Stairway To Heaven
13 Chapter Twelve - God
Notas iniciais
Stairway To Heaven
Chapter Twelve
God
Castiel não sabia bem o que fazer. Dean havia sumido a mais de dois meses e não haviam se quer tido uma única pista sobre o Winchester mais velho. Não tinham ideia do que poderia ter acontecido com o loiro, ou com o filho que o mesmo carregava em seu ventre. Dean poderia estar em cativeiro, preso por demônios que somente estavam esperando que nove meses se completassem para que pudessem mata-lo e criar um dos seres mais poderosos do lado do mal.
E só de pensar que havia demônios e monstros pondo a mão na pessoa que amava, assim como na criança que Dean carregava, Castiel tinha vontade de revirar o mundo em busca de Dean. Cair em terra com sua forma verdadeira e varrer o país atrás de qualquer pista que fosse, e não lhe importava as mortes que iria causar, tudo o que precisaria era ter Dean e seu filho ao seu lado, por que Deus que lhe ajudasse, a saudade e preocupação estava lhe deixando louco.
Estava pensando no que poderia fazer para conseguir por as coisas em seu devido lugar, quando sentiu uma presença atrás de si. Não uma presença qualquer, uma presença forte, mais forte do que qualquer Arcanjo ou demônio. Algo que fez sua alma celestial acalmar-se e envolver-se em luz, mesmo na situação de desespero que sua mente lhe proporcionava com o turbilhão de pensamentos que estava tendo. Sem saber o que fazer, virou-se para trás para ter um vislumbre de quem estava fazendo isso consigo.
— Olá, filho. — reconheceu a voz e o corpo. Chuck, o profeta de Deus que estava escrevendo livros sobre os Winchesters. Castiel olhou-o, inclinando a cabeça levemente de lado e franzindo o cenho. O homem deveria estar morto, todavia, aparecia ali, vivo e mais forte do que nunca, com uma luz forte — que Castiel tinha que tomar cuidado para não cegar-se — envolta de sua alma. Castiel olhou-o por mais alguns segundos antes de seus lábios rachados e mordiscados de preocupação, abrissem-se em espanto — tal sentimento que o Anjo não deixou transparecer tanto assim em suas feições.
— Pai? — indagou, surpreso para dizer o mínimo. Chuck somente sorriu em direção ao seu filho e colocou a mão sobre os fios amorenados em um carinho completamente paterno. Castiel teve que controlar a respiração, surpreso. De todos os Anjos em terra e céu, nunca esperou ser um dos poucos a ver Deus. Chuck tinha um brilho divertido em seus olhos, achando graça da surpresa e dos sentimentos que Castiel sentia e confundia-lhe seu corpo celeste. — Por que o Senhor está aqui? — perguntou. A curiosidade lhe consumiu. Deus havia desaparecido por tantos séculos, porque voltar agora?
— Bem... — começou um pouco tímido, nem se quer demonstrando se ruma das criaturas mais poderosas que pisara em solo terrestre. — Eu deixei alguns problemas para trás e pensei que talvez pudesse voltar para resolvê-los. Sabe... Eu acho que já causei muitas confusões no céu e para os Winchesters com os problemas que deixei para trás após minha fuga. — deu um sorrisinho meio tímido.
— Vai ajudar Dean? — perguntou com a esperança transbordando em seus olhos azuis e Chuck não pode deixar de impressionar-se com tantos sentimentos que Castiel demonstrava em seu olhar. Anjos não foram criados para sentir tanto. Castiel desde os primórdios desafiava essa sua teoria. Castiel mostrava-se uma caixinha de surpresas.
— Vou. Vou fazer o que deveria ter feito desde o começo, por a marca de Caim em mim. — os olhos de Castiel alargaram-se um pouco e parecia que uma tensão de mais de dez mil quilos havia saído das costas de seu filho. Chuck não precisou de muito para saber que estava fazendo a coisa certa.
— Mas Dean não está aqui. Como vai poder retirar a marca dele? — perguntou, voltando a mordiscar o lábio inferior. Chuck riu da preocupação do Anjo, pondo a mão em cima do ombro do mesmo.
