Stairway To Heaven
16 Epilogue
Notas iniciais
Stairway To Heaven
Epilogue
— Puta merda, Sammy! Se for 'pra você ficar atrapalhando, nem tenta ajudar! — o loiro resmungou vendo o mais velho caído no chão com várias caixas de mudança ao seu redor, abertas por culpa da queda. Sammy riu meio constrangido, coçando o pescoço e tentando disfarçar o rubor que tomava conta de suas bochechas.
— Desculpa, Dean. — levantou-se meio desajeitado — por culpa do enorme tamanho que tinha — e pôr-se de pé, catando as caixas espalhadas pelo chão. Dean só riu baixinho do seu irmão mais velho e continuou a pegar as coisas para a mudança.
— O Sammy caiu de novo? — Adam surgiu do nada, mordendo um pedaço de chocolate qualquer e com duas caixas em sua mão livre, Dean somente concordou com a cabeça levemente e riu mais uma vez. Sam conseguia ser tão desajeitado que tropeçar no ar era um costume para o mais velho.
— Vocês só tem inveja porque são baixinhos. — Sam colocou a língua para fora e fingiu-se emburrado. Adam somente colocou as caixas no chão e pulou para cima do mais velho — Sammuel —, fazendo mais uma vez com que as caixas na mão de Sam caíssem. No segundo seguinte os dois estavam no chão, em uma luta inofensiva e brigando para ver quem ficava em cima do outro. Dean só observava seus dois irmãos mais velhos com um sorriso.
Sammuel, Adam e Dean Smith são irmãos. Sam — como os amigos chamam — é um ano mais velho que Adam e Dean, que são gêmeos não idênticos — apesar de terem aparência e personalidade bem parecida em alguns momentos. Adam nasceu primeiro, tornando Dean cinco minutos mais novo e o caçula da família. Os três por agora estavam dividindo uma casa perto da faculdade que cursavam — ou no caso, Adam e Dean começariam naquele ano e Sam já cursava há um ano. Os gêmeos estavam se mudando para dividir a casa com o mais velho.
Assim que a "briga" acabou — e Sam ganhou, para a surpresa de ninguém —, os três continuaram a terminar a mudança. Sam e Adam vez ou outra trocavam provocações e Dean só observava, apreciando o momento. Desde que Sam se mudou para a faculdade que não tinham um momento assim. Sorriu e levou a última caixa para dentro da casa, ainda tinha que cozinhar, Gabriel — o namorado de Sam — iria levar seus dois irmãos para conhecer Sam mais tarde naquela mesma noite.
***
— Desculpa se o molho 'tá meio queimado, alguém se esqueceu de desligar o fogo quando eu pedi. — Dean fuzilou Adam, este somente deu de ombros e serviu-se uma porção grande de macarrão. Dean murmurou alguma coisa baixo, antes de dar um tapa contra a cabeça de Adam, que retribuiu-lhe com a língua pra fora.
— Tudo bem, ainda parece muito bom. — Dean não pode deixar de corar quando Castiel — irmão mais velho de Gabriel — lhe disse aquilo. Seus lábios curvaram em um sorriso doce e Dean sentiu-se vidrado nos lábios do moreno de olhos azuis, quase como se quisesse beija-los. Seus sentidos quase conseguiam imaginar como era aquela boca contra a sua.
Castiel Novak era o mais velho dos irmãos, seguido por Gabriel Novak e depois Michael Novak. Castiel já até tinha terminado a faculdade e trabalhava, Gabriel estava prestes a terminar a sua e Michael ainda estava no segundo ano.
O jantar foi agradável. O clima foi leve, repleto de brincadeiras, sarcasmo e piadinhas. Dean se sentia em paz ali, sentia como se já houvesse vivido aquele momento, mesmo que soubesse que era impossível tal coisa. Mas não deixou aquele pensamento lhe atormenta. Sorriu. Aquilo estava sendo um ótimo dia.
