Stairway To Heaven
6 Chapter Five - Some Truths Are Crazy
Notas iniciais
Stairway To Heaven
Chapter Five
Some Truths Are Crazy
O silêncio predominou o quarto de Motel por alguns segundos, nenhum dos cinco sabia o que dizer perante aquela informação. Todavia o silêncio logo fora interrompido assim que a risada de Dean cortou a tensão que se manifestara no ar, fazendo quatro pares de olhos voltarem-se para si, curiosos.
– Okay, qual de vocês dois pediu para o Mich fazer essa pegadinha? – o loiro mais velho olhou para Sammy e logo depois depositara seu olhar sobre Adam, com um sorrisinho de canto dos lábios – Isso foi à coisa mais escrota e idiota que alguém já disse. – controlou-se para não retornar a rir da fala do Arcanjo.
– Não fui eu. – os dois irmãos mais novos responderam juntos, rapidamente, começando a também pensar na hipótese de que aquilo não passava de mais uma tentativa de tentar brincar com Dean. Mas logo a ideia foi descartada, eles não haviam falado nada do tipo com o encaracolado e além do mais, o Arcanjo estava sumido até a pouco.
– Eu estou falando sério. – Michael não havia se abalado nem um pouco com a reação de seu protegido. Por Deus, ele também mal podia acreditar no que estava dizendo, caso não tivesse sentido a alma em formação no interior do primogênito Winchester. Dean estava gravido. O que era bem estranho de se pensar.
– Okay Sherlock, mas se você não reparou, eu sou um homem e simplesmente não fico gravido. – deu aquele sorrisinho sarcástico, lateral, típico de Dean Winchester ao terminar de falar e fez uma cara de que suas palavras eram as coisas mais obvias do mundo. E realmente era. Para pessoas normais, mas Winchesters nunca seriam normais.
– O feto tem três semanas, três dias, duas horas e vinte sete minutos. – Michael informou e Dean franziu a sobrancelha, deixando memorias lhe invadir a mente, não tardou para que recordações de mais ou menos três semanas retornassem a sua cabeça. Ele e Castiel em Las Vegas, seguido de varias e varias rodadas de sexo. Dean olhou para o Anjo – que tinha sua face em um vermelho brilhante – e logo retornara seus olhos esmeraldinos para o Arcanjo.
– Mas que Diabos?! – exclamou sem reação alguma, os lábios entre abertos de espanto, e os olhos de seus dois irmãos mais novos focados completamente em si, chocados. Dean havia transado com um homem? Na verdade, com a porra de um Anjo? Os dois Winchesters mais novos desviaram o olhar simultaneamente para Castiel, que estava meio vermelho com aquilo tudo.
Porra, Dean havia transado com Cass?!
– Você está gravido, Dean. Está gerando um Nephilim. – o Arcanjo retornou a falar, com calma, e o mais velho dos Winchesters sentiu seu mundo girar com aquilo. Como se estivesse bêbado de mais para manter-se em pé. Cassete, estava havendo um engano. Ele era um homem da última vez que havia conferido! Ele tinha certeza que era um homem ao transar com Cass. Caralho, ele não estava gravido. Existia alguma droga de Arcanjos? Só podia ser.
– E okay, daqui a oito meses eu vou aparecer com uma barriga de gravida de nove meses, e ter um bebezinho? Serio Mich, você bebeu? – interrogou Dean, completamente descrente e começando a dizer para si, como um mantra, que aquilo era impossível. O que não o convencia muito, porque nada era impossível para sua maldita amaldiçoada.
Mais ninguém da sala fazia questão de pronunciar-se, os mais novos por não estarem entendendo porra nenhuma e Castiel por estar meio abismado e envergonhado de mais.
– Não e não. – o Arcanjo respondeu, como se aquilo fosse a coisa mais obvia do mundo – Você não tem estrutura feminina para que seu ventre cresça tanto, só vai ocorrer um leve inchaço e o ganho de alguns quilos do bebê. Além do mais, seres celestiais não bebem, não precisamos, pensei que você já soubesse disso, Dean. – o encaracolado completou, entortando a cabeça um pouco de lado na direção do primogênito, tal ação lembrou ao loiro sobre Castiel.