— Esqueceu-se de quem sou? — indagou e Castiel sentiu as bochechas ganharem um leve tom rosado. — Venha comigo. Eu sei onde ele tá, mas duvido que vá me ouvir, ele precisa de você. — Chuck ergueu a mão na direção de Castiel, e no segundo seguinte haviam sumido de onde estavam — o lugar favorito de Castiel, o parque das lembranças de um homem autista que era simplesmente um dos lugares mais calmos e encantadores que o Anjo havia visto em sua vida.
***
Dean estava em um quarto de hotel qualquer. Jogado na cama e com latas de cerveja a sua volta, a marca brilhando em seu braço e seu sonho franzido mostrando-se em um pesadelo. Os lençóis do quarto estavam jogados pelo chão, mostrando que o Winchester estava em um sonho conturbado. Quando Castiel chegou lá, ao lado de Chuck, seu primeiro impulso fora de correr em direção a quem amava.
— Dean. — chamou o loiro, passando a mão sobre a bochecha do mesmo para acorda-lo. E assim foi feito, os olhos de Dean abriram-se, todavia ao invés de mostrar-se verde como costumeiramente, havia um negro tomando conta de seus orbes.
— Castiel. — o loiro queria afastar-se do toque, mas seu corpo estava completamente fixo na posição que Castiel deixou-lhe. Não conseguia afastar-se do contato, parecia estar preso ao toque aconchegante do Anjo.
Os portões da prisão não abrirão para mim
Com essas mãos e joelhos estou rastejando
Oh, eu alcanço você
Bem, estou aterrorizado com essas quatro paredes
Essas barras de metal não podem prender a minha alma aqui.
— Eu senti sua falta. — falava com lágrimas querendo inundar seus olhos azuis, mas estava mantendo-se firme por Dean. Não iria fraquejar e mostrar sentimentos tão aflorados, o que precisava fazer era mostrar ser um porto seguro para o Winchester e que o mesmo poderia usar-lhe como apoio emocional para voltar a ser o que era.
— Típico de ti, Anjinho. — falou com desdém. O preto de seus olhos inundados de sarcasmo, escondendo quase que por completamente o alívio de ver Castiel ali, parecendo tão desesperado em finalmente ter lhe encontrado. Castiel podia ver na negritude dos orbes de Dean, o pedido de resgate para não afundar-se em tanta dor e tormento de tornar-se um demônio.
Tudo que eu preciso é você
Venha, por favor, estou chamando
E, oh, eu grito por você
Apresse-se, estou caindo.
— Não fale assim. Diga sente minha falta. — pediu. Dean sorriu em completo sarcasmo para a fala do Anjo, afundando-se e caindo ainda mais nos braços das trevas que tomavam conta de seus olhos. Castiel não conseguia entender porque o loiro estava relutando tanto em lhe dizer a verdade.
— Por mais que demônios sejam ótimos mentirosos, mesmo se eu cantasse tais mentiras em seu ouvido, você não teria como acreditar, porque lá no fundo você sabe que isso não tem como ser verdade. — Castiel franziu o cenho com a resposta e inclinou a cabeça de lado, parecendo um cachorrinho perdido. Dean achava realmente que iria lhe enganar com aquelas mentiras? Ele podia ver o suplicar em seus olhos, implorando para ser salvo.
Mostre-me como é
Ser o último a ficar em pé
E ensine-me a diferença do errado e do certo
E eu te mostrarei o que posso ser
Diga para mim
Diga por mim
E eu deixarei essa vida para trás
Diga se vale a pena me salvar.
— Por que continua a mentir, Dean? Eu estou aqui por você, não precisa mais disso. — garantiu, e com aquela frase Dean deu um pulo da cama, sentando-se. Seus olhos tinham uma camada superficial de raiva, mas no fundo, havia uma camada ainda mais grossa de dor.
— Por que viria atrás de alguém como eu? — Castiel podia ver o oscilar entre os orbes negros e verdes, vendo qual lado de Dean queria tomar o controle. O lado sem sentimentos que era o mesmo que o demoníaco, ou que parecia tão desesperado para sentir alguma coisa, seu lado humano. Por fim, a negritude ganhou. — Se é pela criança, não precisa se preocupar, eu lhe entrego assim que ela nascer, eu não preciso desse peso. — falou com desdém. Mas Castiel não acreditava na última frase, se Dean realmente não quisesse aquele filho, teria matado e não estaria por aí, carregando-o. Dean só queria proteger aquela criança de si mesmo.