***
Dean não sabia como, mas estava namorando Castiel quatro meses depois de terem se conhecido. Adam estava em um relacionamento com Michael — por mais que não admitisse — e Sam e Gabriel não poderiam estar mais unidos. Era estranho. Parecia tudo certeiramente programado. Qual era a chance de seus irmãos estarem namorando os irmãos do seu namorado? Por Deus, pensar naquilo causava até um nó na cabeça.
Agora os três Novak's haviam chamado os três Smith's para uma conversa seria. Dean rezava para que não fosse uma orgia. Bem, não que estivesse afim de uma orgia — pelo amor de Deus, não seria Dean Smith se estivesse rejeitando uma —, ele só não tinha interesse nenhum de ver seus irmãos durante o sexo.
— Se for um menage, podem esquecer. — foi a primeira coisa que Adam disse ao chegar na sala com Michael e ver seus outros irmãos ali, assim como os irmãos de Mich. Dean suspirou aliviado em saber que não era só ele que não gostava da ideia. Mas bem, pela forma que Castiel e Michael coraram e Gabriel riu até se engasgar com o pirulito, não era disso que estavam tratando.
— Não é isso, sweet. — Gabe falara após alguns minutos de um ataque histérico de gargalhadas, Dean sentiu-se ainda mais tenso com aquelas palavras, assim como seus irmãos. Não tinham ideia do que estava rolando.
— Só... Bem, talvez seja cedo 'pra falar sobre isso, mas... Não dá mais 'pra esperar; foram trinta anos só para a alma de vocês retornarem para a terra e gerarem vida num ventre. — Michael quem disse, fazendo Adam olhar para o loiro como se tivesse uma segunda cabeça nascendo ali. Mich respirou fundo, tentando controlar-se antes que falasse mais do que devia.
— Do que diabos 'cês tão falando? — Sam achava graça. Estava acostumado com algumas brincadeiras meio loucas de Gabriel, então em sua cabeça aquilo poderia ser somente mais uma mera piada.
— Somos arcanjos. — e mesmo que tivesse passado mais de quarenta e oito anos em terra, Castiel ainda era direto e certeiro em suas palavras, assim como no seu primeiro dia em plano terrestre. Gabriel olhou para Castiel completamente descrente, dando um tapa em sua própria testa minutos depois.
— Por Madonna! — Adam e Dean não tinham ideia de quem Gabriel falava, mas Sam conhecia minimamente a cantora de tanto que Gabriel dizia seu nome — quase como se a idolatrasse — e pelas musicas que o mais velho o obrigava a ouvir às vezes. — Quase cinquenta anos aqui e vocês dois ainda não sabem lidar com humanos?! Santa purpurina laranja fluorescente. — murmurou, brigando com seus outros irmãos, que somente deram de ombros.
— Uma hora ou outra a gente ia ter que contar. — Michael não se importava em parecer louco para os outros, contanto que Adam estivesse com ele. Já tinha esperado tempo de mais. Trinta e um anos para a alma de Adam descer ao plano terrestre, e dezessete aniversários para que finalmente seus destinos se cruzassem. Michael estava quase enlouquecendo.
— Olha, por acaso 'cês tem fetiches com anjos? — Dean indagou, vendo os três Novaks olhar para ele com curiosidade. — Tipo assim, eu nunca fui muito religioso, então eu não me incomodo, se é isso que 'cês querem saber; e Cass, quando eu te chamava de anjo, eu não pensava que 'cê ‘tava levando tão a sério. — Castiel somente tombou a cabeça de lado com o comentário, parecendo confuso.
— 'Cê chama o Cass de anjo? Que gay. — Sammuel brincou, sabendo como Dean se sentia desconfortável em relações a apelidos melosos e demonstrações publicas de afeto e sentimentos.
— Como se a gente fosse muito hétero. — Dean rebateu sarcasticamente.