– E eu pensei que você soubesse que eu era homem! – Dean estava perdendo o controle, estava levemente alterado e sua cabeça estava começando a latejar, da mesma forma que havia uma pontada em seu ventre. Mordeu o lábio inferior para a dor crescente em sua barriga e sentiu sua visão escurecer, diminuindo seu campo de visão.
– Dean, acalme-se. – o Arcanjo pediu, preocupado – Sua gravidez é de risco por não ter um útero. Dean! – pediu aproximando-se do primogênito Winchester que já estava perdendo o controle de sua respiração e precisou apoiar-se em algum móvel para continuar em pé.
Castiel apareceu do lado de seu amado, pronto para ajuda-lo, mas ao tentar tocar em Dean, o próprio loiro o repeliu, afastando seu toque. O Anjo ficou sem reação, olhando para Dean, que deixou suas costas escorrer pela parede, até sentar-se no chão. Levou uma de suas mãos até suas testa e em meio aos seus fios loiros, puxando-os com força.
Sammy e Adam surgiram do lado do irmão mais velho e não sabiam direito o que fazer. Por tudo o que poderia ser mais sagrado, Dean não quebrava! Não na frente de alguém e por tal coisa, quando uma das barreiras do loiro transformava-se em poeira, ninguém sabia o que fazer, porque simplesmente Dean não deixava ninguém fazer nada e escondia tudo o que sentia por de baixo de umas marcara. Mas agora isso não seria possível.
– Tem como abortar esse troço? – Dean pediu em sussurro quebradiço, às palavras que escapavam de seus belos lábios mal poderiam ser audíveis. Sammy e Adam olharam para o loiro, incrédulos, ou aquilo era estresse de mais ou Dean estava com algum problema mental.
– Dean, você está com a cabeça quente e nem se quer está raciocinando, não faz pergunta idiota! – Sammy exclamou para o irmão mais velho, que somente olhou, antes de abaixar novamente o olhar e morder o lábio inferior com força. De repente a frase anterior começou a martelar em sua cabeça e se sentia mal. Realmente, não poderia retirar aquela pequena vida. Não matava inocentes, principalmente se fosse pelos seus erros, sempre tinha que haver uma saída.
– Mich, Cass... – Dean olhou para os dois seres celestiais, que logo estavam com seus lindos orbes azuis focados na figura do loiro — ... Poderiam fazer o favor de desaparecer da minha frente? – interrogou com palavras não tão sutis e com a face levemente branca e os lábios arroxeados. Estava envergonhado e não tinha a mínima ideia do que fazer. A ideia em todos os ângulos lhe parecia absurda. Porra, era completamente inacreditável. Ele era um cara! Mas ainda assim...
– Dean, eu preciso falar com você. – Castiel pronunciara-se pela primeira vez desde que soubera da noticia. Estava na cara de que ele era o pai – ou ao menos o outro pai – da criança. E se Dean estivesse gravido – o que era completamente esquisito, mal podia acreditar -, aquele fruto teria que, infelizmente, ser morto. Nephilins não poderia nascer.
– Agora não, Cass. – o loiro estava com os olhos fechados e a cabeça jogada para trás, tentando inutilmente absorver a ideia. Caralho, tinha virado um cavalo marinho! – Só desaparece. – voltou a implorar e Castiel sabia que o loiro era um cabeça-dura. Não iria insistir, não agora. Principalmente quando seu irmão mais velho tinha acabado de alertar ao Winchester mais velho que sua gestação era de risco.
Quando Dean voltara a reabrir os olhos, tanto Castiel quanto Michael já não estavam mais lá. Somente Adam e Samuel. Estava com vergonha de encarar seus próprios irmãos. Será que o Arcanjo não conhecia sutileza? Ela não precisava ter dito aquela informação assim, em público! Desviou o olhar dos seus irmãos mais novos, encabulado.
– Você não precisa ter vergonha Dean. – Sammy nunca pensou que teria que dizer isso justo ao seu irmão mais velho. Aquele cara sacana, lascivo, malicioso, temperamental, metido a macho Alpha, com aquela pose toda de cara imbatível. Invencível. Cara que nas últimas semanas estava perdendo essa pose e estava com suas barreiras sempre tão impenetráveis, quebradiças.
