocalipse, mas agora, um corpo razoavelmente forte que me aguente é o necessário, provavelmente se eu lutasse com Lúcifer com o corpo de Douglas Smith, ele explodiria. – e no final fez um movimento brusco com as mãos, sinalizando uma explosão, enquanto sua boca movia-se com a onomatopeia de uma bomba explodindo, mesmo que não fizesse barulho algum com sua voz.
– Vai tentar trazer o apocalipse novamente? – por incrível que pudesse parecer, Adam conseguiu reunir forças para fazer a pergunta que martelava em sua mente desde que ele havia saído da Jaula de Lúcifer com Michael em seu corpo. Ele não queria retornar para aquele lugar e não queria ser novamente um receptáculo. A adrenalina era bombeada em suas veias ao ter medo de que um “sim” fosse sua resposta.
– Não. – o Arcanjo respondeu e olhou para o mais novo dos irmãos como se sua pergunta fosse a mais absurda possível, ele nunca em sua vida tentaria libertar seu irmão, mas claro que seu o mesmo voltasse a vagar pela Terra, ele não hesitaria em tentar tomar novamente um dos copos dos irmãos Winchesters. Mas ele nunca mexeria com o que estava quieto – Eu fico feliz por não ter que matar meu irmão. Eu ainda espero que ele veja tudo o que está fazendo e se arrependa. Mas se ele voltar a vagar por aqui ansiando pelo apocalipse, não tenho outra escolha a não ser mata-lo. Papai pediu. – os olhos azulados foram tomados por um sentimento de tristeza que seria até mesmo difícil de ser transmitidos para humanos. Com Anjos seria ainda mais impossível. Fora estranho ver Michael assim, parecia que ele realmente amava seu irmãozinho caído.
– Claro, Anjos e suas crenças cegas... – Dean murmurou irritadiço pegando uma garrafa de cerveja no pequeno frigobar acoplado naquele cômodo em especial da sala, jogou uma garrafa para Sammy também e Adam recusou a bebida alcoólica – já estava enjoado o suficiente somente por olhar para Michael.
– Não que você pudesse falar muito. – Samuel comentara de forma sacana, recebendo um belo dedo do meio do seu irmão mais velho enquanto o mesmo tomava grandes goles de sua bebida. Já estava começando a ficar bêbado, mas depois dessa informação de Michael, aquilo era o mínimo que poderia fazer. Ser protegido por um Arcanjo... Era só o que faltava na vida do primogênito Winchester.
– Então... – Michael novamente começara e tele transportou-se novamente para frente de Dean, que praticamente engasgara-se com a bebida que terminava de tomar ao ter o cacheado em frente aos seus olhos, perto de mais, mais uma vez – Se precisar de qualquer coisa, chame meu nome. – sorriu timidamente novamente e em mais um bater de asas, o Arcanjo já não estava mais lá.
– Eu prefiro fingir que isso nunca aconteceu. – assustado com tudo que acontecera em único dia, Dean terminou de entornar o conteúdo alcoólico, enquanto Sam ria, Adam respirava aliviado e Castiel internamente corroía-se de ciúmes.
***
Três dias depois
– Dam, com a força do tiro, sua mão vai sempre recuar alguns centímetros para cima, por isso se quiser acertar algum ponto, como por exemplo: a cabeça, mire no peitoral. – Dean explicava para seu irmãozinho e posicionava a arma na mão do loiro menor. Os dois Winchesters estavam no saguão de treinos de tiro do Bunker, treinando.
– Doí o ombro. – Adam resmungou enquanto tentava disparar mais uma vez. O sangue Winchester não negava nas veias do menor, em pouquíssimas horas o irmão mais novo já conseguia acertar nas partes mais externas do alvo. Não tardaria para que o centro logo fosse alcançado.
– Logo você se acostuma. – Dean deu uma piscadela na direção do Milligan que resmungava alguma coisa e colocava a arma em cima do balcão, enquanto mexia o braço em que antes segurava a arma.
