Stairway To Heaven
14 Chapter Thirteen - Stolen Memories
Notas iniciais
Stairway to Heaven
Chapter Thirteen
Stolen Memories
Ano 1786
Inglaterra – Estado Hampshire – Cidade Winchester
“Lembre-se, Arcanjo Castiel.” — a voz ecoou por toda a cabeça de Castiel, seus olhos azulados oscilaram em suas ires, sua visão desfocou-se ao ponto de ficar tudo negrito e uma dor de cabeça enorme tomou conta de seu corpo. Fechou os olhos com força, sentindo que sua mente iria explodir, levou suas duas mãos a sua cabeça, pressionando-a. Não era normal que um Anjo sentisse dor.
Todavia, assim como repentinamente a dor havia instalando-se em sua mente, a mesma sumiu. Assim que abriu seus olhos, não pode mais ver Chuck em sua frente e Dean estava longe de sua vista. Cassete, nem se quer estava no Bunker! Rodou seus belos olhos azulados pelo lugar a procura de qualquer coisa familiar que pudesse identificar onde estivesse.
Seus olhos pararam assim que se chocaram em uma figura conhecida. Era Dean! Um pouco mais baixo do que ele realmente era, a pele um pouco mais alva que o normal, os músculos ainda mais trabalhados e as sardas não salpicavam sua pele e ele usava uma estranha roupa de uns dois séculos, formal de mais para seus costumes; parecia também um pouco mais jovem, com seus vinte e dois anos. Mas sem duvidas era seu Dean ali.
O mesmo tinha em mãos uma lâmina prateada de Curdos antigos, própria para matar demônios, manchada de sangue, escorrendo sobre o aço reluzente e pingando no chão. Ele lutava com dois demônios, sem ter grandes problemas, logo os esfaqueando com a arma, que morriam em seguida. Um pouco mais distante havia outro homem.
Cabelos pretos, olhos azuis, traços muitos parecidos com os de Jimmy Novak, mas mesmo assim, como Dean, havia algumas diferenças; como a pele um pouco mais bronzeada e sendo alto, ainda mais alto do que o receptáculo que Castiel agora usava, e consecutivamente, mais alto do que esse Dean frente aos olhos do Anjo; tinha aproximadamente seus vinte e seis anos. Lutava contra três demônios sem problemas algum, pondo a mão na cabeça dos mesmos e como um Anjo, matando-os com sua Graça. Assim que Castiel chocou seus olhos naquele Anjo, se reconheceu. Era sua forma celestial ali, bem mais iluminada e repleta de Graça do que deveria ser, mas sem duvidas era ele.
Assim que os dois mataram os demônios que o rodeavam, o possível Dean apontou sua faca na direção do outro homem, com os olhos verdes observando meticulosamente o movimento de aquele ser estranho. Estava pronto para mata-lo a qualquer movimento errado.
— Quem é você? — a voz era ainda mais grave do que deveria ser, seu tom mostrava um tom defensivo e calmo, como um predador pronto para dar o bote em sua presa. O homem de cabelos escuros mantinha sua face inexpressiva e calma, sem qualquer reação. Aquilo lembrava a Castiel dos tempos em que ainda não conhecia o prazer da liberdade.
— Castiel, sou um Arcanjo do Senhor. — o Novak se espantou. Aquele era o seu nome! Somente seu. Nenhum Anjo tinha nomes iguais. Cada um tinha o seu, por que cada Anjo era único. Engoliu seco para aquela informação. Aquele Anjo tinha a mesma forma que si, bem mais forte, obviamente por ser um Arcanjo e agora também tinha seu nome. De repente as palavras de Chuck voltaram a sua mente.
“Lembre-se...” — do que exatamente ele havia esquecido? E o que era aquilo? Seriam lembranças ou ele foi mandado em uma viagem Tempo-Espacial? As perguntas inundavam sua mente e não havia respostas.
— Arcanjos não existem. — o que era para ser o seu Dean, respondeu. Aquilo não poderia ser Dean. O Winchester sabia da existência dos seres celestiais. Aquelas ideias que perfuravam sua mente anteriormente, cada vez tornavam-se mais prováveis.
— Eles existem, Jayden Evans. — o loiro surpreendeu-se pelo homem saber seu nome e deu alguns passos para frente, ficando face a face com o homem que se denominava Arcanjo, a faca encostou-se ao peito do moreno, arrancando um pequeno filete de sangue ao encostar-se à pele bronzeada do ser celestial.