– Não é motivo de vergonha. – Adam tratou de logo concordar com seu irmão do meio, o desconforto de Dean era vidente, mas o alívio em ouvir tais palavras era ainda mais notório – Você só é gay. – a última palavra saia dos lábios de Adam com naturalidade, a mesma naturalidade em que Dean falava torta ou caracterizava uma mulher como “gostosa”. Normal. Sem receio, hesitação, ou qualquer uma dessas merdas. E Dean ficava grato – muito grato – por isso.
– E gravido. – o mais velho completou a frase do mais novo, que crispou os lábios. Ele estava tentando ajudar Dean, de verdade! Estava tentando de alguma forma mostrar para Dean que não se importava com a opção sexual do primogênito, mas também não sabia como reagir quando uma bomba nuclear em forma de bebê explodira em cima de suas cabeças.
– Depois a garota sou eu, Deanna. – Sammy sacaneou o mais velho, que lhe mandara o dedo do meio junto a uma serie de palavrões com um grande grau de ofensividade. Sammy riu, divertido e alegre, seu irmão estava gravido – e aquilo era bem difícil de assimilar -, mas porra, no meio dessa confusão havia algo bom! E ele via essa pequena vidinha como algo bom, na verdade, muito melhor que bom – Eu vou ser titio! – gargalhou com a felicidade transbordando em suas risadas, parecia uma criancinha pura e inocente sorrindo – coisa que não era tempo, mesmo que sua aparência contradissesse.
– Você é louco, Sammy! – Dean exclamou meio a contragosto, mas a risada do seu irmão do meio era tão descontraída e pura, que um sorriso não pode deixar de invadir seus lábios e contorna-los com certa suavidade.
– Ele está certo, Dean. – Adam concordou com o mais alto do cômodo – Vamos ser titios, e você vai ser pai. – a situação com plena certeza era mais do que estranha e falar aquilo com o irmão mais velho que tinha intimidade há pouco tempo, não era uma tarefa fácil, mas a situação estava saindo melhor do que esperava. Provavelmente em algum momento a ficha ia cair, mas enquanto isso não acontecesse, as coisas estavam boas dessa forma.
– Acho que você quis dizer “mamãe”, Adam. – Samuel não resistiu ao comentário e Adam em seguida estava gargalhando, enquanto Dean xingava novamente seu irmão do meio que juntou-se as gargalhadas do mais novo, lagrimejando de tanto rirem.
– Vocês são umas vadias! – o mais velho exclamou indignado, tentando parar de corar. Soltava alguns muxoxos vez ou outra, enquanto os mais novos recobravam a compostura perdida. Após secarem as lágrimas divertidas que escorriam pelos olhos, tentaram retornar ao assunto inicial da conversa.
– Dean... – Adam foi o primeiro a se pronunciar, timidamente e hesitante, chamou a atenção do mais novo – ... Se você é a “mãe”... – fez aspas com as mãos para aquela última palavra – ... Quem é o pai? – não resistiu a duvida e do seu lado, Sammy deixou um sorrisinho escapar, porque a resposta era mais que obvia, enquanto Dean fuzilava o do meio, mesmo que estivesse surpreso por entender a indireta de Samuel – Sam sabia quem era o “pai”.
– Castiel. – para disfarçar o constrangimento, ao fim da fala, dera de ombros, Adam picou algumas vezes para a resposta. Cass havia sumido por um tempo e por isso o mais novo não pode perceber o quão próximo o Anjo era deu seu protegido. Todavia, pode perceber alguma coisa a mais no ar com aqueles dois após o ataque de Lobisomem ao primogênito.
O Anjo e o humano eram um belo casal. Não podia negar.
– Agora é só morarem em uma casinha de sapê e viverem felizes para sempre. – irritar Dean era uma das melhores coisas que Sammy podia fazer em vida! Era tão atrativo, que não resistia.
– Vai se foder, Sam! – o mais velho gritou, encabulado, o que resultou nas risadas escandalosas do mais novo.
No entanto, era tão bom saber que as coisas estavam bem, que Dean não podia ter seus olhos esverdeados mais límpidos e felizes, desde que toda aquela coisa de monstros e sobrenaturalidade começara.
Estava verdadeiramente feliz, mesmo que momentaneamente.