– Dean, Adam. – Sammy logo apareceu no cômodo da casa com algumas sacolas em mãos, havia saído para ir à rua e comprar alguma coisa para que os três pudessem comer e algumas coisas a mais para colocar no estoque do Bunker.
– Vamos dar uma pausa. – avisou para o loiro menor enquanto pegava a sacola das mãos de Sammy e seguia em direção à cozinha do lugar, revirando as sacolas plásticas a procura de sua amada torta, dessa vez, de maçã.
Chegaram à cozinha e Dean logo foi preparar um expresso na cafeteira enquanto cada um dos irmãos pegava o que queria. Sammy pegou uma salada de frutas e Adam um sanduíche natural. Dean fez uma careta para aquilo, comidas saudáveis pareciam ser um habito em comum dos dois mais novos – mesmo que Adam ainda apreciasse um bom Fast-Food -, enquanto ele mesmo retirava uma torta média e uma barra de chocolate.
Assim que o café ficou pronto, pegou três xícaras e pusera o conteúdo fumegante sobre os copos e a seguir, depositou-os na frente de cada um de seus irmãos e logo pegou um garfo para que pudesse desfrutar de sua comida favorita. Torta! Amava torta com todas as suas forças.
Cortou um pedaço grande e colocara em um prato e logo levava uma garfada imensa em sua boca, vendo Samuel revirar os olhos para sua costumeira falta de educação. Adam que já havia se acostumado com o jeito desesperado de Dean sempre que se tratava de comida, somente ria.
Assim que engoliu, o gosto de torta de maçã em suas papilas gustativas fazia seu estomago revirar e o cheiro de canela com açúcar fazia a bile subir em seu estomago, uma ânsia tomou conta de seu corpo e acabou fazendo uma careta enquanto afastava o prato com a enorme fatia de torta mal tocada, de seu corpo, querendo que o cheiro da mesma logo parasse de predominar seu olfato.
– Dean? O que foi? – Sammy perguntou preocupado ao ver seu irmão mais velho afastando seu alimento preferido de perto de si – A torta está ruim? – aquilo poderia ser a única explicação para o comportamento do primogênito. Dean negou a cabeça, sem poder falar direito e sentindo-se tonto. A torta era a mesma de sempre, Dean que parecia estar diferente.
– Irmão? – o mais novo perguntou preocupado vendo a pele do rosto do Winchester mais velho deixando de ser o costumeiro dourado e ficando pálido, os lábios atrativos e vermelhos tornavam-se gradativamente arroxeados.
– Estou bem. – repreendeu-se mentalmente por sua voz sair mais fraca e falha do que costumava ser, e logo os olhos de seus irmãos mais novos estavam chocados em si. Suspirando e tentando respirar normalmente – do nada seu corpo parecia estar pesado e cansado de mais para fazer essa simples ação -, agarrou a alça da xícara com café e ergueu em direção aos seus lábios, vendo se a bebida naturalmente energética poderia afastar seu mal estar.
Assim que o cheiro de cafeína empreguinho os sentidos de seu cérebro, largou a xícara em cima da mesa e levantou-se rapidamente da mesa seguindo a passos rápidos em direção ao banheiro, sentindo seu estomago subir e descer como em uma montanha russa e o que tinha dentro do mesmo subindo por sua garganta.
***
A xícara que Dean antes segurava fora jogada em cima da mesa, e logo a porcelana frágil trincou enquanto a xícara rodeava e balançava pela mesa de madeira, chegando à borda da mesma e caindo de encontro ao chão. A xícara partiu-se em pequenos pedacinhos banhados em café.
O barulho da porcelana trincando e espatifando-se no chão fora o suficiente para que fizesse Adam e Sammy despertar do transe, enquanto tentavam entender o porquê do irmão mais velho ter saído da mesa com pressa e agressividade tão repentinamente.
Samuel logo se levantou e seguiu os mesmos passos que Dean fizera, sendo seguido por Adam que reagira milésimos de segundos mais tardiamente que si. Podia ouvir Dean no banheiro, soltando algum gemido baixinho e resmungando alguns palavrões enquanto tentava normalizar a respiração.