E enquanto a conversa ocorria, Castiel somente ficava mais confuso com tudo. Jayden Evans? Aquele era seu Dean Winchester.
— Como sabe meu nome? — o loiro teve que olhar para cima para que as esmeraldas pudessem ser vistas pelas safiras, era engraçado ver uma versão de Dean baixinha e um Castiel alto de mais — ele era quase do tamanho de Sam. Sem obter respostas, o denominado Jayden pegou na gola do terno que o Arcanjo usava. — Responda, ou eu te mato. — as faces estavam bem coladas, as respirações mesclavam e o Evans pressionou ainda mais a faca contra o peito do outro.
— Eu já disse, Jayden. — e em um movimento rápido de mais até mesmo para os olhos de Castiel acompanhar, o Arcanjo teletranspotara-se para o lado do mais baixo que se assustou. – E essa faca não irá me matar. Eu não sou um demônio, sou um Arcanjo. — e do nada o lugar começou a trovejar e relampejar, rajadas de ventos cortantes e fortes rodearam os três e não tardou para que um belo par de asas brancas surgisse atrás da figura do mais alto.
Asas brancas. Somente Arcanjos tinham asas brancas, aquilo era um símbolo de enorme poder. Jayden engoliu seco diante da visão, não acreditava em Anjos, Arcanjos, Deus, ou qualquer coisa escrita na bíblia.
— Arcanjos, é? — perguntou enquanto mordia o lábio inferior com força. Parecia que todas as suas crenças — ou melhor dizendo: não-crenças — estavam desmoronando bem diante de seus olhos. — E o que um Arcanjo, um ser puro, faz em meio a nós, humanos pecadores? — usou aquele cinismo que somente Dean tinha — e parecia que Jayden tinha muito antes dele — e na qual Cass era completamente apaixonado.
— Assunto com desrespeito aos Céus, nada que um humano deva se preocupar. — respondeu ofendido com o tom de voz alheio. Jayden sorriu ainda mais cínico e sarcástico, aquele sorriso torto que fazia o corpo de Castiel estremecer e parecia que também havia exercido algum efeito no outro Cass.
— Todos os Arcanjos são tão idiotas assim mesmo? — o Evans não media suas palavras, muito menos as escolhia e principalmente, tinha aquela coragem absurda de enfrentar qualquer coisa. O Novak tinha certeza que de alguma forma o menor estava relacionado com seu primogênito Winchester.
— Não, alguns são cínicos, outros são os dois. — respondeu com a face inexpressiva, Jayden observou-a com as sobrancelhas franzidas, perguntava-se se aquele Arcanjo estava realmente falando serio ou se estava usando sarcasmo — mesmo que não deixasse aquele tom explicito.
— Isso foi sarcasmo? — desistiu de pensar, sem saber como interpretar a resposta alheia e tombou a cabeça de lado ao perguntar, confuso. A face sem expressões de Castiel não deixava nada a mostra e aqueles belos olhos oceanos não tinham sentimento algum.
— Não. — respondeu simplesmente. Jayden pareceu ficar ainda mais confuso, sem entender direito se o Arcanjo estava “tirando uma com sua cara”.
— Okay. — fez aquele biquinho com os belos lábios grossos que tinha, e olhos do Arcanjo pareceram fita-los com interesse, da mesma forma que Castiel também tinha interesse naquele biquinho tão familiar. Queria morde-los.
— Nos vemos, Jayden Evans. — e sem dizer mais nenhuma palavra o Arcanjo sumiu na frente dos olhos de Jayden, que se assustou com tal ação. Resmungou algumas coisas, baixinho, incomodado com aquela ação.
— Esquisito. — por fim comentara dando de ombros e guardando sua faca no interior de sua roupa, logo começou a sair do lugar em que estava — uma casa abandonada —, passando por Castiel sem dizer uma palavra se quer.
Na mesma hora Castiel percebeu que nenhum dos dois estava ciente de sua presença, mesmo um Arcanjo poderoso como o outro moreno. Isso queria dizer que não fizera viagem no tempo ou qualquer coisa do tempo, estava somente obtendo suas memorias de novo.