***
Bem desde o começo
Você foi um ladrão, você roubou meu coração
E eu, sua vítima condescendente
Deixei que você visse partes de mim
Que não eram tão bonitas
E, a cada toque
Você as consertou
Castiel teletransportou-se ao quarto do homem que roubara seu coração. Viu Dean jogado sobre os lençóis da cama, desarrumado. O loiro tinha sua testa franzida, respiração descompassada e estava imerge a sonhos terríveis. Os hormônios estavam alterados e inibindo a mente a manifestar-se em pensamentos e lembranças nem um pouco agradáveis.
O Novak odiava ver seu protegido assim, tão frágil. Como seu o mais leve dos ventos pudesse desmoralizar aquela emenda de rachados e cacos que era Dean Winchester. Seu Dean era uma criatura tão quebradiça, que já sofrera tanto na vida! Era o homem mais forte que conhecera, mas também era o mais débil dos seres humanos. Tão paradoxo. Tão incrível!
Agora, você tem falado durante o sono, oh oh
Coisas que nunca diz para mim, oh oh
Diga-me que você já teve o bastante
Do nosso amor
Andou em passos lentos em direção ao corpo inerte a pesadelos e com todo o cuidado que possuía, depositou seu dedo indicador sobre a testa do loiro, sentindo a pele umedecida pelo suor proporcionado pelos sonhos turbulentos. O loiro remexeu de leve os músculos do rosto e Castiel teve pena de acorda-lo, como iria fazer.
Logo o dedo que tocava a testa Dean fora deslizado para o emaranhado de fios loiros escuros, junto a outros dedos, que acariciavam e brincavam com os cabelos do loiro, em um cafuné reconfortante. Aos poucos os traços do rosto de Dean fora relaxando e uma expressão de calma fora tudo o que restara naquelas expressões tão belas.
Por um momento refletiu desde quando fora a última vez que seu protegido ganhara um carinho assim, tão delicado, tão repleto de amor. Dean teve carência de amor da parte de John e Cass se perguntava se o seu amor poderia suprir aquela falta de amor paterno.
Dê-me apenas um motivo
Só um pouquinho já basta
Só um segundo, não estamos quebrados, apenas curvados
Será que seu amor poderia reconstruir as rachaduras de Dean? Será que seu amor incondicional poderia suprir aquela alma tão desprovida? Às vezes achava que seu sentimento era tão pouco aquela imensidão que era seu humano.
Dean poderia parecer ser tão pouco, mas se ele fosse realmente essa insignificância que ele próprio achava que era, o Winchester primogênito nunca ganharia o amor de um Anjo. Seres celestiais gostavam de coisas puras, e para o moreno de olhos azuis, Dean era a coisa mais pura que residia entre os humanos.
Mesmo sendo um continuo pecador e provador do pecado.
E podemos aprender a amar novamente
Está nas estrelas
Foi escrito nas cicatrizes dos nossos corações
Não estamos quebrados, apenas curvados
E podemos aprender a amar novamente
O Novak só queria poder amar Dean sem limites, sem receio. Só queria expor para o loiro que alguém o amava incansavelmente de um tamanho sem limites, que até mesmo o infinito era pouco em relação à imensidão. Era clichê! Muito clichê! Era palavras banhadas em açúcar e que se Dean ouvisse-as, provavelmente caçoaria e teria algum problema de diabetes.
Mas o amor não era o clichê em forma de sentimento confeitado de açúcar?
E Cass tinha aquele sentimento explodindo em seu peito, que de começo não era nada mais do que uma pequena chama, que aos poucos fora se apossando de seu ser frio e inexpressivo, concertando suas falhas e tornando-o mais perfeito cada vez mais que sentia. Cada vez mais que amava seu humano.
E Castiel esperava que seu sentimento fizesse o mesmo com Dean, concertasse os rombos e rachaduras de sua alma. Ele não esperava que Dean o amasse de volta, mas ao menos esperaria que o loiro aceitasse seus sentimentos e aos poucos fosse entregue aos mesmos.
Caralho, amor era tão paradoxal. Tão horrendamente bom de se vivenciar! Cass estava viciado.