Assim que chegou à porta do banheiro daquele andar, pode ver seu irmão ajoelhado perto do sanitário com uma das mãos em frente à boca e com o rosto ainda mais pálido que anteriormente. Adam também logo chegara e olhar dos três irmãos se cruzou, preocupados. Dean não ficava doente desde seus vinte e três anos e sempre que ficava era porque era algo muito forte. John sempre entupiu o mais velho com remédios.
O olhar não durou muito, logo o loiro mais velho estava novamente com a cabeça baixa perto do sanitário, apreciando as voltar que seu estomago dava em seu interior e sua bile e tudo o que havia comido no dia, querendo escapar por seus lábios.
Os dois mais novos somente podiam observar, Sammy sabia que Dean odiava qualquer contato quando estava fragilizado fisicamente e Adam somente acompanhara seu irmão do meio, sem saber o que fazer. Sua mãe sempre cuidou de si nessas situações.
Após quinze minutos entre ânsias e respiração ofegante, Dean levantou-se e foi em direção ao lavatório do banheiro. Apoiou suas duas mãos no mármore da pia, sentindo sua visão nublar completamente e o cansaço invadir seu corpo. Jogou água sobre seu rosto e lavou sua boca, retirando o gosto amargo que a preenchia, sobre o olhar atento e preocupado dos seus dois irmãos mais novos.
Sem dizer mais nenhuma palavra, passou pelos dois Winchesters e seguiu em direção ao seu quarto. Só queria dormir e não ver comida em sua frente por umas boas horas. Adam e Sammy também não o acordaram assim que dormiram, mesmo que vez ou outra seu irmão do meio fosse vê-lo e conferir se estava tudo direitinho com o primogênito.
***
Quatro dias depois
Sammy estava preocupado com seu irmão mais velho. Tamborilava os dedos sobre a mesa enquanto começava a repensar sobre as coisas que estavam acontecendo com o primogênito naqueles últimos dias, Dean estava doente e disso Samuel não tinha dúvidas alguma.
“Talvez seja efeito da Marca de Caim...” – o pensamento cortou sua mente, a Marca tinha muitos mistérios ainda não desvendados pelos irmãos Winchesters, mas não pensava que deixar seu irmão tão abatido, fosse um deles. Poderia ser porque Dean estava tempo de mais afastado da Primeira Lâmina? Mas não havia sentido, Caim não sentia nada disso – “Caim não era humano.” – não sabia se ficava feliz por saber que ainda havia humanidade em Dean, ou se entrava em pânico por não saber que diabos estava acontecendo com seu irmão – “Mas pode ser só uma virose também.” – rezava para que fosse aquilo.
Mas a última opção era a menos provável. Dean não ficava doente com facilidade, John sempre encheu seu filho mais velho com remédios e antibióticos. Se Dean estava doente, não era uma simples virose que o deixaria assim. Estava rezando para uma terceira opção – nem poderia imaginar que esta ainda seria a pior.
Seus devaneios foram cortados assim que seu referido irmão mais velho entrou na cozinha do Bunker, vestindo somente uma calça de moletom e com uma blusa jogada em cima dos ombros, Dean dormia somente de calças e somente colocava a blusa após tomar um copo de café, claro, quando não era sua vez de sair para comprar a refeição quando estavam em um Motel ou iria cozinhar – para a alegria de Sammy e agora Adam – no Bunker.
Mas não era nenhum desses últimos casos dessa vez. Dean estava mal com o cheiro de comida nesses últimos quatro dias e seu estomago sempre reclamava quando o sentia, embrulhando-se, às vezes até chegava a enjoar-se por completo e correr para o banheiro. Por tal coisa estava alimentando-se muito mal nesse tempo, e sempre reclama até mesmo para comer sua perfeição denominada torta.
– Bom dia. – Sam comprimento rapidamente enquanto apontava para uma sacola plástica posta no balcão da cozinha, com o café da manhã que havia saído para ir comprar. Sabia até mesmo os pedidos de cor, uma torta para Dean, um sanduíche natural para Adam e uma salada de frutas para si.