Somente tinha duas coisas em mente: ele era um Arcanjo, mas aparentemente suas memorias foram alteradas — já que não se lembrava de nada disso — e fora rebaixado de Arcanjo à Anjo. Por quê?
***
Cinco semanas depois
O Arcanjo Castiel tinha sido sequestrado por demônios enquanto vagava as ruas da cidadezinha de Winchester, o outro Castiel ainda não sabia o que seu “eu” passado queria naquela cidade, ele não havia se encontrado com nenhum outro Anjo ou até mesmo Arcanjo.
Mesmo com todo o poder que tinha, quando Lilith, Alastair e Azazel, fora mais alguns cinco demônios de porte médio viera em seu ataque, pegando-o desprevenido em uma emboscada onde o ser celestial estava solo, Castiel não tivera chances. Por um momento pensou que os oito iriam mata-lo, mas Alastair parecia ter outros planos, queria tortura-lo para obter informações. O demônio estava excitado com aquela situação.
Estavam naquela situação a mais de uma semana, em uma fabrica abandonada. Lilith havia retornado ao Inferno há quatro dias para resolver alguns problemas com demônios e exércitos e há dois dias Azazel também tinha ido para o Inferno a pedido da demônia que precisava de ajuda. Os dois havia confiando em Alastair para tomar conta do Arcanjo.
Os gritos de dor de Castiel poderiam ser ouço por todo o lugar ao ser cortado habilidosamente pelo demônio sádico, Alastair. Por mais que não quisesse gritar, doía muito ser torturado com sua própria arma, e os selos contra Anjos e Arcanjos não ajudava muito. O demônio que odiava o mundo humano começava a aprecia-lo, somente por poder ouvir os gritos de desespero do Arcanjo.
O outro Castiel que somente observava as lembranças, nada podia fazer. Não tinha poder algum para invadir o lugar e arrebentar a cabeça de Alastair, não somente por saber que o demônio um dia já o torturara, mas sim por saber que esse mesmo maldito havia feito à vida de Dean um inferno — literalmente — por quarenta anos. Mas realmente não podia fazer nada, estava somente obtendo suas lembranças novamente. Queria sair daquele lugar, daquela fabrica e queria parar de ver aquele homem tortura-lo. Todavia, não podia afastar-se do Castiel Arcanjo, uma força invisível prendia-o bem perto do outro. Afinal, não tinha do que recordar-se a não ser aquilo.
Tudo o que sabia em meio a isso tudo era que sairia vivo dali, afinal, não estava vivo até dois mil e quinze para nada e que Alastair, infelizmente não morreria naquele lugar. Gostaria de impedir que aquele demônio hediondo colocasse as mãos no seu Winchester.
Todavia, seus pensamentos e divagações foram interrompidos ao ouvir os gritos de desespero dos outros demônios. Alastair interrompeu suas ações no momento em que ouvira os gritos, abrindo a porta da sala de torturas e indo para o corredor. Castiel queria saber o que estava acontecendo lá, mas não podia sair do mesmo cômodo que sua lembrança. Era nesses momentos em que se lembrava de que aquilo não passava de lembranças, parecia tão real que praticamente vivia aquilo.
Pode ouvir o som de corpos chocando-se contra paredes, resmungos, palavrões, golpes trocados e lâminas se colidindo, ecoando um barulho férrico e arrastado por todo o local. Foram os dez minutos mais duradouros da vida de Castiel até que a porta se abrisse novamente.
Assim que seus olhos chocaram-se contra o loiro de estruturas baixas que ali passava, sabia que estava a salvo — mesmo que o estado do loiro também não fosse dos melhores, haviam muitos machucados. Ele havia lutado com Alastair, que provavelmente começou a perder e fugiu para que não fosse morto ali, mas sabia que o outro teria de enfrentar a fúria de Azazel e Lilith depois. Que o demônio fosse bem punido.
— Castiel? — Jayden perguntou preocupado, correndo em direção ao Arcanjo completamente acorrentado e sem forças direito para manter-se acordado. Não tardou para que o desamarrasse com cuidado e o som do ferro das algemas batendo contra o chão ecoasse pelo recinto. Colocou um dos braços do maior em seu pescoço e o outro na cintura do maior, tentando mantê-lo em pé. — Não durma, temos que sair daqui antes que mais demônios cheguem. — alertou e tentou andar com o peso do outro em suas costas. Ainda bem que era forte, mesmo que baixinho.
