Notas iniciais
Voltei com um capítulo lindão para mostrar que eu não esqueci de vocês nem da fic. Espero que gostem. Boa leitura!

Darcy esperava Elisabeta do lado de fora do jornal. O sol estava se pondo em São Paulo, e o dia nem estava dos mais quentes, mas o inglês decidiu que levaria a noiva para tomar um sorvete.

Voltaram à capital há quase três meses. A rotina de Elisa no jornal já estava mais do que organizada, e agora escrevia uma coluna juntamente com Laura Vieira mensalmente, além da sua coluna semanal. Darcy estabeleceu a sede dos negócios dos Williamson em um pequeno escritório no centro da cidade, mas voltava ao Vale do Café a cada quinze dias para acompanhar de perto os últimos detalhes da ferrovia. Elisabeta o acompanhava quase sempre nas viagens, e em todas as vezes que ambos visitavam o Vale Dona Ofélia os pressionava para marcar a data do casamento. Era inconcebível para a matriarca dos Benedito que os dois estivessem praticamente vivendo juntos antes do casamento, mesmo que Elisabeta tivesse se estabelecido em um pequeno quarto no cortiço em que morava Olegário, que tornou-se grande amigo do casal depois de reencontrá-los — e ainda mais amigo de Charlotte -, que agora morava com o irmão na casa que compraram na capital, e onde Elisa passava quase todas as noites, salvo aquelas em que Darcy não estava com ela no cortiço.

O barulho do automóvel se aproximando fez com que Darcy desviasse sua atenção para a rua. Edgar Vieira juntava-se a ele na espera pelas esposas. Os casais tornaram-se grandes amigos e noites regadas a vinho e conversas passaram a fazer parte da rotina, e não muito tempo depois Laura engravidou, deixando a pequena filha de Edgar ansiosa pelo irmão. Quem também ficou ansioso com a chegada do bebê foi Darcy, que não conseguiu afastar os pensamentos de Elisa segurando um bebê seu nos braços. Por Deus, ele estava desesperado para que sua sogra vencesse Elisabeta pelo cansaço, tudo que Darcy mais queria era ser oficialmente esposo de Elisa.

Não demorou muito para que as duas amigas jornalistas surgissem na porta do jornal, rindo sobre o tópico de sua conversa.

—Veja se não é o homem mais apaixonado de São Paulo esperando à nossa porta! — Laura comentou alto demais para que os rapazes pudessem ouvir.

—Quem? O Darcy? — respondeu Elisabeta, rindo divertida.

—Edgar! Olha a cara de bobo!

—Desculpe, achei que estava falando da cara de bobo do meu noivo!

As duas riram e se despediram com um rápido aceno, cada uma mais apressada do que a outra para encontrar o homem à sua espera.

Darcy recebeu a noiva com um beijo apaixonado, acariciando seu rosto.

—Pensei em tomarmos um sorvete antes do jantar.

—Meu Deus, você será um pai terrível. As crianças vão lhe amar, e eu serei a mãe chata que briga pela sobremesa que veio antes do jantar.

—Eles vão precisar de um pulso firme, felizmente terão você. — Darcy deu partida no carro — Hoje você dorme lá em casa, certo? Partiremos logo cedo pela manhã, Camilo já me ligou duas vezes para lembrar da festa de noivado.

—Eu queria ter ido antes, me sinto mal por não estar ajudando Jane nos preparativos, dona Ofélia com certeza a está enlouquecendo.

—Com você lá ela poderá enlouquecer a nós e esquecerá um pouco Jane e Camilo.

—Acabei de mudar de ideia, vamos chegar só para o jantar de noivado.

—Eu vou acabar me unindo à minha sogra, você está fugindo de mim, Elisabeta Benedito!

***

Era quase hora do almoço quando Darcy, Elisa e Charlotte chegaram à casa dos Benedito. Todos estavam eufóricos e ocupados com os últimos preparativos para o jantar. Dona Ofélia havia praticamente se mudado para a mansão dos Bittencourt, e Darcy suspeitava que Julieta estava a um passo de enlouquecer. Ema, por outro lado, deveria estar adorando mais uma festa acontecendo dentro de sua casa. Foi seu Felisberto que os recebeu, abraçando a filha cheio de saudade e cumprimentando o genro com alegria. Logo após o almoço Elisa e Charlotte juntaram-se a Ema e as meninas Benedito para ajudar Jane com o vestido e o penteado. Nada no mundo poderia se comparar à satisfação de Elisabeta ao ver a irmã tão feliz e apaixonada. Jane e Camilo eram perfeitos um para o outro, não restavam dúvidas de que seriam o casal mais carinhoso e caridoso de todo o Vale.

A noite chegou bonita e tranquila, e apesar da empolgação de dona Ofélia o jantar estava simples e delicado, como os noivos. Todos choraram quando Camilo pronunciou os pequenos, mas lindos votos de noivado. Julieta e Ofélia disputavam o posto de mãe mais encantada e feliz. As irmãs Benedito compartilhavam da mesma emoção.

Os casais uniram-se aos noivos na dança principal. Um sentimento de completude inundou Ofélia e Felisberto ao verem as cinco filhas no salão, todas claramente apaixonadas. Elisabeta, Jane e Cecília noivas. Mariana e Lídia a um passo do mesmo destino. Eles não podiam ser mais gratos pelos genros. Haviam feito um bom trabalho ao criarem suas meninas, ao lhes ensinarem o significado de amor e felicidade.