– Dia. – respondeu ao abrir a caixinha plástica em que dois pedaços de torta estavam embrulhados perfeitamente e assim que abriu a tampa transparente, pode sentir o cheirinho de chocolate derretido com banana e caramelo. Seu estomago se embrulhou levemente com o cheiro, mas era suportável, poderia enfiar pedaços de torta goela a baixo antes que desmaiasse de fome.
Sentou-se a mesa, pegando uma xicara e fez uma careta para o café, Sammy preocupou-se, mas logo estranhou ao ver Dean enchendo a xícara com água e colocando no micro-ondas – haviam estalado há somente alguns meses atrás – e apertando o botão de um minuto para que a água esquentasse, logo abriu um armário ao esperar a água ficar quente e pegou um pacotinho de chá de morango. Samuel ergueu uma de suas sobrancelhas para a cena, desde quando Dean gostava de chá?
Mas no fim, acabou por não falar nada, era bom ver que Dean estava pensando em comer alguma coisa e não estava se entupindo de pílulas proteicas para que não entrasse em colapso por culpa da falta de alimentação.
– Bom dia Sam, Dean. – Adam entrou na cozinha também após alguns minutos de Dean ter terminado de preparar sua bebida e estar terminando de comer o primeiro pedaço de torta – com algumas caretas aqui e ali, mas pelo menos comendo – e Sammy ainda estava terminando de comer sua salada de frutas, lentamente, enquanto ainda estava meio submergido aos pensamentos.
Dean esticou o braço e pegou a sacola plástica no balcão em que estava atrás e jogou da direção de seu irmão mais novo, que agora trabalhava os reflexos e conseguiu pegar a mesma ainda no ar, sorrindo tímido pela conquista e ficando ainda mais contente quando Dean piscou para ele e deu um meio sorriso – era bom saber que seus irmãos mais velhõs sentiam orgulho de você e melhor ainda, que Dean tinha realmente aceitado o Milligan na família, diferente das outras vezes.
Distraído em procurar seu sanduíche na sacolinha plástica e encher um copo com café, Adam nem se quer pode ver quando Dean chegou atrás do irmão do meio e roubou da salada de frutas do mesmo um pedaço de kiwi, sorrateiramente com um garfo. Samuel estranhou, Dean não gostava de comer frutas – só morango regado a chocolate e/ou chantilly — e muito menos de kiwi. Na percepção do mais velho, era azedo de mais.
O ato mais uma vez se repetiu e Sammy franziu novamente as sobrancelhas, mas prontamente estapeou a mão do irmão para fora do seu potinho – bem grande por sinal – de salada de frutas com kiwis agora roubados. Não conseguira bater na mão do primogênito a tempo de salvar o pedaço de fruta verde.
– Para de roubar o kiwi, Dean. – viu o loiro picar em sua direção e finalmente levar o pedaço de kiwi que tinha surrupiado em direção aos seus lábios e comer, fazendo caras e bocas enquanto mastigava. Realmente, kiwis eram azedos demais – E se for para roubar uma fruta, roube uma ao menos que você goste! – revirou os olhos ao terminar de exclamar e vendo o loiro mais velho engolir a fruta, em uma última careta – Adam não podia deixar de rir com estas.
– Sei lá, porra, fiquei com vontade de comer kiwi. – deu de ombros sem dar muita importância para Sammy e mandando um olhar assassino para Adam pedindo “educadamente” que o mesmo parece de rir de suas caras e bocas – seu pedido não fora acatado assim que o mais novo começou a chorar de rir em uma crise de risos, quase caindo da cadeira.
– Você é putamente estranho Dean. – Sam rodou os olhos mais uma vez e furou a mão do mais velho com seu garfo assim que o mesmo voltara a tentar roubar suas frutas, teria que lutar bravamente se quisesse comer mais um pedaço de kiwi.
Talvez o que Dean estivesse sentindo já houvesse passado, o loiro já estava agindo em seu natural: completamente louco e idiota.
***
Dean tamborilava os dedos contra a cabeceira da cama de seu quarto enquanto lia uma PlayBoy, estava impaciente e nem se quer mulheres nuas e seminuas em poses eróticas estava acalmando seus ânimos – se bem que a revista existia para exatamente ao contrario -, estava com uma puta vontade de comer brigadeiro, sorvete de morango e kiwi! Aquelas frutas roubadas da salada de Sammy não fora o suficiente.