— Eu sei que você a ama, Dean, assim como eu amo. Mas eu não estou aqui somente por ama-la. Estou aqui por te amo. — esticou a mão na direção do rosto de Dean e pode ver como aos poucos a cama negra de seus olhos derretiam-se, dando lugar para os olhos verdes lagrimejantes. Assim que a camada se foi, Dean aproximou a face da mão de Castiel pare receber o carinho.
Os portões do Paraíso não abrirão para mim
Com essas asas quebradas estou caindo
E tudo que eu vejo é você
Esses muros da cidade não tem nenhum amor por mim
Estou na beira da 18º história
E, oh, eu grito por você
Venha, por favor, estou chamando
E tudo que eu preciso é você
Apresse-se, estou caindo.
— Me desculpe, Cass. — chorou e jogou-se aos braços de Castiel. O Anjo lhe abraçou com todo o carinho que tinha, protegendo-o com todo seu amor. Castiel sussurrou-lhe palavras de amor em seu ouvido, enquanto brincava com seus fios loiros. Dean permaneceu naqueles braços por bons minutos, aproveitando toda aquela imensidão de sentimentos e sentindo-se felizardo por finalmente pode voltar aos braços de quem tanto gostava.
Dean sentia seu coração bater desesperadamente em seu peito, parecendo uma bateria daquelas bandas de rocks bem barulhentas. O toque de Castiel era eu acalento e o tormento de seus sentimentos, não era bom com sentimentos e nunca soube entender o que sentia ao estar nos braços alheios. Mas se de uma coisa sabia, era que adorava aquele turbilhão de sentimentos.
Mostre-me como é
Ser o último a ficar de pé
E ensine-me a diferença do errado e do certo
E eu te mostrarei o que posso ser
Diga por mim
Diga para mim
E eu deixarei essa vida para trás
Diga se vale a pena me salvar.
— Não se vá novamente. Eu não aguentaria te perder mais uma vez. — com aquelas palavras, Dean encolheu-se ainda mais nos braços de Castiel, incapaz de responder a súplica do Anjo, mas prometendo mentalmente que daria seu melhor para tentar cumprir o pedido.
Castiel compreendeu. Dean não podia prometer o que não tinha certeza, mas o moreno não se incomodou. Sabia que tudo que precisava no momento era amor, e só. Como uma criancinha pequena que acaba de sair de um pesadelo e precisa ser acalmada. Afinal, no fim das contas, Dean era uma criança pequena em seu interior.
O loiro foi obrigado a crescer muito rápido, amadurecer ainda muito jovem, e o processo precoce havia deixado falhas em Dean, que aos poucos desmoronava e mostrava um pouco mais da criança frágil que Dean era. Castiel não se importava com ela, pelo contrario, amava-a.
Apresse-se, estou caindo.
— Obrigado. — sussurrou. Era tudo o que Castiel precisava.
***
Chuck havia deixado o quarto para dar privacidade ao seu filho e a Dean, e somente voltou quando Castiel rezou por si.
Chuck explicou a Dean quem era, como poderia passar a marca para si e ainda permanecer são mentalmente, e como Dean estava aliviado em poder finalmente livrar-se daquele peso sem ter a culpa de passar para alguém que enlouqueceria.
Após isso tudo, Dean estava livre da marca e Chuck estava levando ele e Castiel para o Bunker.
Dean esperava ser recebido por tapas, gritos e seus irmãos preocupados, dizendo de como era imprudente. Esperava tudo, menos o abraço que recebeu de Adam e Sam e como eles estavam morrendo de saudades de si. Dean brincou e fez piada com o sentimentalismo de seus irmãos, mas deixou transparecer — mesmo que minimamente — que sentia o mesmo.
Chuck teve que explicar as coisas mais uma vez e sorriu ao ver como suas criações — aqueles humanos Winchesters — e seus filhos estavam dando-se tão bem e como cada um parecia ter encontrado a paz e tranquilidade em cada um.
Todavia, antes de ir embora, ele tinha mais uma coisa para fazer.
— Aproxime-se, Castiel. Eu tenho algo para você. — o Anjo franziu o cenho, mas fez como lhe foi pedido, aproximou-se de Chuck e sentiu dois dedos tocarem sua testa e em seguida palavras sendo surradas em seu ouvido e uma queimação percorrer todo o seu corpo.
“Lembre-se, Arcanjo Castiel.” — era do que se lembrava, antes de sua mente ser arrastada para um passado distante.
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