— Obrigado, Jayden. — murmurou baixinho contra a orelha do loiro que se arrepiou com o contato. O Evans logo tratou de retirar os pensamentos que não combinavam nem um pouco com a situação de sua mente, tentando manter o foco em sair dali, sem que mais demônios chegassem.
Por sorte, seu pedido fora atendido e assim que atravessaram as ruas abandonadas daquela ala da pequena cidadezinha de Winchester, Castiel desabou ao lado do loiro, sem aguentar manter-se mais consciente. Havia forçado seu corpo o máximo que podia.
***
Assim que acordaram — ambos os Castiel’s haviam apagado juntos —, puderam ver que estavam em uma casinha pequena e abandonada, cheia de pó e com as estruturas de madeiras sendo comida por cupins, arriscando as estruturas da casa em um desabamento. Olharam juntos em direção à janela da casa, podendo ver através das cortinas, bem rasgadas e apagadas, que era finalzinho de tarde.
O Arcanjo sentou-se na cama velha e com o colchão gasto, sentindo seu corpo bem melhor do que horas atrás e com os ferimentos praticamente recuperados. Rodou seus olhos pelo lugar a procura de Jayden que provavelmente havia o levado até ali. Perguntava-se como aquele homem baixinho havia conseguido tal proeza.
Levantou-se da cama, vendo que o Evans estava longe daquele cômodo e saiu do quarto a procura do loiro, que não deveria estar muito longe, ou assim ele esperava. Assim que saiu do lugar, deparou-se com um pequeno corredor repleto de retratos gastos e escurecidos que dava em direção a uma salinha que uma vez já fora bastante alegre, hoje só tinha moveis quebrados e flores mortas. Lá encontrou Jayden, que terminava de fazer diversos selos contra demônios.
— Pensei que tivesse entrado em coma. — o loiro brincou assim que viu o moreno parado na porta, levantando-se do chão cujo qual tinha abaixado para fazer os símbolos, estes eram desenhados com seu próprio sangue. Tonteou com o movimento brusco e por ter uma grande quantidade de sangue escapando pelo seu pulso cortado. Apoiou-se na parede para recuperar-se.
— Quem vai entrar em coma é você por falta de sangue. — o Arcanjo andou na direção do Evans e tocou na testa do mesmo, o pulso logo tratou de curar-se e não somente ele, os ferimentos que tinha ganhado na luta contra os seres do Inferno também havia cicatrizado. — Como você sabia que eu estava lá? — perguntou. Azul no verde, verde no azul.
— Você grita como uma garotinha assustada: alto e fino de mais, impossível não te ouvir. — falou cinicamente, com aquele sorrisinho torto e lateral em seus belos lábios, o Arcanjo estava começando a gostar daqueles sorrisinhos e aquela personalidade. Era incrível desvenda-la.
— Essa área é abandonada, Jayden, você não estaria bagando por aqui enquanto eu gritava e do nada decidiu arriscar enfrentar um bando de demônios com uma faquinha. Você não é idiota. — o Arcanjo respondeu e o sorriso nos lábios alheio morreu com aquilo. Era verdade, não era um louco para ficar vagando por lugares abandonados. Não quando sabia o quão perigoso aquilo poderia ser.
— Talvez eu seja. — rebateu sem querer dizer realmente o que estava fazendo, desviou seus olhos dos de Castiel, encabulado.
— Não, não é. Idiotas não esperam Lilith e Azazel saírem para invadirem. — comentou, conseguindo mais uma vez arrancar verdades indesejáveis da parte do Evans, que soltou um muxoxo em desagrado.
— Eu falei idiota, não suicida. — murmurou em desagrado, a essa altura suas bochechas já estavam avermelhadas.
— Dá no mesmo. — Jayden viu que não poderia deixar o Arcanjo sem resposta, por isso iria fazer proveito da situação. Se ele queria saber de algo, ele também estava interessado em uma informação.
— Eu te conto, mas você me fala porque tem um Arcanjo na Terra. — e mais uma vez aquele sorrisinho torto enfeitou os lábios do Evans. O Arcanjo suspirou, enquanto o outro Castiel agradecia mentalmente por finalmente pode descobrir o que ali fazia. Anjos não iam para a Terra para nada, principalmente Arcanjos.
