Sra. Williamson
19 Capítulo 18
Darcy estava dando as últimas orientações à Vicente quando Elisabeta invadiu seu escritório chamando por seu nome. Imediatamente ele levantou da cadeira, fazendo tremer a xícara de café em cima da mesa, o líquido respingando em alguns papéis.
— Elisa, o que aconteceu?
— Com licença, sr. Darcy. Srta. Elisabeta. — Vicente despediu-se baixo e apressado, procurando deixar os dois a sós o mais rápido possível. Não que estivessem realmente prestando atenção a ele. Seu chefe já estava de frente para a Benedito, passando as mãos pelo rosto dela, um olhar atento e preocupado.
— Meu amor, está tudo bem?
— Ah, Darcy! — a moça beijou o namorado, que permaneceu parado, sem saber o que estava acontecendo. — Meu amor! — ela riu — Então é recíproco? Papai estava certo? Ah, Darcy…
— Elisa, você está me assustando um pouco.
— Elisa? O que aconteceu com o “meu amor”?
Darcy sorriu e foi a vez dele de beijá-la, um beijo rápido, mas carinhoso.
— Meu amor, — ele riu novamente, a puxando pela mão — sente-se aqui e me conte, devagar, o que está acontecendo nessa sua cabecinha.
Elisabeta sentou. As mãos dele permaneciam nas dela, fazendo um carinho. Os olhos dele atentos a ela, cem por cento. Então ela o olhou, cada detalhe dele. O verde dos olhos que hoje eram um misto de claro e escuro, a perfeita junção do amor e da preocupação que Darcy sentia naquele momento. O cabelo dele estava impecável, e ele vestia apenas uma camisa social preta e o colete da mesma cor. O paletó descansava na cadeira e ela soube que isso era típico dele. Darcy Williamson era um homem bonito. Muito bonito. E ele a amava. Céus, como ela era sortuda. Elisabeta perdeu o ar por alguns segundos. Ela já havia se dado conta de sua sorte antes? O sentimento a fazia sentir-se flutuando. Queria olhar para Darcy e se sentir assim todos os dias, seria possível?
— Elisa? — A voz dele lhe trouxe de volta.
— Darcy.
— Elisa, você está se sentindo bem?
— Estou me sentindo ótima! Suspeito que nunca me senti tão bem antes.
Finalmente Darcy soltou o ar que estava prendendo, tamanha era sua preocupação. Ajoelhou-se diante de Elisabeta, aliviado.
— Você me deixou preocupado. Desde o acidente eu fico pensando que você pode voltar a sentir alguma coisa, ou sua memória sumir de novo ou… — ele suspirou — Fico feliz que você esteja bem. Qual o motivo de tanta felicidade?
— Darcy, sabe o que é melhor do que lembrar? Reviver. E foi isso que aconteceu. É isso que está acontecendo. Eu estou revivendo o meu amor por você. Eu amo você, Darcy. Eu já falei isso antes? Não importa, eu falo de novo e…
Darcy puxou o rosto de Elisabeta em sua direção para um beijo avassalador. Assim como o futuro que Elisa sempre idealizou, e agora estava começando a acontecer. Seu futuro era Darcy. Ah, as ironias do Destino.
Quando se separam era impossível dizer qual dos dois tinha o maior sorriso no rosto ou o maior brilho no olhar.
— Ah, Elisabeta… Elisabeta, Elisabeta… Meu amor. Eu lhe amo tanto! Eu amo você, Elisabeta Benedito.
— E eu amo você, Darcy Williamson.
Darcy levantou-se levando Elisa junto e a rodopiando no ar. Aquele abraço já era a marca registrada deles. Quando erguia Elisabeta no ar e a rodava Darcy sentia como se estivesse carregando o seu mundo inteiro. Meu Deus, ele sequer se reconhecia. Mas não havia problema nenhum em admitir que o Darcy que ele era com Elisabeta era sua melhor versão, e a única que ele fazia questão de ser e mostrar ao mundo de agora em diante.