— Eu sou um poço de masculinidade totalmente hetera. — Sam fingiu-se ofendido, ganhando uma travesseira de Adam na cara, acompanhado de comentários sarcásticos.
— Não foi isso que você mostrou hoje mais cedo no quarto, Gigante. — a cara de Sam não poderia ficar mais vermelha com o comentário de Gabriel.
— Foda-se o lado hétero e inexistente do Sammy; voltem ao assunto principal. — Adam murmurou por fim, fazendo os Novak's recobrarem a postura séria.
— Nós somos realmente arcanjos. — Michael quem fora o primeiro a dar continuidade, explicando-se. Antes mesmo que os Smith's pudessem perceber, havia memórias sendo liberadas de suas almas e manifestando-se.
O passado voltava, e lhes contavam as histórias das cicatrizes de suas almas.
Viveram cada uma de duas vidas em menos de um segundo, lembrando-se mais uma vez de cada detalhe e sentindo mais uma vez cada sentimento.
Até chegar o dia em que — mais uma vez, sem que carregassem o sobrenome Smith — compartilhavam o mesmo sangue.
Dean, Sammuel e Adam Winchester.
***
Informação de mais. Precisavam de um tempo para pensar em tudo o que estava acontecendo. Talvez uns minutos, umas horas ou quem sabe... Dias.
Dean ainda precisava absorver tudo. E Castiel ainda havia lhe dito que nem era a história toda para ele. Sam e Adam praticamente já tinham chegado ao fim de suas lembranças, mas as de Dean foram interrompidas em um ponto; não tinha ideia do que Castiel estava lhe escondendo.
Só precisava respirar. Assim como seus irmãos. Só precisava... De um tempo.
***
Uma semana e meia depois foi quando Dean finalmente teve coragem de falar com Castiel. Adam e Sam já haviam se resolvido com Michael e Gabriel respectivamente, mas Dean estava enrolando. Tinha receio em descobrir o que era "o resto".
E quando finalmente chamou Castiel para que pudessem conversar, por Deus. Sua mente estava mais do que sobrecarregada com todo aquilo.
A sua frente tinha um pequeno garotinho de cabelos loiros e olhos azuis, com não mais do que nove anos. Castiel havia lhe tido que seu nome era Dominic, filho de sua antiga reencarnação com o próprio Castiel.
Se sentia perdido até o resto de sua história finalmente ser terminada de contada. Os noves meses de gravidez e todos os problemas — mas também toda a felicidade. E quando Dean finalmente estava consciente a realidade mais uma vez, a primeira coisa que ele fez foi abraçar a pequena criança e chorar.
Todo o amor que sua antiga reencarnação sentia por aquele pequeno ser, explodiu de uma vez só em sua mente.
O pequeno garotinho — ou ele deveria chamar de anjo? — parecia meio atormentado de começo, olhando para Castiel sem conhecer Dean, e sem saber por que um estranho estava lhe abraçando.
— Esse é seu outro pai, Dominic. — Castiel sussurrou para criança, que olhou para Dean, antes de retribuir o abraço. As lágrimas de Dean só se tornaram ainda mais intensas.
***
Castiel explicou que a maturidade um anjo demora a florescer — ou ao menos, era isso que mostrava todos os descendentes de anjos que nasciam do zero, como por exemplo, nephilins. Era por isso que Dominic ainda estava crescendo tanto fisicamente, como mentalmente. Já que o corpo físico da criança foi gerado por um humano, ela não precisava de um receptáculo, por ter um corpo próprio para si — que crescia e envelhecia de acordo com seu amadurecimento —, apesar de que ela poderia abandonar esse corpo e ir para um receptáculo a hora que quisesse — como qualquer anjo.
Também explicou que apesar dela ter um corpo humano para si, ela era completamente angelical. Sem descendência humana, já que Deus retirou qualquer outra característica que não fosse celestial.