— Eu não posso~ — fora interrompido antes mesmo que pudesse concluir sua fala, o mais novo suspirou pesado e indignado e fizera menção de sair da casa, sozinho, enquanto provavelmente tinha uma horda demônios por ali, tentando recuperar o Arcanjo que fugira. Não podia deixar aquele humano sair! Ele acabara de salvar sua vida. — Tudo bem! — exclamou antes que o mais baixo abrisse a porta da casa.
— Okay, comece. — o loiro deu um sorrisinho cínico, ele nunca iria sair daquele lugar, não sem que Castiel pudesse ajuda-lo e ele tinha quase certeza de que como um demônio, o Arcanjo também podia teletransportar-se.
— Vamos sair daqui primeiro. — Castiel segurou na mão de Jayden e em um segundo eles estavam nas colinas de uma montanha nem tão alta, apreciando a visão do Sol pôr em encontro as águas cristalinas do oceano. Uma visão linda que o Evans sabia que nenhum outro ser humano — ao menos naquela época — teve a oportunidade de ver. Teve uma pequena tontura com o repentino movimento Tempo-Espaço, mas nada falou, não queria alarmar o moreno por algo estapafúrdio.
— Eu vi quando aqueles oito demônios te atacou. — Jayden começou, sentando-se na borda da montanha e colocando suas pernas para o lado de fora da mesma, balançando-as enquanto sentia o ar de baixo de seus pés. Se ele caísse dali, morreria, mas ele tinha certeza que Castiel não deixaria. O Arcanjo logo lhe fez companhia. — Aqueles três eram fortes, e eu sabia que chegasse ali, naquela hora, eu provavelmente te atrapalharia mais ainda. Então eu só podia te seguir, esperar e chamar alguém para me ajudar. — respondeu simplesmente, encarando o horizonte mesclado em cores quentes e algumas pouquíssimas gélidas.
— Mas você não chamou. — não foi uma pergunta, fora uma afirmação. Castiel queria saber por que o loiro não havia feito aquilo.
— Mesmo que sejamos caçadores, se eu chegar para alguns deles e pedisse para que me ajudassem a salvar um Arcanjo, no mínimo eles achariam que eu estava bêbado. — o que era uma cena normal de se ver, Jayden bebia muito, desde aquele fático acontecimento em sua vida. Queria esquecer-se de tudo para sempre, e mesmo que por alguns momentos, a bebida lhe dava aquilo. — E se eu falasse que era um humano, eu duvido muito que eles me ajudariam, não iriam colocar-se em perigo enfrentando aqueles outros cinco... — já que o moreno havia matado três antes de ser pego em circulo de fogo provocado por óleo sagrado. — ... Para te salvar. – estava meio encabulado. Salvar pessoa era uma coisa que tinha costume de fazer, mas nunca entrara em uma situação quase suicida para salva-las.
— Por que você se arriscou para me salvar? — não entendia o pensamento daquele humano. Mal se conheciam, só haviam se visto uma vez em vida e ainda por cima não haviam se dado tão bem naquele primeiro encontro para que o loiro fosse arriscar-se para salva-lo. Talvez Jayden Evans realmente fosse suicida.
— Retribuindo um favor. — comentou do primeiro momento que tiveram. O Arcanjo havia ajudado o loiro, que sem querer envolvera-se com aquela briga toda entre os demônios.
— Você sabia que eu sou um Arcanjo, cedo ou tarde um Anjo iria me resgatar. — o Evans não precisava derramar seu sangue para que o ajudasse a livrar-se de situações provocadas por sua guarda baixa e inutilidade.
— Eu não gostava de te ouvir gritar e surgiu o momento e eu estava tão firme na decisão que eu não podia parar, eu até pensei em um plano antes de agir, mas eu não sabia se teria outro momento, então não podia arriscar e você estava gritando com tanta dor que eu estava... — falava tão rápido que o Arcanjo tinha dificuldade em entender as palavras, começou a hiper ventilar em uma vergonha sem sentido, a adrenalina sendo bombeada em suas veias ainda mais intensamente do que em uma luta, sua face esquentava ao corar e beirava a um ataque cardíaco quando tudo parou.
Parou de falar, de pensar, de respirar, seu coração até parou de bater! Tudo por que os lábios de Castiel encontraram-se com o seu em um ato incalculável até mesmo para o Arcanjo, tudo o que sabiam era que adora as línguas bailando uma com a outra.