Quase se contorcendo na cama de tanta vontade, finalmente jogou a revista pelos ares e foi em direção à cozinha do Bunker, iria fazer um brigadeiro e depois iria ir para a cidade mais perto que era somente a dez quilômetros dali e compraria kiwi e sorvete de morango, se ainda quisesse, juntaria chantilly à mistura.
Sammy havia feito compras ontem com Adam – enquanto mostrava a cidade mais próxima ao garoto – e por isso não fora difícil achar leite condensado e o chocolate em pó que às vezes bebiam e assim preparar a mistura do doce, em menos de quinze minutinhos estava prontinho.
Colocou-os perfeitamente em taças antigas que ali se tinha, dando certeiramente em sete delas, preenchendo-as somente com um pouco mais de um terço, colou-as no congelador, esperando que quando voltasse da cidade o doce já estivesse bem gelado para que pudesse comer, enfiou a louça na pia e sem avisar a ninguém, saiu do Bunker, pensando que Sammy nem se quer daria sua falta durante meia horinha.
***
Adam entrou na cozinha para beber uns cinco litros de água, estava treinando com Sam alguns golpes de luta e seus reflexos e o moreno pegava muito pesado consigo, quase destruindo seus músculos. Seu corpo suava com o esforço físico e sua respiração ofegava, estava mais do que cansado e desidratado.
Assim que chegou à cozinha, deparou-se com uma panela jogada na pia, junto a uma colher e o cheirinho de chocolate rondando o ar. Só pode pensar que Dean estava cozinhando alguma coisa – somente o loiro mais velho sabia mexer no fogão naquela casa – e que mesmo a mais simples das sobremesas nas mãos do loiro tinha um gostinho especial – mesmo que ainda não tivesse comido mais que umas três refeições que o irmão preparar, ele sabia que o loiro mais velho tinha dom para culinária.
– Hey Adam, você viu o De... – Samuel chegou ao mesmo lugar que seu irmão mais novo, cortando a linha de pensamento do mesmo e chamando-o de seus devaneios, todavia, Sam também auto interrompera-se ao ver o estado levemente desarrumado da cozinha. A ideia de ter Dean cozinhando novamente depois de tempos – somente uns quatro dias, mas era tempo de mais para os irmãos mais novos – lhe deixava ansioso. Não se lembrava de que o loiro cozinhava tão bem na sua infância, principalmente depois que sua vida foi infestada de Fast-Foods.
– Freezer? – os dois perguntaram-se em uníssono, entreolhando-se. Um sorrisinho de canto de lábios lascivo a lá Dean Winchester, nasceu nos lábios dos irmãos mais novos enquanto os mesmos iam vagarosamente em direção ao congelador, querendo saber se o doce caseiro estava pronto.
Assim que o mais novo abriu o aparelho elétrico, pode ver sete taças cobertas até mais ou menos um pouco mais de um terço com brigadeiro e não puderam deixar de perceber que o mais velho iria completa-las com mais alguma coisa. Uma dúvida cercou a mente de ambos: surrupiar uma taça dali antes do doce pronto, ou espera-lo estar completo para que pudessem saber o gostinho de toda a mistura?
Entreolharam-se tentando tomar uma decisão, mas antes que algum dos dois pudesse falar alguma coisa, uma voz rouca cortou o ambiente, assustando-os ao serem pegos no flagra.
– O que estão fazendo? – Dean perguntou, chegando à cozinha com algumas sacolas em mãos e jogando a chave de sua preciosa Baby em cima da mesa, junto com as compras. Os mais novos desviaram o olhar e trataram de fechar o freezer rapidamente.
– Estava te procurando, Dean. – Sam foi o primeiro a manifestar-se e viu Adam concordar ao seu lado, sem poder pensar em uma ideia melhor – ainda estavam treinando o loiro mais novo no quesito de lábia e mentiras.
