Stairway To Heaven
15 Chapter Fourteen - I Love You
Notas iniciais
Stairway to Heaven
Chapter Fourteen
I Love You
Haviam se passado nove meses desde que tudo havia começado. Dean mal podia acreditar que tudo estava chegando ao fim. Sorriu pequeno enquanto acariciava a barriga levemente dilatada — já que não havia todo um sistema reprodutor feminino para que a barriga crescesse tanto quanto de uma mulher grávida — e não pode deixar de sentir um chute contra sua mão. A criança em seu ventre crescia com força.
Castiel estava sentado ao lado de Dean na cama, fazendo um carinho singelo contra os cabelos loiros do mais novo, que ronronava com os toques suaves. A vida parecia tão calma, tão fácil de viver.
Foi quando Dean grunhiu de dor. Os lençóis brancos da cama haviam ficado molhados e Castiel entendeu o que estava acontecendo, foi o momento mais feliz de sua vida, não pode deixar de gritar por Sam, Adam e por seus irmãos, pedindo por ajuda para Dean, mas em momento algum sem conseguir parar de sorrir.
Por sorte, Chuck havia mandado dois anjos para cuidar do nascimento de sua netinha — Deus sabia que nenhum daqueles homens ou anjos iam conseguir fazer alguma para um parto. Anael e Dara expulsaram os três arcanjos do quarto, assim como Adam e Sam, e foram fazer o parto.
Castiel pensou que ia morrer de tanta alegria que explodia em seu peito. Finalmente iria conhecer sua criança. Sua graça brilhava tanto que seu receptáculo não podia conte-la por inteiro e emanava um pouco de luz pelos poros.
Adam e Sam pensaram que iria precisar de um par de óculos de Sol.
***
No meio do parto, foi quando as coisas começaram a desandar. Não que Dean tivesse tendo algum problema com o bebê, pelo contrario, pelo o que Cass sentia, sua criança estava indo muito bem com aquelas duas anjas. Foi à natureza mágica do mundo que começou a se alterar. O nascimento de um ser poderoso parecia estar alterando o equilíbrio universal e qualquer ser mágico podia sentir aquilo.
Foi quando os primeiros demônios surgiram. Invadiram o Bunker quebrando os selos, acompanhados de mais criaturas mágicas e comandados por superiores. Castiel, Michael e Gabriel entraram no campo de batalha no mesmo segundo, destruindo as salas do Bunker com as lutas. Eram três arcanjos contra demônios medianos, os três mal suavam com a luta.
Adam e Sam foram a uma sala mais distante de tudo preparar uma bomba que haviam aprendido com Kevin e placa dos demônios para banir aqueles seres. Não demorou muito para que logo se juntassem ao campo de batalha, que agora invadido por algumas outras criaturas mágicas que Crowley tinha contato. A bomba conseguiu dar conta de muitos, mas não o suficiente.
Não estava sendo fácil, mas estavam ganhando. Eram muitos, mesmo que tivessem poder de sobra.
O cansaço começava a tomar conta do corpo dos Arcanjos e dos humanos e os demônios ainda eram muitos — mesmo que de criatura mágica já houvessem morrido e fugido quase todas — e Castiel pensava pela primeira vez que pudessem vir a perder, quando um choro de bebê ecoou por todo o Bunker, junto ao seu choro, uma áurea acinzentada iluminou todo o lugar, fazendo com que até mesmo os seres sobrenaturais tivessem que fechar os olhos para não serem atingidos.
E Castiel soube bem ali, que sua criança finalmente havia chegado o mundo.
Quando abriram os olhos mais uma vez, só havia eles na sala; sem mais demônios ou criaturas. Agora era a paz.
***
Quando chegaram ao quarto de Dean, viram as anjas tendo problemas em conseguir manter a vida de Dean, o corpo loiro tremulava sobre a cama, enquanto a criança nas mãos de Anael chorava sem parar.
Castiel correu desesperado para seu mante e tentou cura-lo com sua graça, mas não parecia fazer efeito, então tudo o que podia fazer era gritar para que Dean não o abandonasse.