Castiel colocou uma de suas mãos na nuca do loiro, puxando os fios loiros com um pouquinho de força, fazendo-o gemer com aquele ato, a outra segurou a cintura de Jayden com força, com medo de que ele pudesse cair daquele despenhadeiro, escapando por entre seus dedos e tudo o que pudesse fazer era vê-lo cair. O menor somente mantinha suas mãos nos ombros de Castiel, apertando-os com força, querendo mais do contato.
Assim que seus lábios separaram-se por culpa do maldito ar que começara a fazer falta, o Evans estava tão vermelho que Castiel mal podia reconhecer aquele homem todo cínico e sarcástico por de baixo daquela carinha completamente adorável. Abraçou-o bem forte, não querendo nunca solta-lo. Não mais.
Aquele homem fazia-o sentir. Experimentar o que poucos Anjos tiveram o prazer de sentir e que nenhum Arcanjo tivera sua oportunidade, mas ele teve. E era isso que mais importava. Ter aquele corpo bem junto ao seu e aquele sentimento consumindo-o. Aquele ser pequeno e frágil que poderia desaparecer de sua frente em um piscar de olhos, bem embalado e protegido em seus braços.
Aquela boca era tão tentadora. O pecado era tentador. Deus, como não entregar-se a ele? Não era forte o bastante.
O outro Castiel conseguia sentir aquele sentimento de necessidade, amor, paixão e luxúria reacendendo-se em seu peito. Já sentia tudo isso por Dean, então o sentimento duplicara-se. Ainda maior, ainda mais forte.
Quando se soltaram do abraço, o Sol nem se quer mais existia e o céu estava salpicado de estrelas prateadas, a Lua cheia brilhava encantadoramente naquele céu completamente limpo de nuvens. Ter a pele álgida do loiro banhada pelo luar, fazia-a ainda mais tentadora. Jayden colocou a cabeça sobre as pernas do Arcanjo, deitando-se sobre a borda da montanha. Os dedos de Castiel brincavam em seu cabelo desarrumado.
— Nefilim. — os lábios de Castiel deixaram a palavra escapar. O Evans olhou-o curiosamente, querendo saber o porquê de seu Arcanjo ter mencionado uma palavra que nem se quer conhecia o significado. — São frutos de amor entre um Anjo ou Anja com uma mulher ou homem. — explicou e o loiro franziu o cenho, mas logo em seguida riu.
— Cass, eu sou um homem e você também, é impossível que tenhamos um filho. — arqueou as costas brevemente, erguendo a cabeça e depositando um leve selinho nos lábios de Castiel, que estava remoendo-se em muitos pensamentos para aprofundar o contato ou reparar que o mais novo inconscientemente lhe dera um apelido.
— Eu sei, Jayden. — respondeu para a confusão na mente do menor. — É o que eu estou fazendo aqui. Estou caçando um deles aqui, para mata-lo. Eles não são criaturas boas, Jayden. murmurou enquanto desenhava círculos sobre o peitoral de seu amado por cima da roupa. O leve toque fazia-o ronronar.
— O que quer dizer? Cass, não podemos nos reproduzir, então isso nem vai ser um problema. — o Arcanjo voltou a brincar com seus fios dourados, deixando-o meio sonolento, acabou fechando os olhos para aproveitar melhor o toque, todavia ainda estava bem acordado para ouvir as palavras do moreno.
— Esse não é problema. — o mais novo abriu um de seus olhos para ouvir o resto das palavras do moreno. — Só estou dizendo que relações entre Anjos e humanos não são bem vistas e que nada de bom vem delas. — explicou-se, aquela face sem qualquer demonstração do que sentia deixava o Evans sem saber onde o outro queria chegar.
— Vai me deixar? — o desespero fazia-se presente naquele tom, por mais que o mais novo quisesse esconder aquilo. Castiel podia reconhecer as pequenas oscilações que Jayden tinha, deu pequeno sorriso ao ver que o loiro já estava tão dependente de si, quanto estava dependente dele.