Ao final da valsa principal os convidados foram cumprimentar os noivo e Elisa aproveitou para puxar Darcy discretamente pela mão até o jardim da mansão. Quando viram-se finalmente sozinhos os dois se beijaram. Um beijo que começou lento, mas logo foi ficando quente. As mãos de Darcy explorando o corpo que agora ele conhecia tão bem, depois de muitas noites juntos, ora na cama dele, ora na cama dela. E, ainda assim, os cheiros, os gostos, as texturas, pareciam novas a cada novo contato. Era o amor se reinventando a cada toque.

—Ah, Elisa… Meu amor… — Darcy afastou sua boca da dela com alguma dificuldade, encostando suas testas. — Como pode eu já estar morrendo de saudade de você?

—Eu acho que podemos dar um jeito nisso. Será se notariam nossa ausência? Você ainda tem um quarto aqui, certo?

—Elisabeta, Elisabeta… — Darcy riu. — Eu amo esse seu jeito decidido e sem medo do perigo. Você é um furacão, mulher!

—Por falar em ser decidida… — Elisa passou a mão pelo peito de Darcy, e ele segurou seu pulso.

—Elisa…

—O que você acha… — ela passou a mão livre pelo peito dele — de ser oficialmente meu esposo… — a mão descendo pela barriga dele — amanhã?

—Amanhã? — Darcy saltou para trás — Elisa, você está falando sério? Olha pra mim. Meu amor…

—Estou decidida, Darcy. Eu já o considero meu esposo. Já estamos praticamente morando juntos. Já fazemos tudo que marido e mulher fazem. Eu o amo. Você me ama. Vamos oficializar, sei que isso é importante pra você.

—É, muito.

—Entāo vamos nos casar! Amanhã mesmo. Aqui no Vale.

—Você não quer uma festa? Um jantar com sua família? Eu só tenho Charlotte, eu só preciso dela.

—E eu só preciso das minhas irmãs e meus pais. Não preciso de festa, de dança, de convidados. Só do nosso amor e dos nossos amores.

—Pois vamos voltar para o salão agora mesmo e nos casar!

—Darcy, é o noivado de nossos irmãos. A noite é deles. Amanhã é melhor.

—Você é má. Como irei dormir sem você essa noite sabendo que logo em breve seremos sr e sra Williamson?

—Aproveite sua última noite de solteiro, sr Darcy, pois depois de amanhã não pretendo soltá-lo nunca mais.

—Eu espero realmente que não solte, srta Benedito.

***

Nenhum dos dois dormiu naquela noite. Darcy sentia falta do corpo de Elisabeta próximo ao seu, o cheiro do cabelo dela próximo ao seu nariz, e a ideia de tê-la ao seu lado todas as noites o deixava ansioso. Era difícil para Elisa guardar o segredo, ela queria pular na cama de Jane e contar a ela. Queria acordar a casa inteira e gritar para o mundo inteiro que no dia seguinte seria oficialmente a sra Williamson.

Antes mesmo do dia amanhecer Darcy já estava vestindo o seu melhor terno. Poucos minutos depois acordou Charlotte, Ema e Camilo e exigiu que eles se vestissem o mais rápido possível. É uma surpresa, ele dissera.

Na casa dos Benedito a família tomava café enquanto observava a primogênita andando de um lado para o outro próxima à janela. Elisabeta estava claramente impaciente, mas Felisberto sequer teve tempo de questionar a filha, pois um Darcy muito eufórico logo surgiu à porta. Ele e Elisa trocaram um sorriso capaz de iluminar todo o Vale.

— Bom dia, Seu Felisberto. Dona Ofélia. Meninas. — cumprimentou o lorde, com muita dificuldade de direcionar seu olhar a outra pessoa que não fosse sua futura esposa. — Eu quero convidá-los para um passeio. Elisa, você está pronta?

A caravana que seguiu nos carros de Darcy e Camilo estava completamente confusa. Dona Ofélia não parava de dizer que o pobre do Darcy já estava contaminado pela inconsequência de Elisabeta e que os dois não possuíam compaixão alguma pelos nervos dela. Cecília e Jane já haviam imaginado todas as situações românticas possíveis, mas nenhuma delas jamais poderia ser comparada à cena que se seguiu.

A pequena capela do alto do morro estava decorada com flores brancas e vermelhas e o padre já os aguardava no altar. Dona Ofélia apoiou-se no braço do marido e Mariana logo se antecipou:

—Mamãe, não desmaie. Ninguém aqui está disposto a esperar a senhora acordar.

Todos riram e Ofélia caiu sentada no banco da igreja, apoiada por Felisberto. As irmãs Benedito assistiam emocionadas Elisa conversar com Darcy e o padre e logo se dirigir para o fundo da capela. Charlotte sentou-se ao piano acompanhada de Lídia, que abriu a boca para entoar uma linda canção para anunciar a entrada da noiva, mas foram interrompidas por Darcy.

—Só um minuto, meninas! Tenho certeza de que não há ninguém mais ansioso do que eu para que isso aconteça, mas está faltando algo.

Sem esperar pela reação de ninguém Darcy saiu da capela e voltou com um pequeno buquê de flores recém colhidas por ele mesmo. Entregou à Elisabeta e beijou sua bochecha. Te espero no altar, cochichou.

Novamente a música de Lídia se fez presente e todos olhavam encantados para a futura sra Williamson a andar emocionada pelo pequeno corredor.

Notas finais
É com muita tristeza que digo que esse é o último capitulo de Sra Williamson :(((( Mas prometo voltar logo com o epílogo. Obrigada por acompanharem até aqui.