– No congelador? – ergueu uma de suas sobrancelhas loiras em uma ação sarcástica, acompanhando seu sorrisinho de canto – ou meio sorriso. Os mais novos constrangeram-se.
– Não... – murmurou Sam meio sem graça, sentia-se como uma criança que acabava de ser pego ao roubar um cookie antes do almoço, por um de seus pais – mais especificamente pela mãe – e agora abusava de seus olhinhos-de-cachorrinho-que-caiu-do-caminhão-de-mudança para tentar desculpar-se com os mesmos. Dean ia retrucar, mas não aguentou ter uma dose dupla de olhinhos-de-cachorrinho-enxotado, Adam estava aprendendo aquele maldito olhar fofinho e inocente com seu irmão do meio! Os dois estavam em complô contra o mais velho!
– Tá, tanto faz. – sussurrou baixinho em desanimo, vendo-os sorrirem de lado, mas não podia falar nada, porque sabia que não resistiria a mais uma dose daquelas e seria derretido com aqueles olhares. Logo começou a retirar as compras da sacola: um jornal, sorvete de morango, chantilly já pronto, kiwi e morangos – acabara por não resistir aquelas lindas frutas vermelhas chamando por seu nome.
– O que está fazendo? – Adam perguntou curioso ao ver aquelas coisas espalhadas pela mesa e seu irmão separando algumas frutas e levando-as, logo em seguida pegando uma faca, descascando o kiwi, e logo cortando-os junto com os morangos, habilidosamente.
– Sei lá. – respondeu de forma vaga, concentrado em cortar as algumas frutas em pequenos cubinhos e outras em tirinhas, sem ter demorado mais que dois minutos para tal ação – Peguem três das taças para mim. – pediu e Sam quem foi fazer seu pedido, pegou as três taças e resistiu a vontade de provar do doce, sabia que Dean odiava quando alguém o atrapalhava ao cozinhar – tinhas lembranças bem dolorosas disso.
Entregou as taças intocadas para Dean e viu o mais velho revestindo a parte de cima do brigadeiro com as tirinhas de frutas, logo em seguida uma camada de sorvete de morango foi jogada por cima das tirinhas de frutas, quase chegando à borda. Após o sorvete, havia uma bela camada de chantilly com cubinhos de fruta salpicando-o e uma rodela de morango, seguida de uma de kiwi no meio.
Se Adam e Sammy sabiam como Dean tinha aprendido a fazer tal coisa, na verdade não faziam a mínima ideia, mas o doce tinha uma aparência boa de mais para que ligassem para aqueles pequenos detalhes.
Logo cada um dos irmãos mais novos haviam pegado uma taça e uma colher e estavam sentados a mesa, saboreando do doce. Dean murmurou alguma coisa com “gulosos” e “mal educados” que nenhum dos dois estavam prestando atenção e logo pegou o jornal e foi sentar-se com os mais novos.
– Acho que tenho temos um caso em uma cidadezinha aqui pertinho. – comentou o loiro primogênito enquanto desfrutava do doce que preparara e finalmente matava seu desejo de comer alguma coisa extremamente doce com kiwi – Adam já pode ter seu primeiro caso oficial. – sorriu de canto, divertido e abaixou o jornal para olhar para seus irmãos mais novos.
– Uhum. – o Milligan respondeu sem dar muita atenção, enquanto terminava de saborear a estranha mistura de sabores que Dean misturara tudo junto – e puta merda, não é que a mistura ficava boa?!
Tanto Adam quanto Samuel pouco estavam importando-se com o que estava dizendo, estavam mais preocupados em comer. Suspirou, vendo que por agora nenhum deles lhe dariam atenção e voltou a comer o doce que tanto queria – em comparação aos outros dias estava comendo muito, talvez estivesse melhor de suas crises de enjoo.
Quando estava perto de acabar de comer – seus irmãos mais novos já haviam devorado suas respectivas taças – seu estomago revirou e praticamente tudo o que tinha comido naquele dia queria subir por sua garganta. Correu para o banheiro sobre os olhos preocupados – e já acostumados – de seus irmãos.
É, talvez não estivessem tão bem assim.
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