— Não. Nunca. — depositou um selo naqueles belos lábios que o Evans tinha, demorou bastante para que aquele simples encostar de boca se desfizesse. — Só estou dizendo que os Anjos vão ser contra. Não quero que se machuque por culpa de meus irmãos. — e pela primeira vez que Jayden viu aquele ser, pode detectar um sentimento no mesmo: preocupação. Não conteve o sorriso.
— Já sou caçado por criaturas sobrenaturais, uma a menos ou a mais não faz diferença. –—riu, sentando-se novamente ao lado de Castiel e beijando-o com fervor. As línguas dançavam uma dança somente delas, repleta de luxuria e desejo. Jayden arranhou as costas do mais velho, que aos poucos começava a inclinar os corpos para trás, deitando-os sobre a terra da montanha.
Castiel ficou por cima do Evans, que estava completamente deitado no chão de terra, saboreando dos lábios de seu Arcanjo, que o segurava bem firme pela cintura. Novamente desceu as mãos por aquelas costas bronzeadas, arranhando-as e entrelaçou suas pernas na cintura de Castiel que apertou uma de suas coxas sobre o grosso tecido da calça.
Assim que o ar gritou em falta, separaram os lábios, mas o Arcanjo ainda manteve o contato dos seus com a pele de Jayden, afastou a aquelas peças de roupas do pescoço do Evans e deu-lhe um chupão bem forte, que permaneceria ali por bons dias. Marcou-o. Aquele ser humano era seu, todinho seu e de sua paixão — futuro amor.
***
Dois meses depois
Estavam na casa de Jayden, que por sinal era uma casa bem grande, o loiro havia comprado há tempos e decorado com ajuda. Era uma casa bela e luxuosa naquela pequena cidadezinha. A família Evans era prestigiada pela Rainha desde o começo do reinado inglês, dinheiro nunca fora algo que estaria em falta.
Estavam abraçadinhos na cama do loiro, enquanto conversavam qualquer assunto banal. O mais novo tinha suas pálpebras pesadas, o toque de Castiel sempre lhe deixava em paz, que consecutivamente lhe dava sono. Nos braços de seu Arcanjo estava livre de qualquer criatura sobrenatural ou pesadelos.
Começou a pensar em sua vida até que um pensamento retornara à sua mente: Emma Green Evans.
— Ela está no Céu, Jayden. — aquelas palavras fizeram com que os olhos verdes lacrimejassem. — Ela espera por você, todos os dias, para que possa ver sua garotinha. — o corpo de Jayden diminuiu contra o céu. Ele sabia que aquelas palavras doíam no loiro, mas também sabia que era um enorme alivio saber que sua mulher e sua filha — que nem se quer chegara a nascer em terra —, estavam bem.
— Eu sou quem escolheria um nome para o bebê. Eu queria fazer uma surpresa, nós éramos crianças sonhadoras, sabe? — fungou e pode sentir a mão de Cass passando por sua cintura, juntando bem os corpos em um abraço acolhedor. — Plenos dezessete anos, casados, ela estava gravida e nos achávamos imunes a qualquer dor, mesmo que a gravidez de Emma fosse de risco. Ela estava indo bem, aguentando. — deixou um sorrisinho tímido formar-se em sua boca ao lembrar-se de cenas tão maravilhosas. — Até a chegada daquele demônio, Ryan recitou o exorcismo sem machuca-la, mas o corpo debilitado de Emma não aguentou. — respirou fundo, tentando controlar a vontade de chorar. Conseguiu — Seria Megan ou Dominic. — murmurou baixinho e Castiel chegara mais perto de si, beijando seu pescoço.
— Megan tem seus olhos e cabelos. — comentara no mesmo tom de voz que as últimas palavras de Jayden, o mais novo virou-se em sua direção. Azul no verde, verde no azul, até que as lágrimas tomaram os olhos esmeraldinos do Evans.
Chorou o que nunca pode chorar na morte de sua mulher e filha que nunca veio ao mundo, enquanto os braços do seu Arcanjo acolhiam protetoramente.
***
Duas semanas depois
— Castiel! — sem que o Arcanjo quisesse, repentinamente ele estava no céu, na sala de Naomi. A mulher estava bem irritadiça e não parecia estar nem um pouco contente com a situação que estava acontecendo. Em outras palavras, seu namoro com Jayden. — Essa história é ultrajante! — explodiu completamente indignada.