Desculpe-me se não entendo
De onde é que tudo isto está vindo
Pensei que estivéssemos bem (oh, tínhamos tudo)
Sua cabeça está perdendo o controle novamente
Minha querida, ainda temos tudo
E está tudo na sua mente (Sim, mas isto está acontecendo)
E o Novak nem se quer tinha noção de onde aquilo tinha vindo, de onde tudo começara. Só percebera quando já estava embriagado naquele vício e ver, falar, conversar com Dean era uma ação tão natural como respirar para os humanos. E quando ficava sem Dean, era como se estivesse sufocado, como se parte de si fosse arrancado de seu ser celestial.
O moreno não entendia muito bem os sentimentos, tivera uma breve noção quando se tornara humano, mas de uma coisa tinha certeza: era amor. Era o mais puro e belo amor o sentimento que nutria por Dean.
E quando se declarara para Dean, sentiu um peso sumir de suas costas, melhor ainda foi apreciar a noite ao lado do loiro. Fora os melhores momentos de sua longa vida. E foi uma pena seu sonho ter desmanchando-se a sua frente, no dia seguinte ao acordarem.
Aparentemente, Dean não o amava daquela mesma forma desumana que o Anjo o amava.
Você tem tido sonhos muito ruins, oh, oh
Você costumava deitar-se tão perto de mim, oh, oh
Não há nada além de lençóis vazios
Entre o nosso amor, nosso amor
Oh, o nosso amor, o nosso amor
Fora desperto de seus devaneios ao ouvir um muxoxo escapar pelos belos lábios do Winchester. O sonho ruim novamente estava invadindo os pensamentos de seu protegido e levando-o ao tormento sem fim. O loiro não poderia nem se quer estar livre em o que deveria ser seus sonhos.
Castiel continuou a desarrumar os fios aloirados enquanto brincava com o mesmo e com sua outra mão, entrelaçou seus dedos com os de Dean, sentindo a mão marcada pelo manuseio de armas brancas e de fogo. Mãos repletas de cicatrizes das lutas que seu pequeno ser humano tivera que batalhar.
O contato extra com o corpo do moreno, fizera com que mais uma vez Dean retornasse a inconsciência sem sonhos. Só que dessa vez, a inconsciência estava tênue em demasia com a consciência.
Castiel desejo que pudesse deitar-se ao lado de seu amor e abraça-lo com força, para reconforta-lo.
Dê-me apenas um motivo
Só um pouquinho já basta
Só um segundo, não estamos quebrados, apenas curvados
Infelizmente Dean nunca deixaria que aquilo voltasse a ocorrer, não sem que o Anjo recebesse uma bela esquerda na cara.
A falta de amor na vida de Dean, formara um homem relutante em aceitar sentimentos alheios, por mais verdadeiros que eles pudessem ser. E Cass tinha vontade de voltar no passado, somente para ensinar ao loiro que haveria alguém em seu futuro que o amaria tão incondicionalmente, que chegaria a doer.
E podemos aprender a amar novamente
Nunca parei
Você ainda está escrito nas cicatrizes no meu coração
Você não está quebrado, apenas curvado
E podemos aprender a amar novamente
E aquele sentimento latejante no peito do moreno, era o que cuidaria e acalentaria as cicatrizes marcadas na alma e coração de Dean. Era o amor que curaria o amor, ou ao menos, a ausência daquele sentimento.
O loiro não estava “quebrado”, ao menos não totalmente. E o que o concertaria, era aquilo que o fazia temer. Amar. Dean tinha que reaprender a amar.
Tão simples, mas tão complicado para o Winchester entender.
A Dean, você era tão complicado de entender, peças de quebra-cabeças embaralhadas e misturadas, louquinhas para serem montadas, mas complexas de mais para que qualquer pessoa desvendasse-as.
Oh, canais lacrimais e ferrugem
Vou consertar isso para nós
Estamos recolhendo poeira
Mas o nosso amor é o bastante
Você o está segurando
Você está servindo um drinque
Não, nada é tão ruim quanto parece
Diremos a verdade
Quando as peças finalmente fossem postas no lugar e as lágrimas que nunca seriam derramadas fossem acalentadas e devidamente secadas, talvez, somente talvez, Castiel pudesse ter o que ansiava.
E não era os sentimentos de Dean para consigo – não que não desejasse aquilo, queria muito que seus sentimentos fossem recíprocos, mas tinha coisas mais importantes do que isso -, era somente que Dean estivesse “curado”.