Ele a amava. Desde que Elisabeta apareceu em sua vida ele foi inundado por sensações e sentimentos completamente novos e intensos. E agora ele tinha certeza de que era amor. E ela o amava de volta! Talvez ele estivesse sendo precipitado, talvez estivesse a um passo de colocar tudo a perder, mas sentia em seu coração que precisava fazer.
— Elisa, eu tenho algo para você. Eu estava tentando ir com calma, porque sei que você tem seus planos e sonhos e eu nunca — eu juro, nunca — quis atrapalhar nenhum deles, mas depois do acidente eu fiquei aterrorizado com a ideia de perder você. Elisa, olha pra mim. Eu não quero que você entenda isso como uma ofensa, ou falta de consideração com os planos que você fez pra sua vida. É o oposto disso, eu quero fazer parte dos seus planos, eu quero estar ao seu lado e aplaudir cada conquista sua, com esse amor e orgulho imensos que sinto por você.E agora que eu sei que você me ama também… Era tudo que eu precisava para criar coragem — Darcy caminhou até a gaveta de sua escrivaninha e pegou a pequena caixa guardada ali, ajoelhando-se, novamente, diante da namorada — Elisabeta Benedito, você me daria a honra de ser seu esposo o resto de seus dias? Você aceita ser a minha senhora Williamson?
Elisabeta estava estática. A boca aberta em um O perfeito. Encarava o anel de pedras azuis mais lindo que já vira na vida. Darcy estava nervoso, o coração quase parando. Os segundos que passaram em silêncio pareceu uma eternidade.
— Elisa… Eu preciso que você diga algo, mesmo que um não.
— Darcy…
— Foi cedo demais. Eu sabia. — a frustração e o nervosismo de Darcy eram evidentes, e ele fez menção de se levantar, mas Elisabeta ajoelhou-se também diante dele.
— Darcy, me escuta. Talvez seja cedo demais sim, afinal a gente se conhece há poucos meses, e eu não lembro de quase nada, sejamos sinceros. Mas eu sinto, e pra mim isso é o mais importante. Eu tinha muito medo de ter que abrir mão dos meus sonhos, mas eu sei que você nunca se tornaria um empecilho para eles. Aliás, quem disse que uma coisa não pode andar junto com a outra? Que as conquistas e o amor não dão sentido um ao outro? Pois como dão! E se dão! E tudo que vejo agora é o maior sentido do mundo. Você.
— Então é um sim?
— Sim. Sim! Sim! Eu amo você. Meu Deus, eu quero gritar para todos ouvirem. Elisabeta Benedito ama Darcy Williamson!
— Ah, o amor! Esse desconhecido que me fez atravessar um oceano para se apresentar para mim sob a forma de uma mulher maravilhosa. — Darcy segurou a mão de Elisa e colocou o anel, emocionado. — Era de minha mãe. Eu fiquei louco quando Charlotte o trouxe. Eu falei de você e imediatamente ela tirou conclusões. Eu acho que já era óbvio até para Charlotte, menos para nós. Mas eu fiquei louco, Elisa. Eu jurei nunca me casar, achei que não fosse capaz de amar alguém. Mas então você apareceu. A mulher perfeita para usar esse anel. Eu não consigo parar de pensar que minha mãe iria lhe amar de imediato.
— Você fala com tanto carinho da sua mãe, queria poder conhecê-la.
Darcy ajudou Elisabeta a levantar e ele sentou em sua cadeira com a noiva no colo.
— Ela foi uma mãe incrível. E uma mulher admirável. Eu vejo muito dela em você. O espírito aventureiro, a coragem, a determinação. Você são tão parecidas!
— Devo me preocupar? Você sabia que um médico austríaco disse uma vez…
— Eu sei quem é Freud, Elisa. — os dois riram e Darcy roubou um beijo dela. — O que eu quero dizer é que eu fui criado por uma mulher incrível e forte, e por causa disso todas as mulheres pareciam fúteis pra mim. Mas você é especial, Elisabeta Benedito. Você me enfeitiçou.