— Eu o amo. — respondeu simplesmente, sem importar-se com as consequências. Sem importar-se com o Céu ou o que seus irmãos achavam de sua vida. A vida era sua e ele pecou, e como adorou pecar. Pecaria varias e varias vezes com Jayden.
— É, e esse amor resultou seu cargo de Arcanjo a um simples Anjo! — ela não podia deixar que um Arcanjo ficasse na Terra com um ser humano, usufruindo e criando sentimentos para com o mesmo. Logo todos os Anjos achariam que pudessem fazer o mesmo, seguindo os exemplos daquele Arcanjo pecador.
E aquilo era inadmissível! Já deixara aquela história de Castiel e aquele humano Jayden irem longe de mais. Eles já haviam até mesmo se tocado intimamente! Contatos sexuais entre Anjos e humanos era algo que não poderia ocorrer. Mas Castiel era forte de mais para simplesmente se entregar ou que fosse rastreado. Demorou uma semana para acha-lo!
— Não importa, Naomi, eu faria tudo de novo. — não media suas palavras, muito menos sua felicidade. Amava Jayden e haviam tido seu primeiro momento, mesmo que ele soubesse que as consequências seriam pesadas para si depois. Contanto que seu pequeno loiro estivesse bem, nada o importava.
— Temos que apagar sua memoria e reiniciar tudo de novo. — a mulher comentou suspirando pesado, aquilo seria trabalhoso. Iria demorar tempo de mais para que ela pudesse reconstruir a mente de Castiel. Mas nesse enorme tempo que se passaria, ela poderia dar um jeito em Jayden.
Afinal, ela sabia que enquanto aquele humano vivesse, Castiel iria lembrar-se daquele sentimento pecaminoso que provara e tanto adorou.
— Não pode apagar as lembranças do corpo. — ele sorriu e logo em seguida desapareceu na frente de Naomi. Ele sabia que não poderia fugir dela, mas ele também não poderia sair sem despedir-se do Evans.
***
Teletransportou-se diretamente para o quarto de seu amado. O mesmo dormia, era noite e sono ela importante para os humanos. Sentou-se ao lado do corpo de Jayden, sabendo que aquela seria a última vez que faria aquilo. Tocou de leve naqueles belos fios louros.
— Acharam-te? — o loiro abriu seus olhos esmeraldinos e virou-se em direção ao Arcanjo, seus orbes tremeluziam e enchiam-se de lágrimas.
— Infelizmente, sim. — respondeu enquanto ainda deslizava seus dedos pelos fios loiros escuros. Jayden sentou-se na cama e puxou Castiel para mais um beijo.
Um último beijo, repleto de todos os sentimentos que sentiam, em especial, aquele puro: Amor.
— Amo-te. — sussurrou contra a pele bronzeada do outro.
— Amo-te também. — selou os lábios e sumiu da frente dos olhos verdes enquanto sentia o gosto adocicado de sua boca.
Jayden só permitiu-se chorar ao vê-lo partir para nunca mais voltar.
***
— Não precisa chamar ninguém, Naomi, estou aqui. — Castiel voltou a reaparecer na frente da Anja, que quase tivera um ataque de susto ao perceber o Arcanjo.
— Tudo bem, vamos começar. — apontou para a cadeira, implorando para que Castiel fosse cooperativo e sentasse-se. Não queria ter de usar os métodos difíceis com o Arcanjo.
— Com uma condição... — a Anja arqueou uma sobrancelha com aquela fala, mas concordou, aquilo era melhor do que destruir sua ala ao tentar empurrar Castiel para aquela cadeira. — Quando mata-lo, mate-o de forma indolor e o ponha com Emma e Megan, ou eu juro que quando eu retornar e você sabe que eu irei, eu te mato. Arranco pena por pena de suas asinhas. — arrepiou-se ao fim de tais palavras e pode perceber que em momento algum a face de Castiel mudara de sua expressão indiferente — ela somente mudava ao lado de Jayden.
— Tudo bem. — aquilo era um preço pequeno a se pagar, considerando tudo o que ocorria. Fora que Castiel realmente lhe dava medo, o Arcanjo nunca estava para brincadeira e sempre cumpria suas promessas.
Castiel sentou-se na cadeira, e no exato momento que Naomi perfurara sua cabeça apagando suas lembranças com o Evans e as de ser um Arcanjo, modificando-as, Uriel enfiara uma lâmina celestial no coração de Jayden.
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