***
— Dean. — Chuck chamou o nome do humano, e Dean olhou confuso para Deus. Há pouco estava numa sala com duas anjas lhe ajudando no parto e agora estava em uma sala totalmente branca, com Chuck lhe olhando com certo pesar nos olhos.
— O que ‘tá rolando? — perguntou franzindo o cenho e não entendo mais nada. Havia morrido? Chuck pareceu ler esse pensamento e riu, achando graça.
— Você ainda ‘tá vivo. — riu mais uma vez ao ver Dean resmungando como era falta de privacidade invadir a cabeça alheia. — Mas eu tenho uma proposta ‘pra você. — dessa vez a fala fora um tanto mais séria, e Dean virou seus olhos verdes para Deus, pronto para ouvir.
***
O corpo de Dean pareceu voltar ao normal após dez minutos e Castiel deu graças a Deus quando finalmente pode ver os olhos esmeraldinos abertos. Castiel abraçou o corpo loiro que lhe retribuiu com afeto e pela primeira vez dentro dos dez minutos, pegou seu filho no colo.
Não que não quisesse pegar anteriormente, mas suas mãos tremiam tanto que não tinha duvidas que deixaria a criança cair. Viu-a primeiramente no colo de Anael dentro daqueles poucos minutos que Dean estava desacordado e se sentiu emocionado com o nascimento de seu bebê, mas tal emoção nem se comparou de segurar seu pequeno garotinho pela primeira vez em seus braços, ao lado do primogênito Winchester.
Dean parecia feliz, apesar de cansado e não conseguiu segurar o pequenino em seus braços por mais que dois minutos, mas estava tudo bem, Castiel segurava-o para si. Dean sorriu-lhe e falou que Castiel podia escolher o nome do pequeno.
— Dominic. — Castiel segredou-lhe e Dean, por algum motivo, sentiu uma sensação de borboletas passando em seu estomago ao ouvi-lo. O nome parecia perfeito na criança. Sorriu para Castiel.
As coisas não poderiam estar mais perfeitas.
***
Haviam se passado duas semanas de pura calma. A vida não podia estará mais tranquila que aquilo e Castiel não poderia estar mais pleno. Enquanto Sammuel e Gabriel cuidavam do pequeno Dominic, o Arcanjo foi à procura de Dean. Procurou-o pelo Bunker inteiro, somente para achar em seu quarto, uma folha de papel dobrada em cima de seu travesseiro.
A leira cursiva na frente da carta desenhava o nome Castiel, mostrando que aquela era para o próprio. Castiel franziu o cenho e tombou a cabeça de lado, como de costume, e foi em direção à carta. Pegou-a e abriu-a. E assim que seus olhos azuis pousaram na primeira linha, Castiel sabia que não havia mais paz.
***
Cass.
Eu não sei se você sabe, mas essas últimas semanas foram perfeitas. Não tínhamos com o que nos preocupar e eu me senti em paz pela primeira vez desde que mamãe morreu. Obrigado. Mas a calmaria sempre vem antes da tempestade, sabe?
***
Castiel sentia seus olhos ficarem molhados, seu corpo tremia levemente, e se sentia um humano com medo e desesperado. Não havia nada ali do Arcanjo todo poderoso que há duas semanas havia enfrentado uma horda de demônios e criaturas sobrenaturais e mal se machucado. Parecia somente um gatinho encurralado, choramingando e tremendo por alguém.
***
Sabe como é, a paz nunca dura tanto tempo; ao menos para Winchesters. Eu te agradeço por Dominic, ele é adorável. Eu não teria como pedir mais do que isso, e essas duas semanas com vocês me fez sentir em uma verdadeira família clichê, com uma casa cercada por cercas brancas e que come torta todo o dia. Acho que no fim eu tinha esse sonho mais do que Sammy teve.