— Corpo e alma. — Darcy olhou para Elisabeta, a testa franzida e o coração cheio de esperança. — Eu tive a impressão de que já ouvi isso antes. É de algum livro?
Darcy a beijou. Beijou com todo o amor que sentiu naquele momento. Ele sabia que a memória de Elisabeta voltaria aos poucos, acreditava nisso. Mas de maneira alguma que ele esperaria por isso em vez de criar novas memórias.
— Você está feliz? — Ele perguntou enquanto passava as mãos pelo cabelo dela, em um cafuné.
— Como jamais achei que seria.
— Não precisamos casar agora, você sabe, não é?
— É incrível o quanto você me conhece.
— Vamos com calma. Você ainda precisa restabelecer sua rotina quanto ao jornal, retomar o ritmo. Tudo ao seu tempo. Desde que você me prometa que não vai mudar de ideia e desistir de casar comigo um dia.
— Você é o único homem com quem eu me casaria, Darcy.
— Engraçado você dizer isso, senhorita, porque eu me lembro de ter ouvido exatamente o contrário dessa sua boquinha linda.
— Minha boquinha linda faz várias coisas.
— Ah é? Me mostre.
***
Darcy não trabalhou mais durante todo o dia. Estava ocupado demais beijando Elisabeta em lugares nunca antes beijados, provando do sabor da pele dela, ouvindo sussurros e gemidos que saíam da boca dela, intercalados com o som da voz dela chamando seu nome. Eram seus sons preferidos dali em diante, perdendo apenas para o som da risada de Elisabeta.
Não estava nos planos dele que a primeira vez de Elisa fosse na mesa de seu escritório da ferrovia. E na cadeira. E novamente na mesa. E, para finalizar, no sofá. Mas Elisabeta não pareceu se importar, pelo contrário, a iniciativa partira dela. Darcy nunca cansava de se surpreender com a mulher em seus braços. A vida com Elisa jamais seria entediante ou sem graça, e nunca faltaria amor.
Estavam deitados no pequeno sofá do escritório, as pernas entrelaçadas, o suor de seus corpos misturados, os dedos dela desenhando as linhas do peito dele, enquanto ele beijava os cabelos dela. Se a cena se transformasse em um quadro estaria no Louvre, em uma galeria toda para ele, como a Monalisa.
— Você ainda vai jantar lá em casa? — Ela perguntou, erguendo um pouco a cabeça para depositar um beijo no pescoço dele.
Ele riu, e o som da risada dele ali, tão próxima de Elisabeta, que sentia o peito dele movimentar-se com o som, quase fez com que ela derretesse.
— Você não tem compaixão pelos nervos de sua mãe, Elisabeta Benedito.
— Ela descobriria de qualquer forma, não é um anel discreto, Darcy.
— Entendi, você quer que eu esteja lá para dividir com você os ouvidos para as recomendações e exigências da sua mãe quanto ao casamento. Eu vou acatar tudo, estou logo avisando. Se ela quiser nos casar amanhã eu direi sim.
Elisabeta o beijou e em seguida sentou-se no sofá, sem vergonha alguma de sua nudez. Darcy sentiu seu corpo inteiro reagir à visão.
— Eu vou contar que vamos voltar para São Paulo. Assim que você resolver as pendências aqui do Vale. Eu estava no meio do caminho para a concretização dos meus planos, eu não vou parar agora. E quero você comigo. Aliás, se não me falha a memória, foi o senhor — ela colocou o dedo indicador no peito dele e Darcy tremeu — que me pediu isso minutos atrás, para me acompanhar nos meus planos.
— Eu largaria tudo e iria hoje mesmo com você, Elisa. Para qualquer lugar do mundo.
— Então estamos combinados, vamos conquistar o mundo, Darcy Williamson! Juntos!
Ele levantou-se e a abraçou por trás, apoiando o queixo na curva do pescoço dela. Eu já conquistei o mundo, Elisa, e ele está bem aqui, dentro do meu abraço.
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