Dean ouvia tudo atentamente com o pequeno garotinho em seu colo, enquanto trançava os cabelos loiros — levemente grandes — em pequenas trancinhas. Dominic parecia sonolento no meio daquela história toda e Dean unicamente se mostrava feliz.
Após anos de espera, tudo finalmente se mostrava nos eixos.
***
— Então esse é meu sobrinho? — Sam aproximou-se da pequena criança, vendo-a sorrir timidamente e ficar com as bochechas vermelhas.
— É impossível não concordar que é filho do Dean. — Adam comentara e Sam não podia deixar de concordar. O pequenino era quase igual ao seu irmão mais novo, até mesmo as pequenas sardinhas e a única coisa que carregava do receptáculo de Castiel, eram os olhos muito azuis. Castiel havia dito que em corpo celeste, Dominc se parecia muito mais com o próprio do que com Dean, que eles até tinham as mesmas asas — só que algumas poucas penas de Dominic tinham a cor do cabelo de Dean, dourado.
— Já 'tão sabendo então? — Dean indagou, coçando a cabeça meio constrangido, sentindo as bochechas pegarem fogo.
— Yeap. E mantemos a mesma opinião anterior. — Sammy disse, vendo como Dean parecia embaraçado com tudo aquilo. Dean sentiu-se aliviado em saber aquilo.
— Abraço estranho de irmão? — Adam abriu os braços enquanto chamava-os, e Sam logo o acompanhou, chamando-o também.
— Abraço estranho de irmãos, Bitches. — brincou e foi abraçar os dois mais velhos, que ririam e sem nem se quer perceber, retribuíram a pequena ofensa carinhosa que Dean havia feito.
— Jerk. — disseram em uníssono.
***
Castiel e Dean compartilhavam a mesma marca.
Anjos podiam formar elos com humanos — contanto que não gerassem nephilins — e deixa-los imortais até que o elo fosse desfeito ou o anjo viesse a morrer.
Tanto Sam, Adam e Dean tinham esses elos com Gabriel, Michael e Cass, cada um respectivamente.
Esses elos só lhes deixariam viver o mesmo tempo que o anjo vivesse — e assim que rompido seria fatal ao humano —, tornando-os completamente parados no tempo. Também deixariam saber — caso concentrassem-se — a localização do outro, sendo útil em casos perigos e o humano não morreria de hipótese alguma caso tentassem mata-lo.
Gabriel e Michael quiseram fazer em Sam e Adam quando os dois ainda eram Winchesters, mas ambos discordaram. Castiel sabia que a alma de Dean ia reencarnar novamente — já que quando Deus veio falar sobre a morte de Dean, o mesmo garantiu que a alma do loiro estava intacta e poderia voltar a terra após pouco tempo no paraíso.
Adam e Sam pediram para reencarnarem com Dean, sendo irmãos mais uma vez, e Deus concordou, assim que morressem, eles poderiam descer como irmãos. Desceu cada uma das almas a terra assim que estavam todas prontas. Todas postas no ventre de uma mulher chamada Jude.
E quando finalmente as almas estavam em terra e sendo geradas, Des avisou aos seus filhos, que finalmente poderiam rever aqueles que amavam. E agora, com os elos postos em cada uma das almas, poderiam garantir que não haveria como Dean, Adam e Sam escapar por entre seus dedos.
E bem, aquele elo além de garantir a felicidade eterna dos três arcanjos, também era completamente útil no meio de caçadas — já que os três Smith’s estavam começando a se aventurar em casos perto da cidade que moravam.
O gosto pela caça havia retornado junto com as memórias da vida passada.
Cada um dos três casais estavam começando a viver sua vida aos poucos juntos, tornando-se mais próximos como foram anteriormente e amando-se.
Juntos, aos pouquinhos, estavam escrevendo o resto de suas histórias.
Estavam sendo felizes, como em outra vida, não puderam ser.
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