Curado daquela dor, daquele sofrimento que parecia ser sem fim e daquela sina infernal.
Mas as coisas nem sempre eram tão fáceis.
Dê-me apenas um motivo
Só um pouquinho já basta
Só um segundo, não estamos quebrados, apenas curvados
Dean estava gravido. Estava gerando um Nephilim! Estava gerando um fruto do pecado celestial e humano. Estava gerando o erro do amor de Castiel. Estava gestando.
Oh merda. Aquilo seria tão complicado. Nephilins eram criaturas terríveis. Eram gigantes que queriam acabar com a Terra e Céus, pareciam mais filhos de Demônios do que de Anjos.
E como um Anjo, era seu dever matar e exterminar qualquer possibilidade de aquelas criaturas voltarem a respirar o ar terrestre e voltarem a pisar naquele mundo.
Ele precisava matar aquele feto que era seu filho e no processo machucaria Dean.
E podemos aprender a amar novamente
Está nas estrelas
Foi escrito nas cicatrizes dos nossos corações
Não estamos quebrados, apenas curvados
E podemos aprender a amar novamente
Mas como poderia acabar matar seu filho? Como poderia ferir o seu amor?
Os sentimentos atrapalhavam sua lógica, seu raciocínio! Atrapalhavam na decisão da escolhe mais certa a se fazer e era por isso que Anjos não deveriam sentir, porque sentir era incomodo para que pudessem seguir as ordens sem questionamento, livre arbítrio.
Mas Castiel sentia! Sentia e muito. E sentia que nunca poderia olhar-se novamente ou continuar a viver se fizesse o certo.
Que Deus o perdoasse, mas não deixaria ninguém tocar naquelas vidas. Lutaria até com seus irmãos se fosse preciso.
Dê-me apenas um motivo
Só um pouquinho já basta
Só um segundo, não estamos quebrados, apenas curvados
Fora novamente desperto de seus devaneios quando as esmeraldas de Dean se abriram e encararam diretamente nas safiras de Castiel. Assustado, o loiro desvencilhou-se do toque de Cass – a mão em seu cabelo e os dedos entrelaçados – e institivamente colocou a mão sobre o ventre, protegendo sua prole.
Somente relaxou quando reconheceu a figura do Anjo ali, parado a sua frente e como sempre, não respeitando seu espaço pessoal. Mas dessa vez não iria importar-se. Estava feliz em ver Castiel ali, um sentimento que não sabia explicar.
Talvez porque o Anjo estava cumprindo sua promessa: não estava abandonando-o. Mesmo quando Dean pedira-o para ir embora, o Novak iria retornar, e Dean estava feliz por aquilo. Porque pela primeira vez na vida, ele sentia que alguém não iria deixa-lo.
E podemos aprender a amar novamente
Está nas estrelas
Foi escrito nas cicatrizes dos nossos corações
Não estamos quebrados, apenas curvados
E podemos aprender a amar novamente
O que era aquilo crescendo e explodindo no coração já gélido do Winchester mais velho? Era bom, era quente e Dean gostava da sensação. Um sorriso nasceu nos lábios perfeitos do humano.
– Cass... – o nome escapou pelos lábios do loiro, e o moreno tinha suas safiras brilhando em saber que seu protegido estava feliz em vê-lo. Temia que com aquele pedido, o loiro nunca mais queria olhar em sua cara!
O amor transbordava-o.
Oh, podemos aprender a amar novamente
Oh, podemos aprender a amar novamente
Oh, que não estamos quebrados, apenas curvados
E podemos aprender a amar novamente
Em um movimento incalculável, tanto para o Anjo quando para o humano, Castiel sentara-se na cama do Winchester e o abraçara com força, sentindo a fragilidade da carne humana entre seus braços, enquanto aquecia aquela alma destruída com todo o amor que o preenchia.
– Amo-te. – não resistiu em dizer em meio ao seu abraço com o loiro e antes mesmo que o mais velho pudesse assimilar aquelas palavras que já conhecia bem de mais para aqueles últimos dias, Castiel voltara a beija-lo, com toda a urgência do mundo. Com todo o amor do mundo.
Dean sentia-se infinito!
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