***
O que Dean estava querendo com tudo aquilo? Castiel sentia-se atordoado, havia um vazio enorme em seu peito e uma vontade insana de ter Dean em seus braços e impedir qualquer coisa que fosse que o loiro estava prestes a fazer, porque se de uma coisa Castiel tinha certeza, era que o Winchester iria se machucar no que estava fazendo... Afinal, porque haveria uma carta de despedida se não fosse por aquilo?
Castiel reconheceu aquela despedida assim que viu a primeira palavra.
***
Mas, bem. Eu não sei como dizer isso, mas você sabe que Dominic é muito mais que um anjo ou qualquer coisa. Chuck me avisou do que ele é capaz. Nosso bebê pode explodir meio mundo só em chorar. Eu não ‘tô hiperbolizando, eu acho. Foi o que Chuck me disse, sabe? Não acho que ele ‘tava mentindo.
***
Castiel sabia sim o poder de Dominic. Achava estranho que a criança não estava uma confusão, perdendo o controle de sua força e destruindo coisas pelo Bunker inteiro ao chorar. Mas ele tinha esperanças de que aquilo fosse sorte, que Dominic tinha controle sobre o que queria fazer, ou até mesmo que a presença de Dean fossem quem o acalmasse e o fazia ter equilíbrio. Mas Castiel estava ingênuo em pensar aquilo, sabia disso. Mas não podia deixar de querer viver naquela mentira por mais um tempo.
Arrependeu-se. Se tivesse focado mais tempo em saber o porque de Dominic estar tão estável — quase como se seu corpo não fosse uma massa de forças divergentes; demoníacas e angelicais —, talvez pudesse descobrir mais cedo o porque Dean estaria lhe entregando essa carta e impedido antes que o Winchester primogênito já tivesse ido.
***
Deus conseguiu estabilizar Dominic por um tempo, ele me deu duas semanas antes de tudo. Sabe, no fim do nascimento de Dominic ele veio até mim e me fez uma proposta. Ele poderia tirar essa massa de poder de Dominic e por em mim, mas ao contrario do nosso filho eu não tenho capacidade física de aguentar isso tudo. Eu acho que vou explodir no segundo que ele transferir isso ‘pra mim. Por mim ‘tá tudo bem. Mas eu sei que ‘pra você não vai estar, nem pros meus irmãos. Desculpa por isso, mas era eu ou a vida do meu garotinho. No fim eu acho que sou uma mãe coruja como Sammy disse. Mais uma vez, desculpa.
***
Castiel podia imaginar Dean sorrindo daquela maneira única, que enrugava o cantinho de seus olhos verdes e deixava o loiro ainda mais adorável. Castiel também podia imaginar — pela forma como o papel estava meio molhado naquela parte — que havia lágrimas escapando pelos olhos de Dean enquanto ele sorria tão puramente.
Suas lágrimas começavam a escorrer pelos seus olhos e misturar-se com as de Dean no papel. Castiel nunca pensou que poderia sentir-se tão humano como naquele momento.
Respirou fundo e foi ler a última frase, o último paragrafo, as últimas palavras de Dean para si. As lágrimas só caíram ainda mais quando finalmente leu as palavras.
***
— Eu ‘tô pronto, Chuck. — Dean avisou para Deus, que somente lhe deu um sorriso triste, quase como se sentisse pena da escola que o primogênito dos Winchesters tinha de fazer. Em compensação, Dean só lhe deu um sorriso aberto, como se mostrasse que estava bem com sua escolha e que entendia que Chuck não tinha escolha.
— Tem alguma coisa que você queira dizer pra alguém antes de tudo? Eu posso virar pombo correio. — tentou brincar, arrancando uma risada curta de Dean.
— Não... Eu já disse tudo o que tinha que dizer. — garantiu.
Chuck comente acenou com a cabeça antes de por a mão nos fios dourados da cabeça de Dean e transferir-lhe o poder de Dominic. Dean sentia uma dor excruciante em cada átomo de seu corpo, mas no fim...
Não se arrependia de nada.
***
E sabe Cass...? Eu te amo.
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